Sobre o Pensamento de Lenin (Comitê Bandeira Vermelha, Alemanha)

Nota do blog: Publicamos com grande júbilo a tradução não-oficial do documento assinado pelo Comitê Bandeira Vermelha – organização clandestina que trabalha pela reconstituição do Partido Comunista da Alemanha – sobre a conformação do pensamento lenin e, posteriormente, do leninismo.

Retirado da Revista O Maoista nº 2, disponível na internet.


Proletários de todos os países, uni-vos!

Sobre o Pensamento de Lenin

Comitê Bandeira Vermelha – Alemanha

“Há um marxismo dogmático e um marxismo criador. Eu me situo no terreno do segundo”

Stalin

 

No presente documento pretendemos demonstrar como se desenvolveu o pensamento de Lenin, de pensamento guia da revolução russa até chegar ao leninismo, segunda etapa do desenvolvimento do marxismo. Alguns dirão que semelhante exercício é desnecessário e de simples interesse histórico, mas pensamos que tais pessoas se equivocam, pois a compreensão correta do que é o pensamento guia é um assunto de vida ou morte para os comunistas de todo o mundo, motivo de vitória ou derrota.

Sem uma aplicação criadora da verdade universal do marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente o maoísmo, tendo em vista as condições concretas de cada revolução, será impossível levá-la até o fim, seja esta de caráter democrática, socialista e cultural e prosseguir a marcha até o comunismo. Os que argumentam contra esta afirmação marxista, não poucas vezes, sustentam que o caso da experiência chinesa – ou, dito de uma forma mais precisa, o processo de luta do proletariado chinês e do partido comunista da China (PCCh), que gerou ao Presidente Mao Tse Tung e seu pensamento, o que mais tarde tornou-se maoísmo – foi um caso particular do qual uma lei geral não podia ser tirada; estes que sustentam “não houver um pensamento de Marx, nem tão pouco um pensamento de Lenin” estão profundamente errados e, no que se segue, vamos demonstrar no caso de Lenin.

Para avançar no assunto, consideramos necessário começar por “ter um idioma comum” – como disse o Presidente Mao Tse Tung – sendo que há tanta confusão sobre o que é o pensamento guia, por isso estamos começando por aqui.

O que é o pensamento guia?

É preciso definir os termos que estamos usando para tratar do desenvolvimento do marxismo, vemos a diferença entre linha, pensamento guia e “-ismo”.

Uma linha é um sistema estruturado de posições – diferenciamos entre ideias, critérios, atitudes e posições. Posições são atitudes (tomadas de posições) frente a problemas concretos, decisões que definem a atuação, em nosso caso, dos comunistas e revolucionários, nos campos ideológicos, políticos, organizativos, econômicos, militares etc. Cada posição é expressão de uma concepção de mundo, de uma ideologia, e por tanto tem caráter de classe. Quando uma série de posições são sistematizadas em um sistema completo, se trata de uma linha estruturada (antes de o conjunto de posições serem sistematizadas, se trata de uma linha não-estruturada).

Ao aplicar a verdade universal do marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo, a uma revolução concreta, seja de um país específico ou de uma revolução mundial, estabelecendo o programa da revolução e sua linha política geral, os comunistas lutam por estabelecer as leis que regem a luta de classes no contexto particular.

Até aqui sabemos que há uma unidade em concepção relativamente grande no movimento comunista internacional (MCI).

Todo Partido Comunista tem seu programa e sua linha política geral – ambos em diferentes graus de elaboração, de desenvolvimento do processo de aplicação da verdade universal da ideologia do proletariado internacional às condições concretas de cada revolução, por tanto seguem o grau de desenvolvimento de seu processo de constituição ou reconstituição, mas sem programa e linha política geral não há Partido Comunista. Ainda assim, ao ver a história e a situação atual do MCI, vemos que não é suficiente – mas, uma linha política geral correta, isto é, que sistematiza as leis da revolução específica em questão, somente pode existir se for expressão de um pensamento guia.

O cerne do assunto está quando vemos como se plasma esse processo na prática da luta de classes e da luta de duas linhas por aplicar; aqui, a questão está em compreender o salto que isso implica.

O pensamento guia como aplicação do maoísmo universal aponta as particularidades de uma revolução particular, para o específico e próprio, porque se não tomarmos o que é específico, nós sequer manejaríamos essa revolução que o partido dirige. Mas, como o partido é uma entidade composta por um sistema de organizações, faz-se através de seus dirigentes, de seus quadros, de seus militantes que movem todo o resto de organizações. Só desta maneira serviremos a iniciar e desenvolver a guerra popular, segundo seja o caso, na perspectiva de conquistar o poder em todo o país. São razões eminentemente práticas, razões de exigências, de demandas peremptórias, de necessidades da revolução (fundamentação do pensamento gonzalo, documentos  do I Congresso do PCP, não publicados).

Logo, o pensamento guia tem uma base ideológica que o sustenta, porque sem base ideológica não há nada, porque também um pensamento encerra construção, claro que encerra construção, e sem base ideológica, que construção pode haver?

Enquanto à teoria: “como compreende e aplica as três partes integrantes do marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente o maoísmo” (Fundamentação…). Aqui temos um bom exemplo para destacar que não basta contar com uma LPG e programa, se em economia política não se compreende o problema do capitalismo burocrático (em um país dominado pelo imperialismo). Ou o problema de compreender a responsabilidade frente à própria revolução como parte e a serviço da revolução mundial, como veremos mais abaixo no caso da Alemanha. São problemas que enfrentam muitos partidos para desenvolver o pensamento guia próprio, base de toda chefatura.

Logo vem uma segunda questão: um pensamento guia tem um conteúdo, mas substancialmente expresso na linha política geral e na linha militar, que é o seu centro. Esse é o problema das especificações, particularmente da linha política geral e militar, apontando o problema do poder. No país, embora tendo um pensamento que se desdobra dentro do marxismo-leninismo-maoismo, necessariamente tem que estar “ligado inextricavelmente à conquista do poder pelo proletariado em todo o mundo”, caso contrário não seria comunista, não estaria inscrito – geometricamente falando, para que se entenda bem – dentro do marxismo-leninismo-maoismo, e com o pensamento guia se mantém o curso dos programas.

Duas palavras sobre isto. Parte mais substantiva e mais desenvolvida, a linha política geral, isso que devemos ter bem claro. Veja bem, sobre esse pensamento se sustenta a linha e seus cinco elementos, portanto, a linha militar como centro. Por que, como é que a linha sustenta-se no pensamento e pode desenvolver uma linha política geral?

Uma terceira questão: O programa, porque o pensamento guia “mantém firmemente o curso do programa”. Está claro? São três questões que há de destacar.

O cerne do assunto está quando vemos como se plasma esse processo na prática da luta de classes e da luta de duas linhas por aplicar; aqui a questão está em compreender o salto que isso implica para plasmar o pensamento guia etc.

Foi o Presidente Gonzalo que destacou essas três questões no I Congresso do PCP em sua intervenção acerca do pensamento gonzalo, e que nós temos apresentado aqui em resumo para referirmos ao pensamento guia, e seguiremos, mais abaixo, com o estabelecido sobre isso no primeiro Congresso do Partido Comunista do Peru.

Na história podemos ver que, mesmo tendo um programa e linha política geral e tendo excelentes condições para impulsionar a revolução, por não resolver os problemas específicos da revolução em cada país, avançando além das fórmulas gerais, os comunistas fracassaram em cumprir suas responsabilidades ante o proletariado e os povos do mundo. Temos na Alemanha um exemplo muito ilustrativo, tendo o Partido Comunista, o segundo maior do mundo então, mesmo com um aparato militar clandestino e altamente desenvolvido, o camarada Ernst Thälmann [1] e os outros dirigentes do Partido Comunista da Alemanha (PCA), por ficar nas diretrizes gerais da Internacional Comunista e não desenvolver suficientemente a aplicação do marxismo na realidade concreta da revolução na Alemanha, em forma criadora para resolver os problemas novos, fracassaram em iniciar e em manter a luta armada revolucionária. Como resultado o Partido foi praticamente aniquilado e sem maior resistência ante a besta fascista do imperialismo alemão, que assim pôde lançar sua guerra contra os povos do mundo.

Na situação atual vemos que há vários Partidos Comunistas que não avançam em cumprir seus objetivos, que não dão os saltos necessários na luta revolucionária, ou para iniciar ou desenvolver a luta armada, isto é, a guerra popular, por não avançar no processo de uma aplicação criadora da verdade universal da ideologia do proletariado internacional que resolva os problemas novos da própria revolução. Seria falso acusar “tutti il mundi” como “revisionistas”, pois, se é verdade que há, em diferentes graus e em diferentes formas, problemas com o revisionismo, consideramos que o problema, em geral, está no novo, em compreender e aplicar criadoramente o novo, o marxismo-leninismo-maoísmo, com o maoísmo como nova, terceira e superior etapa de seu desenvolvimento ás condições específicas de cada revolução.

Foi o Presidente Mao Tse Tung e o Partido Comunista da China (PCCh) aqueles que introduziram o termo “pensamento” para descrever um grau de desenvolvimento superior da linha do Partido Comunista. No VII Congresso, o PCCh assume o pensamento Mao Tsetung (usando em tal momento a formulação “as ideias de Mao Tsetung”) e chega em seu IX Congresso a caracterizá-lo como universal, definindo-o como o “marxismo-leninismo na era quando o imperialismo avança rumo ao colapso total e quando o socialismo avança até a vitória em todo o mundo”. Mas oficialmente o PCCh não chega a definir que cada revolução deve gerar seu pensamento guia específico.

Foi o Presidente Gonzalo quem elaborou a compreensão marxista do que é um pensamento guia, partindo daquilo que foi desenvolvido pelo Presidente Mao Tsetung e o PCCh.

É posto no Primeiro Congresso do Partido Comunista do Peru:

“Em seu processo de desenvolvimento, toda revolução, pela luta do proletariado como classe dirigente e, sobretudo, do Partido Comunista, que desfralda seu irrenunciável interesse de classe, gera um grupo de chefes e principalmente um que o representa e dirige, chefe de autoridade e ascendente reconhecidos; em nossa realidade isso se concretizou, por necessidade e casualidade históricas, no Presidente Gonzalo, chefe do Partido e da revolução.

Ademais, e este é o fundamento de toda chefatura, as revoluções geram um pensamento que as guia, resultado da aplicação da verdade universal da ideologia do proletariado internacional às condições concretas de cada revolução; pensamento guia indispensável para alcançar a vitória e conquistar o poder e, além disso, continuar a revolução e manter o curso sempre em direção ao único grande objetivo, o comunismo; pensamento guia que, chegado a um salto qualitativo de decisiva importância para o processo revolucionário que dirige, se identifica com o nome de quem o plasmou teórica e praticamente.” (acerca do pensamento gonzalo).

Seguindo a fundamentação no mesmo documento, o Partido Comunista do Peru (PCP) aponta:

“O pensamento gonzalo foi forjado durante anos de intensa, tenaz e incessante luta de desfraldar, defender e aplicar o marxismo-leninismo-maoismo, de retomar o caminho de Mariátegui e desenvolvê-lo, da reconstituição do Partido e, principalmente, de iniciar, manter e desenvolver a guerra popular no Peru, servindo à revolução mundial, a que o marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoísmo, seja na teoria e na prática seu único mando e guia.

É uma necessidade partidária substantiva estudar o pensamento gonzalo para uma mais justa e correta compreensão da linha política geral e, principalmente, da linha militar, apontando a aprofundar as particularidades da revolução peruana, como especificou magistralmente o Presidente Gonzalo.

Devemos estudar o pensamento gonzalo partindo do contexto histórico que o gerou; ver a base ideológica que o sustenta; especificar seu conteúdo, mais substancialmente expressado na linha política geral e na linha militar, que constituem seu centro; apontar o fundamental nele, o problema do poder, de conquistar o poder aqui, no Peru, ligado, inextricavelmente, à conquista do poder pelo proletariado em todo o mundo; e prestar suma atenção à sua forja na luta de duas linhas…”.

Especificando o contexto histórico, aponta, enquanto ao contexto internacional:

“A chave é ver como nessa grandiosa luta de classes a nível mundial, o pensamento gonzalo considera que surge uma terceira etapa da ideologia do proletariado: primeiro como marxismo-leninismo, pensamento Mao Tsetung; logo, marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsetung; e, posteriormente, definiria como maoísmo, compreendendo sua validez universal; e dessa maneira chegar ao marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoísmo, como atual expressão do marxismo”.

Enquanto ao contexto histórico-nacional:

“É básico como o pensamento gonzalo compreende profundamente a sociedade peruana, centrando no problema crucial do capitalismo burocrático, ver a necessidade de reconstituir o Partido e de conquistar o Poder, e defendê-lo com a guerra popular”.

Enquanto à base ideológica, faz-se um apontamento:

“Sem o marxismo-leninismo-maoísmo, não se pode conceber o pensamento gonzalo, pois este é a aplicação criadora para a nossa realidade. A questão chave desse ponto está na compreensão do processo histórico do desenvolvimento da ideologia do proletariado, de suas três etapas plasmadas como marxismo-leninismo-maoísmo e do maoísmo como a principal, e essencial, principalmente em sua aplicação do marxismo-leninismo-maoismo como verdade universal às condições concretas da revolução peruana; daí que o pensamento gonzalo faz-se especificamente principal para o Partido Comunista do Peru e para revolução que dirige.

Havendo o pensamento guia chegado a um salto qualitativo de decisiva importância para o Partido e a revolução, o pensamento gonzalo tornou-se, assim, um marco na vida partidária.” [2]

O PCP realça, também:

“Devemos ressaltar no pensamento gonzalo o notável comprimento das exigências levantadas pelo Presidente Mao: solidez teórica, compreensão da história e o bom manejo prático da política”.

Com isso, vemos: um sistema de posições estruturadas é uma linha. Uma linha geral e um programa de um partido comunista devem corresponder a leis gerais de uma revolução. Um pensamento guia firma-se quando  em um processo de um partido comunista e uma revolução particular, pela luta do partido e do proletariado, em meio da luta de duas linhas e da luta de classes, resolvem-se os problemas novos específicos e concretos que se enfrentam, e nisso contribui para o desenvolvimento do marxismo, com elementos novos. Esse processo toma corpo, materializa-se na luta do partido em sua direção, que exerce um grupo de chefes, entre os quais – como consequência da lei da contradição – sobressalta-se um, que torna-se o chefe do partido e da revolução.

É necessário notar a distinção importantíssima que faz o Presidente Gonzalo e o PCP entre “pensamento guia”, “pensamento guia identificado com o nome do chefe da revolução” e “pensamento”, porque cada um desses três termos expressam um diferente grau de desenvolvimento, de acordo com quantos novos elementos contém, verificados na prática do partido e na revolução que dirige, ao desenvolvimento do marxismo. O Presidente Gonzalo e o PCP não inferem que cada revolução necessariamente gera um pensamento guia que chega ao grau que tinha, por exemplo, o mesmo pensamento gonzalo, se identifica com quem o tenha gerado, desenvolvimento que não é possível que se dê com cada pensamento guia [3], mas que, sim, cada revolução deve gerar uma aplicação criadora que resolve seus problemas, manejando as leis particulares de cada realidade particular, no que implica um salto na aplicação específica.

Falta definir a diferença entre um pensamento guia em sua forma mais desenvolvida, como é no caso do pensamento gonzalo e um “-ísmo”. Para manejar corretamente a definição, partimos do que foi estabelecido pelo PCP no documento Sobre o marxismo-leninismo-maoísmo:

“Porém, enquanto o marxismo-leninismo obteve reconhecimento de sua validez universal, o maoísmo não é reconhecido plenamente como terceira etapa; pois, enquanto uns negam simplesmente sua condição como tal, outros apenas alcançam sua aceitação como “Pensamento Mao Tsetung”. E, em essência, em ambos os casos, com as nítidas diferenças que têm entre si, negam o desenvolvimento geral do marxismo feito pelo Presidente Mao Tsetung; não reconhecer seu caráter de “-ísmo”, de maoismo, é negar vigência universal e, em consequência, sua condição de terceira, nova e superior etapa da ideologia do proletariado internacional: o marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo, que desfraldamos, defendemos e aplicamos…

O marxismo tem três partes: filosofia marxista, economia política marxista e socialismo científico; o desenvolvimento em todas elas que geram um grande salto qualitativo do marxismo em seu conjunto, como unidade a um nível superior implica em uma nova etapa. Em consequência, o essencial é mostrar que o Presidente Mao gerou, como podem ver na teoria e na prática, tamanho salto qualitativo…

…É com a GRCP (Grande Revolução Cultural Proletária) que se difunde intensamente, e seu prestígio eleva-se poderosamente, e o Presidente Mao passa a ser reconhecido como chefe da revolução mundial e gerador de uma nova etapa do marxismo-leninismo…”.

Assim, a diferença entre um pensamento guia, particularmente em sua forma mais desenvolvida, como pensamento gonzalo, que implica em um “salto qualitativo de decisiva importância para uma revolução” (Sobre O pensamento gonzalo, PCP, I Congresso, documento público), e “-ísmo” não é que o primeiro simplesmente será um assunto de importância específica pela realidade concreta de um país – porque ao resolver problemas novos, contribui ao tesouro do marxismo em geral –, mas significa que ele não plasmou um “grande salto qualitativo do marxismo em seu conjunto, como unidade”, isto é, no desenvolvimento de suas três partes integrantes, que significa que estamos ante uma nova etapa do marxismo. Quando o pensamento dá esse grande salto qualitativo, toma o caráter de “-ísmo”, para assinalar o valor universal de seu conjunto como nova etapa do marxismo.

Novamente, no que acabamos de expor, vemos que a chave para diferenciar entre pensamento guia, pensamento gonzalo e “-ísmo”, a nova etapa de nossa ideologia universal do proletariado é compreender o salto, e o salto é a chave na contradição. Porque qualquer solução de um problema novo da revolução proletária mundial significa um aporte ao marxismo-leninismo-maoísmo, isso nos dá qualquer pensamento guia, senão não seria um, e em sua forma mais desenvolvida nos dá importantes aportes, como é o caso do pensamento gonzalo, que são importantes aportes da ideologia universal do proletariado e, por conta disso, esses aportes têm caráter também universal, e por ser soluções a problemas novos, aponta a um novo desenvolvimento do marxismo e, consequentemente, a uma nova etapa, mas não é “-ísmo”, porque esses aportes de valor universal não significaram um novo desenvolvimento em suas três partes integrantes, e consequentemente em seu conjunto, que tenham feito uma elevação do marxismo a uma nova etapa. Como veremos em breve nas partes que citamos da exposição do Presidente Gonzalo Sobre o pensamento gonzalo no I Congresso do PCP, documento não publicado do Congresso:

“Porém, o importante está na parte final (do documento, após tratar do contexto internacional no Sobre o pensamento gonzalo, PCP, I Congresso, documento publicado), onde diz: ‘mas, a chave é ver como nessa grandiosa luta de classes a nível mundial, o pensamento gonzalo considera que surge uma terceira etapa da ideologia do proletariado: primeiro como marxismo-leninismo, pensamento Mao Tsetung; logo, marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsetung; e, posteriormente, defini-la como maoísmo compreendendo sua validez universal; e dessa maneira chegar ao marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo, como a expressão atual do marxismo’.”

Referente ao pensamento gonzalo:

“(…) A questão chave desse ponto está na compreensão do processo histórico do desenvolvimento da ideologia do proletariado, de suas três etapas constituídas como marxismo-leninismo-maoísmo como verdade universal às condições concretas da revolução peruana, e é por isso que o pensamento gonzalo é especificamente principal para o Partido Comunista do Peru e para a revolução que este dirige (…) a compreensão do processo histórico do desenvolvimento da ideologia do proletariado; isto é chave: como compreende o processo que seguiu a ideologia do proletariado internacional que chegou, a que? Ao maoísmo como principal! Essa é a base que o sustenta, por isso é a principal, sem isso não há nada (…) aplicação do marxismo-leninismo-maoísmo como verdade universal ás condições concretas da revolução peruana’. É esse o essencial, não basta dizer que o principal é tomar o marxismo-leninismo-maoísmo se isto não for seguido pela necessidade da aplicação às condições concretas, não teria sentido o pensamento gonzalo; é preciso ver estas duas coisas, e isto em estrita aplicação do que o presidente nos ensinou, que o problema do marxismo é sua aplicação, e isso é o que nos ensinou Lenin, e igualmente Marx; creio que esta parte deve-se ter muito em conta e é essencial; e se levem-na embora, se tiram a essência do pensamento gonzalo, não haverá essência.

Logo, repare-se o que se disse: daqui, ao tomar esta base, o maoísmo, dessa aplicação que é essencial. Isto deriva a que: ‘O pensamento gonzalo é, especificamente, o principal para o Partido Comunista do Peru e para a revolução que dirige’. Aqui a palavra é ‘especificamente’, isso é o que tem que ser posto aqui, pois se não dizer ‘especificamente principal’, logo, camaradas, estaríamos negando que o principal é o marxismo-leninismo-maoísmo; entendem o que eu quero dizer? Seria não ver seu valor universal e isso não poderíamos fazer, para sermos comunistas primeiro temos que ser marxistas-leninistas-maoístas, e como somos atuantes neste país que chama-se Peru, essencial é aplicá-lo aqui no Peru, porém sem o primeiro não cabe o segundo. Daqui deriva isto: O pensamento gonzalo é o principal para o Partido, sim, especificamente. O que quer dizer? Qnquanto aplicação, enquanto necessidade de nossa revolução, neste caso em específico, para esta questão concreta, e dessa maneira não cabe de modo algum ignorar o marxismo-leninismo-maoísmo porque é a verdade universal, e essa é a fonte na qual sempre temos que beber”.

Aprofundando mais na relação entre pensamento guia e maoísmo, o Presidente Gonzalo disse:

“Não se pode nunca potencializar um pensamento se não tem em conta a verdade universal da qual é parte integrante”.

“Conteúdo do pensamento gonzalo. a) Teoria. Devemos saber localizar bem o pensamento gonzalo: É uma especificação de nossa revolução, de nosso proletariado, de nosso partido, de nossa luta de classes e da guerra que é sua forma superior, e deve vê-la assim. Então, se a vermos especificamente dessa maneira, nosso problema não é colocar a nível do marxismo-leninismo-maoísmo, porque isso não pode ser, é um grave erro, nunca poderíamos cometer. Nunca, camaradas, não podemos confundir as coisas. Ao tratar da teoria, o que temos que ver é como se maneja, como se aplica a teoria do marxismo-leninismo-maoísmo em suas três partes constitutivas. Se ocorreu uma contribuição [N.T.: do pensamento gonzalo ao maoismo], que é subsidiária hoje, se amanhã se desenvolver… amanhã não é hoje. Creio que devemos ser muito claros e muito concretos, ter um bom entendimento, mas quando firmamos a teoria, a teoria, pois aqui estamos dizendo – repito – das três partes integrantes, da verdade universal, e somente aqui podemos, então, pensar em como se aplica, como se maneja; se contribuições houverem, o tempo que dirá. Para mim está é a chave, camaradas, coisa distinta é o problema acerca do conteúdo – esse nós vamos analisar –, há uma diferença. (Veja! Veja a diferença que há entre teoria – as três partes integrantes, donde aqui cabe pensar em como se aplica – o conteúdo do pensamento gonzalo)

Enquanto à teoria; o que diz? Por isso é pleiteado: ‘como compreende e aplica’ – por isso disse assim –, ‘como compreende e aplica as três partes constitutivas do marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente o maoísmo’, isso é o que disse, aqui não se diz como se desenvolve. Creio que precisa ser objetivo, e se há perspectivas, pode ver perspectivas, mas, para mim, perspectiva é perspectiva, primeiro tem que tratar-se a perspectiva para dizer se esta é a realidade (…)  Não dar como realidade o que é perspectiva. Mas nesta teoria deve-se ter sumo cuidado, porque se trata da verdade universal, há que ser sumamente cauteloso e cuidadoso, por isso disse assim: ‘como compreende e aplica’.”.

Na parte Sobre Conteúdo, o mesmo Presidente Gonzalo estabelece a relação entre os aportes de validez universal do pensamento gonzalo e o maoísmo: “b. (…) Chegado ao ponto do conteúdo do pensamento gonzalo – estamos dizendo da parte que disse que ‘mais substantiva e mais desenvolvida’ é a linha política geral – posto muito bem aqui o problema. Onde está? Nas especificações de nossa linha, do que consideramos típico ou peculiar de nossa revolução com toda a perspectiva que podia ter, ou tem em alguns pontos. Visto isso, passamos, simplesmente, a enumerar as especificações da linha política geral e aportes à revolução mundial que devemos ressaltar. Eu tinha dito que deveria ser colocado na linha, camaradas; o primeiro é teoria universal, muito cuidado com isso; se há aportes, veja-os na linha política geral que é a parte substantiva, ou mais substantiva, mais desenvolvida. Por isso que aqui posicionamos dessa maneira: especificações da linha política geral e aportes à revolução mundial que devemos ressaltar”. Logo é enumerado os aportes de validez universal do pensamento gonzalo para a revolução mundial, contidos nos cinco elementos do LPG, colocando a linha militar como centro.

O Presidente Gonzalo nos esclarece mais ao esmagar certas expressões que se puderam dar com respeito a esta relação. Desta forma: “É absurdo comparar figuras históricas; pessoas históricas; cada um de nós desenvolve-se em um contexto histórico diferente e preciso. Nunca poderíamos nós contrapor nosso glorioso fundador Marx com Lenin, nem com Presidente Mao, nem mesmo os dois últimos com o primeiro, nem entre si, nunca; falo de fatos; porque, contrapor a quem fala (o Presidente Gonzalo) com o Presidente Mao… Por favor!; Parece-me uma piada de péssimo e estúpido gosto, como contrapor uma especificação a um país com o ápice da ideologia universal, como? Isso não tem sentido, camaradas, isso não merece nem ser pensado.

Em suma: ‘O que o pensamento gonzalo fez? Duas coisas: a) definir uma terceira, nova e superior etapa do marxismo, o marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo; e b) a guerra popular; qual é a principal; bom, certamente é o maoísmo’.”

“Referente ao conteúdo, há de destacar as especificações que temos levantado como uma questão tentativa, pois devemos estudar mais. Porém, por algo devemos começar; por quê? Por que é chave tratar o conteúdo enquanto parte mais substantiva e mais desenvolvida do pensamento gonzalo, mas aqui a questão são as especificações das quais derivam aportes à revolução mundial. O fundamental é o problema da conquista do poder, aqui, em Peru, em função da ditadura do proletariado no mundo, para servir ao comunismo. A forja não chama somente a isso: a ver como se é forjado o pensamento gonzalo e como se desenvolve na luta de duas linhas; sem essa luta de duas linhas não há pensamento gonzalo, não pode haver desenvolvimento, e somente assim surge um pensamento e se desenvolve, e não de outra forma”.

Perguntamos: Corresponde aplicar os aportes de validade universal do pensamento gonzalo aos comunistas do mundo? Claro, como foi definido pelos Partidos e Organizações Maoístas da América Latina em seu V Encontro, e pelos Partidos e Organizações Maoístas da Europa em seu I Encontro, isto é: Aplicar o marxismo-leninismo-maoísmo, com os aportes de validez universal do pensamento gonzalo!

Podemos, agora sim, a partir do estabelecido, analisar o processo que se solidificou com Lenin, e como se desenvolveu seu pensamento até torna-se leninismo.

Lenin e a aplicação criadora do marxismo às condições concretas da Revolução Russa

Entendemos que os leitores, majoritariamente, estão familiarizados com a vida e a obra de Lenin, e por isso não consideramos que valha aqui apresentar uma ampla biografia, e nem uma ampla bibliografia, particularmente porque em outros artigos do presente número da revista O Maoísta expõem-se, com profundidade, detalhe e amplitude, a posição marxista-leninista-maoísta a respeito. Tampouco consideramos necessário demonstrar como Lenin analisou isso no menor detalhe da sociedade russa e como estudou os problemas muito específicos – no afã de demonstrar que Lenin se preocupou de aplicar o marxismo às condições da Rússia – desejamos, por compreendido de ser um assunto que a vasta maioria de nossos leitores tenha conhecimento. Portanto, focamos nossa atenção em forma mais concentrada à temática que nos toca mais em particular [4].

Quando Lenin comenta seus saberes teóricos, faz-se em mais estrita relação com os problemas mais tocantes da luta de classes com as quais os comunistas e revolucionários estavam enfrentando em seu momento, e fez-se partindo do desenvolvimento da luta de duas linhas contra os posicionamentos e linhas contrárias ao marxismo dentro do movimento revolucionário e popular.

Sua obra teórica As novas mudanças econômicas na vida camponesa é uma análise da base econômica da sociedade russa, expressando mais precisamente do Império czarista, para sentar as bases, como síntese concreta do documento, para a crítica aos chamados “Amigos do povo”. O faz partindo-se de uma necessidade que logo depois explicou assim:

“Não se pode dar ‘a consigna da luta’ sem estudar, em todos os detalhes, cada uma das formas desta luta, sem seguir cada passo da mesma, em sua transição de uma forma para a outra, para saber em cada momento concreto determinar a situação, sem perder de vista o caráter geral da luta, seu objetivo geral: a destruição completa e definitiva de toda exploração e de toda opressão (Quem são os “amigos do povo” e como lutam contra os sociais-democratas)

Quer dizer, parte das necessidades práticas da revolução, de como dar um rumo correto ao movimento prático no momento que se encontra, mas sem perder jamais a perspectiva do comunismo. Uma posição cabal e completamente marxista. Porém, com essa aplicação determinou-se o leninismo como tal? Logicamente que não.

Não iremos citar todo o magistral documento Os fundamentos do Leninismo do camarada Stalin, seria muito, mas é necessário recordar como define-se o leninismo para examinarmos bem as coisas.

O camarada Stalin, em uma conversa com uma delegação de trabalhadores norte-americanos, em setembro de 1927, sugeriu seis novos aportes do de Lenin ao desenvolvimento do marxismo, nas questões de: 1) capitalismo monopolista, do imperialismo, como fase nova do capitalismo; 2) ditadura do proletariado (especificando o novo em relação com o que foi estabelecido por Marx); 3) a questão das formas e dos procedimentos da feliz edificação do socialismo no período da ditadura do proletariado, no período de transição do capitalismo ao socialismo, em um país cercado por estados capitalistas; 4) a hegemonia do proletariado na revolução, em toda revolução popular, na revolução contra o czarismo e na revolução contra o capitalismo; 5) a questão nacional e colonial; e 6) o partido do proletariado. Em cada uma dessas questões, o camarada Stalin demonstra como o sugerido por Lenin baseia-se no marxismo, e respondendo a uma pergunta de um dos trabalhadores, considera-se:

“Creio que Lenin não adicionou nenhum princípio novo ao marxismo, nem suprimiu nenhum dos velhos princípios do marxismo. Lenin foi e segue sendo o discípulo mais fiel e mais consequente de Marx e de Engels, e apoiou-se inteiramente nos princípios do marxismo.

Mas Lenin não foi somente o realizador da doutrina de Marx e Engels; foi, ao mesmo tempo, o continuador da doutrina de Marx e Engels.

O que quer dizer isso?

Isso significa que impulsionou a doutrina de Marx e Engels, tendo em vista as novas condições de desenvolvimento; tendo em vista a nova fase do capitalismo; tendo em vista o imperialismo. Isso significa dizer que, ao impulsionar a doutrina de Marx em novas condições da luta de classes, Lenin aportou ao tesouro geral do marxismo elementos novos, em comparação ao que diziam Marx e Engels, em comparação ao que se pôde dar no período do capitalismo pré-imperialista. Por certo, os elementos novos que Lenin concedeu ao tesouro do marxismo se baseiam, plena e inteiramente, nos princípios assentados por Marx e Engels.

Neste sentido, precisamente, dizemos aos outros que o leninismo é o marxismo da época do imperialismo e das revoluções proletárias”.

Deslindando campo com toda aplicação mecânica, assinala:

“Opino que toda revolução verdadeiramente popular é criadora, pois destrói a velha ordem de coisas e cria, constrói uma ordem coisas novas…

Marx e Lenin eram, precisamente, partidários de tal revolução e somente de tal revolução”.

Na consideração do camarada Stalin, ilustra-se bastante se aplicarmos ao nosso tema. Nenhum dos seis apontamentos, entendidos como o novo que aportou Lenin ao desenvolvimento do marxismo, foi determinado por Lenin, em forma elaborada, em 1893. Foi um processo de desenvolvimento de seu pensamento que ao chegar a “um grande salto qualitativo do marxismo em seu conjunto, como unidade”, concretizou-se como leninismo.

Enquanto à questão acerca do Partido do proletariado, o Partido Comunista, o Partido de Novo Tipo, Lenin elabora sua tese cabal e completamente durante os primeiros anos do século XX, como resultado de uma profunda avaliação dos erros e limitações da organização do Partido proletário na Rússia, incluso ele mesmo explicou (ver capítulo quatro de Que fazer?) que no começo de seu trabalho partidário cometeu erros artesanais e que foi precisamente aprendendo deles que elaborou a teoria sobre o Partido de novo Tipo. Ele mesmo determinou que seu plano pela edificação do Partido era devido ás condições particulares da Rússia e não apontou que era aplicável para todos os países. Logo depois do triunfo da Revolução de Outubro, os comunistas do mundo assumem a necessidade universal indispensável do Partido de novo Tipo, e a Terceira Internacional decide que todos os partidos comunistas devem ser bolchevizados.

Revisionistas e anti-marxistas de todo o gênero podem jogar-se contra a necessidade de um Partido Comunista – como o fazem, encabeçados pelo imperialismo ianque na ofensiva contrarrevolucionária geral – mas ninguém que se chame de maoísta pode ser contra sem desmascarar a si mesmo como charlatão. Igualmente ninguém pode negar a contribuição do desenvolvimento do marxismo que deu Lenin com o Partido de novo Tipo. Porém, no momento histórico quando o fez, não havia leninismo. Então a que correspondia? Simplesmente era “aplicar a linha marxista em geral”? Não, era uma aplicação criadora a um problema concreto da revolução no Estado onde atuou Lenin. Com a compreensão que temos hoje, com o desenvolvimento que teve a ideologia do proletariado internacional, como única ideologia científica, ao evoluir-se para marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo, levantamos que a tese sobre o Partido de novo Tipo era parte do pensamento de Lenin.

Quando vemos a questão da hegemonia do proletariado na revolução e em toda a revolução popular, sejam na revolução contra o czarismo ou na revolução contra o capitalismo, problema que confronta Lenin, em seu fundamental, desde sua primeira obra teórica, fica claro que ele resolve principalmente quando elabora Duas táticas da socialdemocracia na revolução democrática,no ano de 1905. Ou seja, durante doze anos, desde 1893 até 1905, trabalhando intensamente, desenvolvendo uma profunda análise da sociedade particular donde se executa, dando orientação aos comunistas e revolucionários em todo o império czarista, há que sistematizar suas determinações em um nível superior.

Hoje, descrevendo esse processo, podemos dizer que se começa a desenvolver seu pensamento guia em 1893, e podemos constatar que no ano de 1905 já se poderia falar de um pensamento de Lenin. Um outro caminho seria dizer que “não, o que fez Lenin foi somente aplicar a linha geral dos marxistas”, ou “não, em 1905 já havia leninismo”; ambas afirmações absurdas, que ninguém  sustentar seriedade se chama a si mesmo de maoísta.

Ademais, recordamos um ponto muito importante, como ao resolver um problema de caráter aparentemente específico de um país, pode-se gerar um importante aporte à Revolução Proletária Mundial. Como dizia no A história do Partido Comunista (bolchevique) da U.R.S.S., redigido abaixo as direções do camarada Stalin:

“A julgar pelo título da obra, poderia crer que Lenin somente examina nela os problemas táticos do período da revolução democrática burguesa, e que sua crítica refere-se unicamente aos mencheviques russos. Porém, na realidade, ao criticar as táticas dos mencheviques, põem-se, também, desnudando a tática do oportunismo internacional, e ao fundamentar a tática marxista no período da revolução burguesa e trazer as diferenças entre esta e a revolução socialista, formula também os fundamentos da tática do marxismo no período de transição da revolução burguesa à revolução socialista”.

Enquanto à Ditadura do Proletariado, basta ver o problema concreto dos sovietes, como a forma de organizá-lo, determinado por Lenin. Vemos como neste ponto se vê claramente o desenvolvimento do pensamento de Lenin como expressão da luta de classes do proletariado, como a classe gera sua chefatura. No documento que acabamos de citar, é descrito magistralmente esse processo:

“Nos dias agitados da greve política de outubro, sob o fogo da luta contra o czarismo, a iniciativa criadora revolucionária das massas operárias forjou uma nova e poderosa arma: Os Sovietes de deputados operários.

Os Sovietes dos Deputados Operários, assembleias de delegados de todas as fábricas e empresas industriais, eram uma organização política de massas da classe operária sem precedente no mundo.

Estes sovietes, que apareceram pela primeira vez em 1905, haviam de ser o protótipo do Poder Soviético, criado pelo proletariado, sob a direção do Partido Bolchevique, em 1917. Os sovietes eram uma nova forma revolucionária, fruto da criatividade popular.Foram criados exclusivamente pelas camadas revolucionárias da população, saltando por cima de todas as leis e normas do czarismo. Foi obra da iniciativa própria das massas, lançadas à luta contra o regime czarista. Os bolcheviques encontravam nos sovietes os germes do Poder Revolucionário, e entendiam que a força e a importância dos Sovietes dependiam da força e dos êxitos da insurreição”(sublinhado nosso).

Recordamos que a revolução de 1905 foi derrotada, mas serviu como “ensaio geral” da revolução para aqueles que sabiam ter a necessária previsão revolucionária, e assim fez Lenin. Hoje nós rimos se alguém vier a argumentar de que “a concepção dos sovietes não tem validez universal, pois a revolução de 1905 foi derrotada”, e com razão; quem será tão estúpido de falar assim? Também foi com a derrota da revolução de 1905 [5] que Lenin desenvolveu sua compreensão sobre as milícias e destacamentos – importantes aportes à teoria militar do proletariado. Porém, os que não entendem como se dá o desenvolvimento do marxismo – aqueles que pensam que as coisas se desenvolvem linearmente – em outros casos não se envergonham de arrotar tais atrocidades.

A definição do capitalismo monopolista, do imperialismo, como fase nova do capitalismo. O recém ano de 1916, vinte e três anos após a elaboração de sua primeira obra teórica, Lenin sistematiza e fundamenta sua tese. Não era que recentemente ali havia entendido o problema, os antecedentes são bastante claros, particularmente quando estuda-se sua luta contra o revisionismo, mas, ainda assim, O Imperialismo constitui um salto. É a obra fundamental para sustentar a segunda etapa do marxismo, o marxismo-leninismo como o marxismo na era do imperialismo e da revolução proletária, isto é, é o próprio Lenin que dá o marco teórico fundamental para entender como seus aportes, em geral, constituem uma nova etapa. Sem Lenin não há fundamentação do leninismo, porém foi só o camarada Stalin que o definiu como tal. Sobre esse ponto, o Presidente Gonzalo chama-nos:

“Há de se ter muito presente quando o camarada Stalin, justa e corretamente, apontou que havíamos entrado na etapa do leninismo como desenvolvimento do marxismo. Ali também houve oposição, aqueles que rasgaram suas vestimentas em suposta defesa do marxismo; há de se ter muito presente que, também do leninismo houve aqueles que diziam que somente era aplicável aos países atrasados; mas no meio da luta, a prática o consagrou como grande desenvolvimento do marxismo, e a ideologia do proletariado brilhou vitoriosamente ante o mundo como marxismo-leninismo” (Sobre o Marxismo-leninismo-maoísmo).

 

Como disse A história do PC (B) da URSS:

“Lenin, com base nos dados sobre o capitalismo imperialista, expostos em seu notável livro Imperialismo, fase superior do capitalismo, voltou nesse ponto de vista, como antiquado, e sentou um novo ponto de vista teórico, segundo o qual o triunfo simultâneo do socialismo em todos os países era impossível, sendo uma mudança possível somente em um país capitalista isoladamente.

A importância incalculável da teoria de Lenin sobre a revolução socialista não está somente em haver enriquecido e desenvolvido o marxismo com uma nova teoria. Sua importância consiste, ademais, em que estabelece uma perspectiva revolucionária aos proletários dos distintos países, em que desenvolve sua iniciativa para lançar-se ao assalto contra sua própria burguesia nacional, ensina-os a tirar proveito da situação de guerra para organizar essa ofensiva e fortalece sua fé no triunfo da revolução proletária” (sublinhado nosso).

Quem além dos bolcheviques e de um número muito reduzido de marxistas no exterior, no ano de 1916, aceitou esse “novo ponto de vista teórico” como um enriquecimento e desenvolvimento do marxismo? Ninguém. Pelo contrário, a grande maioria seguiu os social-patriotas e centristas, como Kautsky. A maioria seguia o maior partido, o Partido da Alemanha. Agora, acaso todos do MCI não zombem de Kautsky, nem falem sobre o ódio contra os social-patriotas? A quem interessa hoje qual era o maior partido de então?

Enquanto às questões das formas e dos procedimentos da feliz edificação do socialismo no período da ditadura do proletariado, no período da transição do capitalismo ao socialismo, em um país cercado por Estados capitalistas, podemos ver que esse problema Lenin resolveu cabalmente e completamente após da Revolução de Outubro, quando seu pensamento já havia se desenvolvido em leninismo. Não podia ser de outra maneira, não se podia resolver o problema em abstrato, mas apenas aplicando a ideologia universal ao problema concreto, real, em meio a luta de classes. [6]

Finalmente a questão nacional e colonial. Lenin foi sempre uma encarnação viva do internacionalismo proletário, não houve nunca um mísero piscar de chauvinismo nele. Sempre esteve do lado dos povos e nações oprimidas, mas, logicamente, concentrava mais sua atenção aos problemas concretos que enfrentou na revolução que dirigiu, e sua compreensão desse problema continuava a avançar, desde um posicionamento fiel ao marxismo, aplicando esse ás condições concretas da revolução, obviamente considerando a luta de classes a nível internacional, para concretizar um novo desenvolvimento como o chefe reconhecido da Revolução Proletária Mundial, encabeçando a Terceira Internacional. Para ilustrar, basta recordar O direito das nações à autodeterminação, escrito em 1914, com base na defesa do programa dos marxistas na Rússia. É apenas no trabalho, teórico e prático, na e para a Terceira Internacional que ele formula completamente, na mais estreita colaboração com os comunistas de todos os continentes, suas novas contribuições na questão colonial. Então, nesse aspecto também vemos como se dá saltos no pensamento de Lenin.

Os breves exemplos que temos dado para ilustrar como é justo e correto sustentar que também o caso de Lenin e do leninismo demonstra que cada revolução, para triunfar, necessita gerar um pensamento guia, não é para sustentar que há um “Lenin jovem” e um “Lenin velho” entre as quais existiria uma suposta discordância, mas o próprio Lenin nos explica como se dá esse processo:

“Mas, como o critério da prática – isto é, o percurso do desenvolvimento  de todos os países capitalistas nas últimas décadas – não faz nada além de demonstrar a verdade objetiva de toda a teoria socioeconômica de Marx em geral, e não dessa ou da outra parte, formulação etc., é claro que falar aqui sobre ‘dogmatismo’ dos marxistas é fazer uma concessão imperdoável para a economia burguesa. A única conclusão que pode ser tirada da opinião, compartilhada pelos marxistas, que a teoria de Marx é uma verdade objetiva é a seguinte: seguindo o caminho da teoria de Marx, nos aproximaremos cada vez mais perto da verdade objetiva (sem nunca atingi-la em sua totalidade); por outro lado, por qualquer outro caminho, não podemos obter mais do que confusão e mentiras”.  (Materialismo e empirocriticismo)

Lenin sempre foi pelo caminho de Marx, por isso seu pensamento chegou, por saltos, a níveis cada vez maiores, até chegar a ser o leninismo. Era o mais fiel discípulo de Marx, por isso sabia resolver problemas novos, e assim chegou a ser o continuador de sua obra. Nós, comunistas, devemos ter a obrigação de ser assim, fiéis aos nossos princípios, mas sempre com a mente aberta para ver o novo.

Conclusão

Sintetizando, podemos resumir que o surgimento do pensamento de Lenin, partindo do que foi levantado pelo Presidente Gonzalo acerca do que é o pensamento guia, se dá nas seguintes condições:

– Enquanto ao contexto histórico: trata-se da aplicação criadora do marxismo à realidade da Rússia, país que foi considerado por Marx como o bastião da contrarrevolução na Europa. Do ponto de vista internacional, ocorria na Europa Ocidental o desenvolvimento, relativamente pacífico, do capitalismo, o que acabou conduzindo à socialdemocracia em geral, e em particular na Alemanha, ao abandono da perspectiva da tomada do poder e sua degeneração em cretinismo parlamentar. Ante a autocracia da Rússia, a tendência ao eleitoralismo era uma impossibilidade para o desenvolvimento do movimento dos operários e comunistas da Rússia. Esse contexto interno foi fundamental para o surgimento das bases teóricas e práticas do Partido de novo Tipo, que assume caráter de formulação teórica, em 1902, com O que fazer?, de Lenin, estabelecendo os critérios de associação ao Partido, a disciplina de ferro, a centralização, a clandestinidade e a profissionalização.

– Enquanto à base ideológica: O Presidente Gonzalo define a “filosofia é a alma da ideologia”. Lenin, em 1894, escreve sua primeira obra impressa: Quem são os amigos do povo?, donde faz a defesa contundente da dialética marxista, em distinção da dialética de Hegel com a que o oportunismo tentava mesclar. Do mesmo modo defendeu o materialismo histórico em uma crítica destruidora da sociologia subjetivista populista e do “objetivismo” dos marxistas legais. Do ponto de vista do materialismo, há uma visão muito clara da necessidade do estudo da base objetiva da sociedade, para compreendermos seus processos políticos. Desde o ponto de vista dialético, Lenin toma firmemente a necessidade da análise da situação concreta para o desenvolvimento do pensamento da revolução russa.

– Enquanto ao conteúdo: Lenin, em 1899, escreve seu brilhante Desenvolvimento do capitalismo na Rússia, no qual demonstrou não somente um profundo domínio do marxismo, como conseguiu, de modo rigoroso e criador, fazer sua aplicação ao estudo da base econômica da sociedade russa. Desde o ponto de vista da luta de duas linhas, essa obra representou a derrota da estratégia revolucionária pequeno-burguesa do populismo que desprezava o desenvolvimento da classe operária e pretendeu localizar o campesinato na cauda da burguesia liberal. Em 1905, como parte da ruptura com os mencheviques, Lenin escreve sua célebre Duas táticas da socialdemocracia, aplicação criadora do Manifesto do Partido Comunista –  criadora, pois Lenin forja ali a tática bolchevique do proletariado de lutar pela revolução democrático-burguesa, unindo-se ao campesinato e lutar por sua direção, com o armamento das massas e a insurreição dirigida pelo Partido do proletariado. Lenin coloca no centro da tática bolchevique a questão do Poder, definindo a esse como a Ditadura Democrática Revolucionária de Operários e Camponeses. Estabelece a Linha Militar, afirmando que somente é possível a conquista do poder através da destruição da força militar do velho Estado, para o qual demanda a construção de uma força militar do proletariado. Luta de duas linhas contra os mencheviques, no II Congresso os bolcheviques se conforma enquanto Fração Vermelha e firma-se a tarefa de constituir o Partido, tarefa que se cumpre enquanto Partido Bolchevique em 1912. De ali, apenas a revolução na Rússia tem um Partido de novo Tipo, capaz de conduzir a revolução à vitória.

Nesta data temos o Partido constituído, chefatura de Lenin, sustentada em seu pensamento, capaz de dirigir a tomada do Poder pelo proletariado armado e defende-lo com o proletariado em armas.

Da mesma forma, de modo sintético, caracterizamos o leninismo, como uma nova e segunda etapa a partir do que foi estabelecido pelo Presidente Gonzalo: “O marxismo tem três partes: filosofia marxista, economia política e socialismo científico; o desenvolvimento em todas elas que geram um grande salto qualitativo do marxismo em seu conjunto, como unidade a um nível superior, que implica em uma nova etapa”.

– Em filosofia marxista: Em suas obras Materialismo e Empirocriticismo, e Cadernos Filosóficos, de maneira completa e profunda, estabelece a Teoria do Reflexo como a teoria materialista dialética do conhecimento, tratando tanto do pensamento como reflexo material como a ação transformadora e efetiva como critério da verdade. Analisa o movimento da natureza, da sociedade e do conhecimento como movimento contraditório, e desenvolve os conceitos de unidade e identidade dos contrários. Enquanto à dialética, Lenin estabeleceu que: “A dialética, em sentido estrito, é o estudo da contradição na própria essência dos objetos […]”. Lenin costumava qualificar essa lei como essencial da dialética, e também do núcleo da dialética (Presidente Mao, Sobre a Contradição). O salto em filosofia marxista, dada por Lenin, entre os anos de 1909 e 1915, foram decisivos para a elaboração das teses posteriores que constituem o conteúdo econômico e político do leninismo.

– Em economia política: Lenin promoveu um salto de qualidade na economia política marxista ao desenvolver a tese do imperialismo como o estágio superior e último do capitalismo. Lenin irá explicar o fenômeno do monopólio a partir da fusão do capital bancário com o capital industrial. Combatendo o revisionismo que sugeria que essa etapa tornava o capitalismo mais forte, Lenin havia contestado, demonstrando que o imperialismo era o capitalismo monopolista, parasitário, em decomposição e agonizante. O advento do imperialismo era a base econômica que explicava a modificação das contradições fundamentais do mundo, que a característica distintiva da era do imperialismo é que o mundo foi dividido em um punhado de nações opressoras que possuem colônias, por um lado e, por outro lado, pela grande maioria das nações oprimidas – colônias e semicolônias –, em que a principal contradição passou, então, a ser entre nações oprimidas e imperialismo; disto, a conclusão leninista de que o centro da revolução movimentou-se para o Oriente. E tudo que foi estabelecido referente à economia do socialismo e ao conhecimento de suas leis, experiência totalmente nova, tornou-se a primeira no mundo.

– O socialismo científico: Lenin, ademais da magistral formulação do Partido De Novo Tipo, como organização de combate da classe, assentada no centralismo democrático e forjada na luta contra o oportunismo e na violência revolucionária, desenvolveu a teoria marxista do Estado em geral e da Ditadura do Proletariado em particular. Foi demonstrado que na sociedade de classes, democracia e ditadura correspondem a uma unidade de contrários, e de que a Ditadura do Proletariado acontece quando, pela primeira vez na história, o Estado representa a ditadura da imensa maioria sobre a minoria. Lenin também vai dar uma solução, juntamente com o camarada Stalin, ao problema nacional e colonial, como bases da Revolução Proletária Mundial.

O leninismo forjou-se em meio da mais aguda luta de classes contra a autocracia e o imperialismo, e de modo inseparável da luta de duas linhas contra o oportunismo economista anterior a 1905, o menchevismo e o revisionismo liquidacionista surgidos no próprio Partido Socialdemocrata durante a reação Stolypiana. Sob a liderança de Lenin, baseado na grande vitória ideológica que representou a obra O Materialismo e Empirocriticismo, os bolcheviques, como fração vermelha, constituem o POSDR (bolchevique), em 1912, concretizando na prática o estabelecido desde 1905, isto é, como um Partido marxista separado e distinto dos demais, expurgados do lastro oportunista pequeno-burgueses (mencheviques). Ali já se tem um Partido de novo Tipo, mas ainda é pendente a questão do nome científico que o corresponda: Partido Comunista. A luta de duas linhas contra o socialchauvinismo da II Internacional em sua bancarrota nos anos precedentes e durante a I Guerra Mundial; o Partido Bolchevique – após o triunfo – Partido Comunista da Rússia (bolchevique) – atua como Fração Vermelha do MCI e avança na cisão do socialismo internacional. Em 1917, a Grande Revolução Socialista de Outubro triunfa, constituição da III Internacional, a Internacional Comunista como Partido Mundial do Proletariado, do qual Lenin é sua primeira chefatura.

Do pensamento de Lenin ao leninismo não há uma muralha da China, e não se pode tampouco fazer uma separação do que é o pensamento lenin e que o pertence ao leninismo. Temos o caso onde a perspectiva se converteu em realidade.

Em respeito a isso, diremos que desde o primeiro momento o pensamento comunista desenvolveu-se em perspectiva para servir a necessidade de um novo desenvolvimento do marxismo, para resolver os novos problemas que foram colocados ante a revolução mundial, perspectiva que se converte em realidade: o marxismo-leninismo. Isso é cumprido através de múltiplos saltos qualitativos em meio à luta de classes nacional e internacional, e em meio à luta de duas linhas dentro do partido, até chegar ao momento de elevar o salto de qualidade, chegando à etapa superior, isto é, marxismo-leninismo, adquirindo, assim, em seu conjunto, validez universal.

Visto isso, a obra de Lenin é um todo integral. O pensamento de Lenin, passando diferentes e sucessivas etapas, seguindo seu próprio processo de desenvolvimento chegou ao leninismo, ao elevar-se, dando um grande salto qualitativo do marxismo, que significou um novo  desenvolvimento em cada uma de suas três partes integrantes e, portanto, em seu conjunto, elevando o marxismo a uma nova etapa, primeiramente por uma necessidade objetiva da luta de classes, que as condições particulares da Rússia, do início do século XX, se revelaram como as condições que se tornariam universais, com o surgimento do imperialismo, e a passagem completa da burguesia para a reação em todas as linhas.

Por isso, as questões surgidas durante o início da aplicação criadora do marxismo ás condições específicas da Rússia, e as geniais soluções de Lenin, como é no caso do Partido de Novo Tipo, entre muitos outros exemplos, significaram aportes de validez universal à Revolução Mundial, soluções de valor universal naquela época, que foram, então, incorporados ao tesouro geral do marxismo, como grande desenvolvimento  teórico das partes correspondentes.

Pela capacidade de Lenin, pela força do Partido Bolchevique que aderiu firmemente à sua liderança, seu pensamento guia eleva-se, direcionando o marxismo a uma nova etapa, tornando-se “-ismo”, significando sua validade universal, tornando-se a segunda etapa do desenvolvimento de nossa ideologia, o marxismo. Tal sistematização e definição como leninismo foi seguida pelo camarada Stalin, cujo nome é inseparável da chamada Lenin.


Notas

[1] É necessário sublinhar que não consideramos o camarada Thälmann como revisionista. Ele foi um fiel defensor do camarada Stalin, militante da Terceira Internacional, demonstrou grande valor e heroísmo entregando toda a sua vida a serviço da revolução proletária mundial. Ainda assim, ficou pequeno ante a necessidade histórica, não era o chefe que a classe necessitava, não soube aplicar com independência o marxismo-leninismo e sob sua direção o PCA assumiu uma série de posições de direita, é preciso investigar mais para concluir se constituía uma linha oportunista de direita estruturada ou não – este trabalho é parte do processo no qual nós, comunistas em formação na República Federal da Alemanha, estamos comprometidos na luta pela reconstituição de nosso Partido. Neste sentido, as críticas do camarada Alfred Hlahr são muito importantes para tomar em conta e nos dão boas pautas para seguir.

[2] Citamos amplamente o documento do PCP mesmo sabendo que muitos camaradas são familiares com ele, mas em questões de ciência a precisão e a exatidão são indispensáveis e, portanto, repetição se faz igualmente indispensável. Aos camaradas que não novatos no tema, recomendamos o estudo da Base de Unidade Partidária do PCP (composto pelos Documentos Fundamentais – que são Sobre o marxismo-leninismo-maoismo, Sobre o pensamento gonzalo e Programa e Estatutos – e a Linha Política Geral). O documento Sobre o pensamento gonzalo é o primeiro documento na história da revolução proletária mundial no qual fundamenta-se corretamente o processo que se plasma um pensamento guia em outro país além da China, por isso seu grande significado e relevância.

[3] Recordamos que o principal aporte do Presidente Gonzalo é ter definido o maoismo como a nova, terceira e superior etapa do proletariado internacional. Foi com o pensamento gonzalo que definiu-se que ser marxista hoje significa ser marxista-leninista-maoista. Será maoista principalmente absurdo esperar que cada pensamento guia dará semelhantes aportes ao tesouro do marxismo, em tal caso teríamos uma infinidade de “-ísmos”.

[4] Aos camaradas leitores que desejam uma visão sistemática em forma cronológica de como Lenin desenvolveu seu trabaho teórico, recomendamos o estudo da cronologia: A vida e obra de V.I. Lenin. Dados destacados, que está incluída nas Obras Completas de Lenin.

[5] Recordamos que a revolução de 1905 foi apenas uma revolta, mas abrange um período de três anos da mais intensa luta de classes, sua importância não se pode subestimar, como dizia o mesmo Lenin: “Sem os três anos de formidáveis combates de classes e de energia revolucionária despendida pelo proletariado russo de 1905 a 1907, teria sido impossível uma segunda revolução tão rápida, que cobriu seu estágio inicial em poucos dias”.

[6] Essa é uma razão – dentre muitíssimas – porque o sujeito Avakian é tão ridículo: publicou há uns anos uma “Constituição” de um “Estado” que somente existe em sua cabeça! Dizem os revisionistas ianques que o seu “presidente” (mais precisamente chamado de “profeta”) supostamente não é um hippie, mas de todas as maneiras parece que vive em um mundo cheio de elefantes cor de rosa.

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