Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico – O socialismo utópico (Parte I)

Nota do blog: Publicamos a seguir a primeira parte do documento Do socialismo utópico ao socialismo científico, do grande dirigente do proletariado internacional Friedrich Engels. O documento, na verdade parte do seu trabalho Anti-Duhring – no qual combate o oportunismo do intelectual social-democrata alemão Duhring – é uma exposição bem propositiva da doutrina marxista proletária. De fundamental importância para o estudo consequente do marxismo.


Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico

Friederich Engels

I – O Socialismo Utópico

O socialismo moderno é, em primeiro lugar, por seu conteúdo, fruto do reflexo na inteligência, de um lado dos antagonismos de classe que imperam na moderna sociedade entre possuidores e despossuidos, capitalistas e operários assalariados, e, de outro lado, da anarquia que reina na produção. Por sua forma teórica, porém, o socialismo começa apresentando-se como uma continuação, mais desenvolvida e mais conseqüente, dos princípios proclamados pelos grandes pensadores franceses do século XVIII. Como toda nova teoria, o socialismo, embora tivesse suas raízes nos fatos materiais econômicos, teve de ligar-se, ao nascer, às Idéias existentes.

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Declarações do Terceiro Encontro dos Partidos Maoistas da Europa (novembro de 2018)

Nota do blog: Publicamos tradução não-oficial das três resoluções aprovadas pelo III Encontro dos Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas-Maoistas da Europa, assinadas por seis partidos participantes. Saudamos desde o Brasil a realização do encontro, como parte da marcha batida rumo à Conferência Internacional Maoista Unificada.


Proletários de todos os países, uni-vos!

Resolução do Terceiro Encontro dos Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas-Maoistas da Europa

Terceiro Encontro dos Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas-Maoistas na Europa

Nós, Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas-Maoistas realizamos nosso Terceiro Encontro. Encontro, que segue o caminho traçado nos Primeiro e Segundo Encontros, rota posta em marcha pela iniciativa do Quinto Encontro dos Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas-Maoistas da América Latina. A conclusão com êxito do Terceiro Encontro sela outro marco no processo de unificação [do Movimento Comunista Internacional] em marcha mediante o debate teórico e a ação conjunta, na luta ininterrupta pela unidade ideológica alcançada sobre a base do Marxismo-Leninismo-Maoismo, principalmente do Maoismo, e no prosseguimento de nossas guerras populares, sempre inseparável da luta contra o revisionismo, com os quais vamos fortalecer nossos esforços para servir à Revolução Proletária Mundial.

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A guerra de guerrilhas (V. Lenin, 1906)

Nota do blog: Publicamos a seguir o documento A guerra de guerrilhas, do camarada Lenin, de 1906. Aqui o chefe da revolução russa examina a importância da guerra de guerrilhas e sua força e importância, desde que dirigida pelo partido revolucionário do proletariado no cumprimento dos objetivos políticos. Aqui, também, Lenin expõe embriões da concepção marxista-leninista-maoista, principalmente maoista da necessidade de militarização do Partido Comunista, quando destaca que “em época de guerra civil, o partido deve ser um partido de combate” e que os comitês do partido, para poderem dar direção às guerrilhas, “devem aprender a combater”.

O partido militarizado é um aporte dado ao tesouro da ideologia do proletariado pelo pensamento gonzalo, aplicação do maoismo às condições concretas e particulares do Peru em guerra popular.


A guerra de guerrilhas

A questão das ações de guerrilhas interessa muito o nosso Partido e a massa operária. Abordámos já muitas vezes esta questão, mas superficialmente, e temos agora a intenção de chegar, como prometemos, a uma exposição mais completa das nossas ideias sobre este assunto.

I

Comecemos pelo princípio. Que exigências essenciais deve apresentar um marxista no exame da questão das formas de luta? Em primeiro lugar, o marxismo difere de todas as formas primitivas do socialismo porque não subjuga o movimento a qualquer forma de combate único e determinado. Admite os métodos de luta mais variados; mas não os «inventa»; limita-se a generalizar, organizar, tornar conscientes os métodos de luta das classes revolucionárias, que surjam espontaneamente mesmo no decurso do movimento. Absolutamente hostil a todas as formas abstratas, a todas as receitas doutrinárias, o marxismo quer que se considere atentamente a luta de massa que se desenvolve e que, à medida do desenvolvimento do movimento, dos progressos da consciência das massas, do agravamento das crises econômicas e políticas, faça nascer sem cessar novos sistemas, cada vez mais variados, de defesa e de ataque. É a razão porque o marxismo não repudia de uma maneira absoluta nenhuma forma de luta. Em nenhum caso, entende limitar-se às formas de luta possíveis e existentes num dado momento; reconhece que uma modificação da conjuntura social conduzirá inevitavelmente ao aparecimento de novas formas de luta, ainda desconhecidas dos militantes do dito período. O marxismo, neste sentido, instrói-se, se se pode dizer, na escola prática das massas; está longe de pretender ensinar as massas propondo-lhes formas de luta inventadas por «fabricantes de sistemas» no seu gabinete de trabalho. Nós sabemos – dizia, por exemplo, Kautsky examinando as formas de revolução social – que a futura crise nos trará novas formas de luta que não podemos prever atualmente.

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Como ser um bom dirigente (Chou Enlai, 1943)

Nota do blog: Publicamos a seguir esquema da intervenção do camarada Chou Enlai, importante quadro dirigente do Partido Comunista da China e da Revolução Chinesa, sobre o papel e a política que devem adotar os dirigentes para cumprir bem seu trabalho.


Como ser um bom dirigente

Esquema para a conferência sobre a direção e a verificação

Chou Enlai

22 de abril de 1943

I – Definição do dirigente

Todo quadro em geral tem a possibilidade de encarregar-se de algum trabalho de direção e muitos deles o estão fazendo. Por trabalho de direção aqui nos referimos ao que fazem os quadros dirigentes em todos os níveis: superior, intermediário e inferior.

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Viva o 84º aniversário do natalício do Presidente Gonzalo e do Dia do Exército Popular de Libertação (Partido Comunista do Peru, dezembro de 2018)

Tradução não-oficial


O Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização) expressa neste novo aniversário sua saudação e sujeição incondicional ao Presidente Gonzalo, Chefe do Partido e da revolução, o maior marxista-leninista-maoista vivo sobre a face da Terra, mestre de comunistas, continuador de Marx, Lenin e do Presidente Mao Tsetung, centro de unificação partidária e garantia de triunfo até o comunismo.

O Presidente Gonzalo foi quem reconstituiu o Partido, fundou o EPL, iniciou e desenvolveu a guerra popular, defendeu o maoismo como nova, terceira e superior etapa da ideologia do proletariado internacional, é ele quem dirige a contraofensiva revolucionária marxista-leninista-maoista, pensamento gonzalo, contra a ofensiva contrarrevolucionária geral do imperialismo ianque como superpotência hegemônica única, em conluio e pugna com a superpotência imperialista russa (cachorro magro) e demais potências imperialistas, a reação mundial e seus serviçais do velho e do novo revisionismo.

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Um falso conceito sobre a Revolução Brasileira – Uma crítica a Caio Prado Jr.

Rui Facó – Polêmica apresentada no IV Congresso do PCB – 1954/1955

O artigo do camarada Caio Prado Júnior, no “Boletim de Discussão” nº 13 do IV Congresso, pode ser qualificado, sem exagero, de idealista. Nada ali se baseia na nossa realidade atual para apreciar a Revolução Brasileira. O que Caio Prado Júnior apresenta não são “fundamentos econômicos” da Revolução Brasileira: apenas dá asas à sua imaginação.

No entanto, por tratar de um dos pontos básicos da Revolução Brasileira, a questão agrária, o artigo de C. P. J. requer uma análise mais detalhada que a simples rejeição. É o que tentaremos fazer aqui.

Antes de tudo, C. P. J. nega que no Brasil existam restos feudais, “nem existiu nunca no Brasil” o feudalismo – afirma.

É claro que não se trata de uma tese original. Numerosos “sociólogos” da classe dominante afirmam isso diariamente. Quando Prestes pronunciou seu famoso discurso sobre os problemas do campo do Brasil, em junho de 1948, na Assembleia Constituinte, encontrou a mais rija “contestação” às suas palavras sobre os restos feudais em nosso país, justamente por parte de elementos representantes das classes dominantes, tanto no parlamento como na imprensa, que partiam da negação do próprio latifúndios.

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Entrevista com GN Saibaba, vice-presidente da Frente Democrática Revolucionária da Índia (Il Manifesto, 2010)

Nota do blog: Publicamos a seguir entrevista concedida por GN Saibaba em 2010, para o periódico italiano Il Manifesto, por meio da jornalista Geraldina Colotti. O publicamos como parte da campanha pela libertação imediata e incondicional deste importante intelectual e democrata indiano, preso hoje acusado de vinculo com o Partido Comunista da Índia (Maoista), que lá dirige uma guerra popular prolongada pela conquista do Poder em todo o país.


Entrevista com GN Saibaba,
vice-presidente da Frente Democrática Revolucionária da Índia

1)Você pode me dar algumas informações biográficas e profissionais sobre você? Qual é o seu papel político atual? Você vive e trabalha no Estado de Andhra Pradesh?

Resposta: Comecei minha militância social nos meus tempos de estudante, a partir de 1989. Eu estava associado a um movimento estudantil revolucionário chamado União dos Estudantes Radicais – (UER) – que se originou, em 1980, no Estado de Andhra Pradesh. Este grupo estudantil mobilizou centenas de milhares de estudantes em todas as questões sociais e políticas pertinentes aos estudantes e instituições educacionais. Foi ela que lançou o histórico chamamento aos estudantes para “Ir para Aldeias”. Esta chamada realmente revolucionou os espaços urbanos em Andhra Pradesh. Esta organização foi proibida pelo governo em 1991. Inúmeros líderes estudantis revolucionários foram mortos a sangue frio pelas autoridades policiais ou pelas forças armadas do Estado. Mais tarde comecei a trabalhar em uma organização anti-imperialista, formada em toda Índia, chamada Fórum de Resistência de Todos os Povos da Índia – (FRTPI). Esta organização anti-imperialista trabalhava para mobilizar centenas de milhares de pessoas em todo o país, em grandes comícios e manifestações contra o Projeto Dunkel, contra a OMC, contra as mortes por suicídio de agricultores, contra as guerras imperialistas e todas as outras principais políticas pró-imperialista dos governantes indianos. O FRTPI, em 2005, se fundiu com outras organizações semelhantes para formar a Frente Democrática Revolucionária – (FDR). É uma federação de organizações de pessoas revolucionárias como operários, camponeses, jovens, estudantes, mulheres e  organizações culturais revolucionárias em 13 estados da Índia. Na maioria dos estados, seus membros e principais funcionários foram detidos e encarcerados. Centenas de seus funcionários ou sofrem nas prisões ou trabalham de várias maneiras. Mas ela ainda funciona vigorosamente entre as pessoas. Seus membros estão sendo marcados como tendo ligações com o PCI (Maoísta) apenas porque também acreditam na transformação revolucionária da sociedade indiana. Entretanto a esmagadora maioria do subcontinente também acredita.

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Reconstituir o Partido Comunista da Noruega! (Tjen Folket, novembro de 2018)

Nota do blog: Publicamos importante documento assinado por militantes comunistas noruegueses, publicados originalmente no site Tjen Folket e repercutido no Dem Volke Dienen (Servir ao Povo, Alemanha). Tradução não-oficial – pode conter imprecisões.


Reconstituir o Partido Comunista da Noruega!

Em 4 de novembro de 1923, o Partido Comunista da Noruega (PCN) foi estabelecido pela primeira vez. Já fazem 95 anos desde então. Existe uma organização que continua a usar este nome, mas não é um partido comunista. Portanto, o objetivo mais importante dos comunistas é reconstituir o Partido Comunista da Noruega, organizar e estabelecer novamente este partido, e desta vez como um partido maoista.

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