O capitalismo no desenvolvimento econômico da sociedade (L. Segal, parte V)

Nota do blog: Publicamos a seguir a quinta parte do Manual soviético intitulado O desenvolvimento econômico da sociedade, num esforço de síntese da tese marxista sobre a história da civilização humana com base no materialismo histórico dialético. Aqui estão as partes I, II, III e IV.


(…)

  1. O capitalismo

O capitalismo desenvolveu-se economicamente, ao surgir a produção mercantil, em substituição à economia natural do sistema feudal. Sob os regimes da escravidão e do feudalismo, de fato, existiu a troca de produtos, o dinheiro e o comércio, em geral. Mas a maior parte dos produtos não era destinada ao mercado. Sob o capitalismo é que a produção mercantil se converteu num modo de produção generalizado e dominante. O capitalismo fez desenvolver-se amplamente a divisão social do trabalho. Da manufatura capitalista, na qual o trabalho manual constituía a base da produção, surgiu a fábrica capitalista, pro- vida de maquinismos potentes.

A produtividade do trabalho aumentou consideravelmente. Surgiram novas mercadorias e cresceu o número de indústrias. O capitalismo destruiu parte dos antigos modos de produção e o restante foi incorporado ao seu próprio mecanismo. Promoveu o desenvolvimento dos meios de comunicação, penetrou em todos os rincões do globo e criou um mercado e uma economia capitalista de caráter mundial.

No regime capitalista, a produção não tem como objetivo satisfazer necessidades sociais. Seu móvel é o enriquecimento dos capitalistas. A caça aos lucros é sua força motriz. Para alcançar a maior vantagem possível, cada capitalista, submetido às leis do mercado, trata de aumentar sua produção, de intensificar a exploração de seus operários e de introduzir novas e mais perfeitas máquinas, afim de diminuir o custo da produção e aumentar seu lucro.

Já citamos as palavras de Engels quando diz que, numa sociedade dividida em classes,

“cada passo para a frente, na produção, é ao mesmo tempo, um passo para trás na situação da classe oprimida, ou seja, da grande maioria”.

O capitalismo agrava intensamente essa contradição, própria, aliás, de qualquer sociedade dividida em classes.

“Como produtor, à custa do esforço alheio, espoliador da “mais-valia” e explorador da “força de trabalho”, o capitalismo ultrapassa em energia, exagero e eficiência a todos os sistemas de produção que o precederam — o escravagista e o feudal — baseados diretamente no trabalho forçado”(19).

As desenvolver as forças produtivas da sociedade, o capitalismo revela-se, cada vez mais, incapaz de dominá-las. As crises, que enfraquecem periodicamente o sistema capitalista e destroem parte de suas forças produtivas, são bastante eloquentes na demonstração desse fenômeno de descontrole e anarquia.

O capitalismo torna-se agora um obstáculo ao desenvolvimento das forças produtivas geradas por ele próprio. Torna-se uma necessidade histórica a supressão do capitalismo pelo processo revolucionário e sua substituição pelo comunismo, isto é, pela sociedade sem classes, na qual os meios de produção sejam de propriedade coletiva.

O desenvolvimento do capitalismo cria as condições materiais e técnicas necessárias à edificação da sociedade comunista. Ao mesmo tempo, gera a força que é destinada a derrubá-lo : a classe operária revolucionária. A situação social desta classe agrava-se com o desenvolvimento do capitalismo e não tem outra saída senão a de destruí-lo e construir, a seguir, a sociedade comunista.

A contradição entre as forças produtivas e as relações da produção

A visão rápida, que acabamos de dar sobre o desenvolvimento da sociedade, mostra que a passagem de um modo de produção para outro não é resultado do acaso, mas consequência do desenvolvimento da contradição que se gera entre as forças produtivas e as relações de produção. Vejamos como Marx expõe essa lei da evolução histórica:

“…na produção social para sua existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias e independentes de silas vontades. Essas relações de produção correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais… Durante o curso de seu desenvolvimento, as forças produtivas da sociedade entram em contradição com as relações de produção que, nessa época, existem, ou, o que não é mais que sua expressão jurídica, entram em contradição com as relações de propriedade dentro das quais se tinham movimentado até então. As relações, que eram, antes, formas evolutivas das forças de produção, se convertem em empecilhos… Então, uma era de revolução social se inaugura”(20).

Cada sistema de relações de produção ou cada. agrupamento social (comunismo primitivo, escravidão, feudalismo, capitalismo, comunismo), cada um tem suas particularidades. Mas, se considerarmos os três modos, de produção que se seguiram ao comunismo primitivo, descobrimos um traço comum a todos: as relações de produção são relações de classes, todos esses sistemas se caracterizam pelo antagonismo entre as classes. A luta de classes é o traço fundamental que caracteriza toda a vida social. O capitalismo é a última sociedade antagônica, a última sociedade dividida em classes. O seu lugar será ocupado pela sociedade socialista, sem classes. Esta é a primeira fase do comunismo e sua edificação inicia-se com a vitória da classe operária, ou, seja, com a instauração da ditadura do proletariado.

Todas as revoluções anteriores se limitavam à mudança de um regime de exploração por outro, enquanto que a revolução proletária suprime toda forma de exploração.

“Só a Revolução Soviética, a Revolução de Outubro, conseguiu solucionar o problema de não substituir um grupo de exploradores por outro, de não substituir uma forma de exploração por outra, mas o de acabar com toda exploração, suprimir todos os exploradores, ricos e opressores, antigos ou novos”(21).

Nas sociedades divididas em classes, o domínio do homem sobre a natureza realiza-se através da dominação da imensa maioria da sociedade por um ínfimo punhado de exploradores. Assim, cada passo para a frente, na produção, constitui um retrocesso na situação dos trabalhadores, como já o demonstramos. A revolução proletária, pelo contrário, inaugura uma nova era, na qual um passo ascendente da produção significa ,ao mesmo tempo, um passo progressista na situação social dos trabalhadores. Pela primeira vez, a sociedade é dona da natureza. Pela primeira vez, as forças produtivas podem desenvolver-se com um ritmo tal, que não seria alcançado por nenhuma sociedade baseada na exploração de uma classe por outra. O rápido crescimento das forças produtivas e a vitória do socialismo, na URSS, são a prova mais evidente desse fato.

Perguntas de Controle
  1. O capitalismo existiu nos tempos antigos?
  2. Por que somente a economia contemporânea recebe o nome de Economia capitalista?
  3. O capitalismo foi útil ou não ao desenvolvimento das forças produtivas e à economia em geral?
  4. O capitalismo representou um progresso em relação ao feudalismo?
  5. Que novas classes sociais foram engendradas pela economia capitalista?
  6. As relações econômicas do tipo capitalista aproximam entre si as classes sociais? Agravam as contradições entre elas? Explique com argumentos sua opinião sobre esse particular.
  7. Qual é a exploração mais eficiente: a feudal ou a capitalista?
  8. O capitalismo é capaz de dominar e dirigir as forças econômicas contemporâneas?
  9. O capitalismo de nossos tempos desempenha algum papel revolucionário?
  10. Tem o mesmo papel histórico que na etapa imediatamente posterior ao feudalismo? Diga quais as razões que o levam a responder afirmativa ou negativamente.
  11. Na sociedade dividida em classes, quais são os beneficiados pela dominação da natureza?
  12. Que diferença existe entre as sociedades divididas em classes e a sociedade socialista ou sem classes, no que se refere às relações entre o homem e a natureza?

(Ao Professor — Explique, cientificamente, o conteúdo de uma classe social e quais as causas econômicas que determinam a divisão da sociedade, em classes ou a não existência das mesmas.)

 

 

 

Notas de rodapé:

(19) Marx — O Capital — Tomo I. (retornar ao texto)

(20) Marx — Prefácio à Crítica da Economia Política. (retornar ao texto)

(21) Stalin — No Caminho Certo (Dans la Bonne Voie) — Bureau D’Editions — Paris — Pág. 12. (retornar ao texto)

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