Algumas questões sobre a situação internacional (O Maoista, nº 2)

Nota do blog: Publicamos a seguir a tradução não-oficial do segundo texto da Revista O Maoista nº 2, assinado pelo seu Comitê de Redação, sobre as condições objetivas para o avanço da Revolução Proletária Mundial – análise sobre a crise do imperialismo, sua atual condição econômica e política e as pugnas que travam as diferentes superpotências e potências imperialistas, e entre cada uma delas com as nações oprimidas. O texto original apresenta alguns problemas de sintaxe que, para não incorrermos no risco de modificar o significado, mantivemos a mesma estrutura.


Algumas questões sobre a situação internacional

Os maoistas estão persistindo incansavelmente desfraldando, defendendo e aplicando o marxismo-leninismo-maoismo

“Porque se não partimos da ideologia universal do proletariado, de onde partiremos? Ali estão os originais. Nisto somos consequentes com a prática que nos ensinou Marx, Lenin e o Presidente Mao, e os grandes marxistas que existiram na terra – prática que nos ensinou também o próprio fundador Mariátegui. O que nos ensinou o fundador do partido? ‘A única maneira de ser livre e de criar, é tomando a concepção do proletariado como um dogma, entendendo tal como princípios estabelecidos’. A alguns desagrada quando escutam a palavra dogma no marxismo e, eu lhes digo que não leram LENIN bem: ‘nosso velho dogma’ e o especifica ‘nossos velhos princípios inaplicados’, creio que todos entendemos isso. Se confunde, porque a mente se repete ‘LENIN disse que não é um dogma’, mas aqui refere-se a não haver aplicação mecânica, deve-se tentar entender o que disse LENIN em cada caso e em cada momento, não devemos nos contentar com repetição e com apreciações superficiais. Já vimos como o Presidente Mao Tsetung apenas pode ser entendido se vemos como uma unidade tudo o que ele fez, assim é com LENIN e com MARX o mesmo. Do contrário, que aplicação haveria? Seria um chiste ridículo”.

Presidente Gonzalo no I Congresso do PCP

Destaca-se por parte de alguns direitistas no MCI a traposa bandeira de combate ao “dogmatismo”, à “ortodoxia”. A “liberdade de crítica” e o combate ao “esquerdismo” se tornaram palavras frequentes. Esta viragem crítica de partido antes “ortodoxos”, como bem observa Lenin, está acompanhado da sua propensão ao revisionismo. Recordemos que o miserável Prachanda, quando a guerra popular no Nepal foi iniciada, afirmava “Odeio ao revisionismo!” e, quando este começou sua traição e entrou nos famigerados “acordos de paz”, passou a sustentar a necessidade de combater o “dogmatismo” como principal problema no MCI.

Precisamos adentrar profundamente no significado das palavras do Presidente Gonzalo e a certeira observação de Lenin, porque tanto o revisionismo como o direitismo traficam com a citação de Lenin para negar os princípios da  classe, para tentar liquidar o partido, chamando os que desfraldam, defendem e aplicam o maoismo de “dogmato-revisionistas”, alinhados assim com os “capistotes” [N.T.: aparentemente, o termo correto é “capitoste”, sinônimo de pessoa com influência] do novo revisionismo da LOD revisionista e capitulacionista que surgiu no Peru e seus epígonos como Avakian, Prachanda, etc.

Precisamos avançar na reagrupação dos comunistas a nível mundial sobre a base dos princípios do marxismo-leninismo-maoismo, combatendo o revisionismo e o direitismo que se opõem a esta tarefa. Temos que avançar para mudar a atual correlação de forças entre revolução e contrarrevolução no mundo mediante a ação comum dos Partidos Comunistas dirigindo guerras populares.

Como temos visto, as condições são cada vez mais favoráveis para um avanço audaz. A ofensiva contrarrevolucionária geral encabeçada pelo imperialismo ianque (cachorro gordo), como superpotência hegemônica única, grande gendarme e inimigo principal dos povos do mundo, em conluio e pugna com a superpotência atômica russa (cachorro magro) e demais potências imperialistas, está sendo derrotada pela contra-ofensiva revolucionária marxista-leninista-maoista, pensamento gonzalo. A ofensiva contrarrevolucionaria geral, desde o começo do presente século se desenvolve como “guerra contra o terrorismo” contra as guerras populares em curso, as lutas armadas e outras do movimento de libertação nacional, que desenvolvem as nações oprimidas contra a guerra imperialista que, aplastando todas as dificuldades se desenvolvem contra o vento e a maré.

Uma nova grande onda da revolução proletária mundial está se desenvolvendo na etapa da ofensiva estratégica da revolução proletária mundial, dentro da Nova Era que se inicia com o triunfo da Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia, dirigida por Lenin e pelo Partido bolchevique, em 25 de outubro de 1917 (segundo o antigo calendário russo ortodoxo) ou em 7 de novembro de 1917 (segundo o calendário atual). Como tudo o que é novo, esta nova grande onda se desenvolve em meio de dificuldades, em meio ao trovão e ao fogo, clama pela direção proletária através de seus partidos comunistas, expressando a necessidade de pôr o maoismo como seu único mando e guia. E isto vem sendo feito, concretizando a constituição/reconstituição dos Partidos Comunistas para iniciar e desenvolver guerras populares e confluir na guerra popular mundial para enterrar definitivamente o imperialismo e a reação mundial.

As palavras iniciais equivalem a uma breve passagem pelo desenvolvimento das forças da revolução no mundo, lutando inseparável e irreconciliavelmente contra o imperialismo, a reação mundial e o revisionismo e a nova situação no MCI a partir do V Encontro de Partidos e Organizações Maoistas da América Latina e do I Encontro de Partidos e Organizações Maoistas da Europa, impulsionados pelas três grandes celebrações. Agora vejamos também superficialmente a outra colina.

O imperialismo afunda em meio a crises de todo tipo e em uma série complexa de guerras

O grande varrimento está em marcha com as guerras populares

O imperialismo é monopolista, parasitário ou em decomposição, e agonizante. Sua situação se agrava a cada dia que passa, produto de sua crise geral e última. O maior afundamento do imperialismo se expressa em crises mais seguidas, mais amplas e profundas, o que significa que sempre tem que começar de baixo e suas recuperações são ligeiras e de pouca duração. Enfrentam perigos maiores e seus instrumentos de manejo são cada vez menos efetivos.

O imperialismo é reação em toda a linha, é violência e guerras reacionárias de todo tipo, é a origem de todas as guerras contemporâneas. O imperialismo ianque como superpotência hegemônica única é o inimigo principal dos povos do mundo, é quem encabeça as guerras de agressão no mundo, em conluio e pugna com a superpotência atômica russa (Rússia é o cachorro magro) e as demais potências imperialistas, onde está incluída a China social-imperialista. O imperialismo é tigre de papel, deve-se desprezá-lo estrategicamente e levá-lo em conta taticamente. O imperialismo vai de fracasso em fracasso até sua derrota final e a lógica dos povos é ir aprendendo de seus fracassos até conseguir a vitória. O imperialismo é câncer, os povos não precisam dele.

A baixa dos salários da classe e a renda das massas sofrem deteriorações constantes em todos os países imperialistas. Amplos setores da juventude nestes países sofrem com o desemprego, que alcança na União Europeia (UE) cerca de 20% em média. Sem falar da terceirização no trabalho, o prolongamento da jornada e a piora das condições de trabalho. Como destacam muito autores do campo acadêmico burguês, nos Estados Unidos “voltou-se às condições de um capitalismo selvagem como no século XIX”, o que comprova-se em todo o sistema imperialista. Assim, maior miséria e retirada de direitos que impulsionam a luta das massas contra a maior exploração e opressão capitalista nos países imperialistas e a redobrada opressão e exploração das massas pelo imperialismo, a semifeudalidade e o capitalismo burocrático nas nações oprimidas, base da revolução mundial: melhores condições objetivas para a revolução no mundo.

O Estados Unidos, o imperialismo ianque, mantém sua condição de superpotência hegemônica única e inimigo principal dos povos do mundo, gigante com pés de barro. Mantém sua condição nos planos econômico, político e militar, apesar de estar em sua fase de afundamento final. Atualmente de forma cada vez mais soberba impõe condições a seus “aliados” e rivais – como todos os impérios que o precederam na história, ele não tem amigos, apenas inimigos. Os povos do mundo o odeiam pelos bárbaros genocídios, verdadeiras carnificinas gigantescas que cometem. Com o domínio do sistema financeiro mundial e a hegemonia do dólar sobre as outras moedas rivais, impõe sanções econômicas aos monopólios de seus competidores, atiçando a pugna.

O governo de Obama impulsionou sanções a bancos da Alemanha e da Inglaterra que desenvolviam suas atividades na praça de Nova Iorque, como denunciou o próprio Le Mond Diplomatic em julho de 2016 e o  The Economist em junho daquele ano. Atualmente continuando com esta política, com o estilo que lhe caracteriza, o arquirreacionário Trump ameaça a todos os seus rivais com mais sanções.

O imperialismo alemão, através da UE, quis fazer o mesmo com a Microsoft,  Apple, etc. Por exemplo, sancionando a  Microsoft com multas a favor da Irlanda por haver atuado com taxas impositivas demasiadamente desfavoráveis naquele país – mas, as autoridades irlandesas rechaçaram a multa que favorecia-lhes (!). Os imperialistas ianques impuseram sanções à Rússia, Irã e ameaças de sanções à China, à UE, México, etc. Estão impulsionando mais a guerra econômica com a redução de impostos das empresas que investirem no USA, etc.

Obama impôs na OTAN que os “sócios” têm que elevar seu gasto militar em até 2%. Trump maldisse a OTAN e disse que todos teriam que aumentar seu gasto militar; todos repetiram que Trump não queria a OTAN, mas esse não é o assunto. A OTAN é instrumento chave para manter a hegemonia militar ianque na Eurásia, portanto, irrenunciável para ele. A questão está em que eles querem a elevação do orçamento militar dos “aliados” para que incrementem suas compras militares no USA, elevando assim a pugna, porque os imperialistas alemães, franceses, etc. necessitam também impulsionar suas próprias indústrias de armamento tanto ou mais que os ianques como medida anticíclica.

E mais, o imperialismo ianque denunciou unilateralmente o tratado sobre renuncia ao desenvolvimento de armamento nuclear (tratado desigual de desarmamento) firmado com o Irã juntamente com as quatro outras potências do Conselho de Segurança da ONU (Rússia, Inglaterra, França e China), mais a Alemanha. O fez para impor novas exigências de desarmamento e de conduta ao Irã no Oriente Médio e isolá-lo da superpotência atômica russa, mediante as sanções econômicas que proíbem toda classe de negócios de suas empresas [as ianques] e das empresas dos demais países imperialistas com a República do Irã. E os demais países imperialistas não podem opor-se com nenhuma medida efetiva e defender a livre atuação de suas empresas diante das medidas punitivas por parte das autoridade ianques caso não sigam o que foi ditado pelo governo de Trump, pela hegemonia financeira que o imperialismo ianque exerce.

Com as novas sanções, o imperialismo ianque busca isolar a Rússia do Irã, porque assim o Irã não pode comercializar seu petróleo e gás no mercado mundial e sobem os preços, o que favorece os imperialistas russos, dependentes do preço do petróleo no mercado mundial. Eis aí o pano de fundo da agradável reunião de Trump com Putin. Muitos querem apresentar Trump como um simples estúpido, mas ele está executando, com seus “desplantes” de sempre, algo que está planejado desde o governo anterior, ou seja, planejado pelo genocida Obama, para mediante o uso da diplomacia e dos meios bélicos buscar mudar a situação militar sobre o terreno no OMA e especialmente na Síria, conjurando que se unam seus inimigos. Os imperialistas ianques manejam o “divide et impera” (como faziam os romanos) contra seus “aliados” da Otan objetivando que não se unam contra os ianques, e mais: para que seus “aliados” não unam com a Rússia. A viagem de Trump pela Europa é uma boa mostra deste propósito estratégico da política de Estado do imperialismo ianque. Não é apenas questão de estilo do genocida Trump.

É verdade que os ianques foram superados militarmente sobre o terreno pelos imperialistas russos na Síria, mas essa é uma situação temporária e relativa. Foi esta situação que levou o imperialismo ianque a incrementar sua intervenção direta e através de terceiros na guerra desde o final do governo do genocida Obama e com o atual genocida Trump, objetivando recuperar o terreno perdido, como está declarado mais acima. Maior pugna imperialista que levará a mais matanças em massa da população desse país, onde a guerra adquiriu uma maior complexidade por conta da intervenção dos imperialistas e seus serviçais da região comandados pela realeza latifundiária-burocrática da Arábia Saudita ou a teocracia latifundiário-burocrática do Irã, situação na qual atua, além deles, o Estado turco – encabeçado por Erdogan – por meio de tropas intervencionistas e agentes, e também atua os partidos nacionalistas reacionários curdos atuando como mercenários dos diferentes imperialistas, principalmente dos ianques.

Mas a capacidade militar atual, somada ao gasto militar em cifras absolutas do USA, nos dá uma ideia da diferença entre o poderio militar da superpotência hegemônica ianque com a superpotência atômica russa e as demais potências imperialistas: USA, 611,2 bilhões de dólares; China, 215,2 bilhões de dólares; Rússia, 69,2 bilhões de dólares; França, 55,7 bilhões de dólares; Grã Bretanha, 48,3 bilhões de dólares; Japão, 46,1 bilhões, Itália, 27,9 bilhões de dólares; Austrália, 24,6 bilhões de dólares.

As cifras sobre o gasto militar dos imperialistas e suas disputas no terreno econômico, político e militar indicam que os imperialistas, para buscar saída da crise, como sempre, estão descarregando-a sobre as massas, incrementando a exploração em seus próprios países e necessitam da guerra para disputar o botim, que são as nações oprimidas. Buscam, ao mesmo tempo, mediante a maior militarização de suas economias, dar saída ao excesso de capacidade de produção orientando-a para a indústria armamentista. Têm problemas de realização cada vez mais agudos, consequência da maior exploração do proletariado no próprio país e no estrangeiro, porque o consumo das massas está cada vez mais deprimido. Os sociólogos burgueses fala de “crescimento da desigualdade”. É pauperização crescente da grande maioria da população no mundo. Por isso, as crises são cada vez mais amplas e profundas e, também, a carnificina imperialista. Incrementar “o consumo bélico” próprio e alheio é inevitável para eles.

O dito anteriormente impulsiona a agudização das três contradições existentes hoje no mundo: a primeira e principal contradição, entre as nações imperialistas e as nações oprimidas, que se expressa na guerra de agressão imperialista, por um lado e, por outro, em guerras de libertação de todo tipo e, o que é estrategicamente principal para nós, em guerras populares para enfrentar a agressão imperialista e fazer a revolução de nova democracia; a segunda contradição, entre burguesia e proletariado, expressa em maior opressão e exploração sobre a classe proletária por parte da burguesia nos países imperialistas e em maior desenvolvimento da luta de classes do proletariado com grandes protestos e o desenvolvimento da reconstituição do Partido para iniciar a guerra popular nas revolução socialistas; e, a terceira contradição, entre as nações imperialistas, que está se expressando nas guerras de agressão imperialista por partilha e repartilha das nações oprimidas e que leva ao risco da guerra mundial imperialista, a qual opomos com a guerra popular mundial.

Tudo mostra que o imperialismo afunda irremediavelmente em meio a crises e guerras de todo tipo

Os especialistas alemães de política exterior opinam que vem uma nova recessão no USA, dizem: “Desde a crise financeira (referem-se à crise que começou em 2007), a dívida pública do USA duplicou de 10 bilhões a 20 bilhões, sem contar a dívida dos estados, municípios e domésticas. É questão de tempo até que alguém no ‘país das oportunidades ilimitadas’ possa perder muito dinheiro (ou seja, explorar a bolha que está sendo gerada. Nota da redação)” (Josef Brami, USA – especialista da Sociedade Alemã para Política Exterior, em VDI nachrichten, 12 de janeiro de 2018). Coincidindo com esta apreciação, nestes dias, a queda dos índices da Bolsa de Nova Iorque fazem tremer os especialistas por medo de um novo craque financeiro.

O ex-presidente do Banco Central Europeu, J. C. Trichet, opinou sobre a economia mundial e sobre a economia dos países da UE. Afirmou que, apesar “de reinar o otimismo no panorama econômico mundial, cujo PIB crescerá este ano previsivelmente cerca de 3,9%”, acredita que “nos aproximamos ‘do começo da recessão’, primeiro no USA e depois no resto dos países avançados (…). Não ocorrerá nem este ano nem no seguinte, mas será muito difícil fazer-lhe frente, porque a margem de manobra nas áreas de política fiscal e monetária é muito limitada”. Comenta que, “depois de tantos anos de políticas extraordinárias dos bancos centrais, se bem serviram para sair da crise e recuperar a estabilidade financeira evitando que o euro se desintegrasse, por outro lado deixam as economias com tipos de juro ao zero. Os bancos, muito mais saneados, também dispararam o risco em seus balanços com compras de dívidas soberanas multimilionárias”. Trichet também alerta do perigo de uma bolha financeira pelos “alarmantes níveis de endividamento”. Se em 2000 – explica – o endividamento global (público e privado) era de 250% do PIB mundial, em 2008 havia aumentado em até 275%. “Seria de esperar que depois da crise estivesse moderado, mas aconteceu o contrário: hoje representa mas de 300% e, por isso, acredito que somos mais vulneráveis hoje do que em 2008”. Para ele, o maior desafio da zona do euro é “combater o desemprego de massas”. (Jean-Claude Trichet, ex-presidente do BCE: “Somos mais vulneráveis que em 2008 pelo endividamento”, El País, 26 de janeiro de 2018).

E se vemos a situação no Japão, não é muito diferente. A situação da China, então, é ainda mais exposta, não só pelo próprio endividamento da economia – tanto das empresas como dos municípios e das províncias –, mas também pela sua dependência com as economias dos países imperialistas mais avançados. Uma recessão nestas economias arrastará necessariamente a economia da China, que só pode manter-se a flote por meio de mais endividamento, cujo montante representa 256% do PIB. Os empréstimos chineses e suas inversões nas grandes obras de infraestrutura servem de complemento à inversão direta dos monopólios ianques, alemães, espanhóis, holandeses, ingleses, japoneses, etc. (este fato os acadêmicos imperialistas denominaram de “papel triangular da China na América Latina”). Assim também, a presença da China na grande mineração e no agronegócio mostra o papel intermediário da China com respeito ao imperialismo ianque, japonês, alemão, etc. A China importa do Chile, por exemplo, o cobre em pedra e o converte em cobre fundido e em seus subprodutos, para logo exportá-los aos países imperialistas mais avançados como insumos para sua posterior transformação. O mesmo faz no Peru e em outros países da região. A China também importa os grãos de soja sem processar da Argentina para transformá-lo em óleo, etc. para seu próprio consumo interno. Consequência: a maior degradação das economias que têm este tipo de negócios com os social-imperialistas chineses, pois estes países primarizam mais suas economias. A Rússia tem uma economia centrada na exportação do petróleo e gás e, portanto, extremamente dependente dos preços destas matérias-primas, depende grandemente do capital financeiro dos outros países imperialistas e, logo, também dependente das máquinas e dos equipamentos para conseguir explorar os recursos energéticos e suas demais indústrias. Sua economia padece as consequências das sanções impostas por seus rivais imperialistas encabeçados pelos ianques, o que também é motivo de conluio e pugna entre eles.

O imperialismo se debate em lenta agonia como besta ferida de morte

Maior reacionarização do Estado burguês

A reacionarização desenvolve-se em meio a crises políticas e a crescente pugna entre as frações dominantes nos principais países imperialistas. Em meio a escândalos de todo tipo, as eleições – como meio tradicional de designar e legitimar governos – estão cada vez mais desacreditadas e despertam o rechaço espontâneo de setores cada vez mais amplos da população.

Como advertiu Lenin: “Cobra proporções cada vez mais monstruosas a opressão monstruosa das massas trabalhadoras pelo Estado, que vai se fundindo cada vez mais estreitamente com as associações onipotentes dos capitalistas”.

Financiamento dos partidos e dos candidatos, tanto do governo como da oposição, desde o presidente até o último dos municípios; a obtenção dos contratos e compras do Estado pelos grandes monopolistas; o fato de representantes diretos dos monopólios ou seus agentes (lobistas) – seja em atividade ou depois de exercer o cargo nos diretórios e conselhos de vigilância dos grandes monopolistas – assumirem cargos de representação no Estado (de cima a baixo). As grandes redes monopolistas dominadas por uns quantos hierarcas da oligarquia financeira através do sistema de participação [sic].

O papel de manipuladores em todos estes processos dos grandes meios em mãos dos monopólios particulares ou estatais e das “empresas de opinião” (pertencentes a estas redes monopolistas), são algumas das mostras desta opressão.

Os escândalos de corrupção, tanto nos países imperialistas como nos países do Terceiro Mundo, mostram a união pessoal entre as grandes empresas e os representantes da diferentes frações da burguesia, quer dizer, a fusão de interesses entre os grandes monopólios do capital financeiro – e do capitalismo burocrático a seu serviço nos países do Terceiro Mundo – com o Poder do Estado (capitalismo monopolista de Estado, as duas frações em conluio e pugna, que atuam como membros de diferente oficinas da mesma empresa). E é precisamente este fato da opressão mais monstruosa sobre os trabalhadores, herdada e acrescentada por todos os novos governos como um instrumento grato que é empregado por estes governos contra seus inimigos, mediante a maquinaria burocrática deste Estado, de seus juízes e fiscais [sic]. Grandes burocratas que, segundo a correlação de forças na arena política reacionária, se podem passar para a oposição e servir a tombar ou pôr governos.

Assim, as eleições mediante as quais é concedido aos oprimidos, a cada certo período de tempo, o direito de escolher qual de seus opressores os esmagarão no parlamento, expressam cada dia mais seu caráter de farsa reacionária. Expressão inconfundível do processo de afundamento do Estado burguês, e reacionarização, dentro dos que estão compreendidos os Estados latifundiários-burocráticos a serviço do imperialismo. Como vemos com os governos como o de Trump, no USA, ou o governo do Brexit de Teresa May, na Inglaterra, que perdeu a própria maioria e teve que entra em coalizão com o DUP da Irlanda do Norte, onde a maioria de votos no referendo de 2016 foram por permanecer na UE; ou com o governo “em função” da chanceler Merkel, há quatro meses, fato sem precedentes depois do fim da II Guerra Mundial, quase obrigada a conformar governo assumido com seus eleitores de não repetir a Grande Coalizão (CDU-SPD) [sic]. Crise política não apenas no país, mas que afunda também a crise dentro da chamada União Europeia (UE), onde a Alemanha é a potência hegemônica.

A UE, aliança imperialista cambaleante depois do Brexit, que foi qualificado como: “Um desenvolvimento sem precedentes na história da UE. Na realidade a primeira real instância de desintegração antes que de integração” [sic]. Os imperialistas britânicos assim poderão mover-se mais livremente sem ataduras que eram impostas na UE para seu principal negócio, a especulação financeira. Eles querem entrar com tudo na Índia e, especialmente, na China.

A Espanha, comovida pelos reclamos de “autodeterminação” e das “autonomias”, exibe com bastante agudez a crise do Estado burguês, questionada não só pelo proletariado, mas também pelos mesmos burgueses. Os cabeças do “processo” em Catalunha estão por passar de uma mãos (Estado espanhol) para outras: as da OTAN/USA ou da União Europeia/Alemanha. Os papeis não tão secretos dos planos da “nova República” revelaram que isto contemplavam um período de uns 10 anos com estacionamento de tropas da OTAN ou da União Europeia; quer dizer o mesmo modelo do protetorado imperialista como em Kosovo, o mesmo modelo de partilha dos países que aplica-se no Terceiro Mundo, e isto com a Espanha que é um Estado imperialista, que se considera uma nação de nações, ou seja, um império, em longo processo de afundamento [sic].

A “guerra contra o terrorismo”, a que nos referimos anteriormente, é também a cobertura para a intervenção e para a guerra imperialista de agressão, que expressa o desenvolvimento do conluio e pugna imperialista e o desenvolvimento da contradição principal, isto é, a contradição entre as nações oprimidas e as nações imperialistas.

Um dos pontos candentes do desenvolvimento destas contradições é o chamado Oriente Médio Ampliado. Esta guerra imperialista está levando a cabo pela partilha e repartilha dos países do OMA. Aqui, nesta Apresentação, só queremos pontuar que, dentro do plano ianque, está se vendo o uso dos movimentos nacionalistas reacionários – como o encabeçado pelos partidos curdos latifundiários-burgueses como YPI, PKK – para arrastar parte das massas dos curdos para serem bucha de canhão da guerra de agressão imperialista no OMA. Como no caso da Catalunha, consideramos que o direito a autodeterminação nacional das minorias nacionais apenas poderá ser alcançado como parte do desenvolvimento da revolução de nova democracia ou da revolução socialista, segundo seja o caso,, mediante o desenvolvimento da guerra popular. Fora disso é fazer lançar ao mar as massas das minorias nacionais, e servir aos planos imperialistas e reacionários. No OMA, especialmente dentro dos maoistas turcos, já está se desenvolvendo a luta para esmagar todas essas posições que se arrastam atrás dos partidos latifundiários-burocráticos a serviço do imperialismo, principalmente ianque, na região.

A Palestina é também um caso de autodeterminação, como tal só poderá ser alcançado com a vitória da revolução democrática na Palestina através da guerra popular dirigida pelo Partido Comunista. A chamada solução “dos dois Estados” é parte do plano sionista-imperialista. Essa solução nunca foi possível, muito menos agora com o crescimento das colônias na Cisjordânia. Em qualquer caso, só com o crescimento vegetativo da população palestina explodiria as fronteiras na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, sem nem levar em conta a volta dos refugiados que são milhões. O reconhecimento como capital do Estado sionista pelo governo de Trump só vem a fortalecer a posição sionista “negociadora”. Mas, sionistas e imperialistas necessitam manter a chamada solução “dos dois Estados”, porque se não o Estado sionista teria que ser condenado por praticar o “apartheid”. Pois, caso se integrassem ambos os setores [palestinos e israelenses] ao Estado judeu e se mantivessem separados, então as coisas não poderiam ser ocultas como até agora. Por isso, a luta do povo palestino está se intensificando.

Na América Latina, o imperialismo ianque, como parte de seus planos de manter sua hegemonia mundial e de gendarme contrarrevolucionário mundial, estende suas Forças Armadas em todo o continente. É parte do desenvolvimento de sua chamada nova estrutura de defesa, que vem implementando desde o começo dos anos 1990, repartindo o mundo em nove comandos seus. Aqui, vem estendendo suas forças armadas desde o México até a Patagônia (Hemisfério Ocidental) e subordinando os exércitos de suas semicolônias a seus dois Comando, que já estão incorporados todos eles no Sistema Interamericano de Defesa. O Hemisfério Ocidental está dividido na competência do Comando Norte e do Comando Sul. O Comando Sul se arroga à defesa terrestre, aérea e naval do  subcontinente e, sob sua direção, segundo ele, corresponderia às forças armadas das semicolônias reprimir internamente. O México já está completamente subordinado ao Comando Norte desde o início deste século. A América Central, até o Panamá, está povoada por bases militares ianques e a Colômbia está subordinada ao Comando Sul (Plano Colômbia), sendo que, em seu território, funciona parte do que foi a Escola das Américas para o treinamento de seus lacaios militares dos exércitos latino-americanos. A IV Frota entrou em funcionamento para o controle dos oceanos e mares do continente em 2008. Operações conjuntas anfíbias e outras são realizadas entre forças do Comando Sul e dos exércitos das semicolônias da América Latina. De igual forma, se programam reuniões de ministros da Defesa do Hemisfério e conferencias do Comando Sul com os exércitos da América do Sul, por exemplo, a VII Conferência realizada em Lima em 2017 e a VIII que será em Buenos Aires.

Atualmente com o pretexto da “crise na Venezuela”, da resistência das FARCs rebeldes ao “acordo de paz”, da prevenção e assistência diante das “crises humanitárias” etc. o USA está voltando a instalar-se na Base de Manta Equador para completar seu desenvolvimento até o sul, buscando desenvolver sua implantação no Brasil, chegando assim até o Paraguai, país onde já têm bases de longa data.

No Equador, o imperialismo ianque e seus serviçais da reação equatoriana apontam expressamente contra a luta do povo e contra o desenvolvimento da situação revolucionária, que se concretiza no avanço da reconstituição do Partido Comunista do Equador (Sol Vermelho).

No Brasil, os ianques veem usando a base brasileira de Alcântara e já têm estabelecido uma estrutura de controle da Amazônia peruana e brasileira por meio de um plano integrado da Força Aérea Brasileira e a Força Aérea Peruana (camuflado como “projeto SIVAM – Sistema de Vigilância Amazônico”). Agora buscam desenvolver o sistema de bases flutuantes ianques, como o que funciona em 10 mil quilômetros de rios amazônicos no Peru, estendendo-se com uma cobertura amplíssima no Brasil.

No Peru, além disso, há um total de 9 bases militares ianques que vêm participando na “guerra de baixa intensidade” que o Comando Sul dirige contra a guerra popular.

Hoje, os imperialistas ianques buscam avançar o desdobramento de suas bases garantindo com acordos de “segurança conjunta”, “assistência a refugiados”, “monitoramento” pelo Comando Sul da militarização das “favelas”. Tudo isto aplicando à conjuntura específica que vive o Brasil, que está a caminho de entrar na etapa de crise última do capitalismo burocrático e do velho Estado, onde o imperialismo ianque e seus lacaios tratam de aplastar o crescente protesto popular – que marcha inevitavelmente para o estouro popular – e conjurar que esta se desenvolva como rebelião generalizada do povo. As idas e vindas ao Brasil de altos representantes do imperialismo ianque e suas reuniões com as mais altas personalidades do governo e do militar, além da intervenção militar nas favelas e tudo o mais, indica que a reação e o imperialismo tramam o golpe militar preventivo para esmagar a luta das massas e conjurar a revolução, além de tentar reimpulsionar o capitalismo burocrático e reestruturar o velho Estado. Por isso a luta contra o imperialismo principalmente ianque está se potenciando e levará a impulsionar o movimento anti-imperialista das massas latino-americanas a novas alturas, baseadas na luta do campesinato pela terra.

Tudo isto são acontecimentos novos produzidos depois do V Encontro, todo o avanço referido a nossa colina eleva nosso otimismo ao topo e, por isso, expressamos nossa imensa alegria de classe pelo desenvolvimento das condições subjetivas a favor da revolução nos diferentes países e continentes.

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