Resumos do diário do camarada Wang Chie (China Popular, 1966)

Nota do blog: Publicamos a seguir trechos do Diário do camarada Wang Chie. Apresentação segue abaixo.


Nota: O camarada Wang Chie foi chefe da esquadra da 1ª companhia de engenheiros de uma unidade do Exército Popular de Libertação em Chinán, província de Shandong. Nasceu na mesma província, distrito de Chinsiang, em 1942. Ingressou no Exército Popular de Libertação em agosto de 1961 e em fevereiro do ano seguinte foi admitido na Liga da Juventude Comunista da China. Durante três anos consecutivos foi eleito soldado de “cinco vezes nota 10” e foi encaminhado, em duas oportunidades, por mérito em terceiro grau. Em julho de 1965, Wang Chie foi destinado ao distrito de Peisien, província de Chiang-sú, para ajudar a treinar os combatentes da Comuna popular de Changlou. Enquanto treinavam, foi aceso acidentalmente o pavio de uma carga de explosivos, pondo em perigo a vida dos combatentes e quadros das Forças Armadas populares que se encontravam próximos. Sem o menor assombro de temor, Wang Chie sacrificou com valentia sua vida para salvar seus companheiros. Após sua gloriosa morte, o Comitê do Partido de sua unidade, procedendo com base na solicitude do próprio Wang Chie, logo examinaram seus antecedentes e conduta geral, foi admitido postumamente como membro titular do Partido Comunista da China.

O Jiefangjun Bao (Diário do Exército de Libertação) incluiu dois resumos do diário de vida de Wang Chie, uma em outubro e a outra em novembro do ano passado. Traz numa nota da redação o seguinte: “Seu diário é um registro de como ele estudava e aplicava de maneira viva o pensamento de Mao Tsetung e elevava a sua consciência proletária. É um registro verdadeiro e emotivo de como servir ao povo com todo o coração. Constitui um excelente e vivo material de estudo”.

“Jamais atos de heroísmos são produzidos por acidente. Eles têm sua origem no pensamento de Mao Tsetung. Através de seu diário, podemos ver que o camarada Wang Chie, quando surgiu a necessidade, foi capaz de sacrificar sua própria vida sem a mínima incerteza, precisamente porque estudou com diligência as obras do Presidente. Mao, assimilava constantemente o alimento revolucionário, reafirmando a todo momento sua ideologia e elevando sua consciência proletária.

Um homem não deve ser julgado apenas pelo que diz, senão, e principalmente, pelo o que faz. Lenin considerou isto como uma verdade marxista. Seriedade e disciplina ao estudar o pensamento de Mao Tsetung é o que deve ser apreendido do camarada Wang Chie. Ele integrou o estudo e a prática – o que foi dito, foi feito. Na vida corrente ou no momento crucial quando teve que escolher entre a vida e a morte, soube tomar o pensamento de Mao Tsetung como guia para a ação.

Ao comemorar o 1º aniversário de sua morte, publicamos o primeiro resumo de seu diário de vida.

13 de março de 1963

Aprendi muito ao estudar o artigo do Presidente. Mao A situação e nossa política depois da vitória da Guerra de Resistência contra o Japão.

“Devemos varrer da mente do povo chinês o que tem de mais atrasado, da mesma forma que varremos nossas casas. O pó não desaparece sozinho sem que o varram”. É o que nos ensina o Presidente Mao. Sempre devemos varrer as ideias sujas da nossa mente. É impossível que essas ideias desapareçam por si só, sem varrê-las, tal como nas palavras do Presidente Mao. “Os sinos não tocam, enquanto ninguém os tocar. As mesas não se movem, se ninguém transportá-las”.

Somos combatentes revolucionários do proletariado, recai sobre os nossos ombros a grande tarefa de defender e construir o socialismo. Para cumprir esta gloriosa tarefa, que o povo de nossa pátria nos confiou, devemos reafirmar continuamente nossa ideologia e elevar nossa consciência política.

Tenho plano de fazer três coisas para minha reafirmação ideológica:

1)  Participar ativamente no estudo político. Através deste estudo poderei compreender a política e a linha do Partido e a relação entre o indivíduo e o coletivo. Desta forma estarei seguro do caminho, do avanço correto e compreenderei para quem sou um soldado e para quem combato. Se quero obter bons resultados, devo ligar o estudo com a prática, para me autoavaliar permanentemente à luz dos princípios revolucionários, desenvolver o que tenho de bom e corrigir resolutamente minhas debilidades.

2) Temperar-me sempre nas lutas práticas: no treinamento militar, no trabalho produtivo e nos movimentos políticos, particularmente nas situações mais duras e difíceis. Tenho que seguir com seriedade as instruções da direção em qualquer tipo de trabalho ou serviço. Devo aprender com os exemplos mais avançados, aprender suas nobres ideias, sua resoluta vontade combativa e sua estrita disciplina, aprender de Dong Tsun-rui, Juang Chi-guang, Chiu Shao-yun, An Ye-min, Lei Feng e outros heróis, e tomar seus exemplares de proeza como uma pauta para me avaliar a todo momento.

3) Praticar regularmente a crítica e a autocrítica. Estas são armas eficazes para a reafirmação ideológica. Devo aprender a usá-las, aceitar com modéstia a crítica de outra pessoa e criticar-me com rigidez. Como nos ensina o Presidente Mao, devemos sacudir diariamente o pó de nossa mente, assim como lavarmos o rosto. Que sejam grandes ou pequenos, os defeitos devem ser tratados seriamente e retificados por completo.

A reafirmação ideológica é uma tarefa árdua e de longo prazo, não se pode cumpri-la da noite para o dia, mas estou decidido a perseverar para levar a cabo, para eliminar toda classe de ideias não proletárias e ser um bom combatente revolucionário.

9 de dezembro de 1963

Começou a nevar às 8 da manhã. Às 7 da noite a neve chegava de 3 a 7 mm, a qual dificultava nosso trabalho de construção da estrada. Mas permanecemos em nossos postos sem retroceder. Cantávamos:

Pode soprar o vento do norte,
a neve pode cair.
Começamos nossa tarefa ao amanhecer,
E nos retiramos ao anoitecer.
Trabalhando com vontade,
Nosso espírito se levanta.

Todos estávamos encharcados, tínhamos as mãos cortadas pelo frio, mas continuávamos trabalhando. Conhecemos o significado de glória. Glória quer dizer: por mais duras que sejam as condições de trabalho, melhor trabalhamos. Estamos construindo caminhos e pontes para o socialismo. Aonde vamos, não importa o grau dificuldade que a tarefa exija, a cumpriremos totalmente, como nos recomendou o Partido e o povo.

11 de janeiro de 1964

Ontem à noite a direção anunciou que eu havia sido designado a subchefe interino da esquadra. Acredito que minha capacidade não está à altura da tarefa. Cai sobre os meus ombros o peso da responsabilidade, e me falta experiência em direção. Me senti um pouco tímido frente ao meu trabalho. Então voltei às obras do Presidente Mao. Li o artigo Sobre as negociações de Chongching, que diz: “O que significa trabalhar? Trabalhar significa lutar. Nesses lugares há dificuldades e problemas que devemos vencer e resolver. Vamos lá trabalhar e lutar para vencer estas dificuldades. Ótimo camarada é o que está mais ansioso de ir àquele lugar onde as dificuldades são maiores…”. Disse também: “Um trabalho duro é como uma carga colocada diante de nós, que nos desafia a colocá-la ao ombro…”

Quando reli esta passagem, parecia que tinha sido escrita para mim. Me perguntei: Realmente, sinto medo diante das dificuldades? Devo retroceder perante elas? Não! Não devo temer. Conto com a direção do Partido e o apoio de meus camaradas. Poderei desempenhar bem o meu trabalho se consulto sempre meus camaradas, tomo com valentia a carga do trabalho administrativo, me atenho à verdade, sou paciente no trabalho de persuasão, dou o exemplo com minha própria conduta, sigo as instruções do Partido e trabalho duro.

5 de abril de 1964

Hoje, queimei a mão com alcatrão quente enquanto carregava explosivos. Doía bastante. Mas o pior para mim era que isto afetava meu trabalho. Naquele instante tive que pedir ajuda a outros camaradas. Eu não estava de acordo com isso nem com que outros camaradas fizessem a guarda no meu lugar. Insisti em trabalhar. Os camaradas não me deixavam fazer a guarda, não me deixavam fazer nada. Para mim era impossível permanecer sem fazer nada. Continuei trabalhando, lento, mas constantemente, apertando os dentes quando sentia dor. Pensei na Grande Marcha de 25.000 li (Li: medida chinesa correspondente a 0,5km) e no heroico contra-ataque realizado pelo nosso Exército na fronteira chino-hindu. O que importa uma pequena ferida? Devo seguir, seguir adiante!

8 de abril de 1965

Hoje praticamos como colocar uma mina em um terreno para treinamento de tanques. A terra estava tão dura que minha picareta mal perfurava, minhas mãos chegavam a doer com o impacto. Demorei aproximadamente 20 minutos para colocar uma mina. Por que colocar todos estes problemas? Provavelmente não encontraremos um terreno tão duro em combates reais… Por que não praticamos numa terra mais solta? Não, nada disso! Não nos ensina o Presidente Mao que quando o inimigo está afiando suas espadas, devemos afiar as nossas? E mais, o vice-presidente Lin Piao apontou que devemos treinar duramente em período de paz de modo que possamos derrotar o inimigo no combate. A guerra é complicada. Se só treinamos em condições fáceis, como triunfaremos em condições de combate desfavoráveis? O Presidente Mao nos disse que devemos pensar muito nas dificuldades. Agora temos uma oportunidade para nos preparar. Muito bem! Foi assim que lançamo-nos diligentemente à tarefa, sem nos preocuparmos com as bolhas nas mãos ou de que o suor nos encharcasse as costas da camisa. A tarde inteira de exercícios contribuiu para melhorar minha técnica. Agora podia colocar minas em terreno duro dentro do tempo estipulado. Na verdade, estava esgotado, mais feliz, porque adquiri bons recursos para liquidar o inimigo.

20 de agosto de 1963

Após ler Servir ao povo compreendi que esse antigo ditado “varra a neve de sua própria porta, sem se importar com as camadas de gelo no teto dos outros” é completamente equivocado. Porém, já tive essa ideia antes. Costumava pensar que escolhi ser soldado para servir ao povo e por isso, devia executar bem meu trabalho. Acreditava que uma vez cumpridas as tarefas demandadas pela direção, tudo estaria feito. Não me preocupava se os outros tinham feito progressos ou não. Pensava que era melhor não me meter no assunto dos outros. Devido a este ponto de vista não ajuda muito meus camaradas nem tinha conversas francas com eles.

O artigo Servir ao povo me fez compreender meu erro. O Presidente Mao disse: “… todos os integrantes das fileiras revolucionárias devemos nos preocupar uns com os outros, devemos cuidar e nos ajudar mutuamente”. Quanto mais pensava nisto, mais me dava conta de quão equivocado estava. De agora em diante devo proceder como indica o Presidente Mao. Conversarei frequentemente com meus camaradas e nos ajudaremos mutuamente. Por esse caminho progrediremos juntos.

21 de maio de 1964

Este ano, os camaradas mais antigos receberam sapatos tipo “liberación” que cobrem os calcanhares, e aos mais novo deram sapatos que cobriam apenas o peito do pé. Nos trabalhos de construção, os primeiros são melhores que os últimos porque não se fere facilmente ao entrar ou sair do local de trabalho. Por isso todos os camaradas novos preferem os que cobrem melhor o calcanhar. Siao Ju queria trocar o par com alguém. Trocarei eu? Se for assim, existe uma possibilidade maior de que eu possa me ferir. Claro que o trabalho de Siao Ju requer um esforço maior, e se acaso eu não trocar, ele estará mais propenso a se ferir. Colocarei o peso sobre minhas costas ou deixarei sobre as de outros? Com frequência o Presidente Mao tem nos ensinado que “nossos quadros devem se preocupar por cada soldado e todos os integrantes das fileiras revolucionárias devemos preocupar-nos uns com os outros, devemos cuidar-nos e ajudar-nos mutuamente” e ser “os primeiros a suportar as penalidades e os últimos a desfrutar das comodidades”? Devo fazer o que diz o Presidente Mao. Por isso troquei com prazer meus sapatos com Siao Ju.

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