Pela Nova Bandeira (Presidente Gonzalo, 1980)

Traduzido não-oficial, retirado da internet

“O silêncio pode vir para as pessoas, mas não para a classe. A classe engendra o Partido; o Partido se levantou e começou a caminhar, é filho da tormenta; o Partido nunca poderá ser esmagado ou destruído, o Partido necessariamente triunfará. Este partido se forjou. Veio a Reconstituição, o que está feito, está feito, não se volta atrás, nossos olhos tendem a outras madrugadas, outras coisas se levantam, para quê olhar para trás? Devemos levantar vôo em outras direções, pois jáestamos em uma cúpula, arrematando-a, concluindo-a”

Presidente Gonzalo


Muitos os chamados e poucos os escolhidos. Não somos os únicos. Todos estamos sujeitos à tempestade, o vento leva as folhas mas vão ficando as sementes. Em 1927, uma grande tormenta e o PCCh foi exibido. O Partido entrou em uma grande tempestade, tudo se incendiará. Faz tempo estamos por converter-nos em centro polar, a convergência já começou.

Nossa trajetória vai bem; todos os problemas serão resolvidos.

Hoje é o dia do juramento à bandeira, mas nossa bandeira é a Bandeira Vermelha, há uma característica distinta: a foice e o martelo. Nossa Bandeira é absolutamente vermelha, sempre os que se levantam possuem bandeiras vermelhas.

A IX Sinfonia é expressão do triunfo da burguesia, é longa e bela, é o canto do triunfo da burguesia. Seu autor amava a liberdade, lutava por ela, fez a III Sinfonia para Napoleão, mas quando seu ídolo pisou a liberdade disse já não ser mais para ele, mas para a liberdade.

A IX Sinfonia possui uma característica: um leve rumor crescente forjando uma luz até estalar em explosão musical. Entra a voz humana, a voz da massa coral, é a terra que converte-se em voz, ao fundo da massa coral quatro indivíduos cantam, a massa gera essas vozes que cantam mais alto, mas há uma voz que chega mais alto ainda, nunca antes ninguém pôde cantá-la, mas neste século alcançou-se após muitas tentativas e o que era impossível foi conseguido. O que não farão os homens!

Foram bandeiras da burguesia. Altas em sua época, hoje é passado; hoje há a nova humanidade, a humanidade da alegria. Hoje vem o proletariado, a única fogueira que jamais se esgotará, uma parte de sua faísca é o que somos. Somos parte dessa imensa fogueira; somos humildes faíscas mas não nos corresponde senão acendê-las, com tormentas as faíscas se concentram. Que cada um cumpra sua jornada, deixem ao proletariado o que a história o incumbiu, a classe operária definirá; nada poderá prevalecer contra a classe operária, que a tudo derrubará, e um mundo de luz necessariamente surgirá. Quem nos poderá conter? O que somos? faíscas. O que podemos ter? Pode o silẽncio apagar a tormenta dos canhões, pode uma faísca levantar-se contra a fogueira, podem as espumas envelhecidas quererem permanecer na tormenta? Muitas espumas apodrecem em mar fechado. Nada poderão as bolhas que querem deter o mar. Como o silêncio calará o estrondo? As faíscas não podem deter as chamas, as tormentas são gestadas em vórtice de fogo; nada as pode deter. A classe operária levanta o martelo, a bigorna é a luta, cada um cumpre sua tarefa. Tolo é querer destruir a matéria.

O silêncio pode vir para as pessoas, mas não para a classe. A classe engendra o Partido; o Partido se levantou e começou a caminhar, é filho da tormenta; o Partido nunca poderá ser esmagado ou destruído, o Partido necessariamente triunfará. Este partido se forjou, Mariátegui o pôs a andar, é fato, como refazer a história? Veio a Reconstituição, o que está feito, está feito, não se volta atrás, nossos olhos tendem a outras madrugadas, outras coisas se levantam, para quê olhar para trás? O que está feito, está feito, não pode ser repensado. Vamos revogar o tempo escrito, o fato estampado na matéria? Devemos levantar vôo em outras direções, pois já estamos em uma cúpula, arrematando-a, concluindo-a.

Há um velho canto:

“Quem é aquela que tem sua aparência como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, imponente como exércitos com bandeiras tremulantes?”

Para quê olhar para trás se já está feito o balanço? Deve-se olhar para frente, ver a alvorada amanhecer, que é o fogo da revolução. A revolução. Faremos a luta armada, isso é o que temos que fazer, repetimos: nós faremos isso! nós faremos isso! nós! E será feito porque é necessário e nada pode nos deter, absolutamente nada pode nos deter. Como os grãos poderiam deter as rodas do moinho? Seriam feitos em pó.

Outro capítulo deve iniciar-se: é para onde deve-se olhar. Temos que começar das encostas de outra montanha para escalar cumes mais brilhantes, assim será. Longe de mim, longe de todos o pessimismo, e desenvolver o otimismo, se temos algum pessimismo é da iniquidade deste mundo.

Nossa bandeira, ninho de esperança, bandeira vermelha desfraldada ao vento, que está por trás de tudo o que digo.

Faz tempo, queriam golpear os dois lados da nossa linha, e dissemos que passaríamos pelo meio com a cabeça erguida, batendo tambores e com a vista sonhando com o futuro. Os fatos vão martelando-te e tua mente abre-se, vão gerando a ideia. Não estamos abandonando bandeiras como algum tolo pode pensar, nossas mãos não foram feitas para baixar mas para voar.

Nossa bandeira passou longo tempo flamejando sobre um cume. Deve-se saltar para o vaziomas não para destruir-se; já começamos a saltar, a bandeira já está plantada em um cume mais alto, uma névoa se interpõe mas nossas mãos se levantarão com as massas.

A Bandeira já está posta em outro cume mais alto, novamente foi erguida, os tambores começam a soar, o vento se agita. A Bandeira é um grito formoso, em vermelho, chama-nos a todos, ascenderemos. Bandeira Vermelha flameja mais alto ainda, até essa bandeira devemos ir, assim será, nada mais podemos fazer, chegar ao novo cume e quando chegarmos outro cume deverá ascender. Nada pode deter a revolução, essa é a lei, o destino. Por quê nosso silêncio? São nossas mechas, as gotas frágeis, vozes apagadas que se opõem; vemos faíscas sombrias, que querem negar a fogueira, por quê as faíscas vão revelar-se contra a fogueira?

Alguns que têm pouca fé, pouca caridade, pouca esperança, nossas almas devem ser grandes. Tomamos as três virtudes teologais para interpretá-las. Paulo disse homem de fé, esperança e caridade. Um nada vale, a massa é tudo, se temos de ser algo será como parte da massa, para quê tanto falas de nossas glórias individuais? Nosso amor, nossa fé, nossa esperança é coletiva, são realizáveis, são três em uma só bandeira.

Nós tivemos uma pequena nuvem tempestuosa mas que foi varrida pelo marxismo; há olhos que não vêem, ouvidos surdos, corações fechados, que os senhores próprios fecharam. Que querem preservar? O silêncio? A espuma envelhecida? Aqui só há uma coisa a se levantar, a bandeira do Partido que está posta em outro cume. Se temos que ser de esquerda temos que arder com paixão, porque desse ardor virá a destruição desses saldos mencionados; a fogueira está incendiando; devemos queimar nossos velhos ídolos, queimar tudo o que temos adorado e enaltecer o que temos aviltado, que outra coisa podemos fazer? O que queremos ser, bolhas arrogantes, dizendo ao cosmos limitador que eu me desenvolverei? Imagine que risível! Dizem que essa parte do cosmos estruturado como Terra há 15 bilhões de anos leva a Terra a gerar o comunismo, quanto tempo dura um homem? muito menos que o simples lampejo de um sonho, não somos mais que uma pálida sombra e pretendemos nos levantar contra todo esseprocesso da matéria; seremos um sonho a fenecer. Bolhas arrogantes, é isso que queremos ser? Uma parte infinitesimal que quer levantar-se contra 15 milhões de anos? Que soberba! Que podridão! Velho mar envelhecido, apodrecido pelo tempo, feudal, burguês, imperialista, águas escuras em decomposição. O que mais é? Fétido, ridículo. Sejamos pois materialistas!

Comunistas! Demonstremos que isso é necessário e que ninguém pode opor-se à necessidade. Marx compreendeu o novo caminho a abrir, Lenin tomou para si acender a fogueira. Mao é Mao porque retomou como ninguém, teve visão histórica, viu os séculos como ninguém, em breves páginas nos mostra milhares de anos, tinha que cumprir sua missão e cumpriu seu papel, disse: fez-se a revolução, derrubou Chiang Kai-Shek, fez a Grande Revolução Cultural Proletária, serviu completamente a isso; temos avançado menos do que podemos fazer, quisemos alcançar o cume definitivo e fracassamos e Chiang Ching disse: tu podes fazê-lo, se falhares despertarás e se lançar-se terás que fazer uma guerra de guerrilhas.

E nós, comunistas em formação, queremos seguir outro rumo? O que somos nós? Não somos nada salvo comunistas.

É necessário que hoje definamos o problema, a nós apresenta-se o problema que também apresentou-se à L.O.D., porém somos de esquerda. Aqui a direita é subsidiária, nosso problema não é com eles, se eles querem sumprir seu papel que assumam sua autocrítica; O problema é a esquerda porque esta é o Partido, o sal da terra, a árvore viva, os outros são parasitas. A esquerda deve queimar o inútil. A esquerda deve queimar o inútil, deve banhar-se, lavar-se, ficar limpa, limpar o estábulo que temos, remover as crostas de maneira franca, verdadeira, honrosamente limpa; esse é nosso problema e em cada um é assim. Um responde pelo que o outro passa, somos filhos de uma mesma causa, é fácil porque somos esquerda, que cada um demonstre sua posição de comunista, a revolução nos engendrou como comunistas, o que fazemos e somos é o Partido.

Somos os incendiários; a massa está pronta, a massa nos espera, querem luz e não sombras, querem espadas e não manteigas, fogo e não gelo. A esquerda deve cumprir seu papel, o problema é simples, inclusive para os que têm a alma dura; o problema é abrir o coração com resolução, é fácil fazê-lo, a revolução o exige. Basta de águas individuais apodrecidas, esterco abandonado. Nova etapa: lavarmos a alma, lavarmos bem. Pensar na revolução e no Partido que implica o povo e a classe; a necessidade o exige, vamos ao fundo de nossos problemas mas sem envolver nossos eus próprios, vamos ao fundo de nossas posições para cravar em nossas almas definitivamente a bandeira do Partido.

Alguns só vêem a si mesmos, vivem em casas de espelhos; são comunistas, levantem o punho, colidam-no e o sangue voltará a ferver, romam o muro. É o que se deve fazer.

O problema é duas bandeiras na alma, uma preta e outra vermelha. Somos esquerda, façamos um holocausto com a bandeira preta, é fácil que cada um o faça, do contrário os demais passaremos a fazê-lo.

A bandeira vermelha prevalecerá, arranquemos a bandeira preta, que cada um demonstre sua condição de comunista. A bandeira flameja em outro cume mais alto, muitos já começam a reconhecê-la; certos ventos se gestam em nossa pátria, cada um analise seus problemas dentro da linha e abandone suas bandeiras puídas. Algo nos ajuda, a Bandeira está mais alta; vamos cumprir nosso papel! Espero que cumpramos, espero.

(Da IX Plenária Ampliada do Comitê Central, 7 de junho de 1979)

Sobre os três capítulos da nossa história

Dissemos há alguns dias que queríamos falar de algumas coisas, há momentos em que recorremos a falar em símbolos, em metáforas, ou de formas não tão diretamente intelectuais, porém preferimos que nosso conjunto de seres comunistas falem por nós direta e amplamente.

Queria ser breve, queríamos falarr de como será vista a história daqui a décadas.

Coloquemo-nos em plano de imaginação revolucionária e olhemos para o futuro, isso é bom, é útil e também serve para fortalecer a alma. Temos mentes claras, vontade resoluta e paixão inesgotável, e a imaginação revolucionária contribui para fortalecer a alma dando-lhe mais paixão inesgotável e mais mente clara. É bom que pensemos um pouco e deixemos que a imaginação fale a partir do futuro. Posicionemo-nos décadas adiante. Na segunda parte do século que chega.

Estamos na parte final do século XX, em breve veremos correr os anos, e em breve se irão à medida que tenhamos avançado em transformar nossa sociedade, e virá o terceiro milênio da humanidade. O fenecer dos anos noventa significa o término de um milênio e o início de outro em que o comunismo será definitivamente estampado na história e a humanidade terá dado um maravilhoso salto do reino da necessidade ao reino da liberdade.

Pensemos na segunda parte do século seguinte, a história estará escrita por nós e os que seguem somos nós, os futuros comunistas, porque somos inesgotáveis, e virão outros e outros, e os que vivem somos nós. As crianças quando começarem a ler, os homens quando começarem a recordar terão uma história para ler e dizer.

De como prevaleceram as sombras

Tempos atrás, há vinte mil anos, os homens aqui chegaram de forma muito primitiva; passaram-se dez mil anos e há cerca de seis a quatro mil anos começaram a desenvolver a agricultura, levantaram construções elementares para abrigar-se do frio e também começaram a tecer para cobrir seus corpos. Há dois mil anos já tínhamos uma agricultura muito desenvolvida e começamos a ter um grande sistema agrário, desenvolve-se a comunidade e começa a formar-se o aylly, concretização da expressão agrária deste povo, e com o decorrer do tempo vieram os excedentes, surgiu a diferenciação e geraram-se classes, propriedade e Estado.

De setecentos a seiscentos anos de nossa era começou a desenvolver-se o Estado e este Estado começou a crescer e conforme cresceu houve exploração e começou a gerar-se a opressão e a expressão e os povos se dividiram em opressores e oprimidos. Também estas terras dividiram-se em pequenas comarcas, grandes confederações, reinos, Huari é um exemplo. Com o passar do tempo vem a formar-se o império inca. Veio Pachacútec, trouxe maior ordem imperial e reorganizou o Estado tornando-o mais forte. Há nações que exploram as demais. As classes são evidentemente claras e concretas, há explorados e oprimidos. Mas bem pouco durou este reino pétreo. Vieram homens estranhos e desajustaram a ordem agrária. não é certo que dobraram os joelhos, homens resistiram e defenderam a ordem de exploração que haviam feito, mas como era um sistema carcomido baseado em exploração afundaram-se em colisão com uma ordem superior.

Em nossa pátria derrubou-se o sistema e iniciou-se um longo processo de opróbrio e exploração feudal. Os camponeses resistiram e se defenderam. As pessoas foram levadas às minas e seu sangue se converteu em ouro e prata, que foram levados para a Europa. Temos a ver com o desenvolvimento do capitalismo na Europa, produto do sangue e da carne de nossos antecedentes.

Séculos se passaram e foram acumulando um sistema de miscigenação. Vieram rebeliões, no século XVIII os camponeses mobilizaram-se gigantescamente e o sistema se estruturou. As ações mundiais do capitalismo repercutem outra vez aqui e se estremece o espírito emancipatório, mas como as classes não são eliminadas nem se resolve o problema da terra e da soberania, os dois velhos problemas seguem existindo: terra e soberania.

O século XIX implica a transformação da ordem feudal em semifeudal, e de colonial em semicolonial. De uns europeus para outros europeus, trocamos de amos e passou-se das mãos espanholas às inglesas e apossaram-se novos exploradores, mais sinistros que os anteriores.

Mas o povo sempre levantou-se, vigoroso combatente, em ardente luta de classes sem trégua, porém com períodos ainda mais estremecedores.

Na parte final do século passado surge nova ordem imperialista, os Estados Unidos chegaram tardiamente a estas terras e nos anos 20 seu domínio se empossa. Alí começa a prevalecer as sombras. uma nova classe alvorece, é o proletariado, e surge um novo capítulo.

  1. De como surgiu a luz e forjou o aço.

Surge a classe operária, amanhece a nova classe, foi a classe operária, o proletariado internacional, que se expressa também em proletariado em nosso país; isso somos nós. O proletariado começa a clarear a escuridão, foi a classe que se expressou aqui. A luz se fez aço.

De 1805 a 1919 são quase 30 anos de aguda luta de classes em que se desenvolverá o proletariado peruano e sua presença significou uma mudança na vida política da nossa pátria. A luta de classes, a ação internacional e as lutas do proletariado e do campesinato permitiram que fosse coagulado o marxismo e José Carlos Mariátegui lutou como poucos lutaram em suas terras na América. Nosso povo não é frívolo como as pessoas estúpidas dizem, deu grandes homens, e Mariátegui é um dos poucos homens nestas terras que aplicou o marxismo-leninismo em condições especiais, e nosso povo começa a encontrar um novo caminho, inédito; e começou a surgir uma luz mais pura, uma luz resplandecente, essa luz levamos conosco, no peito, na alma. Essa luz se fundiu com a terra e esse barro converteu-se em aço. Luz, barro, aço, surge o PARTIDO em 1928; forja-se o aço, isso somos nós, essa é a questão de como surgiu a luz e forjou-se o aço.

Fundamos em 1928 e nunca caímos no critério de formar outro Partido. Nos ajustamos até que aqui, pelo calor da classe e das massas, gerou-se José Carlos Mariátegui, que constituiu o Partido, nos deu a luz e o aço e colocou-nos a caminhar. Desde então há luz e aço em nosso país. Digam o que disserem, não se pode voltar atrás. Isso será mais forte enquanto haja classes, não se pode voltar atrás, é impossível. Essa luz não se porá jamais enquanto haja classes, o aço não se desfará jamais enquanto haja classes; mas tivemos um destino, tivemos uma possibilidade que se desfez quando se cegou a vida do que nos fundou. O que não pôde ser realidade ficou como Programa e Plano que foi negado, contornado, ocultado; mas a classe encarnou-o, seguiu embatendo com a classe o povo combativo e os comunistas. Não podemos negar a ação da classe e dos comunistas que lutaram e cuja ação permitiu que chegássemos onde estamos hoje.

O tempo passou. Veio a segunda guerra mundial, a mais extensa da história, que nos assinalou, e marcou e pôs a andar com mais profundidade um sistema de capitalismo burocrático e uma mais aguda luta de classes. A classe operária seguiu avançando mas nunca com tranquilidade, senão em meio a tormentas e tempestades forjou-se a classe operária e com ela mais luz, mais aço, mais força, mais invencibilidade.

Nosso povo foi dominado por uma luz mais intensa, o marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsetung; fomos primeiro deslumbrados, no começo rompimento de luz inacabável, luz e nada mais; pouco a pouco nossas retinas começaram a compreender essa luz, baixamos os olhos e começamos a ver nosso país, a Mariátegui e nossa realidade, e encontramos nossa perspectiva. A Reconstituição do Partido. Assim o capítulo de como se forjou a luz e o aço começa a terminar.

III. De como se derrubaram os muros e se desfraldou a aurora

Hoje se inicia um novo capítulo. De como se derrubaram os muros e de como se abriu e se desfraldou a aurora. Se dirá: nosso Partido forjado com a luz mais forte e aço mais puro teve um momento de decisão e gerou o Plano Nacional de Construção e o Partido, que era um pedaço de bandeira desfraldada ao vento, se estendeu para iluminar nossa pátria e os comunistas convocados por todas as partes, armaram um sistema nacional, os comunistas se levantaram e a terra trovejou, e ao trovejar a terra os camaradas avançaram. Para isso tiveram uma Conferência, marco histórico, e estabeleceram bases políticas, caminho a seguir. Uma bandeira foi plantada, uma bandeira muito alta para uma nova etapa e uma nova meta: iniciar a Luta Armada. Os homens lutaram e os poucos comunistas que havia foram convocados de vários pontos, e ao final se comprometeram e tomaram uma Decisão: forjar de fato a Primeira Campanha da Primeira Divisão do Exército Popular e, assim, começaram a retroceder as sombras de maneira definitiva, os muros estremeceram e foram transpassados; com os punhos se abriu a aurora, a escuridão se clareou. A I Conferŵncia Nacional foi a chave, a pedra angular e outro capítulo se iniciou. As almas estavam alegres e os olhos resplandeciam luz. Um capítulo dirá: Muito esforço custou, demos nossa cota; e em momentos difíceis enterramos nossos mortos, secamos nossas lágrimas e seguimos combatendo. Assim se concretizou e no dia nacional foi proclamada a República Popular, e o trabalho foi reivindicado e desde então o riso passou a andar entre nós, os campos frutificaram mais, a liberdade começou a palpitar entre  nosso povo e o vermelho a guiar-nos para sempre. Nossa América brilhará, é já um mundo livre e estende-se a todas as partes. Hoje velhos impérios se fundem, são águas sujas, cinzas envelhecidas; enquanto o trabalho está reivindicado e os campos florescem na República Vermelha.

Dirão, que faremos hoje? Hoje avançamos conjurando para que nunca mais voltem as sombras, para que a classe operária nunca perca o poder. Assim dirá a história; nesse sentido rumamos para chegar inevitavelmente ao comunismo, para chegar à luz plena e absoluta. O sangue dos que caíram clama “luz! luz! ao comunismo chegaremos!”.Isso estará escrito; assim dirá a história.

Hoje tomamos uma decisão histórica; expressamos, de punho erguido, dar a vida; de pé e de punho erguido expressamos entregar nossas vidas, nesse momento começou a destruição dos muros, começou a abrir-se a aurora.

Eu também prometo como vocês, penso igual: sob a bandeira do Marxismo-Leninismo Pensamento Mao Tsetung, diante da efígie de nosso fundador, diante da linha do Partido e das bandeiras invictas de nosso Partido. Eu também luto e batalho para derrubar os muros desta ordem, eu também sou um combatente da Primeira Companhia da Primeira Divisão do Exército Popular. Tenho somente uma aspiração, como vocês: servir ao meu povo, apoiar-me nas massas, que é nosso sustento, e lutar pelo internacionalismo proletário. No MCI temos uma só bandeira: Marx a pôs a flamejar, Lenin seguiu e Mao elevou-a mais alto, é e será a luz que nunca será baixada. Nos colocamos de pé e cumprirei aquilo que tenho que cumprir. O que me importa é cumprir bem minha jornada; nós comunistas não esperamos nada, apenas servir ao comunismo; e minha decisão é a vossa. Eu também serei simples combatente da letra. Companhia; farei aquilo que haja para se fazer, farei aquilo que deva, não espero nada, fora uma coisa: servir ao comunismo, isso também é um compromisso; minha decisão é vossa e a vossa é a minha, porque somos uma unidade. Começou o colapso dos muros e começa a se exibir a aurora.

(Da Conferência Nacional Ampliada, 3 de dezembro de 1979)

“A história nos ensina que uma linha política e militar justa não se desenvolve de forma espontônea e dócil, mas na luta contra o oportunismo de ‘esquerda’ por um lado e contra o oportunismo de direita por outro. Sem combater estes desvios perniciosos que minam a revolução e a guerra revolucionária, e sem superá-las completamente, será impossível elaborar uma linha justa e lograr a vitória em uma guerra revolucionária”.

(Mao Tsetung)

Começamos a derrubar os muros e a implantar a aurora
as massas clamam organizar a rebelião

Desde os velhos tempos as massas vivem sujeitas à exploração e à opressão e sempre se rebelaram, é uma longa e inesgotável história. A luta de classes é uma constante, não pode ser suprimida. Desde sempre, desde que combatem, as massas clamam por organizar a rebelião, seu armamento, sua revolta, que se as dirija, que se as conduza. Sempre foi assim e seguirá sendo e depois que houver outro mundo seguirá sendo, só que de outra forma.

Existe miséria e existe junto a fabulosa riqueza, até os utópicos sabem que ambas andam juntas, extraordinária e desafiadora riqueza junto a denunciadora e clamorosa pobreza. E é assim porque a exploração existe. A exploração está atrelada à opressão e esta também existe, assassina as massas, as consome de fome, as aprisiona, as degola, mas as massas não são cordeiros, estão formadas por homens agrupados em classes que se organizam, geram seus partidos e estes, seus dirigentes.

Os dirigentes sabem escutar o mais leve rumor da massa, escutar seus altos e baixos, verificar no futuro distante e se posicionar com firmeza para registrar o mais leve tremor da massa. Dirigente que não faz isso não é dirigente.

Somos comunistas, Marx nos ensinou que os revolucionários têm por obrigação profissional organizar a miséria para derrubar a velha ordem e nossa obrigação é fazê-lo cientificamente, conhecedores da lei da luta de classes e sabedores da meta para a qual marcha a classe e o povo. Essa é nossa obrigação, para isso viemos, para organizar o clamor da massa, para mobilizá-la, para armá-la, para isso viemos. Para que assim o poder desorganizado da massa expresse sua força, seu poder invencível, e se converta em massa criadora de novas ordens, e assim penetrar os mais fortes muros e os derrubar estrondorosamente.

Não podemos chamar a nós mesmos de comunistas se assim não atuarmos, não pode haver entre nós dirigentes surdos ao clamor da massa, cegos diante de sua força, duros e indiferentes.

Isso é inaceitável.

Porém o que temos visto? Dirigentes surdos, cegos, duros e indiferentes; é porque estão perdendo sua condição de comunistas? Aos comunistas deve lhes abalar a alma como lhes abalam as massas, alegrar-lhes o que as alegra, doer-lhe o que as dói, inflamar-lhes o que as inflama, levantar-lhes o que as levanta. Do contrário a condição de militante torna-se um timbrado, rótulo, selo, etiqueta.

Não pode haver comunistas menos dirigentes que ousem desconfiar da massa, isso é desconfiar da única força da história. As “razões” podem ser muito elaboradas mas será insuficiente, vazio inaceitável. O Partido não pode seguir permitindo que militantes neguem a massa nem militantes menos dirigentes. Não pode ser. Não podemos permitir que enquanto os burgueses vêem a onda de greves e o campesinato que começa a levantar-se, os comunistas neguem o que seus olhos vêem, o que suas mãos fazem. Não pode ser que os comunistas neguem a massa, não faz sentido, não podemos permitir.

Cada vez mais devemos ser avisores, ver de longe, ter ouvido fino para ouví-los, vista penetrante, talento agudo e penetrante para para descobrir a transformação da massa. Sem isso não podemos cumprir nossa missão. Seguiremos o caminho do velho oportunismo?

Teremos o coração duro da reação? Desses camaradas que atuam assim o que podemos esperar amanhã? Obscuros e sinistros cavalgadores sobre as massas. Nunca mais permitiremos que tal coisa comece a suceder, muito menos com dirigentes.

Há uma realidade poderosa neste nosso país, que é a massa, possui grande história ignorada, mas que cada vez que se colocou de pé a terra tremeu e cada vez que a massa campesina se levantou sacudiu as bases, a reação foi posta em mil apuros, apenas com sangue e fogo apaziguaram com seus sacristãos oportunistas que desviam, entorpecem; apenas as apaziguaram, mas jamais as contiveram. Antes a terra se clisa que as massas deixem de ser o que são.

Engels nos ensinou: há dois poderes sobre a terra, a força armada da reação e a massa desorganizada. Se organizamos esse poder, o que é potência torna-se em ação, o que é possibilidade em realidade, o que é lei e necessidade torna-se em ação contundente que varre tudo o que se crê firmado. Não há nada sólido, tudo é castelo de cartas, porém se sustenta na massa e quando essa massa fala tudo se estremece, a ordem começa a ser abalada, os altos cumes se agacham, as estrelas tomam outro rumo, porque as massas fazem e podem tudo.

Se essa convicção começa a falhar em nós, a alma dos comunistas começa a despedaçar-se.

Deve-se ter vigilância e que seja imensa advertência o que temos vivido nesta Sessão Plenária: nunca mais deve acontecer. Ai do Partido se tem comandos surdos às massas! Se assim ocorre que o derrubemos e destruamos o peso burocrático pois não será Partido, será um monstro. O que nos dizia o Presidente Mao? Nós ateus temos apenas uma divindade, as massas, a esses deuses invocamos para que nos escutem e quando isso acontecer se acabará a exploração.

Forjemos os militantes nestes critérios, hoje mais que nunca e amanhã ainda mais.

As massas clamam organizar a rebelião. Portanto o Partido, seus dirigentes, quadros e militantes, têm uma obrigação, hoje peremptória, um destino: organizar o poder desorganizado da massa, o que só se faz com armas em mãos. Deve-se armar a massa, pouco a pouco, parte por parte, até o armamento geral do povo, e quando isso ocorrer não haverá mais exploração sobre a terra.

  1. Que as ações falem por si

A II Sessão Plenária do Comitê Central tem já um timbre de glória, um timbre que a caracteriza: o acordo em desenvolver a militarização do Partido através de ações.

A nós comunistas tem custado violenta luta estabelecer uma nova bandeira: iniciar a luta armada. Todos somos testemunhas, em meio a uma fragorosa contenda de linhas, acordou-se a concretização desenvolvida da nossa linha: ILA.

Temos dado passos firmes e seguros, pois seguros estamos de onde vamos e do que queremos. Recordemos Lenin: venceremos porque sabemos o que queremos.

É bom pararmos uns minutos e perguntarmos: como chegamos a esta grande definição de desenvolver a militarização do Partido através de ações? Tem sido também uma intensa luta: talvez não tenha havido a estridência de outras, mas é mais profunda, mais densa e possui grande perspectiva.

Duas posições têm lutado claramente entre si: Acerca de, seguindo aquilo que desde o VI Pleno viemos inculcando: converter o verbo em ação, hoje assumimos converter o verbo em ações armadas. Decisiva concretização, transcendental desenvolvimento. O que temos acordado é desenvolver ações militares, disso falamos, isso bate em nossa mente, palpita em nosso coração, borbulha em nosso cérebro e se agita em nossa vontade quando falamos de ações.

Alguns de nós temos lutado para que haja acordo em passar à linguagem das ações militares, e outros têm se oposto obstinadamente com truque, manobras e até artérias. Mas foi imposto, está definido porque nossa pátria pede definições, porque nosso povo pede decisão; o povo clama e nós respondemos a esse clamor, a essa exigência, sentimos o que sentem e queremos o que querem, querem que suas mãos falem a linguagem precisa e contundente das ações armadas. Sim! Desenvolver ações são sempre os feitos das massas, do povo: quando abre o sulco é a ação que fala; quando a bigorna forja é a ação que fala; quando os homens investigam, tomam leis, é a ação que fala; quando mãos armadas se levantam é o povo que combate. Primeiro é o fato, depois a ideia, e esta ideia leva cada vez à ação mais alta. Somos reflexos certeiros e justos de nossa realidade. Temos predicado, chamado às armas, à luta armada. Nossa voz não tem caído no deserto, a semente caiu em bom sulco, começa a germinar. As vozes que lançamos são ecos poderosos, crescentes, vozes que atordoarão nossa terra. Aqueles a quem dizemos pôr-se em pé, levantar-se em armas,semeando em sua vontade, respondem: estamos prontos, guiemos, organizemos, atuemos! E cada vez mais nos requerirão.

Ou cumprimos o que prometemos ou seremos chacotas. infiéis, traidores. E isso nós não
somos.

Se temos semeado, se temos predicado, se temos organizado e tudo dá frutos e começa a marchar, nossa obrigação é nos pormos à cabeça. Que as ações armadas confirmem nossa prédica, que nosso sangue se junte ao sangue dos que têm que vertê-lo, não temos direito a que esse sangue estremeça só, que seu frio se embale com o calor do nosso sangue. Ou não somos o que somos.

De forma quase inconsciente nos tornamos comunistas, e é como um longo caminho, é como andar, mover um pé exige que se mova o outro e o outro, e se se cansa não é para parar senão para ter suave e calmo descanso e seguir ascendendo. Amanhã a matéria nos recolherá em sua bélica paz, alí é onde poderemos descansar definitivamente.

Para isso nos formaram comunistas, para isso viveram Marx, Lenin, Mao para ensinar aos demais, para ensinar como cumprir, para isso, para convocar os demais, organizá-los, levantá-los, para isso a classe os gerou.

E o que temos visto aqui? Dirigentes do CC que se opõem a que o Partido dê o passo decisivo de sua história. Em nome de quê? Da suposta “falta de condições”? E em sua voz trêmula quem falava? Eram as negras bocas da opressão e da exploração, as negras bocas cheias de saliva e sangue. Não esquecer que a reação necessita verter sangue para aplacar o povo, é seu sonho de sangue e ferro, mas esse sinistro sonho é a mais clara prova de que está carcomido.

E quando CC e dirigentes querem nos roubar a alma, a mente podemos permiti-lo? Não, seus “argumentos” se tornam em fumaça, suas “considerações” em farrapos, suas “firmezas” pergaminhos apodrecendo ao sol.

Nunca mais em nosso Partido devemos escutar essas sinistras vozes em comunistas e muito menos em dirigentes. E aos que ousem se levantar, os esmaguemos como merecem, os destruamos. Hoje isso é muito mais urgente; é muito menos permissível hoje porque é minar, socavar a esperança da massa, a obra de quinquênios, e precisamente quando? Quando a massa começa a concretizar na realidade. Neste momento pacifistas vergonhosos.

As reuniões nos deixam a todos muitas lições, para uns deve ser estrondosa advertência, contundente chamado de atenção. Nunca mais. Nós temos clara e definida orientação: que as ações falem por sí. Ações para desenvolver a militarização do Partido através de ações.

Converter isso em realidade é imperativo, urgente, é uma voz de ordem, o demanda a classe, o demanda a história, o povo. Não podemos operar de outro modo. É uma necessidade. O quefizemos antes nos trouxe até aqui. O caminho está definido, as ações estabelecidas: cumpra-se.

Não temos outro direito.

Essa é nossa voz de ordem: que as ações falem por si.

III. Comecemos a derrubada dos muros

Já estamos em acordo sobre desenvolver a militarização do Partido através de ações, o que deriva disso? Que comecemos a derrubada dos muros. Está presente, de uma vez. Há os que têm se oposto, têm resistido e até os que covardemente fugiram, desertando pela segunda vez, e têm sido defendidos. Começará a ser costume de nosso Partido a defesa da traição e da covardia? Pensem o que isso tem feito. Recordem “Prometeu”, as Oceânides e Hermes: peçam-nos tudo, menos a covardia e a traição. Dois mil e quinhentos anos atrás, e comunistas no século XX, em um Partido Comunista que luta para iniciar a luta armada, debatendo, desenvolver através de ações bélicas, escutamos a dirigentes que louvam, erguem, sustentam, alimentam , protegem a traição. Começará a ser costume entre nós? Não.

Desenraízemos as ervas venenosas, isso é veneno puro, câncer para os ossos, nos corroeria; não o podemos permitir, é podridão e pus sinistro, não o podemos permitir e ainda menos agora, e até o fim se tem sustentado tal coisa. Desterremos estas víboras sinistras, estas víboras nocivas, não podemos permitir nem covardia nem traição, são víboras.

Não podemos alimentar isso, impossível. E entre nós se expressa e nos dirigentes, inaceitável, condenável, deve ser marcado a fogo.Comecemos a queimar, a desarraigar esse pus, esse veneno, queimá-lo é urgente. Existe e isso não é bom, é danoso, é uma morte lenta que poderia nos consumir. Temos que nos forjar em outra têmpora, em outro espírito. Os que estão nesta situação devem ser os primeiros a ser marcados a fogo, desarraigar, arrebentar os abusos. De outro modo, o envenenamento seria geral. Venenos, purulências, devem ser destruídas; o corpo está são, se não as destruirmos esse vigor se acabará.

É urgente e decisivo acabar com isso. Não deixemos rastro, para isso deve servir a depuração, delimitar em ações. Os que nisso têm incorrido devem ser os primeiros, será a mostra de seu avanço. Para derrubar os muros devemos varrer os escombros e aniquilar os venenos. Para que comece a derrubada dos muros necessitamos nos fortalecer e fortalecer é varrer essa podridão de direitismo em geral. Podemos portanto devemos, e tome-se como séria obrigação e uma exigência de altíssima vigilância. Preservar a esquerda, e os que têm dificuldades avançarão, que isso seja mostra de sua ação, que isso rubrique sua promessa.

Iremos às bases para transmitir, para levantar ações. Ter estabelecido lutar contra uma direita descabeçada é magnífico, é um grande avanço. Pois bem, nós mesmos e os que têm problemas devem dar mostra alí de sua correção, de sua definição, de seu rumo seguro na esquerda, ter vigilância. É factível, necessário portanto fazê-lo. Isso é indispensável, assim avançamos, nos fortalecemos e o ferro coalhará em nós.

Ninguém chame-se à impotência porque tem problemas. A potência virá da ação. Ação é derrubada dos muros. Façamos ações militares. Formulemo-nos nela. De novatos que somos tornemo-nos experimentados.

Assim ao aplicar o Desenvolver da militarização do Partido através de ações, os muros serão profundamente socavados e sua derrubada é coisa que se inicia. A chave para isso: os grupos armados, os grupos armados sem armas. Que suas mãos desarmadas arrebatem as armas dos que as têm, aplicando a astúcia e guiadas por ideias claras.

Está bem. Vamos generalizar os grupos; vamos atuar em boicotes, colheitas, invasões, sabotagens, terrorismo e principalmente em ações guerrilheiras. Esse é nosso destino, nossa necessidade. Todos temos firmado: que floresça a violência concretizada na ILA, a levemos adiante através de grupos armados; começar pelos grupos sem armas, dessas ardentes sementes brotarão ardentes girassóis. Há um sol que nos resplandece: o marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsetung, há uma terra fértil que as fortalece: a luta de classes das massas em ascensão crescente. O que nos falta? Que brotem e floresçam os grupos armados sem armas! Dessas humildes flores e sementes sairão monumentos da classe que derrubarão os muros. Assim, a aurora jubilará em nossa pátria.

Chave: os grupos; vital: nossa decisão; base: a massa.

Que floresçam os grupos armados sem armas! Essa é a palavra de ordem hoje.

  1. Levantar o otimismo e inundar o entusiasmo

Somos comunistas de tẽmpora distinta, de material especial; somos comunistas dispostos a tudo e sabemos o que temos que enfrentar. Já o enfrentamos, o enfrentaremos amanhã. O amanhã, filho do presente, será mais duro mas estaremos temperados pelo passado e nos forjaremos hoje. Temperemos nossas almas na revolução, são as únicas chamas capazes de nos forjar.

Necessitamos de alto otimismo e há uma razão para tê-lo: somos condutores dos criadores do amanhã, somos guias, estado maior do invencível triunfo da classe, por isso somos comunistas.

Temos entusiasmo porque nos nutrimos da ideologia da classe: marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsetung. Vivemos a vida da classe; participamos de sua heróica façanha, o sangue do nosso povo nos inflama e palpita em nós.

Somos sangue poderoso e palpitante; tomemos esse ferro e aço inflexível que é a classe e lhe agreguemos a luz imperecível do marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsetung. Entusiasmo é participar da força dos deuses, por isso transbordamos entusiasmo, pois participamos das divindades do mundo atual; a massa, a classe, o marxismo, a revolução. Por isso temos inesgotável entusiasmo; por isso somos fortes, otimistas, vigorosos de alma e transbordamos entusiasmo.

E o que temos visto aqui? Dirigentes, militantes órfãos de otimismo, carentes de ebulição entusiasta, almas apagadas, vontades caducas, paixões fugazes. Inaceitável. Bem sabemos sua raíz: o que os sustenta não é o marxismo, a classe nem a massa, é o corrosivo individualismo, é a podridão reacionária que os tem atemorizado, é a conformidade com os esgotos da velha ordem, é expressão do mundo que morre, são gases letais do pântano da reação; por isso seus espíritos se quebram, lhes treme o coração, lhes abandona o pensamento, seus servos se destroem, se turva sua ação.

Isso deve ser desarraigado; não pode aninhar-se mais entre nós, inaceitável, inadmissível; queimá-lo, explodí-lo. Isso menos pode se dar no Partido e menos ainda pretender predominar.

E o que temos visto no momento? Dirigentes com estas posições e atitudes. Isso nunca mais deve se dar. E hoje precisamente quando necessitamos levantar o otimismo e transbordar o entusiasmo, hoje? Se isso é sempre inaceitável, agora é corrosão, gangrena pura e menos que nunca deve acontecer, hoje é muito mais inaceitável.

Se os camarada não desarraigam esses males, que quadros formarão? Que militantes formarão? Aplicar: uma companhia é como seu comando. Comando sem otimismo, companhia sem otimismo; comando covarde, companhia covarde, derrotada e quebrada antes de empenhar a batalhar.

Necessitamos levantar o otimismo e transbordar o entusiasmo. Que nossa ideologia poderosa, linha de aço e vontade de comunistas se expressem sobre todos os dirigentes. Palavra de ordem: levantar o otimismo e transbordar o entusiasmo! Que se transmita aos demais, aos quadros, às bases. Que o entusiasmo por entrar em ação nos impulsione mais, remova as crostas que impedem o avanço e a outros sirva para que desarraiguem os males.

Que brilhe em otimismo e haja em nós poderoso entusiasmo. É possível; é necessário. É possível e necessário, portanto o faremos.

A ninguém escapa que esta é uma luta de posições; isto registramos aqui e o resumo deve ser expressão do que vimos. Mas o que prevaleceu, o que prevalece o que prevalecerá? O principal, o positivo, a esquerda. Que chora lentamente sua derrota? A direita; que compreenda que esse choro é inútil, que nada resta senão queimar os velhos ídolos, queimar o obsoleto e pormos a alma a tempo.

A alma a tempo é o que tem a esquerda, se combina com o que nossa pátria, o povo, a revolução clama; não podemos falhar. Se nosso sangue e vida são reclamados tenhamos uma atitude: levá-los nas mãos para entregá-los; coloquemo-os a serviço do que é a causa maior e mais justa.

Nossa morte pela boa causa seria o selo de nossa ação revolucionária. Que a ação constante e firme pela nossa causa marque indelevelmente nossa boa vida de combatentes comunistas. Isso é o que temos compreendido melhor, por isso o positivo pensa imensamente mais.

Temos avançado, mas alguns creem que seus males são passado superado. Isso é perda de vigilância, se darão mil “razões”, não serão mais que água de esgoto. Elevem a vigilância, varrem definitivamente o erro, destruam o mal e o obsoleto através de ações armadas que serão o selo real e efetivo.

Talvez alguns pensem que devemos apenas falar do positivo; existe a luz e a sombra, a contradição. Devemos resumir, tomar lição; esta reunião é grandíssima lição, não a esqueceremos. Temos uma necessidade: preservar a esquerda para que o Partido cumpra com o seu papel. Com as ações que estamos cumprindo e com esta muito boa reunião começamos a derrubar os muros e a descortinar a aurora.

Podemos resumir em quatro palavras de ordem:

  • As massas clamam organizar a rebelião.
  • Que as ações falem por si.
  • Comecemos a derrubada dos muros.
  • Levantar o otimismo e transbordar o entusiasmo.

Este Comitê Central está mais forte e mais forte será se todos fizermos o que corresponde a cada um para cumprir as ações, principalmente o “Desenvolver a Militarização do Partido através de ações”.

Que os CC, ao falar, expressem seu otimismo e entusiasmo, será mostra de sua definição.Que minhas palavras não sejam para alguns pretexto de perda do otimismo e desistência do entusiasmo. Creio que entramos no momento de superar velhos problemas de cinquenta anos.

Outro mundo abre-se para nós, começamos a nos definir; esta reunião é de definição. Que cada palavra nossa, cada pensamento nosso, cada ação nossa, cada sentimento nosso, cada vontade nossa, ratifiquem isso. É factível, indispensável, é necessário. Podemos e devemos porque queremos e sabemos o que queremos.

A reunião é muito boa, nos tem unido mais, nos tem coesionado. Acordamos unanimemente delimitar a linha militar e sua concretização: “Desenvolver a Militarização do Partido através de ações”. Deste momento em diante, que tudo expresse nossa tensa vontade em cumprir o acordado.

(Da II Sessão Plenária do Comitê Central; 28 de março de 1980)

“Não houve na história do mundo guerras que começaram e terminaram com uma contínua ofensiva vitoriosa, ou se houveram foram exceção, e isso tratando-se de guerras habituais, mas quando nelas se decidia a sorte de uma classe, a alternativa: socialismo ou capitalismo, há por acaso algum fundamento lógico para supor que um povo, que encara pela primeira vez este problema, pode descobrir em seguida o único método acertado, livre de erros? Que razões há para supô-lo? Nenhuma! A experiência nos diz o contrário. Nenhum dos problemas que devíamos encarar pôde ser resolvido de uma só vez, mas sim depois de reiteradas tentativas. Sofrer uma derrota, começar de novo, refazer tudo, descobrir a forma de aproximar-se da solução – a solução definitiva, ou pelo menos satisfatória: assim temos trabalhado e seguiremos fazendo. Dada a perspectiva que se nos apresenta, se não houver unanimidade em nossas fileiras, seria o mais triste indício de que um espírito de abatimento, sumamente perigoso, teria penetrado no Partido. Ao contrário, se não tememos dizer com franqueza a verdade, por amarga e dura que seja, aprenderemos, e é de todo seguro que aprenderemos a vencer todas e cada uma das dificuldades.”

(Lenin)

Março, 1980

Comitê Central do Partido Comunista do Peru

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