Alguns conhecimentos básicos do Marxismo (revista Internacional Comunista, 2020)

Nota: Documento publicado na revista Internacional Comunista , em ocasião do Dia 3 de Dezembro, 86º Aniversário do Presidente Gonzalo, e dia do Exército Popular de Libertação.

Proletários de todos os países, uni-vos!

Alguns conhecimentos básicos do Marxismo

Introdução


Estes são comentários feitos pelo Presidente Gonzalo acerca dos dois parágrafos introdutórios do documento “Sobre o Marxismo-Leninismo-Maoismo”, o primeiro dos Documentos Fundamentais, como parte da fundação, e tomando posição no Primeiro Congresso do Partido Comunista do Peru (PCP). São comentários necessários, que implicam alguns conhecimentos básicos do marxismo, especialmente como ele é aplicado à realidade da revolução peruana, como parte da revolução proletária mundial. É por isso que, por ocasião da celebração de um novo aniversário do nascimento do Presidente Gonzalo e do Dia do Exército de Libertação Popular, estamos publicando-os como um artigo preparado por nós, com base nos registros do Primeiro Congresso. O fato é que, apesar de serem conhecimentos básicos e necessários, há muita confusão entre os Maoistas, como consequência da ação do revisionismo e sua repercussão nas fileiras do proletariado, como parte da dinâmica ideológica. Portanto, este artigo é uma brilhante oportunidade de celebração, e como parte dela, servindo à luta para erradicar as confusões a este respeito, incentivando a unidade ideológica e unidade de ação.


Quanto a sua aplicação à realidade, o próprio Presidente esclarece: devemos ter em mente a quem os documentos se destinam: não estamos na Europa, estamos no Peru, é preciso ter isto em mente. As circunstâncias de Marx quando ele teve que se estabelecer eram condições específicas, por isso “O Capital” tem três volumes, mais os dois de mais-valia, cinco. Marx disse, através de Engels, que não deveria ser mais do que cinco partes, não devemos nos orientar por publicações diferentes, mas pelo que Marx elaborou. Ou a circunstância de Lênin, se pensarmos no Partido Bolchevique, descobrimos que este Partido viveu um grande momento de luta ideológica, e de longo tempo, realizado entre pessoas com uma ampla formação marxista, elementos cosmopolitas, vários deles falavam várias línguas, e foi uma intelectualidade que, como tal, debatida nesse nível, é por isso que temos as obras de Lênin tal como estão escritas. Se compararmos os textos do camarada Stalin, eles já são muito mais concretos, e se tomarmos as obras do Presidente Mao Tsetung, eles são extremamente profundos, muito simples e muito claros e não entram em muitos detalhes e fundamentações; mas, se seguirmos cuidadosamente a exposição do Presidente em suas obras, entendemos claramente o que ele quer nos dizer. Portanto, é preciso levar em conta as condições concretas em que se opera [nas quais as obras foram produzidas — N.T.], não tê-las em mente é errado.
O documento SOBRE O MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO, em seus dois primeiros parágrafos (introdução), nos diz:


“A ideologia do proletariado internacional, no cadinho da luta de classes, insurgiu como marxismo tornando-se marxismo-leninismo e, posteriormente, marxismo-leninismo-maoísmo. Assim, a todo-poderosa ideologia científica do proletariado, todo-poderosa porque é verdadeira, tem três etapas: 1) marxismo, 2) leninismo, 3) maoísmo; três etapas, momentos ou marcos de seu processo dialético de desenvolvimento; de uma mesma unidade que em cento e cinquenta (150) anos a partir do “Manifesto”, na mais heroica epopeia da luta de classes, na encarniçada e frutífera luta de duas linhas nos próprios partidos comunistas e a imensa tarefa de titãs do pensamento e a ação que somente a classe podia gerar, sobressaindo três luzes imarcescíveis: Marx, Lenin, Mao Tsetung, mediante grandes saltos e três grandiosos nos têm armado com o invencível Marxismo-Leninismo-Maoismo, principalmente Maoismo hoje.”


Todavia, enquanto o Marxismo-Leninismo logrou reconhecimento de sua validez universal, o Maoismo não é reconhecido plenamente como terceira etapa; pois, enquanto uns negam simplesmente sua condição de tal, outros só chegam a sua aceitação como “Pensamento Mao Tsetung”. E, em essência, em ambos casos, com as óbvias diferenças que entre si têm, negam o desenvolvimento geral do marxismo feito pelo presidente Mao Tsetung; não reconhecer-lhe seu caráter de “-ismo”, de maoismo é negar-lhe sua vigência universal e, em consequência, sua condição de terceira, nova e superior etapa da ideologia do proletariado internacional: o Marxismo-Leninismo-Maoismo, principalmente o Maoismo, que desfraldamos, defendemos e aplicamos.”.
Gostaríamos de enfatizar alguns pontos que merecem uma pequena fundação, mas não pretendemos fazer grandes fundações, não porque o Marxismo não as tem, mas porque temos que ter em mente a quem os documentos são dirigidos.


Sobre o primeiro parágrafo. A ideologia do proletariado internacional.


A citação começa com a primeira questão, que é a “ideologia do proletariado internacional”, sua definição está implícita.


Ideologia, porque há aqueles que falam de ciência em oposição à ideologia marxista, esquecendo que nossa ideologia é científica. Quando Engels abordou o problema da ideologia em suas famosas cartas de 1890 a 1895, ele nos disse que todas as classes antes do proletariado tinham um reflexo invertido da realidade. O que isso significa? Como se fosse uma câmera, ela inverte a figura, coloca a cabeça no lugar dos pés, e vice versa. Desta forma, toda ideologia não-proletária distorce a realidade, deforma-a e, portanto, não pode compreender a essência da realidade, não pode compreender a verdade como ela é, não pode compreender a contradição como ela é. Por isso, as ideologias não-proletárias são deformações, não são científicas, e a raiz delas é uma só, muito concreta: são baseadas na exploração. Ou, a fim de generalizar e englobar todas elas, ela é sustentada pela propriedade privada dos meios de produção, enquanto o proletariado não é sustentado pela propriedade dos meios de produção, nem pela exploração, sua missão histórica é justamente destruir a propriedade privada dos meios de produção, a fim de varrer todas as explorações e diferenças existentes.

A ideologia do proletariado internacional é científica


Devemos reivindicar o termo ideologia no entendimento de que nossa ideologia é a do proletariado internacional, somente desta classe e de nenhuma outra, e é científica. Sim, é científica, mas não retira seu caráter de ideologia. Quando se insiste em substituir o termo ideologia por científico ou ciência, resume-se em critérios burgueses, em filosofia burguesa centrada na teoria do conhecimento.
Nos anos 60, vimos, mais uma vez, muito claramente, estas preocupações nas abordagens do revisionista francês, Althusser. É ele quem tem insistido neste problema. Mas qual foi a base do problema? Ele afirmou que a ideologia do proletariado não era científica; e a essência do pensamento deste revisionista — não devemos esquecer nem duvidar do que ele é — segundo ele, é distorcer insensatamente a história das ciências. Althusser pensa que o marxismo — condensado, segundo seus critérios revisionistas, apenas no socialismo científico — era uma nova ciência que não tinha sido filosoficamente fundada, e que ele iria fazer essa fundação científica.


Assim, ele acusou Marx de ter criado o socialismo científico como uma nova ciência, mas de não lhe ter dado seus fundamentos doutrinários, filosóficos, para ser mais preciso. Essa é a base desse critério. Se analisarmos as obras deste indivíduo, descobrimos que ele vai propor que a fundação do Marxismo carrega uma fusão do materialismo de Spinoza — Spinoza é um filósofo judeu expulso da Espanha cuja família acabou na Holanda naquela época; Spinoza foi um grande filósofo em seu tempo e, para seu tempo, foi um materialista dos primórdios da burguesia.


Althusser considerava que a fundação do Marxismo tinha que ser feita pela fusão do espinocismo com o kantismo, que é outra filosofia burguesa. Aí você pode ver sua posição nefasta. Em essência, o que isso implica? Uma reedição das teses dos antigos revisionistas, como Kautsky, que sustentavam que o marxismo não tinha filosofia, e que a filosofia marxista era o kantismo; ou seja, ela coloca a filosofia burguesa como base de nossa concepção, resultando numa espécie de agnosticismo, ou uma incapacidade de conhecer a realidade.
A ideologia do proletariado internacional é a concepção do proletariado. É a ideologia da última classe da história, cuja compreensão do mundo é científica.


Precisamos ser claros sobre as implicações disso. Veja, você pega uma palavra e há todo um pano de fundo, uma história. É por isso que falamos brevemente de “ideologia do proletariado internacional” para expressar a concepção do proletariado, a última classe na história, cujo entendimento do mundo é científico. Isso é o que devemos saber, em termos concretos.


Então, por que o acima exposto? Para que se possa ver que existe todo um fundamento, um profundo entendimento, em Marx e Engels, e assim se pode ver o que significa insistir repetidamente em certos termos, acreditando que assim elevarão o marxismo, quando no fundo são concessões bastardas à burguesia, e isto deve nos fazer pensar que não podemos simplesmente repetir todas as ideologias que estão se aglomerando; primeiro, porque cai em um esnobismo fácil — chamamos esnobismo por ir atrás do novo, ir atrás do que está “na moda”, muitos intelectuais o fazem. Nós, então, temos que ir ao âmago das coisas, e compreender as coisas substantivas. Temos um espírito crítico elevado para julgar muitas, ou todas as coisas, que estão escritas no mundo sobre nossa concepção.


Pode-se perguntar: o que significa a concepção? É a compreensão de tudo que existe, que significa compreensão do mundo material, compreensão da luta de classes, ou seja, do mundo social, e significa compreensão do conhecimento como um reflexo da matéria na mente, que é outra forma de matéria. Isso significa concepção. O que acabei de fazer? Acabei de definir a dialética como dita por Marx, omitindo apenas a referência a leis.


São mais de 2.500 anos de conhecimento que foram retrabalhados a partir da posição e dos interesses do proletariado internacional.


Nossas idéias sobre o proletariado internacional são, portanto, o produto de um nível muito alto de elaboração, são mais de 2.500 anos de conhecimento que foi retrabalhado a partir da posição e dos interesses do proletariado internacional, ou seja, nosso passado, nossa história: 2.500 anos! É por isso que sempre rimos quando alguns cretinos e espertalhões dizem que o Marxismo não tem fundamento, que é algo estático, congelado. Eles não sabem do que estão falando! Isso só poderia ser repetido por um indivíduo ignorante da cabeça aos pés. Muitas coisas podem ser escritas e ditas, como diz o ditado: “O papel aguenta tudo” e a estupidez é impudente. Isto é o que enfrentamos quando falamos da ideologia do proletariado internacional: a elaboração — repito — de mais de 2.500 anos de pensamento ocidental, porque nesse campo ele se desenvolveu sem diminuir sua validade universal, e elaborado a partir da posição e interesses da classe trabalhadora, do proletariado., que é seu nome mais estrito, e é internacional, uma única classe, por isso temos apenas uma ideologia.

O que é insurgir?


A citação também diz: insurgiu. O que é isto? Está ligado à insurgência, não está? É uma ruptura revolucionária e combatente, é isto que significa. Veja, não usamos um termo porque ele é bonito. Às vezes, quando se lê, se lê muito rapidamente ou se escreve muito rapidamente. Portanto, é preciso reparar, é preciso saber ler, estudar e pensar. A brevidade dos documentos move precisamente os camaradas a pensar, a desenvolver a iniciativa de compreensão para poder transformar.

Por que a ideologia do proletariado é todo-poderosa?


Na citação é dito: [a ideologia do proletariado — N.T.] é todo-poderosa, claro que é todo-poderoso porque é verdade, a tese de Lênin provou ser verdadeira.

Há três etapas de um processo dialético de desenvolvimento da ideologia do proletariado


As três etapas. O documento diz etapas, momentos ou marcos, mas um destes é o termo mais preciso e o que usamos: etapas; então momentos ou marcos são equivalentes, mas somente um expressa o que queremos dizer. Em última análise, em nenhuma língua e também não na nossa, nenhum termo, nenhuma palavra é idêntica a outra, eles terão conteúdo semelhante, mas não idêntico.


Fazemos aqui uma grande afirmação, que é essencial: há três etapas, primeiro o Marxismo, depois o Leninismo, e em terceiro, o Maoismo. É assim que definimos. Mas note que falamos de etapas de um processo dialético de desenvolvimento. Por que chamamos desta forma? Porque é um processo de conhecimento, um reflexo da matéria na mente, da matéria em movimento, sendo isto a dialética, o conhecimento é assim, não pelo uso de um simples método [a dialética — N.T.], como alguns dizem, mas em sua essência. O metodologismo é outra concessão à filosofia burguesa. Ele é usado às vezes? Sim, mas os marxistas nunca contrapõem, e muito menos reduzem esta concepção a uma mera metodologia. É um erro crasso ficar enredado na teoria do conhecimento burguês.


Nenhum deles, nem Marx, nem Lênin, nem o Presidente Mao fizeram isto; quando eles falam de métodos, nunca se referem a reduzir todo o Marxismo a uma simples questão metodológica, senão, o Marxismo perderia sua qualidade de concepção: a concepção tem o método como um componente, como uma derivação; em última instância, o método é o procedimento, e nada mais. É por isso que é importante o processo dialético, porque pode-se observar suas leis na realidade e estas podem, e foram, conhecidas através da prática; porque é impossível ter conhecimento sem a prática; separar precisamente a teoria da prática é outra concessão à burguesia, é um pensamento estritamente burguês, em nosso caso, de empirismo estreito, do século XVIII. Estas são as coisas que estão na base de nossos critérios como comunistas.
O Manifesto do Partido Comunista de 1848 é o primeiro marco sobre o qual todo o grande marxismo-leninismo-maoísmo é construído.


Tomamos nosso ponto de partida do “Manifesto Comunista”, faz 140 anos desde seu aparecimento. Antes de haver tentativas, precursores, se é que houve alguma; no próprio trabalho de Marx e Engels, temos sua participação na Liga dos Comunistas, mas essa liga de comunistas era uma confusão de ideias diferentes, não era uma expressão clara do proletariado.


É somente com o Manifesto do Partido Comunista, que é seu nome completo, que, pela primeira vez, os comunistas apresentam sua posição e seu programa, e este é o ponto de partida, o marco, ou a primeira pedra, sobre a qual todo o nosso edifício está construído, tudo isso é o grande Marxismo-Leninismo-Maoismo; é o Manifesto que permanece uma bandeira válida para o comunismo, diferentemente do que fora dito por Khrushchev: que [o Manifesto] tinha terminado sua missão com o programa do PCUS em 1961, tirando nossa posição de classe e introduzindo uma concepção burguesa podre, uma revisão completa e abrangente de todo o Marxismo.


Portanto, o Manifesto é o nosso ponto de partida, o primeiro marco, marco milenar porque durará milhares de anos, e quando atingirmos o comunismo, ele ainda será considerado como o grande marco que levou à nova humanidade.

Somente a luta de classes pode gerar nossa concepção, nossa ideologia


Se diz que é uma epopeia heroica da luta de classes, claro, somente a luta de classes pode gerar nossa concepção, nossa ideologia; somente o proletariado, com sua grande e incessante transformação da realidade material em sua prática produtiva, ou na luta de classes, cujo centro é a política, como conquista e defesa do poder para a classe, derrubando outros poderes, somente como prática de pesquisa, poderia a classe, gerando titãs do pensamento e da ação, moldar-se como a grande ideologia que sempre desfraldar e continuaremos a desfraldar.


O que está por trás desses titãs do pensamento e da ação? Eles estão ligados a “três luzes que nunca se apagam: Marx, Lenin e Mao Tsetung”.


Uma cadeia de montanhas não só tem grandes picos, há também pequenos cumes, médios cumes, além dos picos altíssimos. Tradicionalmente, sempre se destacou e também reconhecemos o trabalho de Engels; Engels é um dos fundadores do marxismo. Além disso, se entrarmos nesses detalhes, veremos que foi Engels quem primeiro estabeleceu um esquema do entendimento das bases da sociedade, das relações de exploração, ou seja, da Economia Política. Este foi seu grande feito, como o próprio Marx reconheceu. Mas foi Marx, com o maravilhoso talento e capacidade de ação que tinha, quem atingiu o primeiro grande pico, especialmente reconhecido por Engels; foi Engels quem propôs que Marx deveria fundamentar a nova ideologia. Foi Engels quem desenvolveu mais a parte filosófica, ou tratou mais a parte filosófica do marxismo. A razão sendo que Marx não teve tempo para fazê-lo; ele disse que estava trabalhando para elaborar um tratado sobre a dialética, e infelizmente não conseguiu completá-lo. Esta teria sido uma grande obra, mas, em resumo, camaradas, haviam coisas que eram mais urgentes, e ele não pode completá-la.


Também reconhecemos o camarada Stalin. O camarada Stalin foi um grande Marxista-Leninista. Será que ele cometeu erros? Sim, cometeu, mas ele nunca vendeu a revolução, independentemente de seus erros; como o Presidente Mao ensinou, seu erro partiu de uma compreensão insuficiente da dialética, de incorrer em metafísica; mas ninguém pode negar seu enorme papel, nem ninguém pode tirar sua condição de líder do proletariado internacional por décadas, enfrentando, pela primeira vez, a construção do socialismo, sem precedentes, nem o grandioso esforço que ele liderou e conduziu na Segunda Guerra Mundial.

Evidentemente, ele possui muitas contribuições, que não podem ser negadas: devemos saber valorizá-las. Aqui, já temos cinco; mas é um pleito, um grupo considerável de grandes figuras, de titãs do pensamento e da ação. Aqui, encerramos essa discussão [acerca dos grandes professores do proletariado — N.T.]. Por que não temos os numerado? Para deixar claro que existem três grandes figuras: Marx, Lênin, e Presidente Mao Tsetung.

De que forma nossa ideologia se desenvolverá?


Nossa ideologia se desenvolverá como um processo dialético através de grandes saltos; portanto, o documento diz através de grandes saltos e três grandes saltos, é claro, três grandes saltos qualitativos: Marx, Lênin, Presidente Mao Tsetung. Mas estes três grandes saltos qualitativos não poderiam ser compreendidos sem outros grandes, médios e até pequenos saltos, e com estes saltos incessantes, que não consideramos como tal por causa de sua magnitude elementar.


Este é o fato, é o que este primeiro parágrafo implica, tudo isso é seu pano de fundo, a história por trás dele. É assim que um grande processo dialético, então, gerado pelo proletariado, produzindo homens que só a nossa classe, o proletariado, só a luta de classes pode produzir, foi assim que chegamos ao Marxismo-Leninismo-Maoismo, principalmente o Maoismo. É assim que deve ser visto. Mais uma vez: o que é demonstrado aqui? É todo o fundo, toda a história de fundamentação de nossa ideologia.


Sobre o segundo parágrafo. Não reconhecer o “ismo”, não reconhecer o “maoísmo”.


O Marxismo-Leninismo é reconhecido como tendo validade universal, mas o Maoismo ainda não é reconhecido plenamente como a terceira etapa do Marxismo. Diz-se claramente: alguns simplesmente negam sua condição como tal, como a terceira etapa; outros só chegam a afirmar o Pensamento Mao Tsetung. Em essência, o que está por trás destas duas posições, que estão dentro do proletariado, que estão dentro do marxismo? Não estamos falando de reacionários, e sim o que existe hoje no seio do Marxismo, mesmo os Marxistas-Leninistas. O que existe? Em essência, é o não-reconhecimento do “-ismo”, não reconhecer o “Maoismo”. O “-ismo” tem um significado claro; o “Pensamento” é nada mais que um conjunto de idéias, nada mais, enquanto que o “-ismo” é uma doutrina, que interpreta toda a matéria em suas diferentes formas de expressão, que são as três acima mencionadas: natureza, sociedade, conhecimento. Já pode parar de contar, não tem mais nada.

É uma doutrina, e não um sistema


Eu disse “doutrina”. Sublinho, eu não disse “sistema”. Se você dissesse “sistema”, estaria cometendo um grande erro. Engels já analisou expressamente este ponto, mas algumas pessoas que falam de “sistema” cometem um erro grave, a coisa correta a dizer é “doutrina”, entendendo-a como acabamos de especificá-la. Seria essa tendência inovadora uma boa ideia? Não, vai contra a linguagem única, e há coisas que se estabelecem de forma partidária, para ter uma linguagem única, que expressa, portanto, uma maturidade partidária, sua própria linguagem; o resto, as pessoas já se expressam de acordo com a sua conformação social, e o desenvolvimento que cada uma tem, sobre a qual não poderíamos mais entrar. Entendido? Não podemos discutir esse tópico, pois nisto fala-se das particularidades de cada pessoa. Mas temos que servir para estabelecer uma linguagem única, deixemos de lado as manias supérfluas da originalidade, porque, no final das contas, a originalidade não se expressa em termos, ela se expressa na descoberta de novas realidades, pequenas, médias ou grandes. Isso está claro?


A originalidade, que é inútil, mina a linguagem única e, portanto, a consolidação, a unificação. O que disseram muitos estrangeiros e até mesmo muitos camaradas dos camaradas chineses? Disseram que basta ouvir um chinês para ouvir todo o povo chinês. O que eles queriam? Que cada chinês tivesse sua própria linha política? Isso é uma originalidade falsa; a verdadeira originalidade é a descoberta de coisas novas, não o uso de terminologia, nem esnobismo, devemos nos precaver contra o esnobismo, e a intelectualidade é uma fonte de esnobismo, de terminologia que confunde a língua, confunde nossa compreensão unificada, além do fato de que eles destroem miseravelmente a língua que falamos, a língua que é um elemento na formação da nação. O Marxismo não é um problema de “moda”; não há espaço para estes debates inúteis.


Mais adiante, quando o Presidente Gonzalo se refere ao conteúdo do maoísmo, em 1. Teoria … As três partes constitutivas, ele tratará do motivo pelo qual devemos dizer doutrina e não sistema, e ele o diz:
A filosofia marxista é a base de nossa concepção, é o núcleo da ideologia, é claro, e é por isso que não podemos negligenciá-la. Lênin extraiu uma grandíssima lição quando disse: “Por um tempo pensei que a filosofia era uma questão dos especialistas do Partido em filosofia, mas a luta me fez entender que a filosofia não pode ser deixada nas mãos dos especialistas, porque a filosofia é a própria base do Partido”. E não se pode lutar contra o revisionismo se não se compreende a filosofia marxista, e a filosofia marxista não pode ser dividida em materialismo dialético de um lado, e o materialismo aplicado à realidade social em outro [materialismo histórico — N.T.].


Não camaradas, isto é um grande erro! Embora tenha sido Marx quem resolveu o problema da compreensão do mundo social, ele o fez aplicando o materialismo dialético; portanto, [o materialismo histórico — N.T.] nada mais é do que a compreensão materialista dialética da sociedade, nada mais, por mais nova que ela seja. É uma criação radicalmente nova e diferente, portanto, o que é novo e diferente não é apenas a aplicação ao mundo social.


Por que digo isto? A burguesia no século XVIII através de Diderot — aquele sujeito francês — desenvolveu o materialismo mecanicista ao seu mais alto nível e veio para intuir a contradição, para senti-la, mas nunca para compreendê-la. O materialismo é muito antigo, camaradas, assim como a dialética, são paralelos, de origem contemporânea, têm mais de 2550 anos no Ocidente, nós devemos isso aos gregos. Mas foi Marx quem tomou a ideia como uma derivação da matéria, fundindo a dialética com a matéria, quem deu a grande transformação, gerando a nova filosofia, a filosofia exaustiva e completa, não num sentido fechado e cíclico. Por isso não podemos falar de sistema, sistema implica círculo fechado, e o conhecimento é uma espiral, todos se lembram do que é uma espiral, ela não é um círculo fechado, muito menos os círculos que compõem a espiral são fechados.


Portanto, o ponto essencial é o “-ismo”.


Se nos perguntassem, por exemplo, qual é a diferença entre Pensamento Mao Tsetung e o Maoismo? Se as mesmas verdades são mantidas ou defendidas, por que lutar por esse termo?
Assim responderemos: Não é simplesmente uma questão de terminologia; o que está em jogo é se ele [o Maoismo] tem validade universal ou não, e se o chamamos de “-ismo” então ele tem validez universal, e se não tivesse “-ismo”, significa que não a teria. Esse é o problema, então não podemos reduzir isso a uma questão terminológica, não é? Bem, se as coisas fossem assim, então seria tudo igual. Se esse realmente é o caso, então, por que não dizemos: “a ideologia internacional do proletariado: Pensamento Marx — Pensamento Lênin — Pensamento Mao”? É lógico, se o “-ismo” e o “Pensamento” fossem idênticos, seria correto falar assim.
Portanto, por que deveríamos usar Marxismo-Leninismo-Pensamento Mao Tsetung? Seria isso correto? Não, isso seria um absurdo, seria negar o caráter universal de nossa ideologia. Qual é o objetivo aqui? É isso mesmo: negar a universalidade do desenvolvimento do Presidente Mao Tsetung. É por isso que dizemos que estas duas posições são basicamente a mesma, em essência; possuem diferenças, claro, porque uma coisa é apenas chegar ao Marxismo-Leninismo, e outra, tal como o PCR-USA fez, chegou ao anterior, mais Pensamento Mao Tsetung [para mais tarde adotar o termo Maoísmo e passar logo depois a negar tudo; nota dos editores da revista]; mas em essência, são a mesma coisa, e aqui, o que nos interessa não são as questões substantivas, mas sim o essencial.


Quanto à Introdução. Como os camaradas sabem bem, este documento se baseia no que o Comitê Central transmitiu em 82 e 84 de uma maneira geral, completa, tudo que envolve essa questão, especialmente propagado dentro do Partido, em muitas ocasiões. Desde o início, usamos uma introdução com duas perguntas: uma tese certeira do grande Lenin, e uma grande defesa do Leninismo, feita pelo camarada Stalin. É por isso que Stalin não pode ser negado ou condenado ao inferno. O fato dele ter afirmado que entrávamos no período do Leninismo, ter defendido-o como ele fez, e o impôs ao mundo, é mérito suficiente, ou vocês acham que isso é pouca coisa?


Temos tomado essas duas questões. Aqui, o que merece explicação é o que Lenin disse: à medida que a revolução vai para o Oriente, ela expressa condições específicas. Estas não são estritamente as palavras do Grande Lênin, mas essa foi a ideia comunicada por ele. Ele nos dizia: A revolução na Rússia expressa peculiaridades, além do fato de que ela ocorre em uma situação muito específica: a Primeira Guerra Mundial, a parte final da mesma, a derrota do czarismo nas mãos da Alemanha, as necessidades insatisfeitas do camponês que pedia terra num país que, embora fosse uma prisão de seu próprio povo, porque o país havia alcançado o imperialismo, lá se tinha uma ampla base feudal, que Lenin sintetiza magistralmente como “terra concentrada em pouquíssimas mãos e uma enorme massa com poucas ou nenhuma terra”, sem falar dos números, que ele maneja de forma extraordinária.


Assim ele nos diz: a revolução na Rússia não nega a verdade estabelecida por Marx como a lei da revolução. Ele não nega isto, o que ele está fazendo é simplesmente ver as particularidades, as especificidades; e ele diz que a revolução, ao ir para o Oriente, mostra particularidades, quer que gostemos disso ou não. A incompreensão da social-democracia européia, dos oportunistas europeus, mercenários escritores dos reacionários europeus, os levou a condenar essa revolução, eles até a chamaram de reacionária, de anti-marxista.


Bravos defensores do marxismo! O que eles disseram, então, sobre essa revolução: é um despotismo oriental, como sempre foi visto no Oriente, e com isso, eles já tinham resolvido o problema; eles disseram: são uma massa de ignorantes, como eles poderiam fazer uma revolução socialista? Assim diziam eles, abundantes em seus “argumentos”.


E então, o Grande Lênin respondeu: “Em que texto está dito que devemos educar o povo antes de conquistar o poder para a classe, antes de estabelecer a ditadura do proletariado, em que que documento isso foi dito? É expressamente proibido em, Marx ou Engels, que se conquiste o poder e depois eduque o povo? Não existe tal proibição, então de que se trata essa reclamação?” É assim que ele coloca a questão. O que acontece é que aqueles que estão sobrecarregados pelo liberalismo burguês não entendem o que é novo, nem como se expressa. Se formos entrar nesse mérito, qual foi a revolução proletária eles fizeram? Os europeus estão clamando muito, os países imperialistas, ou os ditos países avançados, estão clamando muito, e eles dizem que o erro da revolução é que ela ocorreu em áreas periféricas atrasadas como a Rússia e a China.


Pois bem: onde foi feita a revolução proletária no Ocidente, quando foi feita? Ela não foi feita. Se eles são tão iluminados, e temos que admitir, eles são, mas isso não é suficiente para que seja feita a revolução. O Grande Lênin, aprofundando isto, o que ele nos dizia: esperem, vocês verão a revolução no Oriente, e quando a virem, sua surpresa será enorme, imensa, vocês cairão para trás! Ele não disse isso? Além disso, aos camaradas do Oriente, que ele reuniu, o que Lênin apresentou: nós — disse ele, incluindo a si — conhecemos a revolução nos países capitalistas, mas não nos países atrasados sob o domínio imperialista; essa é sua tarefa, está pendente, você tem que resolvê-la sem esquecer que você é comunista e que deve se organizar como tal, como um partido, ligado à Internacional Comunista. Não foram estas suas palavras?


Por que esta questão deve ser destacada? Porque é óbvio que a revolução chinesa, que foi gerada pelo Presidente Mao Tsetung, através do próprio proletariado, se deu no Oriente. Ou ali não é Oriente? O que Lenin disse foi cumprido ou não? É claro que foi cumprido! E a partir daí, então, o que está implícito? Que o mesmo que aconteceu com Lênin está acontecendo com o Presidente: o grito habitual dos “profundos” conhecedores do Marxismo, dos intelectuais que estão sobrecarregados com a burguesia e o cretinismo parlamentar, dos espanadores de pena da reação [está sendo direcionado ao Maoismo — N.T.].


Quanto ao camarada Stalin, qual foi o trabalho dele que nos interessa neste ponto? Na própria Rússia, foi dito: O Leninismo é verdadeiro, mas para a Rússia, porque o núcleo, o fundamental é o papel do campesinato. O camarada Stalin, claramente, diz então: Consequentemente, isto não é a ditadura do proletariado. Portanto, Lênin só governa na Rússia, e não é universal, o Leninismo é especificamente russo. Dizer isto é uma infâmia, porque Lênin foi precisamente aquele que enfatizou a importância da ditadura do proletariado. Vocês dirão: Mas Marx já havia falado disto. No Marxismo, tal como é mostrado em qualquer história elementar deste, as grandes verdades têm que ser reiteradas, de tempos em tempos porque são esquecidas, empoeiradas, ou simplesmente invocadas; assim como os grandes personagens da história, disse Lênin, que são transformados em ícones. Um ícone aqui no Peru é Mariátegui: incenso é derramado sobre ele, e nada mais. Foi uma luta dura na Rússia, particularmente contra Zinoviev.


A partir disto, nós derivamos que:


“Hoje, o Maoismo enfrenta situações semelhantes e, assim como o novo e o Marxismo fizeram seu caminho através do conflito, da luta, o Maoismo será imposto através da luta, e será reconhecido”.


Como disse o Presidente Mao: “O Marxismo nunca deu um passo na vida, exceto no meio de grandes lutas, e nunca dará um passo fora delas”. E um grande salto qualitativo, grande como ele deu, uma nova etapa, será facilmente aceita? Não, tem que ser resistida, negada, questionada, interrogada, mas, por trás de todos estes interrogatórios, existem posições de negação, redução, minimização ou o que quer que seja, mas é isso que é interessante. Camaradas, o Marxismo nos dá armas! Eles tiveram a sagacidade de nos armar para o futuro, e de responder perguntas, perguntas que são feitas e serão feitas no futuro; eles nos armaram. Esta é a razão da introdução, ela tem um significado.

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