Opinião: “A maior virtude do revolucionário é a paciência”

Nota do blog: Em virtude dos cada vez mais pertinentes debates entre os “marxistas” (leia-se ‘debatedores de internet’) e indivíduos com pensamentos políticos vacilantes e atrasados, a autoria em questão, companheira Isabel Elina*, dedica algumas linhas à crítica. Levando em conta que tais “marxistas” mais parecem estar interessados em inflar o próprio ego do que contribuir para o crescimento politico dos demais, a companheira alerta para o afastamento que este tipo de conduta promove, gerando uma impressão de vulgaridade do marxismo e um crescente afastando dos indivíduos em geral da causa do comunismo. A companheira, portanto, aponta para a necessidade da paciência, da conduta comunista de educar através da fraternidade e não da hostilidade, levantando alto a consigna de “servir ao povo de todo coração!”. Texto destinado à seção Opiniões.


“A maior virtude do revolucionário é a paciência”
– Carlos Marighella

Não desconsideramos a internet como uma via de alcançar pessoas politicamente atrasadas, muito pelo contrario, é uma via importante, porém a mais limitada e não a única. Foi na internet que muitos companheiros deixaram de lado a demagogia e descobriram o verdadeiro significado da palavra “servir ao povo”. Os ditos comunistas de internet que chegam dando voadora, carteirada nos mais atrasados, nos mais destituídos de conhecimento teórico, demonstra toda sua incapacidade de serem didáticos e mostram-se incapazes de “servir ao povo de todo coração”.

Militante comunista tem sim o dever de ensinar e educar, colocar seu conhecimento ao serviço das massas. De onde estes senhores tiraram que se um determinado grupo que reproduz os discursos dos filhotes do imperialismo é inimigo do povo sendo eles o povo?

O método de “educar”, “ensinar” e “colocar seu conhecimento ao serviço das massas” para alguns indivíduos é precisamente chamar um indivíduo politicamente atrasado de “burro”. Esse tipo de conduta não é uma conduta moral, íntegra e característica dos comunistas. “Você precisa estudar mais” também não. Afinal, “estudar”? “Estudar” o quê? “Ora, estudar Marx!”, respondem os discutidores dos grupos “comunistas”. Expliquem-nos os senhores como uma indicação tão vazia e desprovida de interesse como esta poderia levar alguém a entender uma questão tão complexa quando as postas por Marx, que escrevia para o ciclo acadêmico mais desenvolvido da Europa do século XIX?

Esse tipo de conduta desinteressada geralmente isso vem de “comunistas” de internet (os conhecidos “debatedores dos grupos”)… Aliás, comunistas não. Na verdade a coisa toda começa assim: um moleque que tem acesso à internet, por ‘n’ fatores pessoais, decide que se simpatiza com o “comunismo” (como ele conhece, ou seja, “uma sociedade correta e que todos têm igual, as mesmas coisas” (sic)), então este moleque entra num grupo de debate e começa a pescar frases e opiniões prontas dos mais ativos do grupo. Pronto, ele se chama a si mesmo de comunista. Cá entre nós que a maioria dos “marxistas” de internet é este moleque, em níveis diferentes de “evolução”, mas é ainda este moleque. Mas o marxismo tem três partes constitutivas: socialismo científico, economia política e filosofia marxista** – e se o “marxista” não compreende essas três partes com consciência e ativamente, ele não é capaz de discernir marxismo do “marxismo” (falso marxismo); ele não sabe discernir os ensinamentos corretos do “marxismo” errôneo, deturpado. Enfim, ele não é marxista, por mais que chame a si mesmo assim.

Outra constatação: se determinada página fala algo de cunho pejorativo acerca de Marx, chega um, dois, três em sua defesa da forma mais ridícula que não deveria ser postura de militante – porque a maioria não o é. Eu me pergunto qual seria a postura destes senhores, iludidos com a “prática” na internet, quando chegassem numa favela ou no campo e escutassem alguns operários ou camponeses elogiando Bolsonaro, a bancada evangélica ou dizendo que o regime militar foi bons tempos; ou tendo atitudes incorretas de todo tipo. Porque não sabemos se chega ao conhecimento desses caras de egos inflados que a periferia compra o discurso das classes dominantes. Qual a parte do “as ideias dominantes são as ideias das classes dominantes” estes senhores ainda não entenderam? Vão dizer que eles são “burros”? Vão dizer que estes são “inimigos do povo”? Vão se enfurecer em nome de Marx?

Esperamos que estes indivíduos, que obviamente têm tudo para evoluir e se tornarem autênticos comunistas munidos com a ideologia e prática do proletariado, se eduquem para enfim serem capazes de sair de trás da tela de um computador para enfrentar as massas como se encontram hoje: dispersas, à mercê da ideologia do imperialismo e da burguesia. Esperamos que percebam a importância de ser paciente. O método comunista e proletário de educação é aproximação-crítica-aproximação, e não hostilidade-crítica-hostilidade, método este característico da mesquinhez da pequena-burguesia. Porque, companheiros, quando o assunto é educar as massas, por pior que seja o discurso que elas propagam, vale tudo! Isto é servir ao povo de todo coração!

*Isabel Elina é de Belo Horizonte (MG) e é do ramo de TI.

**https://www.marxists.org/portugues/lenin/1913/03/tresfont.htm

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