Venezuela: Reacionários arrastam massas à guerra civil

Nota do blog: Publicamos matéria produzida pelo jornal democrático e popular A Nova Democracia (Brasil) sobre a questão da Venezuela.

A briga entre frações da grande burguesia venezuelana para obter a hegemonia no aparelho do velho Estado arrasta cada vez mais o país para a guerra civil e polariza, divide e joga massas contra massas em defesa de dois programas reacionários. A fração compradora com apoio ativo dos ianques, que necessitam destinar maiores recursos das semicolônias para sua enferma economia parasitária.A situação é de profunda crise econômica, política e social. As massas carecem de direção proletária: o Partido Comunista que necessita se reconstituir sob a ideologia da classe, o maoísmo.

Para impor novamente sua ordem,os ianques avançam sua sanha intervencionista para reestruturar sua semicolônia, cujo governo busca cada vez mais se apoiar econômica, política e militarmente na superpotência atômica Rússia e na potência imperialista Chinanuma desesperada tentativa para salvar seu regime burocrático em franca bancarrota, como parte da derrota geral dos gerenciamentos do oportunismo e da profunda pugna entre os grupos de poder da grande burguesia. Buscam com isso jogar em órbita uma disputa interimperialista para contrarrestar o apoio dos ianques que recebe a fração compradora, demonstra sua completa condição semicolonial – preferem se vender aos imperialistas russos e chineses a se apoiar nas amplas massas para conjurar a intervenção ianque.

China e Rússia se esquivam, avançam econômica e politicamente aumentando sua influência na região, mas tão somente para vendê-la mais caro aos ianques no momento propício. É a lei do imperialismo: conluio e pugna, onde as semicolônias são tão somente o butim. China já se reune com representantes da fração compradora e aponta que não sustentará o regime da fração burocrática se a fração compradora se comprometer a pagar a dívida do país com eles.

A perspectiva dos maoístas deve ser servir para que ali se desenvolva a direção proletária necessária para verdadeiramente polarizar na contradição entre revolução e contrarrevolução, unir as massas que se digladiam dada sua ausência, construir os instrumentos necessários para converter a guerra civil – que está a desembocar – em guerra popular pela revolução democrática ininterrupta ao socialismo.


Venezuela: Reacionários arrastam massas à guerra civil

Jailson de Souza

Os protestos se tornaram diuturnos na Venezuela. A profunda crise econômica, política e social tomam já proporções de guerra civil.

A violenta disputa entre a “oposição” – fração compradora da grande burguesia – contra o governo Maduro, representante da fração burocrática, se aprofunda desde março de 2016, quando, através do judiciário, o executivo passou a investir para restringir e fechar o parlamento, de maioria “oposicionista”, buscando substituí-lo pela participação gremial das massas corporativizadas.

Ao mesmo tempo, a situação de miséria e repressão desatadas pela crise do capitalismo burocrático joga as massas divididas pelas forças reacionárias em disputa em violentos protestos umas contra as outras. Há ainda atuação de grupos armados aparentemente civis que buscam radicalizar a situação e confrontar a opinião pública contra a gerência, alimentando a planejada intervenção imperialista. Como resultado, já somam mais de 29 mortos e mil detidos.

No dia 21 de abril ocorreu o último significativo protesto até o fechamento desta edição, com saques de lojas e confrontos com a repressão policial. Neste caso, cerca de 12 pessoas foram assassinadas, em sua maioria vitimadas por grupos armados.

Ianques ameaçam intervir

No início do mês de abril, o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos (organismo militar para dominar a América Latina), almirante Kurt W. Tidd apresentou ao Comitê de Serviços Militares do Senado um informe público. Por meio deste, revelou os planos ianques de intervir na Venezuela para reestruturar o velho Estado.

Como pretexto para conquistar opinião pública favorável, o almirante argumentou: “A Venezuela atravessa um período de instabilidade significativa no presente ano devido à escassez generalizada de alimentos e medicinais, uma constante incerteza política e a piora da situação econômica”.

Partidários da subjugação nacional

O “governo” chavista, na realidade populista e serviçal imperialista que se apresenta como “socialista”, abriu ainda mais o país para a penetração e dominação imperialista e serviu aos ianques tão somente para impulsionar o capitalismo burocrático.

A economia semicolonial venezuelana se sustenta quase que exclusivamente na produção e exportação de petróleo, que ocupa 97% dos ingressos por exportações. O maior comprador é o próprio USA, que se apropria de 65% da produção.

No entanto, a produção de petróleo depende das máquinas e produção industrial ianques, obtidas através do endividamento do país com os próprios ianques. Agora, com a queda nos preços do petróleo e queda da produção, aprofunda-se a crise do capitalismo burocrático e produz-se um maior endividamento e subserviência econômica aos ianques.

Nos últimos anos, o “governo” de Chávez/Maduro encontrou na China uma fonte para novos empréstimos. Seu endividamento com os imperialistas chineses já soma dois terços de toda a exportação de petróleo, evidenciando uma clara disputa entre os países imperialistas para dominar economicamente esta semicolônia, mesmo que os chineses ou russos não tenham interesse em sustentar militarmente a disputa neste país.

Disputa imperialista

Com a profunda divisão e violenta disputa entre as frações burocrática e a compradora da grande burguesia pelo controle do aparelho do Estado, a fração compradora vem recebendo cada vez mais apoio ativo dos ianques. Estes últimos, que toleraram a retórica “bolivariana” pela estabilidade social, agora, com o agravamento da profunda crise econômica em que se afunda o país desde 2008, exigem mais recursos para o sistema financeiro e para as matrizes de seus monopólios, programa que restringe os recursos da fração burocrática e só pode ser executado pela fração compradora. Assim agrava-se o conflito.

Ante a situação, a fração burocrática – representada por Chávez e agora Maduro, oportunistas e fascistas – vem se acercando cada vez mais da superpotência imperialista Rússia e da potência China, na tentativa sem sucesso de jogar em órbita uma disputa direta entre imperialistas (como na Síria). Esse acercamento gerou, em 2016, o plano de instalar uma base militar russa no mar do Caribe e, em fevereiro de 2017, Vladimir Putin (presidente russo) assinalou o ocasional apoio político ao regime, sem avançar muito mais do que isso. “Expressamos nossa solidariedade com o caminho escolhido pelo governo para normalizar o diálogo nacional […] Defendemos uma solução para os problemas de maneira constitucional, sem a intervenção destrutiva estrangeira [leia-se ianque]”, afirmou na ocasião.

Sintetizamos a análise citando o almirante ianque: “Na última década, a China, Rússia e o Irã [semicolônia russa] estabeleceram maior presença na região. […] Estes atores globais veem a arena econômica, política e de segurança da América Latina como uma oportunidade para alcançar seus objetivos de longo prazo e, assim, avançar em áreas de interesse que são incompatíveis com as nossas e as de nossos sócios. […] Vale a pena vigiar a atividade chinesa, russa e iraniana nesta parte do mundo também”.

Rechaçar a polarização reacionária

Conforme assinalou a Associação de Nova Democracia Nuevo Peru (Hamburgo, Alemanha): “O que nos cabe fazer é apoiar a luta do proletariado e do povo venezuelano contra a manipulação de seus protestos por qualquer que seja as frações reacionárias e dos diferentes imperialistas que manejam por trás. Desfraldar a consigna: ‘Yankees Go Home!’. […] O proletariado venezuelano, capitalizando as mudanças políticas que vai se produzindo no proletariado e no povo, saberá avançar no processo de reconstituição do Partido Comunista e, contando com o heróico combatente, iniciar a guerra popular”.

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