Revolução Democrática (Partido Comunista do Peru, 1988)

Tradução não-oficial

Proletários de todos os países, uni-vos!

Revolução Democrática

Partido Comunista do Peru

1988 – Ediciones Bandera Roja

INTRODUÇÃO

Desfraldando, defendendo e aplicando o marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente o maoísmo, o Presidente Gonzalo estabelece que a revolução peruana em seu curso histórico, tem que ser primeiro revolução democrática, em seguida revolução socialista, e que terá que desenvolver revoluções culturais a fim de passar ao Comunismo, tudo em um processo ininterrupto, aplicando a guerra popular e especificando-a. Para chegar a esta conclusão parte do que Marx ensinou, que na Alemanha deveria-se reeditar as guerras camponesas do século XVI, que teria que canalizar a energia democrática do campesinato; do que logo Lenin desenvolve, que sendo a burguesia uma classe já caduca e tendo o campesinato desfraldado a destruição da feudalidade, apenas poderia concretizá-la sob a direção do proletariado; e do que, em seguida, o Presidente Mao estabelece “Sobre a Nova Democracia”, que forma parte da revolução proletária mundial, que propõe uma ditadura conjunta de classes revolucionárias oposta à ditadura burguesa, que é uma etapa de transição e que apenas pode cumprir-se sob a direção do proletariado.

E considera-se as contradições específicas do Peru, que em seu processo histórico não houve uma revolução burguesa, já que não houve uma burguesia capaz de conduzi-la e que, portanto, o problema da terra e o problema nacional são dois problemas ainda pendentes a serem resolvidos; que estamos na época do imperialismo e da revolução proletária mundial, portanto, o proletariado é a classe que assume a destruição do imperialismo, do capitalismo burocrático e da semifeudalidade não em benefício da burguesia, mas do proletariado, do campesinato principalmente pobre, da pequena burguesia e da média burguesia; que o proletariado peruano amadureceu como Partido Comunista de novo tipo capaz de dirigir a revolução; que já não cabe revolução democrática de velho tipo, mas uma revolução burguesa de novo tipo; que este tipo e toda revolução hoje somente pode cumprir-se através da guerra popular, forma principal de luta, e das forças armadas revolucionárias, forma principal de organização.

Continuar lendo “Revolução Democrática (Partido Comunista do Peru, 1988)”

Declaração conjunta pelo 29º aniversário do Discurso do Presidente Gonzalo (setembro, 2021)

Tradução não-oficial.

Proletários de todos os países, uni-vos!

Glória eterna ao Presidente Gonzalo!

“Como materialista creio que a vida termina algum dia, o que prima em mim é ser otimista, com a convicção de que o trabalho ao qual sirvo outros hão de prosseguir e levarão até o cumprimento de nossas tarefas definitivas, o comunismo. Porque o temor que poderia ter seria o de que não se prosseguisse, porém esse temor se dissolve quando se confia nas massas. O pior temor, ao fim e ao cabo, é não confiar nas massas é crer-se indispensável, centro do mundo, creio que isso é, e se alguém, formado pelo Partido com a ideologia do proletariado, com o maoismo principalmente, compreende que as massas fazem a história, que o Partido faz a revolução, que a marcha da história está definida, que a revolução é a tendência principal, se lhe esfuma o temor e somente fica a satisfação de ser argamassa e, junto a outras argamassas, servir para pôr alicerce para que algum dia brilhe o comunismo e ilumine toda a Terra.” – Presidente Gonzalo

Em 11 de setembro, se consumou o vil assassinato do Presidente Gonzalo. Os negros arautos da reação declamam a morte do homem e que já despareceu. Porém não é assim, o Presidente Gonzalo vive nos comunistas e revolucionários do Peru, nas mais profundas entranhas do proletariado e povo peruano; vive em nós, os comunistas e revolucionários do mundo, no coração e mente do proletariado internacional e os povos do mundo. O Presidente Gonzalo não morreu porque é mais que um homem, é um caminho, um pensamento, um luminoso sendero o qual seguem milhões com fé inquebrantável içando ao topo as bandeiras vermelhas do comunismo com a foice e o martelo, legiões de ferro de operários e camponeses se forjam sob direção dos Partidos Comunistas para assaltar o céu. Como o mesmo Presidente Gonzalo disse no momento que devem em prisioneiro de guerra: chegaram tarde, seu pensamento fica nos demais. O Presidente Gonzalo não pode ser desaparecido.

O Presidente Gonzalo era otimista orgânico, tinha uma confiança sem limite nos comunistas e nas massas, e nos forjou em sê-lo. Assim, neste momento, quando os marxistas-leninistas-maoistas já não temos em carne e osso entre nós o maior de todos nós e sentimos a mais profunda dor, não permitiremos que as lágrimas nos cubram as vistas, senão que nossa paixão ardente se materializa em poder transformador, nos enche de energia e aferra ainda mais nossa decisão de jamais deixar as armas até o comunismo e de varrer a sangue e fogo com guerra popular toda opressão e exploração da face da Terra. Que saibam os covardes assassinos que o crime espantoso não ficará impune, o povo fará justiça como só o povo sabe fazê-lo e a justiça revolucionária pode tardar, porém chegará.

Continuar lendo “Declaração conjunta pelo 29º aniversário do Discurso do Presidente Gonzalo (setembro, 2021)”

Desenvolvimento da Campanha pela Defesa de nossa Chefatura o Presidente Gonzalo: Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán

Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán

Introdução

Hoje, publicamos as CONVERSAS COM A CAMARADA LAURA NAS BASES DAS MONTANHAS VIZCATÁN, no VRAEM (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro), realizada por volta de 2012, o essencial da entrevista é que nela, como tem que ser, com guerra popular  assume a defesa do Presidente Gonzalo, a chefatura do Partido e da revolução, do pensamento gonzalo, o I Congresso e da BUP (Base de Unidade Partidária) e todo o caminho percorrido até agora e se toma firme posição contra a LOD (Linha Oportunista de Direita) revisionista e capitulacionista encabeçada pela ratazana Miriam e especialmente contra a linha oportunista de direita, disfarçada de esquerda, revisionista e capitulacionista da ratazana José e sua camada que usurparam o CRP (Comitê Regional Principal). Consideramos que é um magistral documento marxista-leninista-maoista, pensamento gonzalo. Nele com a documentação partidária em mãos a camarada Laura, desde as mesmas montanhas de Vizcatán, com profundo sentimento e ódio de classe, com firme convicção e posição comunista e com a ideologia do marxismo-leninismo-maoismo, pensamento gonzalo assume a defesa de nossa chefatura, o Presidente Gonzalo, e de seu todopoderoso pensamento, e deslinda, aplasta e varre contra todas as patranhas da CIA- reação peruana e seus serviçais do novo revisionismo contra o Presidente Gonzalo, o PCP e a guerra popular.

Com esta entrevista documentamos como a esquerda luta com guerra popular por impor a linha vermelha no VRAEM. Assim, os comunistas, combatentes e massas, praticando a filosofia da luta que só com fuzil se pode transformar o mundo, está lutando para levar adiante a reorganização do CRP do PCP como parte da reorganização geral de todo o Partido em meio à guerra popular e em luta de morte contra o revisionismo.

É um documento com o qual se impôs a luta de duas linhas no Partido em 2013, portanto, expressa como se estava manejando a luta de duas linhas nesse momento, o qual serviu de base para dar o salto na tarefa partidária da RGP (Reorganização Geral do Partido) em torno de maio de 2014. Mostra pois parte desse processo. Por isso, haverá muitas interrogações que os leitores podem plantear sobre diversos aspectos, alguns seguramente muito importantes sobre esta luta e que ficam elucidados na entrevista. Muitos já se resolveram no tempo transcorrido, e outros seguramente estão se resolvendo com o desenvolvimento da RGP em meio à guerra popular. Com esta entrevista nos desvenda que cada vez mais estamos nos aproximando de sua brilhante culminação.

Continuar lendo “Desenvolvimento da Campanha pela Defesa de nossa Chefatura o Presidente Gonzalo: Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán”

Sobre o marxismo-leninismo-maoísmo (Partido Comunista do Peru)

 
Nota do blog: “Sobre o Marxismo-leninismo-maoísmo” é um tópico publicado pelo Partido Comunista do Peru, originalmente anexo a outros tópicos, entre eles “Sobre o Pensamento Gonzalo” (publicado a seguir), “Programa geral sobre a Revolução Democrática” e etc. Todos estes fazem parte do documento do mesmo intitulado “Documentos Fundamentais”, de 1988/89. Pela seu contexto histórico, reproduzimos em nosso blog, até onde sabemos, inédito em português (tradução nossa).

I. SOBRE O MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO.

A ideologia do proletariado internacional, no cadinho da luta de classes, insurgiu como marxismo tornando-se marxismo-leninismo e, posteriormente, marxismo-leninismo-maoísmo. Assim, a todo-poderosa ideologia científica do proletariado, todo-poderosa porque é verdadeira, tem três etapas: 1) marxismo, 2) leninismo, 3) maoísmo; três etapas, momentos ou marcos de seu processo dialético de desenvolvimento; de uma mesma unidade que em centro e cinquenta (150) anos a partir do “Manifesto”, na mais heroica epopeia da luta de classes, na encarniçada e frutífera luta de duas linhas nos próprios partidos comunistas e a imensa tarefa de titãs do pensamento e a ação que somente a classe podia gerar, sobressaindo três luzes imarcescíveis: Marx, Lenin, Mao Tse-tung, mediante grandes saltos e três grandiosos nos têm armado com o invencível marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoismo hoje.

Todavia, enquanto o marxismo-leninismo logrou reconhecimento de sua validez universal, o maoismo não é reconhecido plenamente como terceira etapa; pois, enquanto uns negam simplesmente sua condição de tal, outros só chegam a sua aceitação como “pensamento Mao Tsetung”. E, em essência, em ambos casos, com as obvias diferenças que entre si têm, negam o desenvolvimento geral do marxismo feito pelo presidente Mao Tsetung; não reconhecer-lhe seu caráter de “ismo”, de maoismo, é negar-lhe sua vigência universal e, em consequência, sua condição de terceira, nova e superior etapa da ideologia do proletariado internacional: o marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoismo que içada, defendemos e aplicamos.

Como INTRODUÇÃO para melhor compreender o maoismo e a necessidade de lutar por ele, recordemos a Lenin. Ele nos ensinou que conforme a revolução se adentrava no Oriente expressava condições específicas que, se bem não negavam princípios e leis, eram novas situações que o marxismo não podia ignorar sob pena de expor a revolução ao fracasso. E que, apesar do clamor que particularmente a intelectualidade recheada de liberalismo e falsamente marxista, pedante e livresca, levantou contra o novo, o único justo e correto é aplicar o marxismo à realidade concreta e resolver as novas situações e problemas que toda revolução necessariamente enfrenta e resolve; antes do espanto e auto-justa “defesa da ideologia, da classe e do povo” que proclamam os revisionistas, oportunistas e renegados, os furibundos e cegos ataques de embrutecidos acadêmicos e plumíferos da velha ordem, envelhecidos da podre ideologia burguesa, dispostos a defender a velha sociedade que parasitam. Além disso, Lenin disse expressamente que a revolução no Oriente traria novas e grandes surpresas para maior espanto dos adoradores de seguir sós os caminhos conhecidos e incapazes de ver o novo; e, como todos sabemos, encomendou aos camaradas orientais resolver problemas que o marxismo ainda não havia resolvido.

Continuar lendo “Sobre o marxismo-leninismo-maoísmo (Partido Comunista do Peru)”

Como compreender a Revolução Peruana e a Guerra Popular

Nota do blog: Artigo produzido pelo Núcleo de Estudos do Marxismo-leninismo-maoísmo-Brasil sobre a questão do Peru, da Guerra Popular no Peru e de subtemas tocantes à questão do Pensamento Gonzalo e do maoísmo. Publicado originalmente como fragmento do texto “17 de maio: Trinta anos de Guerra Popular no Peru”, retirado do Jornal A Nova Democracia (nº 65, maio de 2010).

Como compreender a Revolução Peruana e a Guerra Popular

José Antonio Fonseca
Núcleo de Estudos do Marxismo-leninismo-maoísmo-Brasil

 Em torno da correta avaliação e balanço da Guerra Popular no Peru residem os problemas cruciais e principais desafios para o movimento comunista internacional na atualidade, particularmente quanto à compreensão e aplicação do maoísmo, tomando-o a partir de seu centro, o problema do poder, o poder para o proletariado em diferentes tipos de revolução, através de uma força armada dirigida pelo partido comunista. Poder conquistado e defendido com Guerra Popular.

Por isso nos deteremos sobre esta questão crucial para o desenvolvimento ou não de qualquer processo revolucionário no mundo, o problema da ideologia que o guia, expondo ainda que sinteticamente o significado e importância do Pensamento Gonzalo como farol e guia da guerra popular e seu papel para a compreensão do maoísmo no Peru e em todo mundo.

Continuar lendo “Como compreender a Revolução Peruana e a Guerra Popular”

Linha de construção dos três instrumentos da Revolução (Partido Comunista do Peru, 1988)

Nota do blog: Documento formulado pelo Partido Comunista do Peru, em 1988, que explica sobre a construção dos três instrumentos da Revolução (Partido, Exército e Frente) e explana sobre a questão da militarização do Partido.

Tradução: Pedro Dragoni.

Linha de construção dos três instrumentos da Revolução

Partido Comunista do Peru – 1988
 Reproduzido pelo Movimento Popular Peru em Maio de 1999

INTRODUÇÃO

O Presidente Gonzalo estabelece a linha de construção dos três instrumentos de respeito à revolução, defendendo e aplicando o Marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente o Maoísmo.

Ele nos ensina que Marx disse que a classe operária cria organizações à sua imagem e semelhança, isto é, organizações próprias. No século XIX, a partir de Marx e Engels obtemos uma concepção científica dotada de doutrina própria, com objetivo próprio, com meta comum, para como tomar o poder e os meios para o fazê-lo: através da violência revolucionária; tudo isso numa luta bastante dura entre duas linhas. Marx assentou que o proletariado não pode agir como uma classe sem constituir-se por si mesma em um partido político distinto e oposto a todos os partidos políticos criados pela classe possuidora. Que, portanto, o proletariado desde que aparece em um longo processo, cria formas de luta e formas de organização, de modo que o partido é a mais alta forma de organização, o Exército a principal forma de organização e a Frente é o terceiro instrumento que todos estes instrumentos são para tomar o poder através da violência revolucionária. Nos diz Engels, no final do século XIX, concluiu que a classe não tinha nem as formas orgânicas nem formas militares próprias para tomar o poder e mantê-lo, mas nunca nos disse para deixarmos a revolução, mas sim para nós trabalharmos por ela buscando a solução para estas questões pendentes, há que se entender isso muito bem pois os revisionistas distorcem-nas para vender seu oportunismo.

No século XX, Lênin compreendeu que a revolução estava madura e acreditava que o partido proletário de novo tipo objetivara a forma de luta: a insurreição; e a forma de organização: os destacamentos, que eram formas móveis superando as barricadas do século passado, que eram formas fixas. Lênin levanta a necessidade de novas organizações, clandestinas, pois ao passo das ações revolucionárias significava a dissolução das organizações legais pela polícia e este trânsito só é possível de se realizar passando por cima de ex-líderes; passando por cima do partido de velho tipo, destruindo-o. Que o Partido devia tomar como exemplo o exército moderno, com disciplina própria, vontade única e ser flexível.

Continuar lendo “Linha de construção dos três instrumentos da Revolução (Partido Comunista do Peru, 1988)”

Linha de Massas (Partido Comunista do Peru, 1988)

Nota do blog: Publicamos tradução não-oficial do documento Linha de Massas do Partido Comunista do Peru, parte da Linha Política Geral do PCP disponível na internet.

Proletários de todos os países, uni-vos!

INTRODUÇÃO

O Presidente Gonzalo, desfraldando, defendendo e aplicando o marxismo-leninismo-maoismo, estabeleceu a linha de massas do Partido. Inicia reafirmando a concepção proletária que se deve ter para avaliar o problema das massas, planteia o papel político que as massas têm, a luta pelo Poder através da guerra popular e que a luta reivindicativa deve servi-la; [estabeleceu] quais são as massas às quais devemos ir – às massas básicas principalmente, operários e camponeses e às diversas frentes segundo suas reivindicações específicas, aplicando a única tática marxista de ir ao fundo e ao profundo, educá-las na violência revolucionária e na luta contra o oportunismo. Especifica que o trabalho de massas do Partido que dirige a guerra popular se faz através do exército; assinala a importância dos organismos gerados, uma das formas de organizá-las; e que fazemos o trabalho de massas na e para a guerra popular.

REAFIRMAÇÃO NO PRINCÍPIO “AS MASSAS FAZEM A HISTÓRIA”

Se reafirma no poderoso princípio marxista “As massas fazem a história” e nos ensina a forjarmos nossa concepção comunista em luta contra a [concepção] burguesa de centrar no indivíduo como eixo histórico. Diz: “As massas são a própria luz do mundo… elas são a própria fibra, o palpitar inesgotável da história… quando falam tudo se estremece, a ordem começa a tremer, os altos cumes agacham-se, as estrelas têm outra rota porque as massas fazem e podem tudo”.

Continuar lendo “Linha de Massas (Partido Comunista do Peru, 1988)”