Somos os iniciadores (Presidente Gonzalo, 1980)

Nota do blog: Segue tradução não-oficial de trecho do documento do PCP “Somos os iniciadores” de 1980, pronunciado pelo Presidente Gonzalo e assinado pelo Comitê Central Ampliado, de grande valor histórico.


“Isso é o que somos. ‘Um punhado de homens, de comunistas, acatando o mandato do Partido, do proletariado e do povo, postos de pé expressaram sua declaração de fé revolucionária, com o coração ardendo de paixão inextinguível, vontade firme e resoluta, e com mente clara e audaz assumiram sua obrigação histórica de serem os iniciadores; e o que decidiram… plasmaram em outono e colheitas, prosseguiram em ações contra o poder reacionário, apontando ao poder local, continuaram com invasão e com as massas camponesas alçadas arrancaram as guerrilhas, e as guerrilhas geraram o poderoso exército que somos hoje e o Estado que se sustenta sobre ele. Nossa pátria é livre…’. Isso se concretiza em nossa decisão partidária aparentemente simples, mas de grande dimensão histórica.” (Presidente Gonzalo, “Somos os iniciadores”, 1980)

Oitenta e tantos anos de classe operária, cinquenta e dois de Partido, dez anos, mais ou menos, levou um grupo de homens encabeçados por Mariátegui a fundá-lo, seu nome ficará para sempre em nossas fileiras, em nosso povo e no povo do mundo e na classe operária internacional. O tempo passou, muito brigamos, seguimos brigando, o faremos até que seja eliminada a exploração; esse é nosso destino. Somos uma torrente crescente contra a qual se lança o fogo, pedras e lodo; mas nosso poder é grande, nós converteremos tudo em nosso fogo, o fogo negro nós converteremos em vermelho e o vermelho é luz. Isso somos nós, essa é a Reconstituição. Camaradas, estamos reconstituídos.

O Partido é Partido de novo tipo. Este Partido de novo tipo é para tomar o poder para a classe operária e para o povo nesta pátria. O Partido já não poderá mais desenvolver-se senão que através das armas, através da luta armada. Dura lição nós aprendemos em 50 anos, uma grande lição que nunca ignoraremos; não temos poder porque não temos fuzis. Como escreveu o Presidente Mao: quem tem mais fuzis tem mais poder, e quem quer tomar o poder forja um exército, e quem quer mantê-lo conta com um poderoso exército. Isso faremos nós. O Partido entrou a desenvolver-se através da luta armada, historicamente esse é o passo que estamos dando, não poderemos voltar atrás.

Camaradas, já podemos dizer: o desenvolvimento venceu e a possível destruição, como tinha que ser, está conjurada; o Partido não será destruído, é uma conclusão que podemos derivar de nossa II Sessão Plenária do Comitê Central e desta I Encola Militar. Cumprimos um trabalho que agora vamos começar a dimensionar. Nós dizemos: como desenvolver o Partido? Através da luta armada; simples e concisa resposta,é assim; nós dizemos, em épocas críticas a situação entra em grave contenda e segundo a lei da contradição, determinadas circunstâncias podem levar ao desenvolvimento ou à destruição, claro que transitória, mas não por isso deixa de ser destruição que nos poderia enfangar ou fazer-nos marchar através de um atoleiro.

O Partido venceu como tinha que ser. A destruição não pode produzir-se. O Partido entra firme, decidido, voluntarioso, enérgico em seu desenvolvimento. Camaradas, isso é o que deriva destas reuniões. No entanto, que contradição se debate? O entrar à luta armada nos planteia uma contradição: o velho e o novo; o desenvolvimento do Partido através da luta armada é o novo; o velho é o que foi feito até aqui, inclusive o bom, inclusive o melhor que fizemos passa a ser velho e, portanto, se adicionará a essa contradição, a esse grande entulho que geram os partidos, as organizações e as classes ao longo de décadas, disso devemos estar muito claros. Só há uma coisa nova: desenvolver o Partido através da luta armada. Essa é nossa contradição hoje. Assim como no internacional é a contradição entre a ofensiva estratégica e a defensiva estratégica em que entra a reação, assim como no país a contradição é entre o povo armado e a reação armada, para dirimir através da guerra popular o triunfo inevitável da classe e deve varrer-se 400 anos de opressão, assim também camaradas no Partido há uma contradição, que ninguém chame dúvidas, que chame melhor a uma séria reflexão.

Os comunistas hoje devem estar muito esclarecidos, o que é o novo e o que é o velho. Reitero, o novo é a luta armada, são as ardentes chamas imarcescíveis da guerra popular, é o aço que deve devir mais fino, aguda espada, pujante lança para ferir as entranhas da reação, isso é o novo; só isso é o novo, o restante é o velho, é o passado e desse passado há que guardar-se porque o passado sempre pretende restabelecer-se de mil formas sobre o novo.

Camaradas, não ignoremos que para garantir e consolidar como 100, há que avançar como 200, hoje como 200 quer dizer iniciar a luta armada; começar as ações é a garantia para semear o novo a fundo, com chumbo, desmoronando os velhos muros, isso é o novo; o demais é o velho camaradas. Assim devemos entender e estar sumamente claros. O Partido entrou a desenvolver-se através das armas, essa é uma situação fundamental. Dito isto temos três coisas:

Primeira, entramos à ofensiva estratégica da revolução mundial, esse é nosso contexto. A pujante maré revolucionária está a nosso lado.

Segunda, o povo entra a tomar o poder pelas armas. O futuro se decidirá com a guerra popular que poremos em marcha.

Terceira, o Partido entra a desenvolver-se através da luta armada. Assim o Partido tornará no poderoso Partido que a revolução necessita – e como o necessita o tem de forjar.

Camaradas, estão compaginados o processo mundial, o processo do país e o processo do Partido. Portanto, o futuro está assegurado, está palpitando nas ações bélicas que começaremos a fazer; o terno tem que ser balançado com o estrondo das armas, tem que desenvolvê-lo com guerra de guerrilhas, tem que fortalecê-lo com guerra popular; tem que cuidá-lo como germe de um exército nascente em destacamentos armados, tem que desenvolvê-lo como um exército guerrilheiro e tem que conformá-lo em um poderoso exército.

São três coisas compaginadas: a história mundial, a história de nossa pátria e a história de nosso Partido, são três convergências, três realidades, três conjunções e uma só conclusão final, uma só verdade imóvel, um só futuro. A revolução aninhará em nossa pátria, isso respondemos nós.

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