Lutar pela Revolução Democrática já! (A Nova Democracia, 2016)

Nota do blog: Reproduzimos este valioso texto, a saber, o Editorial do jornal A Nova Democracia edição nº 170 (1ª quinzena de junho de 2016), retirado do blog da Redação de AND. Dispensa introdução.


Lutar pela Revolução Democrática já!

Em pouco mais de quinze dias o povo brasileiro está constatando que as duas bandas dentro do Partido Único são iguais até nas mentiras e empulhações.

Na campanha eleitoral de 2014, Dilma Rousseff afirmava que não elevaria os impostos e nem retiraria direitos dos trabalhadores. Ganhou o segundo turno e apressou-se logo em encaminhar o contrário de suas promessas, através do programa de ajuste fiscal para cuja implementação convidou o banqueiro Levy do Bradesco e do PSDB.

Ao anunciar o ajuste fiscal, negando seu discurso de campanha, Dilma abriu as portas do Castelo de Drácula, cujos vampiros, que lá hibernavam há quatorze anos, julgaram-se mais competentes para aplicarem o ajuste fiscal, para o qual reclamam sua autoria.

Na campanha para o impeachment de Dilma, o consórcio PMDB-PSDB-DEM-Globo-FIESP também jurou que não aumentaria os impostos e nem tiraria direitos dos trabalhadores. Empossado Temer e, em seguida, empossado o seu “superministro” Henrique Meirelles, a negativa de suas promessas veio de pronto: mais impostos virão ou pela CIDE ou pela CPMF; serão revistos os programas sociais, começando pelo cancelamento dos contratos para construção de onze mil habitações pelo ‘Minha Casa, Minha Vida’ e, principalmente, a menina dos olhos de Meirelles (diga-se do FMI e do Banco Mundial), a grande mexida na Previdência Social, atingindo não apenas os que entrarão futuramente no sistema, mas também os que nele já estão.

O velho discurso de remédios amargos, de impostos temporários e da necessidade de sacrifícios, mais uma vez arrebentará a corda no lado das massas. Escaldadas diante de tamanha cretinice e safadeza generalizada, as massas já entenderam que, pela via da farsa eleitoral, o que poderá acontecer no Brasil será a perpetuação de toda essa imundice, arrocho, exploração e repressão sobre elas e o saqueio da Nação.

O povo brasileiro já entendeu que desse covil de lobos nada de bom pode sair. A crise econômica é a repetição crônica da enfermidade de um capitalismo burocrático atrasado semicolonial e semifeudal. A crise política é a crise moral e falência das instituições de fachadas brilhantes de um Estado burocrático, genocida e carcomido do topo aos alicerces pela corrupção execrável. A crise social é o grito incontido da dívida secular com um povo trabalhador e lutador, feita de injustiças e opressão contra ele e de privilégios indecentes para uma minoria abastada e parasita. A crise é, em suma, a pendência histórica de uma Revolução Democrática, historicamente sufocada a ferro e fogo em todos seus intentos, que mais uma vez bate às portas da Nação.

A classe operária, o campesinato, os pequenos e médios proprietários, os estudantes e intelectuais ligados ao povo, cada um desses seguimentos sabe o que quer, em termos de transformações de profundidade em nosso país. O que lhes falta é o entendimento de que essas transformações só poderão acontecer através de um processo revolucionário o qual, por sua vez, só ocorrerá mediante a permanente mobilização, politização e organização das classes exploradas e todos oprimidos, em torno de um Programa Revolucionário Democrático, Agrário e Anti-imperialista, para estabelecer uma nova política como Nova Democracia, uma nova economia e uma nova cultura.

Urge, já passa da hora dos revolucionários reconstituírem o Partido revolucionário proletário que lidere resoluto e firmemente esse processo pendente que o Brasil demanda.

A revolução não é alternativa, ela é a única saída para que a Nação e o povo não se afunde na exploração e opressão mais terrível desse capitalismo burocrático atrasado e na ditadura descarada dos grandes burgueses e latifundiários (agronegócio) a serviço do imperialismo, principalmente ianque.

O povo brasileiro exige produção nacional, trabalho com salários dignos e direitos trabalhistas, que não se toque na Previdência Social; defesa das riquezas naturais, soberania e independência do país! O povo do campo necessita de terra a quem nela trabalha e o Brasil só pode saltar definitivamente do atraso com a Revolução Agrária, que arranque pela raiz do chão brasileiro o latifúndio secular! A classe operária e demais trabalhadores devem preparar a Greve Geral, os camponeses pobres devem tomar as terras dos latifundiários ladrões das terras públicas, a juventude deve tomar, agora, as ruas para lutar pela Revolução Democrática!

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