Boicotar as eleições! Preparar a Guerra Popular! (Partido Comunista Maoísta – França, 2017)

Retirado e traduzido não-oficialmente de vnd-peru.blogspot.com


Hoje publicamos a tradução não-oficial em espanhol do comunicado do PCM da França denominado: Boicotar as eleições! Preparar a Guerra Popular! (“Boycottons lês élections! Preparons La Guerre Populaire”, em francês). É uma importante tomada de posição pelo maoísmo, a revolução proletária e a Guerra Popular. É um aplastamento de todas as posições oportunistas que chamam à “luta contra o fascismo” para seguir a democracia burguesa, a burguesia e o chauvinismo burguês. Os camaradas do PCM da França se opõem ao fascismo que a própria burguesia imperialista impulsiona, chamam a luta para derrubar a ditadura da burguesia seja qual for seu sistema de governo, quer dizer, a luta pela ditadura do proletariado e o socialismo que se faz com Guerra Popular e chamam a preparar seu inicio.

Calorosas saudações!

Nota da Associação de Nova Democracia (Hamburgo, Alemanha)


O PCM está plenamente arrolado na campanha de boicote 2017. A plataforma da campanha oferece pontos de unidade bem claros para um boicote revolucionário: para opor-se à ascensão do fascismo, pela necessidade da revolução contra o capitalismo, etc. Assim participamos onde quer que estejamos com nossos pontos fortes nesta campanha e apoiamos todas as suas inciativas.

A democracia burguesa é a ditadura da burguesia!

Como a cada cinco anos, a classe dominante repete continuamente em todas as partes que já é hora de irmos às urnas para “nos expressarmos”. De acordo com o mito da democracia burguesa, “expressar-se” é pôr um papel em uma urna em intervalos regulares: nisto consistiria o bom funcionamento da democracia.

Os comunistas dizem claramente que essas eleições burguesas são uma farsa! Não há dúvida de que tem como único propósito tentar, em vão, legitimar o sistema existente fazendo crer que ele foi eleito e aceito pela maioria da população.

Eleição após eleição, governo após governo, nada melhora para nossa classe: os oprimidos e os explorados. A alternância prometeu: “a mudança é agora”. Na realidade é “a fumigação é agora”. O balanço dos cinco anos de governo de [François] Hollande fala por si só: uma série de ofensivas antissociais e anti-trabalhadoras, o fortalecimento de uma política exterior cada vez mais agressiva e o aumento do fascismo. Diante da crise financeira de 2008, a burguesia imperialista francesa ganhou em agressividade, quer seja a nível nacional (reforma previdenciária de Sarkozy, ANI, pacto de responsabilidade e Lei de Trabalho via 49-3 [artigo da Constituição Francesa que tira do parlamento o direito à discussão e envia direto para o senado]) ou em um plano exterior (intervenção imperialista em Mali, Sahel, África Central, Líbia, Síria, etc.).

A política da burguesia imperialista para manter, como consequência direta, o agravamento das condições de vida do proletariado na França (o aumento do desemprego e a insegurança laboral, atacar os direitos fundamentais no trabalho, o abuso policial nos bairros, etc) e as intervenções devastadoras no estrangeiro, são a origem da chamada “crise dos refugiados”, que na realidade é principalmente um crime do imperialismo contra os povos dos países oprimidos.

Portanto a burguesia, classe dominante, tenta nos fazer crer que com nossos votos as eleições poderão mudar tudo milagrosamente. No entanto, se olharmos mais de perto, nunca uma votação nos permitiu conseguir o progresso social real. As vitórias sociais se tem logrado através da luta.

Há 5 anos que Bernard Arnault, Bouygues, Dessault só têm benefícios às nossas custas. E agora Fillon, Macron e comparsas nos dizem que temos que apertar o cinturão, que necessita-se de mais liberalismo para poder gerar com facilidade e nós teremos que nos conformar com o mínimo. Isso é em suma, o ápice do desprezo pelo proletariado!

Dentre este mais orgulhosos representantes da burguesia havia candidatos que diziam representar os interesses de todo o povo francês, das classes mais populares ou lograr uma grande unidade nacional e popular. Vamos começar falando justamente dos que estavam ali!

Contra a ilusão do social-chauvinismo!

Os cinco anos de Hollande deram-se depois de numerosos governos de direita. Assim, o Partido Socialista [PS] durante as eleições de 2012 quis apresentar-se advogando por uma ruptura com as políticas antissociais e racistas que o precederam. Durante a crise econômica, que é uma oportunidade para a ofensiva dos patrões contra os trabalhadores, o então candidato Hollande disse que seu inimigo é o “mundo das finanças”. Esta frase tem memória e foi trazida por muitas vítimas da política antissocial de Sarkozy. Só se esquece frequentemente uma segunda parte da frase, a que diz: “meu inimigo não tem rosto, nem tem nome”. O “mundo das finanças” era, portanto, um inimigo invisível, tão invisível que a luta contra tudo dava no mesmo!

Os cinco anos de Sarkozy foram conhecidos pelo movimento contra a reforma da previdência. O PS decidiu arrancar das pesquisas todos os que se opunham à reforma. Diziam que o governo do PS estava aberto às promessas sociais avançadas. O resultado hoje é claro: temos o contrário. Isto causou um colapso completo do PS. A popularidade do governo Hollande está diminuindo, e o PS entendeu que era impossível para ele fazer um novo mandato de cinco anos. Daí que as divisões do partido em crise se aceleraram.

O PS é um partido burguês que responde diretamente aos interesses da burguesia. Na eleição se baseia no fato de que pretende conciliar os interesses da burguesia e os interesses da classe operária para fazer a “França” avançar.

A crise do PS o levou a dividir-se em dois. Por um lado estão os partidários de Macron (maioria do PS desde 2009, mas aqueles que apoiam Hollande são maioria desde 2010) que estava fora do governo para acelerar melhor sua campanha (neste caso por exemplo de Manuel Valls e Malek Boutih) e, por outro está Hamon, que ao final da primária vai querer encarnar a esquerda do PS.

Hamon e Mélenchon são as duas caras de um mesmo problema: o social-chauvinismo. Ambos dizem ter uma herança socialdemocrata e essa pretensão de defender as “classes populares”. De fato, tanto um quanto o outro está à serviço da burguesia imperialista.

Ambos chamam a uma França unida, independentemente da divisão de classes. O que um quer é fazer bater o coração da França e o outro quer aos insumos, em todos os casos, não é ao proletariado que defendem.

Mélenchon frente a política externa da França fala sobre querer a paz. Mas contrariando isso, explica que sua política exterior se baseia única e exclusivamente no interesse dos franceses. É uma estranha paz que oferece aqui Sr. Mélenchon! Ou defendemos os interesses estratégicos do imperialismo francês nos países oprimidos ou defendemos a solidariedade internacional dos povos: não há meio termo. Não deve-se esquecer que Mélenchon está muito perto de Dessault, e sempre deu as boas-vindas e encorajou as vendas de armas na casa dos bilhões que a França foi capaz ou não de lograr do Qatar, da Rússia, Índia ou Egito. Com orgulho diz que a França deve seguir vendendo armas por todas as partes porque do contrário outros o farão. Estamos ante o mais desprezível chauvinismo, que em aparência se pretende social mas ao contrário proporciona os aviões de combate para o exército indiano, que logo vai usa-los para bombardear aos povos indígenas e aos maoístas que fazem a revolução no Estado indiano!

Esta é só uma manifestação do chauvinismo entre tantas outras. Também é importante levar em conta os comentários de Mélenchon sobre os trabalhadores desalojados ou imigrantes que devem sair se não tem trabalho. Ou em seu programa o Futuro em Comum no “Plano de Mar”. Para Mélenchon, a “França é uma potência marítima que se ignora”, seu projeto é simplesmente para desenvolver a presença dos monopólios franceses, diz, nos “Departamentos e territórios do estrangeiro”, sem nem uma vez fazer a pergunta sobre o direito dos povos a autodeterminação, que o povo canaco tem a disfrutar! Não deve-se duvidar que Mélenchon é o que voltou a introduzir as bandeiras francesas e da Marselha nas marchas da “esquerda”

O social-chauvinismo não é uma solução ou um passo a frente para o proletariado, também não é um passo antes da revolução que resultará nela. Trata-se de um inimigo vigoroso dos interesses do proletariado. O social-chauvinismo é um golpe no proletariado das nações oprimidas, que não permite a solidariedade de classe com os proletários do mundo. Faz o proletariado impotente colocando-o sob a direção da burguesia, advogando pela conciliação de classes, a mesma que nega o caráter central da luta de classes com lemas como “O primeiro humano!” ou “revolução cidadã!”.

Na situação atual as táticas do proletariado não podem estar nesses lapsos, de associar-se ou vender qualquer ilusão dos sociais-chauvinistas que são as instancias anteriores dos representantes do imperialismo francês.

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