Combater ou defender o chavismo: luta entre marxismo e revisionismo (PCE – Comitê de Reconstrução)

Nota do blog: Artigo dos companheiros do PCE – Comitê de Reconstrução sobre o debate instaurado no Movimento Comunista Internacional em torno do “bolivarianismo” e da luta entre frações, em mais uma luta para impor o maoismo como ideologia única do proletariado na atualidade. Traduzimos pela sua importância essencial.


Combater ou defender o chavismo: luta entre marxismo e revisionismo

Partido Comunista do Equador – Comitê de Reconstrução
11/03/2013

“Dentro do Partido se produzem constantemente oposição e luta entre diferentes ideias. Isto é um reflexo, no Partido, das contradições entre as classes e entre o novo e o velho na sociedade. Se no Partido não houvesse contradições nem lutas ideológica para resolver, a vida do Partido chegaria ao fim”. (Mao Tsetung)

A luta contra o regime fascista de Chávez-Maduro na Venezuela se transportou diretamente ao seio do Movimento Comunista e revolucionário Internacional, é uma luta entre marxismo e revisionismo.

Nesta luta nós comunistas e revolucionários não podemos ceder um milímetro, pois que se defenda o Chávez através das posições do hoxhaísmo, trotskismo, anarquismo, prachandismo, etc. não é nada surpreendente nem preocupante, mas quando alguns autodenominados maoístas pretendem defender o processo fascista-corporativista de Chávez-Maduro na Venezuela supostamente através de posições “maoístas”, o que não se pode permitir, isto é, devemos lutar contra o novo revisionismo, que é maoísta de palavra e oportunista na prática.

Para seguir impulsionando o debate e a tomada de posição, levantamos os seguintes pontos como parte da luta de duas linhas no seio do MCI, luta que deve assumir-se com maturidade proletária:

1. Alguns partidos e organizações vem sustentando que o dito governo é “contra o imperialismo ianque”. Em que sustentam essa postura? Simplesmente nas declarações demagógicas do regime venezuelano, mas a realidade prática é bem distinta. Venezuela é o terceiro país que abastece de petróleo o USA com 35 milhões de barris por mês, depois de Canadá e Arábia Saudita. A dívida externa da Venezuela com China e Rússia durante esta década e média ascende a 135.000.000.000 (135 bilhões) de dólares. Em 2012 a Venezuela importou mercadorias provenientes do USA por um montante de 17.600.000.000 (17 bilhões e 6000 milhões) de dólares, o que representa 43% das importações deste país. Nessas condições, o principal sócio comercial da Venezuela é o próprio imperialismo ianque. Simultaneamente, Chávez-Maduro vem servindo à política do USA como quando Chávez disse: “Desde o ponto de vista da realpolitik, se eu fosse estadunidense, votaria em Obama. E eu creio que se Obama fosse de Barlavento ou de um bairro de Caracas, votaria em Chávez. Estou certo disso”. (CNNEspañol.com, 30/09/2012). Simultaneamente, Chávez tem renegado publicamente o marxismo-leninismo (http://www.youtube.com/watch?v=2bIl4Uii5GI). Como podemos ver o suposto “nacionalismo” e “anti-imperialismo” de Chávez-Maduro é uma mentira do tamanho dos Himalaias. Para compreender melhor este ponto devemos assumir o que nos ensina o camarada Stalin: “O imperialismo é a exportação de capitais às fontes de matérias-primas, a luta furiosa pela possessão monopolista destas fontes, a luta por uma nova repartilha do mundo já repartido, luta mantida com particular encarniçamento pelos novos grupos financeiros e pelas novas potências, que buscam ‘um lugar sob o sol’, contra os velhos grupos e as velhas potências, tenazmente aferrados com suas conquistas.”

2. O Partido Comunista maoísta da Itália disse sobre Chávez: “Chávez é um lutador contra o imperialismo norte-americano, em defesa da independência nacional da Venezuela no contexto de luta de toda América Latina.” (http://proletaricomunisti.blogspot.it/2013/03/pc-7-marzo-in-morte-di-chavez.html). Esta é uma postura totalmente errônea, pois desconhece o caráter fascista e pró-imperialista do governo de Chávez-Maduro e arrasta às massas oprimidas como vagão da burguesia burocrática. Nós perguntamos com esse baixo nível ideológico-político o PCm de Itália pretende liderar a reconstituição do MRI [Movimento Revolucionário Internacionalista, extinta internacional maoísta – nota nossa]? Por acaso se busca um “novo” MRI só de fachada mas no fundo com similares desvios aos de Avakian e Prachanda? Se o PCm de Itália persiste nesses desvios – e outros como o do Nepal – simplesmente está sepultado qualquer intento revolucionário de reconstituir o MRI.

3. O Partido Comunista das Filipinas emitiu um comunicado de profundo apoio a Chávez. (http://www.philippinerevolution.net/statements/hugo-chavez-was-the-champion-of-the-venezuelan-people). Isto é preocupante porque nas Filipinas se desenvolve uma Guerra Popular que se não contar com uma sólida direção proletária simplesmente não triunfará. Nosso Partido vem advertindo há um ano uma série de desvios de um setor do PCF como o fato de ter excelentes relações com a CIPOML hoxhaísta, apoiar os processos fascistas como o de Chávez-Maduro na Venezuela, apoio o revisionismo cubano, o revisionismo armado das FARC, entre outros. Não é questão de se nós gostamos ou não, é a realidade e há que tomar posição. A esse passo o processo revolucionário filipino corre o grave risco de converter-se em outro Nepal, não é dogmatismo senão uma questão de ciência revolucionária, de marxismo-leninismo-maoismo. Inclusive o imperialismo pode jogar essas cartas: o que ocorreria se num futuro nas Filipinas o imperialismo e as classes dominantes adotarem como estratégia contrarrevolucionária a instauração de um regime “reformista” ao estilo Chávez e por meio disso proporem acordos de paz? O risco de que se repita um novo Nepal seria enorme. O Comitê Central do PCF e todo o partido deveriam debater seriamente estes delicados e complexos temas.

4. Desde a linha vermelha do maoísmo, um punhado de partidos comunistas e organizações revolucionárias têm se pronunciado em aberto combate ao regime de Chávez caracterizado como fascista e peão do imperialismo, e a favor da revolução democrática de novo tipo na Venezuela; não são pronunciamentos só de agora, são parte da linha estratégica revolucionária destes partidos. Nessa direção se tem pronunciado o Partido Comunista Marxista-Leninista-Maoista da França, o Partido Comunista do Peru, o Partido Comunista do Equador – Sol Rojo, a Organização dos Trabalhadores do Afeganistão Marxista-Leninista-Maoista, principalmente Maoista, o Partido Comunista do Equador – Comitê de Reconstrução e outras organizações da Turquia e Bangladesh. Saudamos este importante agrupamento da linha vermelha – que se não orgânica, pelo menos ideologicamente – vêm constituindo uma tendência revolucionária internacional dos maoístas sobre importantes e candentes temas do movimento comunista e da luta de classes. “A teoria de Marx pôr claramente a verdadeira tarefa do partido socialista revolucionário: não inventar planos de restruturação da sociedade nem ocupar-se da prédica aos capitalistas e seus acólitos da necessidade de melhorar a situação dos operários, nem tampouco tramar conjurações, senão organizar a luta de classes do proletariado e dirigir esta luta, que tem por objetivo final a conquista do Poder político pelo proletariado e a organização da sociedade socialista” (Lenin)

5. Vários blogs internacionais estão publicando documentos em defesa do regime fascista de Chávez, dentro deles o mais recalcitrantes é o denominado “Odio de Clase” da Espanha. Os ditos personagens foram finalmente desmascarados, pois se há alguns pares de meses se mostravam como os mais “radicais”, agora se pronunciam abertamente a favor de Chávez e seu governo na mesma linha ideológica-política do prachandismo e do hoxhaísmo, quer dizer, puro revisionismo e reformismo. Advertimos que o tal blog defende uma linha negra no MCI em muitos aspectos e um deles é precisamente o apoio ao fascista Chávez, fomentando o divisionismo entre organizações internacionais, provocando para logo depois se vitimizar de supostos ataques – inexistentes – contra eles. Pretendem ser os suprassumos da luta anticentrista, mas são ultra centristas defensores de Chávez. Tudo isto lhes ocorre por renegar a tese de capitalismo burocrática, da luta de duas linhas, do acumulado histórico do MRI, dos ensinamentos fundamentais do PCP e, principalmente, por seu blog não se sustenta em nenhum trabalho prática da revolução proletária na Espanha, senão que buscam traficar oportunistamente com guerras populares que se dão a milhares de quilômetros de distância. Que sigam insultando e caluniando ao MCI, pois cedo ou tarde estarão completamente sós e à deriva ideológica, sem morte até a capitulação definitiva.

6. Fazemos um chamado ao conjunto do MCI que se pronunciem neste debate, tomem uma posição abertamente e sustentem com argumentos sua postura política. Este não é de maneira nenhuma um debate bizantino ou abstrato, ao contrário, tem profundas consequências práticas. Neste caminho chamamos a combater aquelas posturas revisionistas e reformistas que afirmam como grandes “obras” o fato de que Chávez ter diminuído determinada porcentagem de pobreza ou estatizado certas empresas petroleiras, etc. Desde quando os comunistas lutam por “reduzir” a pobreza no marco do sistema capitalista-imperialista? As estatizações num governo da burguesia em que beneficiam ao povo? Um caudilho burguês se converte em “revolucionário” pelo fato de pronunciar alguns discursos contra o USA e à “oligarquia”? Por sua vez devemos combater com firmeza aquelas posições revisionistas que buscam unir marxismo com bolivarianismo o qual é sumamente reacionário. O grande Karl Marx já em vida se pronunciou contra o caudilho burguês Simón Bolívar e seus delírios bonapartistas. (http://www.marxists.org/espanol/m-e/1850s/58-boliv.htm). O bolivarianismo é uma corrente burguesa reacionária que defende o capitalismo burocrático nos países da América Latina e é profundamente hostil ao comunismo científico. Por isso os bolivarianos são, direta ou indiretamente, inimigos do marxismo. Nós comunistas que vivemos e agimos no Equador, Peru, Brasil e outros países com regimes fascistas sócios do governo venezuelano, devemos ter muito claro estes problemas para não cair em armadilhas do imperialismo, da reação e do revisionismo.

Comitê de Reconstrução

Partido Comunista do Equador

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