A tarefa combatente no confronto dos trabalhadores na Filosofia e nas Ciências Sociais (China, 1963)

Nota do blog: Publicamos a seguir, com satisfação, a matéria “A tarefa combatente no confronto dos trabalhadores na Filosofia e nas Ciências Sociais” [link original, em inglês], que é uma síntese do discurso proferido por Zhou Yang durante a Quarta Sessão Ampliada do Comitê do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da Academia Chinesa de Ciências, de 26 de outubro de 1963. Já a matéria, publicada em Pequim no mesmo ano, foi editada pessoalmente pelo Presidente Mao Tsetung. Traduzido ineditamente para o português pelo nosso núcleo de colaboração.

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As ciências, a filosofia e as artes foram diretamente conduzidas pelas massas armadas com o Marxismo-Leninismo Pensamento Mao Tsetung e dirigidas pelo Partido Comunista, durante a Revolução Cultural Proletária.


A tarefa combatente no confronto dos trabalhadores na Filosofia e nas Ciências Sociais

Discurso na Quarta Sessão Ampliada do Comitê do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da Academia Chinesa de Ciências Ocorrida em 26 de Outubro de 1963.

por Zhou Yang

IMPRENSA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA
PEQUIM, 1963

Este discurso da filosofia foi um evento importante na disputa sino-soviética dos anos 60. Foi editada pessoalmente por Mao Tsé-Tung e publicada amplamente, incluindo o livro do qual estes fragmentos foram tomados. O discurso é notável pelo ataque contra as teorias dos filósofos soviéticos Mitin e Fedoseev e pelo uso da fórmula da lei da unidade dos contrários de Mao “um se divide em dois”. Números entre colchetes são às páginas. As notas de rodapé se referem à edição chinesa 周扬: 哲 学社会科学工作者的战斗任务, 北京:人民出版社 de 1963.

[Nota do blog: Os números em negrito em meio ao texto referem-se às notas da edição chinesa.]


 

[7] Já no período de Marx e Engels, tentativas de apresentar ou descartar o seu materialismo dialético, materialismo histórico e sua teoria de luta de classes aconteceu entre os socialdemocratas alemães. O livro de Marx Crítica ao Programa de Gotha foi engavetado por dezesseis anos e quando Engels pediu sua publicação imediata, solenemente declarou que qualquer atraso seria um crime, então os líderes do Partido Socialdemocrata da Alemanha implantaram obstruções no caminho. O criticismo de Duhring também encontrou muita oposição da cúpula de líderes do Partido da Socialdemocracia Alemã. Ao publicar “Introdução a Luta de Classes na França, de 1848 até 1850” que Engels escreveu tarde na vida, Vorwarts, o órgão do Partido da Socialdemocracia Alemã, deliberadamente deletou algumas das mais importantes passagens da luta revolucionária do proletariado, para que Engels fosse apresentado como um apoiador sem qualidades de “táticas de paz” e oponente do uso da “força”. Ele protestou [8] fortemente contra isto. Quando Kautsky e outros compilaram a história do movimento socialista, eles o fizeram sem que Engels soubesse; assim, Engels aprendeu sobre os motivos posteriores dos revisionistas logo antes de sua morte. Um revisionista, de uma facção antimarxista já surgiu entre as fileiras do marxismo.

Esse fenômeno pode parecer estranho. Como certas pessoas que antes eram apoiadoras do socialismo científico revolucionário se degeneraram em contrarrevolucionários, anticientíficos e revisionistas? No entanto, isto não é nada estranho. Tudo tende a se dividir em dois.1 Teorias não são exceções e elas também tendem a se dividir. Onde tem uma doutrina revolucionária e científica, sua antítese, a doutrina contrarrevolucionária e anticientífica pode surgir no curso do desenvolvimento da primeira doutrina. Como a sociedade moderna é dividida em classes e como a diferença entre os grupos progressistas e conservadores vai continuar no futuro, a aparição da antítese é inevitável. Isto tem sido corroborado pela história da filosofia marxista e das ciências sociais e também pela história da ciência natural. A ciência e a história da ciência refletem a unidade da luta dos contrários e a tal ciência se desenvolveu através da unidade e luta.2

O que os oportunistas e revisionistas se assustam e que mais odeiam e, portanto, tentaram de qualquer maneira revisar [é a teoria marxista da luta de classes e, particularmente, a revolução proletária e a ditadura do proletariado. Como Engels disse, “Consequentemente, o ódio deles por Marx e por todos nós  por causa da luta de classes.” (“Engels para F. A. Sorge, 18 de janeiro de 1893”, Correspondências Selecionadas de Marx e Engels, Moscou, p. 537.) Isto é o coração da matéria. Neste problema central, Marx [9] e Engels tomaram a mais determinada e clara posição.

Em sua carta para A. Bebel e outros, eles declararam solenemente:

“Por quase quarenta anos, nós destacamos que a luta de classes é o motor da história e que, particularmente, a luta de classes entre burguesia e proletariado é uma grande alavanca para a revolução social moderna; isto é, portanto, impossível para nós cooperarmos com pessoas que desejam expurgar esta luta de classes do movimento.” (“Marx e Engels, para A. Bebel, W. Liebknecht, W. Bracke e outros (‘Carta’), 17-18 de setembro de 1879”, Correspondências Selecionadas de Marx e Engels, Moscou, p. 395.)

Posteriormente, Engels enfaticamente apontou que:

“O desenvolvimento do proletariado procede de qualquer lugar entre as lutas internas… Unidade é uma coisa muito boa enquanto é possível, mas existem coisas que estão acima da unidade. E quando alguém, como Marx e eu, luta bravamente por toda uma vida contra os supostos socialistas e contra qualquer outro (por considerarmos a burguesia como uma classe e dificilmente nos encontraríamos em disputa apenas com meros indivíduos da burguesia), não pode ficar desapontado porque uma luta inevitável surgiu.” (“Engels para A. Bebel, 28 de outubro de 1882”, Correspondências Selecionadas de Marx e Engels, Moscou, p. 427.)

Assim, o que é unificado se quebra em dois – em duas partes conflitantes.3

Partidos marxistas-leninistas sempre prezaram pela unidade nas fileiras do proletariado, mas os marxistas-leninistas nunca devem cooperar com aqueles que expurgaram a luta de [10] classes do movimento e nunca devem desconsiderar um princípio pelo bem da unidade. Isto é demasiadamente importante e uma ordem muito preciosa que os fundadores do marxismo nos deixaram. Qualquer traição desta ordem será uma traição contra o próprio marxismo.

Para persistir ou abandonar a luta de classes do proletariado, para persistir ou renunciar à ditadura do proletariado – aqui se mostra a linha fundamental para a demarcação entre marxismo e revisionismo.

[17] Olhando para a história do marxismo-leninismo, nós podemos ver que ele ganhou espaço e avançou passos através de “uma batalha após a outra”. Por mais de um século, nem os ataques do inimigo de fora e nem as “revisões” dos inimigos de dentro foram capazes de derrotar o marxismo-leninismo. Pelo contrário, isto precisamente através de repetidas lutas contra forças externas e internas de todas as formas é que a força do marxismo-leninismo cresceu fortemente.

No começo, o marxismo era nada mais do que uma entre várias doutrinas e escolas do movimento socialista e essa escola consistia apenas na de Marx e Engels. Mas porque era a correta e porque verdadeiramente e cientificamente representava os interesses revolucionários e as necessidades do proletariado, o marxismo finalmente extinguiu todos os sistemas ideológicos antagônicos na luta e conseguiu o apoio mundial da revolução da classe operária e das pessoas revolucionárias.

[28] Os revisionistas modernos têm distorcido e revisado os ensinamentos do marxismo-leninismo sobre as leis da contradição e espalharam as suas visões sobre a reconciliação das contradições. Sob o pretexto do que eles chamam de características da transação do socialismo para o comunismo, eles pregam que “um novo caminho de responder as questões”, que na verdade era “caminho para unificar as contradições”4 alegando que sob as condições socialistas “um novo fenômeno” ou “um novo processo” surgiu no qual “contrários dialéticos, contradições, se transformam em diferenças e diferenças acabam se unindo.”5 Alguns de seus filósofos ainda alegaram que a lei de unidade e de luta dos contrários é antiquada sob as condições do socialismo.

[29] Esta teoria de fusão e reconciliação das contradições e a teoria de que as leis da contradição são antiquadas constitui numa revisão radical do materialismo dialético.

A visão marxista-leninista de que a lei do materialismo dialético, a lei da unidade dos contrários, é a lei universal que regula a natureza, a sociedade e o desenvolvimento do pensamento e que é aplicável no passado, no presente e no futuro. Em outras palavras, é aplicável na sociedade, na sociedade socialista que é a transação da sociedade de classes para uma sociedade sem classes e também na sociedade comunista sem classes que surgirá no futuro. Contradições existem em todo lugar e em toda hora. Elas são diferenciadas entre contradições antagônicas e não-antagônicas, mas não em contradições reconciliáveis e irreconciliáveis. Contradições são todas irreconciliáveis e devem ser resolvidas através da luta. Contradições e lutas para resolvê-las são sempre os motivos que empurram a sociedade humana para frente.

Caso uma pessoa persista ou não na dialética revolucionária, isto é apresentado pelo fato desta pessoa ousar ou não em enfrentar e reconhecer a contradição entre os líderes imperialistas liderados pelos Estados Unidos e os povos do mundo, se ela ousa ou não enfrentar e reconhecer o fato que as contradições de classes e as lutas de classes existem em todos os países e se ela enfrenta e encara os dois tipos de contradições (antagônicas e não-antagônicas) dentro da sociedade socialista. Todos os conservadores e oportunistas, todos que não querem, mas tem medo da revolução, se assustam com mudanças e negam as contradições. Pelo contrário, todos os revolucionários que tomam o desejo de transformação do mundo desejam a mudança, corajosamente enfrentam [30] as contradições e as resolvem com meios revolucionários.

Enquanto as velhas contradições se resolvem, novas surgem e devem ser resolvidas com métodos novos. A história, assim, prossegue com resoluções intermináveis e com a aparição de novas contradições. Somente a revolução ininterrupta pode manter a dialética revolucionária. Companheiro Mao Tsé-Tung mostrou coragem teórica e competência em desenvolver a dialética. Pela primeira vez na história do marxismo-leninismo, ele penetrantemente e sistematicamente revelou as contradições dentro da sociedade socialista em seu livro, “”Sobre a justa solução das contradições no seio do povo” e configurou com a necessidade de diferenciar os dois tipos de contradições e para usar diferentes métodos para tratar delas. Esta foi uma grande contribuição do companheiro Mao Tsé-Tung no desenvolvimento da teoria do marxismo-leninismo.

A base da lei do materialismo dialético é guiada pela revolução socialista e pela construção do socialismo do nosso país com uma vitória após a outra. Ela nos guia corretamente para entendermos e lidarmos com as contradições que nos confrontam, para manter-nos sóbrios e alertas em face da existência contínua de classes e da luta de classes na sociedade socialista e no perigo da restauração do capitalismo e de fazer as medidas corretas e necessárias para resolver este problema. Tudo isto reforça a imunidade do povo chinês contra o revisionismo.

No passado, alguns companheiros partidários enfatizaram a “unidade moral e política” da sociedade socialista e falharam em ver as contradições. Classes e luta de classes continuam a existir e a luta contra a ideologia burguesa dentro da sociedade socialista continua sendo tarefa principal da ditadura do proletariado por um longo período depois da tomada de poder. Eles apenas reconhecem solidariedade [31] e unidade e negaram a existência de contradições internas na sociedade socialista e o fato das contradições serem o motivo do progresso social. A tal negação da universalidade das contradições deixou a dialética de lado e como resultado da “teoria da ausência de conflito” se espalhou por todos os lugares.

Os erros do entendimento das contradições na sociedade socialista fez o caminho para o revisionismo moderno de hoje. Os revisionistas modernos formularam a teoria sobre a aparição e reconciliação das contradições, para então providenciar uma base filosófica para seus fracassos do “Estado para todo o povo” e “partido para todo o povo”. Além do mais, eles estenderam essa teoria de aparição ou reconciliação das contradições na esfera de lutas internacionais, assim como a presente justificativa filosófica para a teoria deles de “coexistência pacífica”, “emulação pacífica” e “transição pacífica”.

[64] Enquanto houver engajamento na prática da luta de classes e da produção, as massas de trabalhadores, camponeses e outros quadros levantam todo tipo de questão teórica para solucionar e fazem avanços de muitos princípios originais. Mas falta a eles o tão requisitado livro do conhecimento e equipamento teórico enquanto muitos dos profissionais trabalhadores na filosofia e nas ciências sociais não dispõem da dureza e da experiência adquirida em lutas. Em 1942, em seu discurso “Retifiquemos o Estilo de Trabalho no Partido”, o companheiro Mao Tsé-Tung perguntou às pessoas com o livro do aprendizado para combinar as experiências com o trabalho:

“Aqueles que possuem o livro que ensina devem se desenvolver na direção da prática; somente assim eles não deixam de lado o conteúdo do livro, somente assim eles não vão cometer os erros dogmáticos. Aqueles que experimentaram o trabalho devem estudar a teoria e devem lê-la seriamente; somente assim eles estarão capacitados em sistematizar e sintetizar suas experiências e alavancá-las ao nível teórico, somente assim eles não cometerão erros em suas experiências e nem cometerão erros empíricos.”

A combinação destes dois tipos de pessoas faz com que cada um compense a deficiência do outro e levantem o nível de conhecimento de todos, provará com muita ajuda não apenas o trabalho teórico, mas a causa revolucionária como um todo. [65] As idéias corretas do homem aparecem apenas com a prática social. A existência social do homem determina sua consciência. Uma vez tomadas pelas massas, as ideias corretas da classe progressista representada se tornam numa força material capaz de mudar a sociedade e o mundo. O movimento do material para o mental e, inversamente, do mental para o material, o movimento da prática para o conhecimento e, inversamente, do conhecimento para a prática, têm que ser repetidos inúmeras vezes antes do conhecimento correto tomar forma. O processo dialético de transformação do material para o mental e do mental para o material no curso da luta de classes será conscientemente entendido pelas massas e possibilitará ótimas realizações para a causa revolucionária como um resultado da combinação de trabalhadores profissionais teóricos com aqueles engajados na prática. Um contingente poderoso de teóricos, com teóricos profissionais no centro, mas fazendo trabalhos práticos também se elevará rapidamente.

Ao destacar a necessidade dos trabalhadores na filosofia e nas ciências sociais para ligá-los aos trabalhadores e camponeses e para manter contato com a realidade, nós não devemos minimizar a importância dos livros. Trabalhadores na filosofia e na ciência devem ser eficientes nos seus campos assim como estarem cientes dos clássicos do marxismo-leninismo; eles devem adquirir conhecimento de um vasto número de assuntos e se tornarem verdadeiros aprendizes.


1 [总是一分为二]

2 [Este parágrafo foi escrito por Mao-TséTung.]

3 [你们看,统一的事物,一分为二,变为相互斗争的 两部分了。 Esta frase foi escrita por Mao Tsé-Tung.]

4 P. N. Fedoseev, “O 22 Congresso do PCUS e as Tarefas dos Trabalhos de Pesquisa Científica no Campo da Filosofia” na revista Voprosy Filosofii (Problems of Philosophy) , 1962, No. 3.

5 M. B. Mitin, “O 22 Congresso do PCUS e as Tarefas dos Trabalhos de Pesquisa Científica no Campo da Filosofia Marxista-Leninista”, na revista Voprosy Filosofii, 1962, No. 4.

 

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