Partido (marxista-leninista) dos Trabalhadores – Espanha: ‘Em defesa da memória do Presidente Gonzalo!’ (setembro, 2021)

Tradução não-oficial.

Proletários de todos os países, uni-vos!

Em defesa da memória do Presidente Gonzalo!

11 de setembro de 2021

A partir do Partido (marxista-leninista) dos Trabalhadores queremos fazer um chamamento a defender e reivindicar a memória do Presidente Gonzalo.

Abimael Guzmán, o Presidente Gonzalo, nasceu em Mollendo (Arequipa) em 1934. A importância do trabalho de José Carlos Mariátegui foi muito importante para o desenvolvimento político do Presidente Gonzalo, que com seu despertar ideológico se filiou ao Partido Comunista do Peru.

Depois do triunfo das teses revisionistas no PCP, dentro da lógica do Movimento Comunista Internacional, visitou a República Popular da China e viu de primeira mão a construção do socialismo e da luta de massas para levá-lo adiante de forma vitoriosa, alinhando-se com as posições defendidas pelo Presidente Mao Tsetung. Chefiou a Fração Vermelha do PCP a partir de Ayacucho, onde foi professor da Universidade Nacional de San Cristóbal de Huamanga. Ali, se vinculou com as lutas dos camponeses e das massas populares, enfrentando ao velho Estado e a seu caráter semifeudal e semicolonial.

Desta forma se expressava:

“… deve-se apontar para defender o socialismo, a ditadura do proletariado, o Partido e o marxismo, tomando a transformação extraordinária e grandeza inédita que o socialismo, a ditadura do proletariado, o Partido e o marxismo imprimiram na Terra em curtos anos. Que fique claro que o benefício recebido pelo povo, pelo proletariado, foi imenso, como nunca antes porque antes foi sempre benefício de grupúsculos; que fique claro que [com] o desaparecimento transitório desse socialismo […] logo estão se dando conta de que o que se perdeu é imenso e isso será reconquistado a sangue e fogo; foi o céu o que se perdeu e deve-se reconquistá-lo, voltar a assaltá-lo, não é tão complicado.” (Transcrição do Informe do Presidente Gonzalo, III Pleno do Partido Comunista do Peru, 1992)

A Fração Vermelha, após romper com o PCP revisionista, se enredou na tarefa de reconstruir dito partido, tanto no ideológico, como no político, vinculando-o especialmente com as massas, e provando nestas suas posições, sempre sob a premissa clara de que as massas fazem a história.

Uma vez reconstituído o PCP, se iniciou a Guerra Popular Prolongada no Peru, desenvolvida seguindo a linha do Presidente Mao Tsetung, partindo, em seu caso concreto, de cercar a cidade pelo campo, gerando o Exército Guerrilheiro Popular. O desenvolvimento da Guerra Popular no Peru se deve entender sempre como uma guerra das massas dirigidas pelo Partido Comunista, assumindo sempre que é o Partido quem manda no fuzil.

Em 1992 foi detido o Presidente Gonzalo, chefatura do Partido Comunista do Peru e da Revolução Peruana. O Presidente Gonzalo foi sentenciado à cadeia perpétua pelo governo peruano, vingando-se por ele ter desenvolvido e liderado a Guerra Popular que vem sendo levada à cabo no Peru desde 1980, com o famoso ILA-80.

O Presidente Gonzalo se converteu no artífice principal da importante tarefa de dotar a classe operária de seu Partido, para que os operários e camponeses se levantem em armas, em Guerra Popular, contra o velho Estado nas mãos de seus inimigos e comecem a construir o novo Estado em benefício das massas trabalhadoras.

O Presidente Gonzalo e o PCP levaram a cabo a importante tarefa de sintetizar os importantes aportes de Mao Tsetung, dando lugar ao marxismo-leninismo-maoísmo. Aportou, também, questões fundamentais, como a Construção Concêntrica dos Três Instrumentos da Revolução e o caráter do Partido Comunista.

Para não deixar dúvidas sobre o profundo ódio que sente a classe burguesa peruana com a sua figura, não somente condenaram o Presidente Gonzalo à cadeia perpétua em completo isolamento numa base naval, mas também propagaram calúnias, apresentando-o como um perigoso terrorista assassino, responsável pelos milhares de mortos no Peru e, ademais, como um traidor, questão demonstradamente falsa.

A última oportunidade que teve o Presidente Gonzalo para expressar-se livre e publicamente foi em 1992, justo após sua detenção. Nesse momento, o Presidente Gonzalo rechaçou toda e qualquer possibilidade de firmar acordos de paz com o velho Estado peruano, e, a partir de uma jaula e com uniforme listrado com o qual pretendiam humilhá-lo, pronunciou um discurso dirigido aos membros do PCP, os combatentes do Exército Guerrilheiro Popular, ao povo peruano, chamando a continuar a Guerra Popular até a conquista do poder em todo o país. Nessa ocasião também fez uma importante convocação aos revolucionários de todo o mundo para levantar a bandeira vermelha do marxismo-leninismo-maoísmo em todo o mundo.

A partir do exato momento de sua detenção, se iniciou uma campanha internacional por sua liberdade e em defesa de sua vida e saúde. A campanha teve repercussão internacional, realizando ações em defesa do Presidente Gonzalo. As atividades se realizaram em todos os continentes, cobrindo várias dezenas de países. Advogados do mundo inteiro se adiantaram para desmascarar a farsa de sua condenação e fazer sua defesa legal, questão que jamais foi permitida pelo reacionário Estado peruano.

No ano 2000, a Linha Oportunista de Direita (LOD) declarou que já não era necessário defender a vida do Presidente Gonzalo, querendo assim lutar contra a campanha que estava sendo levada a cabo. Esta linha da LOD pretendia uma mudança total da linha revolucionária e acabar com a Guerra Popular no Peru.

Finalmente, a vida do Presidente Gonzalo, depois de quase 30 anos de duro isolamento, chegou ao seu fim.

Em 2020, seu advogado apresentou uma solicitação de prisão domiciliar. A solicitação se produziu à luz da pandemia da COVID-19 e à alta taxa de infecção dentro das cadeias peruanas. A solicitação foi negada pelo Estado peruano, enquanto Fujimori, verdugo e genocida do povo peruano, recebeu indulto humanitário no mesmo período.

Segundo um comunicado do Movimento Popular Peru o objetivo atual do velho estado peruano é, com a aplicação de táticas de Guerra de Baixa Intensidade, assassinar o Presidente Gonzalo. Para isto, se serve de manter seu isolamento absoluto e perpétuo na Base Naval, numa cela subterrânea individual e somente tendo contato com o mundo exterior através de seus verdugos, suscetível à manipulação e todo tipo de torturas psicológicas. Eles conseguiram.

Nosso Partido faz um chamamento para defender seu legado, sua memória, sua luta, um trabalho que é de todo o Movimento Comunista Internacional. Sua herança é para todos aqueles que têm esclarecido que salvo o poder tudo é ilusão, e que somente com a via revolucionária é possível levar o proletariado à tomada do poder.

DEFENDAMOS E REIVINDIQUEMOS O LEGADO, A MEMÓRIA E A LUTA DO PRESIDENTE GONZALO!

VIVA O PRESIDENTE GONZALO!

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