Greve por gênero? (Dazibao Rojo, 2018)

Nota do blog:  Segue artigo publicado no blog internacionalista Dazibao Rojo que demarca posição sobre a proposta ‘interclassista’ do feminismo burguês e pequeno-burguês na apregoada “Greve das Mulheres (8M)”.


Por Miguel Alonso
A proposta de uma greve de mulheres a nível mundial, para o próximo 8 de março – Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, que parte das mobilizações das mulheres polacas e argentinas (inspiradas nas italianas em 2015), tem tido um amplo eco midiático e planteia uma série de questões que convêm analisar.

Por um lado está, a questão do caráter do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora como jornada de luta das mulheres da classe operária ou semiproletárias e, por outro, o intencionado afã de certos setores do feminismo interclassista de apoderar-se do mesmo a partir de suas perspectivas de gênero.

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Equador: As Mulheres e a aliança operário-camponesa (Movimento Feminino Popular , 2018)

Nota do blog: Publicamos, ainda em celebração ao Dia Internacional da Mulher Proletária, o discurso do MFP do Equador proferido em ato numa comunidade camponesa do norte do país.

Tradução não-oficial de original retirado de fdlp-ec.blogspot.com.


Discurso da companheira representante do MFP na base norte do Comitê Popular Camponês.

Em sociedades como a nossa, semicolonial e semifeudal, o papel que nós mulheres proletárias e camponesas cumprimos é fundamental nessa histórica tarefa por nos libertarmos de todas as formas de dominação, exploração e opressão a que estamos submetidas.

É importante reconhecer que as formas de exploração, opressão e violência exercidas sobre a mulher camponesa geram uma série de contradições que não podem ser resolvidas pelo Estado ou pelos distintos governos de turno.

Somos exploradas pelo simples fato de sermos mulheres. Por considerarem que temos menos força que o homem para realizar as tarefas no campo nos pagam salários cerca de 30% mais baixos comparado ao de nossos companheiros, e, mais baixos ainda se são meninas, 50% menores, apesar de cumprirem exatamente as mesmas atividades com enxada, picareta, pá e facão.

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Equador: Viva a emancipação da mulher trabalhadora e rebelde (Frente de Defesa das Lutas do Povo, 2018)

Nota do blog: Publicamos neste mês do Dia Internacional da Mulher Proletária o discurso de dirigente da Frente de Defesa dos trabalhadores de Imbabura. Tradução não-oficial de original publicado em fdlp-ec.blogspot.com


Evento das companheiras do Sindicato Nacional da Saúde.

Não quero iniciar sem emitir minha mais profunda e respeitosa saudação à ideologia do proletariado, o marxismo-leninismo-maoismo, ao pensamento Gonzalo. Quero saudar a memória da camarada Nora, do Partido Comunista do Peru; da camarada Sandra, do Movimento Feminino Popular do Brasil; da nossa memorável camarada Cecília, que com caráter de classe esteve à frente do sindicato; à todas as mártires que entregaram suas vidas pela causa da mulher, que não é outra senão a causa da libertação dos povos e a permanente luta pela conquista do poder para a classe, para os oprimidos; às minhas companheiras e camaradas do Movimento Feminino Popular, organização das mulheres proletárias, camponesas e populares a serviço da transformação de nossa sociedade e do mundo.

Queremos também saudar o sindicato da Osuntramsa, às companheiras e camaradas pela realização deste ato o qual aspiramos converter em uma verdadeira homenagem à mulher oprimida, explorada e que clama por sua emancipação.

Saudar as mulheres operárias exploradas, às camponesas pobres e às mulheres simples de nosso povo. Às mulheres oprimidas do mundo.

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96 anos do Partido Comunista do Brasil – PCB (Jornal A Nova Democracia, 2018)

Nota do blog: Reproduzimos aqui artigo celebrando os 96 anos do Partido Comunista do Brasil, publicado originalmente na edição 207 do Jornal A Nova Democracia .


PCB: história de duras lutas entre revolução e reformismo, marxismo e revisionismo

vermais

Bandeira comunista hasteada em Rondônia, Brasil, 2017

Em 25 de março de 2018, completa-se 96 anos da fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB). Inspirados pela Grande Revolução Socialista de Outubro, e a inauguração, junto com ela, de uma Nova Era da Humanidade – a era da revolução proletária mundial – o proletariado brasileiro se lançou à árdua e prestigiosa tarefa de constituir o seu partido revolucionário, o Partido Comunista.

Foi assim que Astrojildo Pereira, Hermogênio da Silva Fernandes, Manoel Cendón, Joaquim Barbosa, Luis Peres, José Elias da Silva, Abílio de Nequete, Cristiano Cordeiro e João da Costa Pimenta – representando 73 comunistas espalhados em diversos cantos do país – fundaram, em março de 1922, o Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista.

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Viva o 8 de março Dia Internacional da Mulher! (Partido Comunista do Peru, 2018)

Nota do blog: Reproduzimos declaração do Partido Comunista do Peru em celebração ao Dia Internacional da Mulher Proletária. Tradução não-oficial de original publicado em vnd-peru.blogspot.com.


Honra e glória a camarada Norah – PCP: A maior heroína do Partido e da Revolução.

O Partido desenvolve dura briga para dar rumo à luta no seio do povo, entre operários camponeses, intelectuais, bem como em estatais, na saúde, no magistério nacional e dar salto em sua luta reivindicativa e defendendo os interesses do querido povo peruano, esse profundo povo, os pobres dos pobres por quem empenhamos nossas vidas e persistimos na ardorosa briga da guerra popular, hoje na Reorganização Geral do Partido.

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‘Nossas vozes armadas’, por Presidente Gonzalo

Nota do blog: Publicamos a seguir poema estruturado com trecho de uma intervenção do Presidente Gonzalo. Retirado do livro Tempos de guerra, Edições Ayacucho.


Nossas vozes armadas

Nós responderemos

os desconjuntaremos

os dividiremos

suas ofensivas

nós converteremos

em uma multidão

de pequenas

ofensivas

nossas

E os cercadores

serão cercados

os aniquiladores

serão aniquilados

os triunfadores

serão derrotados

e a besta

finalmente

será encurralada

e

o estrondo

de nossas vozes armadas

os fará estremecer

de pavor

e terminarão

mortos de medo

convertidos

em poucas

e negras

cinzas.

O trabalho doméstico (Movimento Feminino Popular, 2018)

Nota do blog: Publicamos quarta parte de documento do Movimento Feminino Popular, tratando aqui sobre o problema do trabalho doméstico invisível e sua transformação em trabalho visível quando convertido em trabalho industrial no socialismo. Importantíssimo documento para compreensão científica do problema feminino.


A função da família das classes oprimidas no capitalismo é cuidar, alimentar, educar, repor a força de trabalho dos operários, camponeses e trabalhadores em geral de maneira que eles atendam às condições da exploração capitalista e latifundiária. Garantir que a família trabalhadora se reproduza enquanto classe explorada física, intelectual, moral e politicamente.

O trabalho doméstico

A função da família das classes oprimidas no capitalismo é cuidar, alimentar, educar, repor a força de trabalho dos operários, camponeses e trabalhadores em geral de maneira que eles atendam às condições da exploração capitalista e latifundiária. Garantir que a família trabalhadora se reproduza enquanto classe explorada física, intelectual, moral e politicamente.

O trabalho doméstico é “invisível”

Essa batalha cotidiana imposta às mulheres é denominada por nós de “trabalho invisível”. A chamada “dona-de-casa”, é a primeira que levanta, prepara a comida de todos da casa e é a última que come. Limpa, lava na beira do tanque ou do rio, cuida dos filhos, enfrenta os cobradores na porta, socorre-se na vizinha porque as latas estão vazias, corre ao posto médico com o menino febril, ganhando em troca desta rotina as varizes e lombalgias. Quando ao final do dia, senta-se pela primeira vez, a maioria delas diante da televisão como fuga da imensidão de problemas, a casa já está toda desarrumada, os meninos já estão sujos, a pia já está cheia de louça, e ninguém verá o trabalho feito que recomeçará todos os dias. Quando se pergunta a uma mulher que não trabalha no mercado formal e se esfalfa no trabalho doméstico se ela trabalha, a resposta é NÃO. Ela própria não vê o trabalho que faz, ou não o reconhece como trabalho, levada que é a acreditar que essas tarefas seriam uma sina secular do sexo feminino.
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O caminho da emancipação da mulher (Movimento Feminino Popular, 2018)

Nota do blog: Publicamos continuação (terceira parte) do documento do Movimento Feminino Popular com a análise do problema feminino e o caminho para a sua resolução. Publicamos por ocasião do Dia Internacional da Mulher Proletária.


Movimento feminino revolucionário X Feminismo pequeno-burguês

Nas últimas décadas debate-se muito sobre o aumento da participação social da mulher. As organizações feministas pequeno-burguesas propagandeiam como conquistas as políticas públicas voltadas para as mulheres, as quotas obrigatórias de candidatas nas eleições, a ocupação por mulheres de cargos de direção no mercado empresarial e de postos na máquina de Estado e de governos. O principal argumento usado pelas feministas para defender a importância desta participação, além do direito da mulher como cidadã, é que as mulheres têm uma “sensibilidade especial” conferida por características próprias do gênero. As mulheres são melhores que os homens? Um mundo mais feminino seria mais humano, menos injusto?

A tese reacionária da natureza feminina e sensibilidade especial das mulheres

O argumento da “sensibilidade especial” das mulheres, aparentemente novo, tem a idade da sociedade de classes. Ao longo dos diferentes estágios dessa sociedade, desenvolveu-se uma pseudoteoria da “natureza humana”, que nega a luta de classes, a contradição inconciliável entre os seres humanos das classes exploradoras e das classes exploradas, opressores e oprimidos. A partir dessa premissa afirma-se a concepção de que sempre houve pobres e ricos, que a divisão social existente é uma fatalidade inevitável, faz parte da natureza humana. Como variante dessa “teoria”, idealista e reacionária, apresenta-se a tese da “natureza feminina” (que nos tempos antigos fazia-se acompanhar do adjetivo “deficitária”). O objetivo é o mesmo: afirmar que existe uma natureza feminina em geral (características próprias de gênero, inerentes a todas as mulheres) eterna e imutável.
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