Anatomia do Revisionismo (Liga dos Comunistas MLM)

Nota do blog: O seguinte texto foi-nos enviado pelo companheiro Gabriel Sena, do Liga dos Comunistas – MLM.


 

Anatomia do Revisionismo

Que é o revisionismo? Em termos relativamente simples, é a tentativa de “domesticar” o marxismo, decepando sua essência revolucionária, ou ainda, uma tentativa de “apropriação” do marxismo pelos ideólogos da burguesia, com a clara intenção de torná-lo um pensamento abstrato, desligado da realidade e sem utilidade prática alguma. No entanto, o revisionismo se manifesta de diferentes formas, diferentes maneiras, e é nosso dever, enquanto comunistas, tirar-lhe o manto que veste e revelar sua verdadeira essência contrarrevolucionária. Para tanto, faz-se necessária uma análise rigorosa de sua anatomia.

O primeiro traço característico do revisionismo é sua auto-denominação de “marxista”. Um revisionista pode muito bem afirmar que defende o proletariado, que é a favor do comunismo e que é seguidor das ideias de Marx, Engels e, em alguns casos, de Lênin. No entanto, suas ações, que é o que realmente o definirá, são totalmente contrárias ao que faz transparecer em seus discursos. É aí que reside nossa primeira lição na luta contra esse mal: nunca avaliar quem quer que seja pelo que diz, mas pelo que faz.

Um segundo traço característico do revisionismo, que é na verdade uma prática bem comum entre os anticomunistas em geral, consiste em retirar frases de seu contexto original para atribuir-lhes nova significação. Geralmente é o que ocorre com expressões como “a religião é ópio do povo” de Marx. É, na realidade, uma tentativa descabida de deturpar o pensamento e distorcer as ideias e assim, causar confusão. Por isso é sempre imprescindível ver as fontes da argumentação e analisar a obra em seu conjunto, e nunca se deixar levar por frases de efeito jogadas aos quatro ventos.

Além de tudo o que já foi dito sobre o revisionismo, há ainda uma terceira característica muito peculiar, que é o mito do “retorno ao marxismo original”. Quando isso acontece, geralmente há alguém que diz que Stálin deturpou os pensamentos de Marx, por isso é preciso combatê-lo, revelando um fervoroso discurso “anti-stalinista” (característico dos trotskistas). Outros vão além, dizendo que Lênin foi um verdadeiro falsário de Marx, distorcendo suas ideias. Por isso, é necessário retornar aos escritos originais de Marx e de Engels. E nesse frenesi, atacam também a Engels, e sucessivamente, falam que não se pode confiar nos escritos iniciais de Marx, pois eles faziam parte da era “ingênua” de Marx, por isso é preciso esquecê-los. E dessa forma, negam todo o processo de desenvolvimento do marxismo, negando, dessa forma, o próprio marxismo.

O revisionismo pode ser consciente ou inconsciente. Alguém, por exemplo, que defende os interesses do proletariado, da revolução e de todo o povo trabalhador, pode cometer erros e desvios, sem perceber, no entanto, que comete tais erros, caindo, assim, no revisionismo. É, portanto, um revisionismo inconsciente. Ao contrário, aquele que tem em mente que seu objetivo é destruir o marxismo, e para isso usa dos mais diversos artífices, é um revisionista consciente. É preciso, pois, distinguir ambos, e executar sempre a auto-crítica, para afastar os males do revisionismo e sempre que possível, alertar os camaradas sobre os erros que cometem.

À cada passo que o proletariado dá na luta contra o revisionismo, este assume novas formas, sofistica-se e veste nova roupagem. Alguns argumentos são deixados de lado, outros são formulados, criam-se mitos (um bom exemplo é a do “determinismo econômico” do marxismo ou o do “marxismo eurocêntrico”) e o processo continua. E por que isso ocorre? Por que não desaparece o revisionismo? Porque o revisionismo é produto direto da luta de classes, só que transferida ao campo das ideias. A posição do revisionismo é uma posição de classe, que só pode desaparecer com o desaparecimento das classes. Assim sendo, o próprio marxismo, enquanto ideologia de classe, desaparece com o comunismo.

Mas retornando às nossas considerações sobre o revisionismo, este é um fenômeno permanente. Não desaparece de uma hora para a outra, sendo passível de consecutivas reformulações. É como disse certa vez um camarada: “o revisionismo e o marxismo são dois elementos de uma mesma forma, são uma contradição, de modo que enquanto um existir o outro também existirá, justamente porque esta luta é uma forma de luta de classes.”

Por fim, deixo Lênin falar, pois se há alguém mais apto para tratar sobre esse tema, é o grande Lênin: “A luta ideológica do marxismo revolucionário contra o revisionismo, iniciada no fim do século XIX, nada mais é que o prelúdio dos grandes combates revolucionários do proletariado, que, apesar de todas as vacilações e debilidades dos filisteus, avança até o triunfo completo da sua causa.” (Marxismo e Revisionismo)

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