Materialismo dialético e curvas de aquecimento: O que eles têm em comum?

Nota do blog: A seguinte publicação é um breve comentário escrito por Ana Luiza Marciano, publicado originalmente pelo Diário Liberdade, sobre o materialismo dialético e seu método científico em comparação com outros métodos igualmente científicos, como a física e a química. Importante leitura pela sua compreensão fácil e rápida acerca do marxismo como ciência social. Boa leitura!


Materialismo dialético e curvas de aquecimento: O que eles têm em comum?

Não há sentido ao analisar estruturas de poder e dominação se as tratarmos como algo místico que não possa ser mudado.

O materialismo [dialético], então, incorpora a filosofia dialética, a compreensão que tudo está em plena movimentação e em sentidos contraditórios, onde seus choques são capazes de gerarem como resultado alterações às estruturas que constroem/estão inseridas. O que pode parecer ser imutável ao ponto de possuir uma natureza estática, na verdade, pode ser mudado radicalmente. Isso se deve pelo fato de que não há nenhuma relação que se mantenha estática, parada no tempo. Por trás de radicais transformações e rígidas permanências, literalmente “nos bastidores”, há forças em agitações contrárias em plenos confrontos e as que mostram mais estabilidade, ou seja, se mantém mais firmes e conseguem resistir aos enfrentamentos preservando o fluxo de sua orientação frente à estrutura, são as dominantes.

A causa de mudanças, assim como Mao Tsetung [foto] bem nos lembra, poderá ser externa, porém sua base de alteração será sempre interna. Pensemos na razão pela qual a água pode ser transformada em gelo ou em vapor, pois é pelo potencial de alteração da sua própria temperatura [em confronto à temperatura do meio] que temos suas transições entre estados. Também aprendemos, parafraseando o que resta da fala de Mao, que as buscas por transformações devem estar atentas as relações que procurarão confrontar, pois ao afirmar o fato que a água somente tenha potencial para transformar-se em gelo ou em vapor e nunca em ouro ou nitrogênio, somos aqui situados que as resultantes das contradições possuem permanentemente conexões aos espaços das relações situadas e suas manifestações práticas.

Tomamos como exemplo esse gráfico de aquecimento de uma substância pura que demonstra muito bem o mecanismo da transformação dialética:

Do ponto A para o ponto B a substância se encontra no estado sólido da matéria, porém no ponto C se encontra no estado líquido. Como isso pode acontecer? Simples: de B para C uma gradual alteração de temperatura está acontecendo. Se tudo a ser analisado for a linha contínua entre os pontos, você estará observando somente as contradições externas e não as internas. A transfiguração já está acontecendo de B para C, mesmo que a temperatura não mude esteja apresentando mudança, pois entre o espaço do ponto B ao ponto C cada interação molecular e microscópica, que estava junta até então enquanto estado sólido, estão sendo enfraquecidas. Até o ponto C a substância aparentemente é um sólido, apesar de você começar a enxergar gotículas de vapor que já estão por indicar que está acontecendo internamente. Nesse exemplo da curva de aquecimento nenhum dos fatores aconteceu ao mesmo tempo, logo a resultado de mudança e/ou transformação é o estado final dela após o aquecimento.

Tudo o que é sólido não se transforma imediatamente em líquido. Todas as ligações até então presentes são quebradas até que as condições para que a substância fique sólida desapareçam. Então qual o ponto desse gráfico todo? É que as transformações sociais ocorrem da mesma forma que o aquecimento de uma substância. Todo processo revolucionário que apareceu na história foi a conclusão de um processo gradual, provando que as revoluções não ocorrem ‘do nada’.

Se nós quisermos transformações revolucionárias temos que criá-las e construí-las pedaço por pedaço, pois construir lutas contrárias à estruturas que não compreendemos como se manifestam suas relações é a mesma coisa que ler um gráfico de aquecimento somente pelo vetor contínuo de temperatura. O cientista que apreende como se dão as manifestações de uma substancia frente à exposição de calor carregará consigo o saber do quanto será suficiente para chegar ao estado de transformações que desejar. Similar ao processo, entendendo as contradições da estrutura social e estudando os efeitos da mesma, nós podemos aplicar nossos mecanismos de lutas para iniciar processos de ruptura.

E é por termos nosso método de estudo de relações estruturais isso que queremos dizer quando afirmamos que o Marxismo é uma ciência. É uma ciência social e também engenharia assim como a biologia ou a química. As correspondências entre a filosofia materialista e dialética e a matemática nas suas amplas definições não são uma coincidência. Assim como a matemática enquanto teoria científica é aplicada na engenharia, o materialismo dialético é aplicado na teoria marxista.

Entendendo o materialismo dialético e a forma como as coisas mudam,nós aprendemos a identificar e descrever e isso significa que nós podemos formular teorias e quando temos teorias nós podemos testá-las e finalmente quando testarmos essas teorias e confirmar a veracidade delas podemos transformar a teoria em uma prática eficiente.

”O critério da verdade não pode ser outro senão a prática social. O ponto de vista da prática é o ponto de vista primeiro e fundamental da teoria materialista dialética do conhecimento” (Mao Tse Tung).

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