As eleições do USA e o papel de Avakian (revista Internacional Comunista)

Tradução não-oficial enviada por um leitor. do documento emitido pela nova revista do Movimento Comunista Internacional, “Internacional Comunista”.

“[…]vocês dizem que o seu Estado é livre, quando na realidade, enquanto existir a propriedade privada, o Estado de vocês, embora seja uma república democrática, não é mais do que uma máquina em mãos dos capitalistas para reprimir os operários e, quanto mais livre o Estado for, com maior clareza isto se há de patentear. Exemplos disto são a Suíça, na Europa, e os Estados Unidos, na América. Em parte alguma domina o capital de forma tão cínica e implacável e em parte alguma a sua dominação é tão ostensiva como nestes países, apesar de se tratar de repúblicas democráticas, por muito belamente que as pintem e por muito que nelas se fale de democracia, do trabalho e de igualdade de todos os cidadãos. O fato é que na Suíça e nos EUA domina o capital, e qualquer tentativa dos operários por atingir a menor melhoria efetiva da sua situação provoca imediatamente a guerra civil. Nestes países há poucos soldados, um exército regular pequeno – a Suíça conta com uma milícia e todos os cidadãos suíços têm um fuzil na sua morada, enquanto, nos Estados Unidos, até há bem pouco, não existia um exército regular —, de modo que, quando estala uma greve, a burguesia arma-se, contrata soldados e reprime a greve; em nenhuma parte a repressão ao movimento operário é tão cruel e feroz como na Suíça e nos Estados Unidos e em nenhuma parte se manifesta com tanta força como nestes países a influência do capital sobre o Parlamento. A força do capital é tudo, a Bolsa é tudo, enquanto o Parlamento e as eleições não são mais do que bonecos, títeres…”1

Introdução

Em novembro, ocorre um grande evento na luta de classes internacional, as eleições presidenciais no USA imperialista, a única superpotência hegemônica. Este documento é dirigido principalmente aos comunistas e outros revolucionários de lá. Seu documento central, de forma negativa, é a Declaração de Bob Avakian de agosto de 2020, na qual ele clama para que votem em Joe Biden.

É claro que os companheiros nos Estados Unidos sabem do papel sombrio de Avakian e da necessidade do boicote, mas isso não muda a importância e a veracidade deste documento, ele aprofunda o que já é claro. Primeiro, devemos expor a posição do proletariado internacional, com sua ideologia, Marxismo-Leninismo-Maoismo, principalmente Maoismo, com as contribuições universalmente válidas do Presidente Gonzalo, a serviço da revolução proletária mundial, para combater de forma irreconciliável o oportunismo e o revisionismo. A citação seguinte é uma síntese bem sucedida de nossa ideologia em relação ao circo eleitoral dos imperialistas e deve ser uma resposta às questões fundamentais.

A violência revolucionária e o cretinismo parlamentar constituem uma contradição antagônica, e evidentemente uma questão fundamental do Marxismo

“A violência revolucionária e o cretinismo parlamentar compreendem uma contradição antagônica e, evidentemente, uma questão fundamental do marxismo. Marx falou da violência como parteira da história e, no Manifesto, juntamente com Engels, ele expôs: “Os comunistas desdenham de esconder seus pontos de vista e objetivos. Eles declaram abertamente que seus fins só podem ser alcançados pela derrubada violenta de todas as condições sociais existentes. Que as classes dirigentes tremam com uma revolução comunista. Os proletários não têm nada a perder a não ser suas correntes. Eles têm um mundo a vencer. Proletários de todo o mundo, uni-vos!”

Da mesma forma, Lênin escreveu: “Nenhuma revolução significativa na história se realizou sem uma guerra civil. Nenhum marxista sério conceberia a transição do capitalismo para o socialismo sem uma guerra civil”. Ele reiterou o seguinte: “Entre capitalismo e socialismo haverá um longo período de ‘dores do parto’, porque a violência é sempre a parteira da velha sociedade”, e que o estado burguês “não pode ser substituído pelo estado proletário (pela ditadura do proletariado) através da ‘extinção’, mas apenas, como regra geral, por meio de uma revolução violenta”. Da mesma forma, ele insistiu na “necessidade de educar sistematicamente as massas sobre isto, justamente porque esta idéia sobre a violência revolucionária é básica para toda a doutrina de Marx e Engels”.

Na mesma linha, o ponto de partida do Presidente Mao, que “todos os comunistas devem entender esta verdade de que o poder político cresce a partir do cano do fuzil”, estabelecendo que “… nas sociedades de classe as revoluções e a guerra revolucionária são inevitáveis. Sem eles não haveria saltos no desenvolvimento social e as classes reacionárias dominantes não poderiam ser derrubadas nem o povo conquistaria o poder político… A tarefa central e a forma superior de uma revolução é a tomada do poder através das armas, a solução do problema através da guerra. Este princípio marxista-leninista de revolução tem validade universal, tanto na China como em outros países”. E “a experiência da luta de classes na era do imperialismo nos ensina que somente através do poder das armas a classe trabalhadora e as massas trabalhadoras podem derrubar a burguesia e os proprietários armados”. Neste sentido, podemos dizer que somente através das armas o mundo inteiro pode ser transformado”.

Com respeito ao cretinismo parlamentar condenado por Marx, Lênin foi muito claro: “os seguidores de Bernstein aceitaram e continuam a aceitar o marxismo, com exceção de seu aspecto diretamente revolucionário”. Eles vêem a luta parlamentar não como um dos métodos de luta utilizados particularmente em alguns períodos da história, mas como a principal e quase exclusiva forma de luta, o que torna desnecessária a ‘violência’, a ‘tomada do poder’ e a ‘ditadura'”. E: “Só os canalhas e os tolos podem acreditar que o proletariado deve primeiro conquistar a maioria nas votações realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada, e que só depois deve conquistar o Poder. Isto é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia, isto é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o velho regime, sob o velho Poder”. E: “Isto já é o mais vil oportunismo, já é renunciar de fato à revolução acatando-a de palavra.”.

Ligado a esta contradição, devemos ter em mente a posição de Marx nas eleições, como citado anteriormente, sobre a permissão periódica dos oprimidos para eleger seus opressores, e principalmente a posição do Presidente Mao: “Alguns dizem que as eleições são algo muito bom e muito democrático. No que me diz respeito, eleições são simplesmente uma palavra que soa muito bem e não acredito que haja eleições genuínas. O Distrito de Pequim me elegeu para servir como representante da Assembléia Nacional Popular, mas quantos em Pequim realmente me entendem? Percebo que Chou En-lai foi nomeado primeiro-ministro pelo Comitê Central.””2

O imperialismo, como Lênin corretamente apontou, é 1. capitalismo monopolista; 2. capitalismo parasitário ou podre; 3. capitalismo moribundo; a época do capital financeiro e dos monopólios, que em toda parte carregam o impulso para a dominação e não para a liberdade; a reação em toda a linha, sob qualquer sistema político, é a intensificação extrema das contradições também neste campo – este é o resultado desta tendência. E é precisamente por isso que as massas nada mais têm a esperar das eleições da burguesia do que mais opressão, mais sofrimento e mais terror; elas são apenas um instrumento dos opressores para legitimar seu poder condenado.

Pois estamos vivendo, como definiu o presidente Mao, na “época de 50 a 100 anos” em que o imperialismo será varrido da face da terra de uma vez por todas, assim como estamos na ofensiva estratégica da revolução proletária mundial, iniciada com a Guerra Popular no Peru, e que nos trará muitas novas Guerras Populares, iniciadas pelos Partidos Comunistas a serem constituídos ou reconstituídos nos respectivos países, para culminar finalmente na Guerra Popular mundial. Portanto, as massas nada têm a esperar das eleições da burguesia, nada de bom vem delas para o proletariado e o povo, são meios para substituir os antigos representantes reacionários por novos representantes dos opressores no governo; o atual desenvolvimento desigual da situação revolucionária no USA determina ali a política, estratégia e tática do proletariado e seu partido; isto significa que os comunistas devem conduzir o proletariado e as massas no caminho da reconstituição do Partido Comunista e da revolução socialista através da Guerra Popular. Estas eleições são meramente um instrumento dos opressores para dar aparente legitimidade ao seu poder. Os proletários não têm nada a perder, e a resposta às eleições burguesas só pode ser o boicote, mas o boicote de eleições reacionárias é mais do que apenas a não participação nas eleições; é uma tática a serviço da estratégia do proletariado internacional.

“Boicote ativo” é […] agitação, propaganda, organização das forças revolucionárias em maior escala, com energia dobrada, sob tripla pressão. Mas tal trabalho é impensável sem uma consigna clara, precisa e direta. Tal consigna só pode ser a da revolução armada. Quando algumas pessoas dizem agora que as eleições devem ser usadas por nós como um palco para agitação e propaganda entre as massas, nós dizemos a elas: “Vocês estão certos! Sob a forma de boicote eleitoral!”.

Esta é a única maneira pela qual os comunistas podem utilizar as eleições burguesas para servir seu objetivo, a tomada do poder pelo proletariado. Não se trata principalmente de aumentar o número de votos brancos e nulos; este não pode ser o objetivo do boicote, pois só isso não é uma ruptura com o cretinismo parlamentar, assim como clamar por votos num partido de forma “satírica” ou “de brincadeira” também não é uma ruptura com o cretinismo parlamentar. A única expressão disto é que se discorda da “escolha” que se tem, mas na verdade se concorda com as eleições burguesas e com o que elas representam. O objetivo dos revolucionários proletários deve ser afirmar a sensação das massas de que as eleições burguesas são uma farsa e elevar sua consciência disso, destruindo assim as ilusões residuais no estado burguês e criando algo novo através da politização, mobilização e organização das massas. Assim, neste aspecto, o boicote eleitoral une os dois lados da destruição e construção da guerra, sendo este último o principal, e educa as massas sobre a questão da violência revolucionária.”.3

Com relação ao boicote, o Partido Comunista do Peru estabeleceu que: “O Partido Comunista do Peru só pediu um boicote nas últimas eleições para torná-las mais difíceis e para evitá-las onde isso for possível, mas não para impedir todo o processo eleitoral. Como a reação têm dito, tentou-se culpar o partido para conseguir uma falsa vitória, na ausência de vitórias reais; mas a principal tendência histórica é a fusão da Guerra Popular liderada pelo partido com a grande maré de milhões de eleitores que não se registraram, não votaram ou votaram em branco; esta maré é a que o partido vem estruturando como parte do mar de massas armadas, que tem que varrer, em todo caso, a velha ordem de exploração e opressão.”.4

Vemos que os companheiros nos Estados Unidos estão aplicando esta linha, e isso é bom, e por isso esta prática mostrará cada vez mais a justeza do boicote eleitoral, pelo qual nunca se deve esquecer que a construção, a elevação da consciência das massas, é principal.

Nem toda violência e reação é fascismo

Esta é a posição do proletariado internacional, mas como é que os chamados “comunistas revolucionários”, Avakian e seus seguidores, vêem isso?

“O regime de Trump/Pence é um Regime Fascista”. Não é um insulto ou exagero, isto é o que é. Para o futuro da humanidade e do planeta, nós, o povo, devemos expulsar este regime.”.5

Em primeiro lugar, deixemos claro que Trump é arquirreacionário e tem liderado um governo ainda mais reacionário que o de seus antecessores, mas isto está na natureza do imperialismo e é uma expressão do processo de reacionarização do Estado burguês, mas se Biden formar um novo governo, ele será igualmente mais reacionário que o anterior. Isto é demonstrado pelo desenvolvimento histórico da contradição entre revolução e contrarrevolução.

Trump não é um fascista, nem toda violência é fascismo; enquanto o fascismo recorre à violência aberta, tal violência nem sempre pode ser identificada enquanto fascismo, já que o próprio estado burguês é nada além de violência organizada. O que Trump fez foi continuar o que os governos anteriores de ambos os partidos fizeram: centralizar mais poder no presidente (absolutismo presidencial), fortalecer o poder do Executivo, da alta burocracia do Estado e das forças armadas imperialistas em detrimento do parlamento (crise do parlamentarismo), reação do Estado correspondente à crise geral do imperialismo.

Trata-se aqui da reação do Estado em uma formação sócio-histórica concreta, como o USA, que chegou à fase do imperialismo e está incluso em uma decomposição maior como a única superpotência hegemônica, que, após décadas, entrou no longo processo de afogamento dos impérios. Necessariamente, devemos abordar o tema das chamadas “milícias”, tão divulgadas na mídia atual, por exercerem as formas mais abertas e brutais de violência reacionária contra os atuais protestos das massas do USA, cujo verdadeiro caráter Lênin estabeleceu na palestra da Universidade de Sverdlov sobre o Estado, com outras palavras, mas com o exato sentimento das forças auxiliares do exército e da polícia por reprimir os explorados, abordaremos este ponto antes de prosseguir.

As milícias – forças auxiliares do exército e da polícia para reprimir os explorados

A Segunda Emenda da Constituição do USA declara: “Uma milícia bem regulamentada, sendo necessária à segurança de um Estado livre, o direito do povo de manter e portar armas, não deve ser infringido”. Devido à decisão da Suprema Corte (Distrito de Columbia contra Heller, 2008), as milícias não são revogadas pela Guarda Nacional ou pelas Forças de Defesa do Estado. É por isso que as milícias não podem ser vistas como ilegais ou antidemocráticas, mas como uma questão chave constitucional “necessária”, fiel ao Estado, defensores da democracia burguesa (se pegarem em armas em nome da lei e da ordem), correspondente ao sistema legal do USA . É para manter o que o PCP expôs em sua Linha Internacional:

“[…] O USA tem uma economia centrada no monopólio de propriedades não-estatais; politicamente, desdobra uma democracia burguesa com uma crescente restrição de direitos. É um liberalismo reacionário;[…]”6 Isto continua a ser verdade. É particularmente importante no contexto internacional, onde grupos de milícias estadunidenses são freqüentemente equiparados aos “Camisas Negras” italianos ou as “Sturmabteilung” alemãs, o que é profundamente errado.

Entre os abundantes grupos de milícias (com cerca de 50 a 75 mil membros) existem muitos reacionários, nacionalistas e racistas, mas nem todos os reacionários, nacionalistas ou racistas são inevitavelmente fascistas, nem sua forma de organização [necessariamente é fascista].

Um famoso grupo reacionário obstinado e terrivelmente brutal, o Ku Klux Klan, fundado após a derrota dos Dixie na Guerra Civil estadunidense, surgiu em uma organização anti-negra, anticatólica e antijudaica no início do século 20, e hoje dividido em vários grupos de fragmentação menores é chamado até mesmo pela Liga Anti-Difamação de “supremacia branca” (ADL: “Tattered Robes”, 2016), e não [é chamado de] fascista. Apenas algumas milícias podem ser consideradas como literalmente fascistas. A mídia burguesa, além de revisionistas e oportunistas, rotulam a maioria das milícias como fascistas. Elas não são paramilitares, senão tropas auxiliares da polícia, defensores da ditadura burguesa contra as revoltas das massas. O próprio Trump é indiferente ao apoio destas poucas milícias fascistas, sua ambiguidade é uma manobra eleitoral. E embora ele seja apoiado por eles, isto não significa que ele mesmo seja um fascista. É notável que os governantes burgueses não preferem o fascismo, e sim a democracia burguesa, porque o fascismo aguça as contradições e é menos calmo. As condições, sob o fascismo, são mais desafiadoras para a classe dominante e eles tentarão massacrar a revolução de qualquer maneira, com ou sem fascismo. O fascismo não é a única maneira de travar uma guerra contrarrevolucionária. A centralização absoluta toma forma em duas formas: o absolutismo presidencial e o fascismo. Uma destas duas formas pode ser aplicada por reação em relação às especificidades sociais e históricas concretas do país. Como pensou Lênin:

“[…] e em nenhum lugar esta supressão do movimento operário é acompanhada de uma severidade tão implacável como na Suíça e nos EUA […]”7

A posição de Trump e do revisionista Bob Avakian

Prossigamos: Trump não se declara inimigo do parlamento, nem das outras instituições da democracia burguesa como os partidos e as chamadas “liberdades individuais”, mas proclama defendê-las, acusando os governadores do Partido Democrata de subjugá-los com as medidas da “corona-quarentena”. Trump e o Partido Republicano não defendem uma reestruturação orgânica da sociedade (corporativismo); Trump é tão adepto do sistema representativo quanto seu rival Biden; de acordo com este sistema, os representantes são eleitos por cidadãos que têm diferentes interesses conflitantes; Este não é o caso na organização corporativista, onde os órgãos do Estado, como a câmara legislativa, são compostos por membros que vêm dos diferentes estratos da nação ou comunidade liderados pelo Führer ou Duce, como intérprete fiel da vontade da “comunidade do povo” ou da “nação”; Portanto, seus membros são designados de acordo com o sistema de participação, provenientes do Estado, da empresa e dos trabalhadores (sistema de participação corporativa) e organizados no partido fascista, que pode ter nomes diferentes, ao lado do qual muitas vezes existem outros partidos, mas apenas no nome. O fascismo procura “suprimir a luta de classes e os partidos”, não apenas o Partido Comunista, mas também os partidos demo-burgueses.

No caso de Trump, ele se apresenta como um defensor da liberdade do indivíduo e demagogicamente exige “menos estado”, o que significa menos impostos para os grandes monopolistas. Ser um chauvinista e usar violência reacionária não faz de nenhum reacionário um fascista. Todos os reacionários, oportunistas e revisionistas são chauvinistas, esforçando-se para defender sua nação imperialista.

No caso da Avakian, ele não parte do ponto de vista de classe do proletariado, mas do ponto de vista burguês. Através das eleições ele quer defender a democracia supostamente ameaçada, a democracia burguesa, que nada mais é do que a forma atual de governo da ditadura da burguesia. É por isso que ele aponta Trump como o principal inimigo do povo e não para o imperialismo e seu sistema de ditadura de classe. Para ele, como representante da política oportunista em relação às eleições, é necessário escolher entre “o mal maior e o mal menor”, por isso ele apela para que todos se unam votando contra o inimigo comum, indo às urnas. É o mesmo objetivo reacionário de ter um futuro presidente “legitimado” por um voto maior. Esse é o talismã da votação. Como o rei da França, que foi um príncipe nomeado por seus pares reunidos em um colégio eleitoral através do voto, tornando-se assim rei da França pela graça divina.

A tendência de reacionarização do Estado

Marx já nos mostrou que o desenvolvimento do sistema burguês leva ao fortalecimento do executivo e das forças armadas, de modo que o poder do parlamento é enfraquecido. Após a Primeira Guerra Mundial, ocorreu a crise do parlamentarismo e da democracia burguesa, que continuara durante todo o século 20. A partir da década de 1980, o imperialismo entra em sua crise geral e final e sua varredura pela revolução mundial. Uma maior reação do Estado burguês, correspondente às relações econômicas e políticas que se desenvolvem através do processo de decomposição do imperialismo.

A história tem mostrado, desde o início da ofensiva da revolução proletária mundial, ou seja, desde o início dos anos 80, que todo governo é mais reacionário que seu antecessor, independentemente do partido a que pertença, seja nas nações oprimidas ou nos países imperialistas. O imperialismo, a cada dia que passa, é mais monopolista, mais parasitário e mais moribundo; todas as contradições estão se acentuando; as contradições entre opressores e oprimidos, entre exploradores e explorados, estão se intensificando, o que está provocando cada vez mais reação e terror dos governantes, em defesa de seu poder condenado à morte. Maior conluio e luta internacional, que se expressa numa profunda divisão da vida política estadunidense, entre o executivo e o parlamento, o que impede a resposta oportuna do governo imperialista às situações complicadas que tem que enfrentar, o que leva os que estão lá em cima à situação de não poder governar como antes.

A crescente rebelião do povo que a classe dominante, através de sua ditadura de classe (estado burguês), tem que esmagar o povo diariamente, recorrendo a leis mais repressivas que negam os direitos e liberdades conquistados pela classe e pelo povo, e recorrendo cada vez mais às forças armadas e à polícia para esmagá-los com sangue. O imperialismo está se afundando em meio a um sistema complexo de guerras de todos os tipos, está ficando cada vez mais atolado em guerras de agressão contra as nações oprimidas. Por todas as razões acima, o que foi um recurso extraordinário nas décadas anteriores, a partir dos anos 80 e especialmente neste século, é cada vez mais recorrido à possibilidade de governar por decreto presidencial, se o legislativo não consegue alcançar a unidade em certos pontos, então o presidente pode emitir leis por decreto – promovendo o absolutismo do presidente e não importando se ele é um democrata ou um republicano. O governo de Obama dos Democratas foi mais progressista do que o governo republicano de George W. Bush? Não, é claro que não.

Para as pessoas negras, a “probabilidade” de ser assassinada pelo Estado é quase três vezes maior do que para as brancas, para os cidadãos de ascendência hispânica ainda é quase o dobro8 – entre os governos democrata e republicano. Embora o número de assassinatos pelo Estado varie muito de ano para ano, em média eles são semelhantes, com uma tendência geral ascendente, assim como esperado com a reacionarização crescente.

O número de presos também não mudou muito, com referência às prisões federais e estaduais, flutuou entre 1,4 e 1,6 milhões desde 2001, a última mudança significativa nas estatísticas ocorreu no período 1990-2000, nestes dez anos o número de presos aumentou de pouco menos de 776,00 para 1,4 milhões9, de 1993-2001 o cargo de presidente foi ocupado pelo democrata Bill Clinton. Aqui o chauvinismo e o racismo do Estado imperialista do USA, especialmente seu sistema judicial, é ainda mais visível: em termos percentuais, quase seis vezes mais negros e quase três vezes mais hispânicos são presos em comparação com os brancos.10

Tudo isso faz parte da reação do Estado e da guerra contra o povo estadunidense, lançada oficialmente em 1972 sob o pretexto da “guerra contra as drogas”, contra as drogas que o FBI, a CIA e outros trouxeram para os bairros da classe trabalhadora para sabotar e minar as lutas das massas, especialmente dos negros, enquanto os lucros de seu genocídio contra o povo serviram para financiar seus lacaios nas nações oprimidas em seu terror contra o povo (“Caso Irã-Contras”).

A escravidão é a raiz histórica da segregação do povo negro – Segregação que sobrevive na economia e particularmente na superestrutura dos EUA

A escravidão é a origem do poderoso desenvolvimento do capitalismo no USA, Marx ressaltou que sem os escravos trazidos da África, o desenvolvimento do capitalismo no USA e, portanto, do capitalismo no mundo não pode ser explicado. Ou seja, sem a exploração do trabalho escravo, o imperialismo ianque não teria seguido o caminho para se tornar a única superpotência imperialista hegemônica. É neste fato inegável do desenvolvimento da base econômica capitalista nos Estados Unidos que encontramos a raiz histórica da segregação contínua do povo negro na economia e especialmente na superestrutura, como Lênin tão corretamente apontou:

O USA, escreve o Sr. Guimmer, “nunca conheceu o feudalismo e está livre de seus aspectos econômicos sobreviventes” (p. 41 do artigo mencionado). Afirmação absolutamente contrária à verdade, pois as sobrevivências econômicas do escravismo não se distinguem em nada das do feudalismo, e são ainda mais fortes, até o presente, no antigo Sul escravista dos Estados Unidos. Não valeria a pena deter-se no erro do Sr. Guimmer se fosse possível considerá-lo como um mero erro de um artigo escrito às pressas. Mas a literatura liberal e a literatura populista da Rússia provam que, no tocante ao sistema russo de pagamento em trabalho (nossa sobrevivência do feudalismo), comete-se sistematicamente um “erro” absolutamente idêntico e com uma extraordinária persistência.

O Sul dos Estados Unidos foi escravista até que a guerra civil de 1861 – 1865 extinguisse a escravidão. Até o presente, o número de negros, que não ultrapassa 0,7 a 2,2% da população das regiões Norte e Oeste, representa no Sul 22,6 a 33,7% do total da população. A proporção de negros é de 10,7% para o conjunto dos Estados Unidos. È inútil falar da situação degradante a que são submetidos: sob este aspecto, a burguesia americana não é melhor que a de outros países. Após haver “libertado” os negros, ela se esforçou, com base no capitalismo “livre” e republicano-democrático, por restabelecer tudo o que fosse possível ser restabelecido, por fazer o possível e o impossível para oprimir os negros da maneira mais descarada e vil. Para caracterizar seu nível cultural, basta mencionar um pequeno fato estatístico. Enquanto o número de analfabetos entre a população branca dos Estados Unidos (com idade acima de 10 anos) elevava-se, em 1900, a 6,2% da população, para os negros esta percentagem era de 44%!! Superior em mais de sete vezes!! No Norte e no Oeste, existiam 4 a 6% de analfabetos (em 1900); no Sul, 22,9 a 23,9%!! É fácil imaginar o complexo de relações jurídicas e sociais correspondente a este vergonhoso fato pertencente ao domínio da instrução pública.

Sobre que base econômica cresceu e repousa esta simpática “superestrutura”?

Sobre uma base tipicamente russa, cem por cento russa, a do sistema de pagamento em trabalho ou, mais precisamente, da parceria. […]

Mas isto não é tudo. Não tratamos aqui de arrendatários no sentido europeu, civilizado, capitalista e moderno da palavra. Estamos, sobretudo na presença de parceiros ou de uma espécie de semi-escravos, o que é a mesma coisa do ponto de vista económico. No Oeste “livre”, os parceiros constituem minoria entre os arrendatários (25.000 em 53.000). No velho Norte, há muito povoado, em 766.000 arrendatários, 483.000 são parceiros, ou seja, 63%. No Sul, em 1.537.000 arrendatários, é possível enumerar 1.021.000 parceiros, isto é, 66%. […]

Para caracterizar o Sul, é preciso acrescentar ainda que sua população o abandona para dirigir-se a outras regiões capitalistas e às cidades, da mesma forma que, na Rússia, o campesinato foge das províncias agrícolas do Centro, as mais atrasadas e onde as sobrevivências da servidão são ainda muito fortes […] Os imigrantes que vêm para a América, e que desempenham um papel tão importante na economia do país e em toda a sua vida social, evitam o Sul. […] O isolamento, a falta de cultura, a falia de ar fresco, uma espécie de prisão para os negros “libertados”: tal é o Sul americano. […]

A semelhança da situação dos negros na América e dos camponeses “ex-servos de latifundiários” no centro da Rússia agrícola é verdadeiramente surpreendente.”11

Esta situação do povo negro nos Estados Unidos, à qual devemos acrescentar os milhões de camponeses imigrantes latino-americanos naquele país, tem sido mantida variando as formas da situação de semi-feudalismo em que vivem. Um discurso do senador Paul Hdouglas em 13 de dezembro de 1958 afirma:

Que a América em meados do século é um país surpreendentemente rico – é o país mais rico do mundo (…) e dois milhões de pessoas vivem aqui em tal pobreza, que eles só podem ser comparados aos servos da gleba da época do feudalismo, além do mais, é que eles não pertencem a lugar algum. Seu deslocamento perpétuo de um lugar para outro é sua tragédia. Pois estas pessoas têm que ir de um lugar para outro e não têm nada que possam chamar de lar. Estes nômades, que vão de um lugar para outro em nosso país, têm apenas a esperança de escapar da morte pela fome (…) e se tiverem que trabalhar duro e por muito tempo só para poder manter a vida miserável…”.

E quem são essas pessoas, que estão tão famintas e desesperadas? Eles são os trabalhadores agrícolas americanos e suas condições de vida não correspondem às de um país desenvolvido. Estima-se que existem dois milhões deles; mais de um terço deles são americanos de nascimento e a maioria deles são negros (…) Uma comissão para os trabalhadores da colheita foi formada pelo Presidente Eisenhower em 1950 (…) essa comissão publicou um relatório completo sobre esse problema (…) em 26 de março de 1953 (…) Mas a análise e as conclusões da comissão são exatamente tão válidas agora como eram então (isto foi dito neste livro que foi publicado em 1967)”.

Vejamos um pouco do que a Comissão disse:

“A Comissão estima que os trabalhadores da colheita constituem 7% dos trabalhadores rurais nos Estados Unidos, embora realizem apenas 5% da mão-de-obra rural (…) É por isso que o trabalho dos trabalhadores da colheita não pode ser considerado insignificante (…) Os trabalhadores da colheita nos confrontam com um problema humano e nós não podemos ignorá-lo”.

Um representante do Congresso do Sudoeste descreveu o sistema, segundo o qual os trabalhadores da colheita são empregados, como a seguir: “Durante séculos eles nos pertenceram como escravos – e hoje nós os alugamos.”.12

Posteriormente, a Lei de Direitos Civis foi aprovada pelo decreto presidencial nº 8802, que se diz ser o passo mais importante para melhorar a situação do povo negro. Mas desde a adoção formal da Lei dos Direitos do Povo Negro, podemos dizer, como foi dito no “Hot Autumn 1967”, que: “Depois de mais de 300 anos de opressão, o povo negro ainda tem que lutar por seus direitos, que de acordo com a lei lhes são devidos há muito tempo”. Hoje, 155 anos após a abolição da escravatura, embora modificada como consequência da luta do povo negro, as condições econômicas, sociais e superestruturais de que Lênin falava em seu trabalho de 1915 ainda existem, e a luta de mais de 40 milhões do povo negro por seus direitos continua.

Essa é a origem histórica da atual situação de opressão do povo negro no USA, e a necessidade de liderar suas lutas contra esta situação, a partir da luta diária contra a maior exploração e opressão a que estão sujeitos, pois se não lutarem pela defesa das conquistas e dos direitos, sua situação se agravará e cairá ainda mais abaixo do que eles estão, mas acima de tudo, para realizar esta guerra de guerrilha desta parte das massas mais profundas e amplas, a fim de levá-las à luta política pelo Partido Comunista e o início da Guerra Popular, pois somente varrendo as raízes do imperialismo nos Estados Unidos e desenvolvendo a revolução socialista, será possível conquistar a liberdade do povo negro. Também ali, o proletariado, ao se libertar, libertará todos os outros explorados e oprimidos pelo imperialismo. Não se deve esquecer que uma grande parte do proletariado no USA vem do povo negro e dos imigrantes, especialmente “hispânicos”. Que junto com o movimento de mulheres elas constituem as massas mais amplas e profundas que o Partido deve levantar na poderosa Guerra Popular para fazer a revolução socialista. Pretende-se desviar tanto o proletariado quanto o povo negro deste caminho – esta tarefa é realizada pelo oportunismo e pelo revisionismo do USA – exibido pela chamada de Avakian para uni-los no carro eleitoreiro, para substituir as autoridades reacionárias, com a velha história de eleger o candidato “menos pior”, o representante de uma das frações do imperialismo, Biden.

Continuando com a reacionarização do Estado, vejamos agora a guerra imperialista de agressão pela repartição dos espólios, que compreendem as nações oprimidas, sempre entre a conivência e a contenda imperialista, recordemos a Síria e a Ucrânia ou a guerra de drones de Obama, na chamada “guerra contra o terrorismo internacional”. De janeiro de 2009 a janeiro de 2017, os militares americanos realizaram pelo menos 1878 ataques com drones13 , cada um deles teve que ser aprovado pela assinatura de Obama. Embora a porcentagem oficialmente publicada de mortos chamados “civis” seja baixa, não podemos aceitar esta distinção entre “alvos” e “civis”, estas são categorias dos imperialistas para legitimar seu terror, e seus assassinatos. Quem quer que seja um combatente da liberdade para os imperialistas hoje já é um “terrorista” amanhã, basta olhar para a situação do Talibã ao longo das décadas. Além disso, são aplicadas regras diferentes para travar uma guerra contra o “terror” do que em conflitos internacionais armados envolvendo pelo menos dois Estados. Na guerra contra o “terror” não há direitos para os prisioneiros de guerra ou proteção especial de não combatentes e nenhum observador internacional – estes fatos e milhares de outros semelhantes mostram a verdade que a burguesia procura em vão esconder, isto é, que nas repúblicas mais democráticas imperam de fato o terror e a ditadura da burguesia, que se manifestam abertamente sempre que começa a aparecer aos exploradores que o poder do capital vacila.14 Isto prova a justeza da definição da tendência do estado reacionário, esta é a tendência que Trump encarna, esta é a tendência que Obama encarnou diante dele e esta é a tendência que seu sucessor e os sucessores seguintes, etc. encarnarão até que o poder dos imperialistas seja derrubado.

Mais uma vez, devemos perguntar aos Avakianitas, qual é a diferença entre os representantes das duas frações imperialistas? Para nós, [a diferença está] na forma diferente na qual o governo do momento deve reagir aos sucessivos fracassos do imperialismo em suas guerras de agressão. Hoje, como vemos, Trump se apresenta como uma pomba da paz diante dos eleitores e aponta para os democratas por suas intrigas nas “guerras sem fim no exterior”. Mas o que acontece é que os imperialistas ianques têm que recorrer à priorização da guerra de agressão no Oriente Médio Ampliado, através dos concorrentes de terceiros, suas forças lacaios na região, como uma guerra entre sunitas e xiitas, cujo objetivo é o mesmo para ambas as frações imperialistas, para recuperar o Irã. Assim, eles estão tentando diminuir a tensão com a superpotência atômica Rússia neste cenário, para avançar de outra forma em sua agressão, sem a ameaça de um confronto direto com a Rússia.

O Revisionismo não é ignorante

Não é como se Avakian fosse estúpido e não soubesse de nada disso, mas devido à sua função de fantoche de uma fração da burguesia, Avakian está pedindo uma frente antifascista com essa mesma fração da burguesia para acorrentar as massas às eleições, para dissuadir as massas da revolução e usar meios pacíficos para combater o chamado regime Trump/Pence. Ele é supostamente da opinião que as próximas eleições são cruciais para o povo americano, mas ele não pode explicar o que torna estas eleições diferentes de todas as outras, ao contrário dos verdadeiros comunistas, porque estas eleições são de fato cruciais – cruciais para os imperialistas. Em vista de sua futura decadência, que é expressa de forma concentrada nas políticas imperialistas ianques, eles precisam de um presidente que seja abençoado ou “legitimado” pelo maior número de eleitores nas urnas.

Avakian prega: “Nesta hora crítica, todos os meios apropriados de ação não-violenta devem ser utilizados para remover este regime do poder. E se, apesar do protesto em massa exigindo a remoção do regime Trump/Pence, este regime permanecer no poder quando chegar a hora de votar, então – sem colocar uma confiança fundamental neste – [deve-se] usar todos os meios apropriados para trabalhar pela remoção deste regime, [devendo-se] incluir o voto contra o Trump (assumindo que a eleição seja realmente realizada). Para ser claro, isto significa não um “voto de protesto” para algum candidato que não tem nenhuma chance de vencer, mas realmente votar no candidato do Partido Democrata, Biden, a fim de votar efetivamente contra Trump.

Isto não é porque Biden (e o Partido Democrata em geral) se tornaram de repente algo diferente do que são: representantes e instrumentos deste sistema explorador, opressivo e literalmente assassino do capitalismo-imperialismo. O processo eleitoral continua a ser o que nós o chamamos de BEB (Bourgeois Electoral Bullshit, Merda Eleitoreira da Burguesia, em tradução livre). Continua sendo o caso que nenhuma mudança fundamental positiva pode ocorrrer através deste processo eleitoral, e que, em geral e em geral, a votação sob este sistema serve para reforçar este sistema, especialmente se a votação for vista como uma forma – e mais ainda se for vista como a (única) forma – de provocar mudanças significativas. Mas esta eleição é diferente“.15

Como ele mesmo diz, o voto serve para legitimar o sistema, e sim, estas eleições, como é dito antes, são diferentes, o imperialismo está em uma crise ainda mais profunda, eles precisam de um novo governo “legítimo” através da maior participação possível, não importando quem. Essa é a natureza do imperialismo, e isso não muda nada para os revolucionários. O imperialismo é e continuará sendo o sistema global, a forma de governo é a ditadura da burguesia, e a principal contradição nos Estados Unidos é e continuará sendo aquela entre a burguesia e o proletariado, e mesmo que a forma de governo mudasse da “república presidencial” para o fascismo, o que não ocorreu sob Trump e supostamente não ocorrerá. De fato, isto irá tornar a revolução mais difícil, mas não mudará a necessidade desta e do boicote eleitoral. Esta situação pode ser bem comparada com a velha Europa, onde o Podemos, AFD, Movimento 5 Estrelas e também Syriza (embora a situação na Grécia seja especial) e todos eles estão fazendo grandes promessas e nada muda, exceto que a participação dos eleitores aumenta um pouco. É este o objetivo: arrastar as massas para as urnas como gado para o abate. Isto é o que os revisionistas estão fazendo, eles estão tentando amarrar as massas às eleições.

Como os Maoistas apontam correta e justamente nas próprias entranhas do monstro: “Avakian, sendo o rato revisionista que é, esqueceu o princípio fundamental do marxismo, de que rebelar-se é justo. Ele não só mergulhou de cabeça no esgoto do eleitoralismo, mas também lançou apelos para uma “ação não-violenta”. As massas que fazem história não entram nem para votar nem para a não-violência, como o baixo comparecimento dos eleitores e os Levantes de Maio já confirmaram. Quanto maior a marcha, menos eleitores estão presentes e mais evidentes tornam-se as expressões violentas da fúria do povo. Avakian nunca esteve em contato com o povo e não tem capacidade de medir o estado de ânimo das massas. Para os Maoistas, a violência revolucionária é uma lei imutável da história e é sempre correto rebelar-se contra a reação. É a rejeição da Avakian a estes princípios e sua falta de interesse pelas massas que o convence a endossar Biden, a quem ele proclama abertamente um imperialista, sempre apelando para o uso de “ações não-violentas apropriadas”.16

Os democratas querem e têm que ser generais capitalistas ideais

O próprio Avakian, da maneira como Lênin fez questão de enfatizar que é difícil pegar um oportunista, porque eles sempre agem como uma cobra, rastejando entre diferentes argumentos, sempre procurando o mais útil [dos argumentos], diz que Biden não é bom e que ele realmente não é melhor que Trump. Avakian está fazendo algo particularmente inteligente e muito pérfido, ele se gera como o crítico mais agudo do sistema de governo e eleições em geral e de Joe Biden explicitamente, e depois clama por sua eleição, e quando mesmo ele, fazendo a crítica mais aguçada a isso, quando “comunistas revolucionários” chamam para votar, quem mais poderia falar contra isso? Isto não é um erro nem ignorância; ao contrário de Trump, Biden não é uma folha em branco na política do USA.

Biden defendeu infamemente o projeto de lei do crime de 1994, que foi citado como o pontapé inicial da era do encarceramento em massa. Como presidente da comissão judiciária do Senado, ele elaborou o projeto de lei e, em um discurso no Senado, Biden disse: “Um passo é “você deve retomar as ruas” e você retoma as ruas com: mais policiais, mais prisões, mais proteções físicas para o povo”. A história mostra que os imperialistas simplesmente voltam para varrer as bagunças que criaram da primeira vez bem debaixo do tapete“.17

Esta “lei do crime” é a principal razão para o salto acima mencionado no número de detentos durante o reinado de Bill Clinton, tornando seu apoio ostensivo aos protestos negros nos Estados Unidos ainda mais hipócrita, como os camaradas de lá a descrevem:

Joe Biden recentemente se viu debaixo de críticas flamejantes, por comentários que fez ao aparecer num episódio de 22 de maio do programa de rádio ‘The Breakfast Club’ (O Clube do Café da Manhã) de Nova Iorque, no qual ele disse: “se você tem dificuldades em decidir entre mim e Trump, então você não é negro de verdade.“.

Apesar da aproximação da próxima eleição presidencial, Biden tem lutado para manter visibilidade e relevância, especialmente durante os últimos meses de aprofundamento da crise imperialista em meio ao surto do coronavírus. Desde 2016, políticos do Partido Democrata têm feito aparições regulares no ‘The Breakfast Club’ para apelar ao público negro mais jovem do programa, numa tentativa de ganhar votos e um falso senso de legitimidade, retratando-se como campeões dos oprimidos. […] Neste caso, tanto Biden como Trump empunham claramente a política identitária como ferramentas nas próximas eleições. Os apelos que os políticos das classe dominante estão fazendo não balançaram as pessoas negras da classe trabalhadora, muitas das quais não votam. Estudos têm mostrado que a maioria das pessoas que não votam não são brancas apesar de constituírem apenas um quarto da população votante. A população negra representava 15% dos não votantes em 2016, enquanto que no mesmo ano representava apenas 10% dos eleitores.18.

Após o 11 de setembro, como senador democrata de Delaware, ele apoiou George W. Bush na guerra imperialista de agressão contra o Afeganistão e apelou para ainda mais forças terrestres. Bush é membro do Partido Republicano, mas as frações da burguesia se uniram no ataque ao Afeganistão, assim como no caso do Iraque, onde Biden votou pela resolução sobre a guerra do Iraque no Senado, o que mais tarde alegou lamentar, mas isto provavelmente não se deve às centenas de milhares de iraquianos mortos, mas sim porque o Iraque se tornou um desastre e um túmulo de bilhões de dólares para o imperialismo ianque. De 2009 a 2017 ele foi vice-presidente sob Obama e se viu como um importante conselheiro em política interna e externa, mas ao contrário de seu predecessor, Dick Cheney, ele agiu mais em silêncio. Entre os democratas, seja Obama, Clinton, Carter, Johnson, Kennedy ou qualquer outra pessoa, a situação do povo negro e dos migrantes não era muito melhor do que entre os republicanos, os democratas usam o povo negro e os migrantes apenas como gado para o abate. Eles encobrem e escondem seu chauvinismo, seu racismo principalmente de uma maneira melhor (“politicamente correto”) e fingem ser representantes de todo o povo, de todos os grupos étnicos ou raças, como é frequentemente chamado de errado nos Estados Unidos.

E a potencial vice-presidente, Kamala Harris, também não é conhecida por possuir políticas progressistas. Ela começou sua carreira como assistente do Procurador do Condado de Alameda, que também foi seu trampolim para o Senado. Em 2010, ela foi eleita Procuradora-Geral da Califórnia. Ela foi chefe de gabinete e chefe do ministério, combinando assim o poder legislativo e executivo em uma só pessoa, o que na verdade é uma contradição da democracia burguesa e da separação de poderes, mas que está de acordo com a reação do Estado e a centralização do poder nas mãos do presidente.

Como Procuradora Geral da Califórnia (PG), Harris cumpriu sua função como promotora contra as massas trabalhadoras da Califórnia. Ela executou as sentenças dos prisioneiros condenados injustamente, ao mesmo tempo em que se recusava a libertar os infratores não-violentos. Sua defesa do encarceramento da classe trabalhadora foi acompanhada de tapas nos pulsos por má conduta oficial. Ela se recusou a tomar medidas contra assassinatos de policiais em Los Angeles e São Francisco, contra promotores que forçaram falsas confissões e contra um técnico que roubou provas sob a forma de cocaína dos laboratórios criminais. Ela também estendeu a proteção aos policiais da Alameda depois que se soube que um policial havia abusado sexualmente de uma jovem garota. Seus crimes contra o povo da Califórnia não terminam aí. Ela usou seu poder como PG para aumentar as operações “de flagrante” – ou seja, com intuito de prender alguém em flagrante – da ICE (Polícia de Imigração). Durante seu tempo como promotora distrital (PD) em São Francisco ela apoiou a política do ex-prefeito Gavin Newsom, permitindo que os policiais cooperassem com a ICE em relação às prisões de jovens indocumentados. Como promotora implementou uma política anti-truancy (N.T.: refere-se aqui a políticas que punem os responsáveis legais pela abstenção escolar de crianças), processando e prendendo mães da classe trabalhadora, particularmente mães negras.”.19

Tal como Joe Biden, ela serve aos interesses dos imperialistas, e de forma alguma, jamais, serve ao povo, mesmo de um ponto de vista burguês. Ela é arquirreacionária, e o fato de ela ser negra não muda nada. Esta é apenas mais uma tentativa dos Democratas de acalmar o movimento negro de protesto no USA e ganhar votos na farsa eleitoral burguesa – ela é uma guerreira corajosa na guerra contra o povo.

As massas querem lutar – os comunistas têm que liderá-las

Este apoio aberto da burguesia imperialista pelo PCR-USA tem nada, absolutamente nada a ver com a ideologia proletária, ou seja, o cretinismo parlamentar, nada mais é do que uma nova e pérfida tentativa de combater Bandeiras Vermelhas com Bandeiras Vermelhas, embora ele afirme que a revolução continua sendo o objetivo.

Nosso objetivo fundamental, e estrela-guia, permanece: REVOLUÇÃO – NADA MENOS! Em tudo o que fazemos, inclusive em todas as lutas em que participamos e que, por si só, carecem de revolução, nossa abordagem consistente é, e deve ser, fazer com que tudo isso sirva a esse objetivo fundamental da revolução e da emancipação de toda a humanidade.20

Ele prova exatamente o contrário quando procura adiar a revolução ao infinito e se apresenta em público como um inimigo do proletariado internacional e dos povos do mundo, tentando retirar a revolução socialista n USA, a serviço da revolução proletária mundial, da agenda. Ele só busca desculpas para travar a justificada rebelião das massas e executar a violência revolucionária, e sequer poderia ser de outra forma com sua imagem positiva da burguesia, devido ao fato de ele assumir um ponto de vista de classe burguesa, e assim acredita que a burguesia fala por toda a humanidade, e ao assumir tal ponto de vista de classe, há o “mal menor” para os indivíduos, especialmente em relação à aristocracia operária, que é em sua maioria concretizada em subornos de superlucros das nações oprimidas. Em conexão com a chamada “Nova Síntese”, esta afirmação não é apenas uma rejeição temporária da revolução, mas a negação geral da necessidade da mesma.

Mas o comunismo não é inevitável. Não há uma história “divina” com um “Capital H” empurrando as coisas para o comunismo. […] Estas visões epistemológicas erradas incluem a idéia de que “a verdade tem um caráter de classe”. Na verdade, verdade é apenas verdade e a merda é simplesmente a merda – independentemente de quem a diga“.21

Se, como ele afirma, a sociedade não tende ao comunismo e não precisa de pessoas que possam ser feitas as ferramentas da necessidade [pela revolução], como disse Plekhanov, e a verdade não tem um caráter de classe, então pode-se estar satisfeito com a luta parlamentar e a farsa eleitoral dentro do sistema burguês.

A lei da contradição estabelecida pelo Presidente Mao é hábil e deliberadamente ignorada, o que é uma negação direta e comprovada do absurdo que Avakian e seus discípulos propagam. Se tudo isso de alguma forma se sobrepusesse ao Bernsteinismo e ao Kautsky, se, de alguma forma, tudo isso fosse apenas o mesmo revisionismo, o mesmo “ultra-imperialismo”, sob um novo nome, a burguesia e os intelectuais já teriam se dado conta de que o comunismo é melhor. As ações de Avakian são um crime imperdoável contra o proletariado internacional e os povos do mundo – os revisionistas não são nossos “irmãos ignorantes”, eles são inimigos da revolução.

A situação objetiva mostra que as massas no USA querem lutar pela defesa de seus direitos, liberdades, benefícios e conquistas. Para os revolucionários esta é uma grande oportunidade: lutar ao lado das massas e tomar a iniciativa de se tornar a reconhecida vanguarda do proletariado, conquistar as massas para a revolução e reconstituir o Partido Comunista do USA com base na ideologia do proletariado internacional, o Marxismo-Leninismo-Maoismo, pricipalmente o Maoismo, com as contribuições de validez universal do Presidente Gonzalo, para iniciar a Guerra Popular, a serviço da revolução proletária mundial.

ELEIÇÕES, NÃO! GUERRA POPULAR, SIM!
BOICOTAR AS ELEIÇÕES BURGUESAS!
PELA RECONSTITUIÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA DO USA!
MORTE AO REVISIONISMO!
APRENDER COM O PRESIDENTE GONZALO!

1 V.I. Lênin, Sobre o Estado, Conferência na Universidade Sverdlov, 1919.

2 Partido Comunista do Peru, Eleição, não! Guerra Popular, sim!.

3 Klassenstandpunkt Nr. 14 (Ponto de vista de classe [Alemanha], Nº. 14), Die strategische Bedeutung des Wahlboykotts (O significado estratégico do boicote às eleições).

4 Partido Comunista do Peru. (Observação nossa: O voto é obrigatório em Peru).

5 Bob Avakian, In the Name of Humanity, We REFUSE to Accept a Fascist America! (Em nome da humanidade, recusamos aceitar uma América fascista!).

6 Linha Política Geral do Partido Comunista do Peru, Linha Internacional, Partido Comunista do Peru, 1988.

7 V.I. Lênin, Sobre o Estado, Conferência na Universidade Sverdlov, 1919.

8 Statista, “Blacks become more often victims of deadly police violence” (Negros são vítimas de violência policial mortal mais frequentemente)

9 Statista, “Number of prisoners under jurisdiction of federal or state correctional authorities from 1990 to 2018” (Número de prisioneiros sob jurisdição de autoridades corretivas federais ou estatais, de 1990 a 2018.

10 Statista, “Number of detainees in the USA by ethnicity in 2018” (Número de detentos no USA por etnia em 2018)

11 V. I. Lênin, O antigo Sul escravista, Capitalismo e Agricultura nos Estados Unidos.

12 Blandena Lee, Americanos de Segunda Clase (Americanos de Segunda Classe)

13 The Bureau of Investigation, Human Rights – Drone Warfare

14 V.I. Lenin, Teses e Relatório Sobre a Democracia Burguesa e a Ditadura do Proletariado

15 Bob Avakian, ON THE IMMEDIATE CRITICAL SITUATION, THE URGENT NEED TO DRIVE OUT THE FASCIST TRUMP/PENCE REGIME, VOTING IN THIS ELECTION, AND THE FUNDAMENTAL NEED FOR REVOLUTION (SOBRE A SITUAÇÃO CRÌTICA IMEDIATA, A NECESSIDADE URGENTE DE EXPULSAR O REGIME FASCISTA DE TRUMP/PENCE, VOTANDO NESTA ELEIÇÃO, E A NECESSIDADE FUNDAMENTAL DA REVOLUÇÃO)

16 Tribune Of The People, On the Electoral Cretins Part 1: Avakianism Further Exposes its Naked Revisionism (Tribuna do Povo, Sobre os Cretinos Eleitoreiros, Parte 1: O Avakianismo prossegue em sua exposição de seu revisionismo nu)

17 Tribune Of The People, Opinion: Biden’s Own Version of ‘Law and Order’ to Compete with Trump’s (Tribuna do Povo, Opinião: A versão de Biden da [N.T. garantia de] “Lei e Ordem” para competir com Trump).

18 Tribune Of The People, Biden Claims Entitlement to Black Support

19 Tribune Of The People, Top Cop’ Kamala Harris Announced as Democratic VP Candidate

20 Bob Avakian, ON THE IMMEDIATE CRITICAL SITUATION, THE URGENT NEED TO DRIVE OUT THE FASCIST TRUMP/PENCE REGIME, VOTING IN THIS ELECTION, AND THE FUNDAMENTAL NEED FOR REVOLUTION (SOBRE A SITUAÇÃO CRÌTICA IMEDIATA, A NECESSIDADE URGENTE DE EXPULSAR O REGIME FASCISTA DE TRUMP/PENCE, VOTANDO NESTA ELEIÇÃO, E A NECESSIDADE FUNDAMENTAL DA REVOLUÇÃO)

21 RevCom, What is Bob Avakian’s New Synthesis? (O que é a Nova Síntese de Bob Avakian?).

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