Como o marxismo-leninismo-maoismo compreende o capitalismo burocrático

Nota do blog: Extrato de “Notas sobre o processo do capitalismo burocrático nos países do terceiro mundo”, Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização); publicado em Revista O Maoista nº 1 (setembro de 2016). Traduzido e enviado por um leitor.


Como o marxismo-leninismo-maoismo compreende esse processo em seu conjunto

Vamos à pergunta: como entender esse processo do capitalismo burocrático? Qual é o caráter desse desenvolvimento? Está provado que todo esse processo nos países oprimidos está sob o domínio do investimento estrangeiro imperialista.

Em 1975, o Presidente Gonzalo fez uma pergunta semelhante sobre a situação nacional e respondeu da seguinte forma:

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Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte IV)

Nota do blog: A seguir, a parte IV da Entrevista do Século realizada pelo jornal peruano El Diario, em 1988. Nessa parte, a entrevista trata sobretudo da Guerra Popular.


III. Guerra Popular

El Diario: Presidente, agora falemos da guerra popular. O que significa a violência para o Presidente Gonzalo?

Presidente Gonzalo: Sobre a violência, nós partimos de um princípio estabelecido pelo Presidente Mao Tsetung: a violência é uma lei universal sem exceção alguma, quero dizer, a violência revolucionária; essa violência é a que nos permite resolver as contradições fundamentais com um Exército e através da guerra popular. Por que partimos da tese do Presidente Mao? Porque cremos que com ele o marxismo se reafirmou e chegou a estabelecer que não há exceção alguma. Marx já defendera a violência como parteira da história que segue sendo plenamente válida e grandiosa, Lenin defendeu a violência, e nos falou do panegírico da violência revolucionária feito por Engels; porém foi o Presidente quem nos disse que é uma lei universal sem exceção alguma, por isso partimos dessa tese. É uma questão substantiva do marxismo porque sem violência revolucionária não se pode substituir uma classe por outra, não se pode derrubar uma velha ordem para criar uma nova – nova ordem que hoje deve ser dirigida pelo proletariado através de partidos comunistas. O problema da violência revolucionária é uma questão que cada vez mais se põe sob tapete, assim nós comunistas e revolucionários temos que reafirmar-nos em nossos princípios. O problema da violência revolucionária é como concretizamos a guerra popular; para nós a questão é que o Presidente Mao Tsetung, ao estabelecer a guerra popular, dotou o proletariado de sua linha militar, de sua teoria e prática militar de validade universal, portanto, aplicável em todas as partes, segundo as condições concretas. O problema da guerra nós vemos assim: a guerra tem dois aspectos, um de destruição e outro de construção, principal é o de construção, e não ver dessa maneira é abalar a revolução, debilitá-la. Por outro lado, desde que o povo toma as armas para derrubar a velha ordem, desde esse momento a reação busca esmagá-lo, destruí-lo, aniquilá-lo e usa todos os meios disponíveis em suas mãos, chegando ao genocídio. Em nosso país temos isso, e estamos vendo e veremos ainda mais até demolir o caduco Estado peruano. Quanto à chamada guerra suja, preferiria simplesmente dizer que é atribuída a nós a guerra suja, e dizem que a força armada reacionária aprendeu conosco a tal guerra suja; essa imputação é uma clara expressão de não entender o que é uma revolução, é não entender o que é uma guerra popular. A reação aplica, através de suas forças armadas e repressivas em geral, uma grande violência, busca varrer-nos e desaparecer-nos. E por qual razão? Porque nós queremos o mesmo para eles, varrê-los e desaparecê-los como classe. Já Mariátegui dizia que somente destruindo e demolindo a velha ordem se podia gerar uma nova ordem social. Nós avaliamos, em última instância, estes problemas à luz do princípio básico da guerra estabelecido pelo Presidente Mao: o princípio de aniquilar as forças do inimigo e preservar as próprias, e sabemos muito bem que a reação aplicou, aplica e aplicará o genocídio, disso estamos sumamente claros. E, consequentemente, está colocado o problema da cota: a questão de que para aniquilar o inimigo e preservar as próprias forças – e mais ainda desenvolvê-las – há que pagar um custo de guerra, um custo de sangue, a necessidade do sacrifício de uma parte para o triunfo da guerra popular. Quanto ao terrorismo: nos acusam de terroristas, somente quero responder desta maneira para que todos reflitamos. Foi ou não o imperialismo ianque e, particularmente, Reagan, que tachou de terrorismo todo movimento revolucionário? Sim ou não? Assim se pretende desprestigiar e isolar para esmagar, é o que sonham. Porém, não só o imperialismo ianque e as demais potências imperialistas combatem o chamado terrorismo, também assim fazem o social-imperialismo, o revisionismo e, hoje, o próprio Gorbachov defende unir-se para lutar contra o terrorismo. E não é simples coincidência que no VIII Congresso do Partido do Trabalho da Albânia, Ramiz Alía se dedique também a combatê-lo. Porém será muito útil que todos recordemos o que Lenin escreveu: “Vivam os iniciadores do Exército Popular revolucionário! Isto já não é um complot contra um personagem qualquer odiado, não é um ato de vingança, não é uma saída provocada pelo desespero, não é um simples ato de ‘amedrontamento’, não: isto é o começo, bem meditado e preparado, calculado desde o ponto de vista da correlação de forças, é o começo das ações dos destacamentos do exército revolucionário”. “Afortunadamente, passaram os tempos em que por falta de um povo revolucionário ‘faziam’ a revolução terroristas revolucionários isolados. A bomba deixou de ser a arma do ‘petardista’ individual e passou a ser elemento necessário do armamento do povo”. Lenin já nos ensinava que os tempos haviam mudado, que a bomba passou a ser arma de combate da classe, do povo, que já não era uma conjura, uma ação individual isolada, e sim a ação de um Partido, com um plano, com um sistema, com um Exército. Assim são as coisas. Onde está o imputado “terrorismo”? Infâmia pura. Finalmente, deve ter-se muito presente que na guerra contemporânea, em especial, é precisamente a reação quem usa o terrorismo como um de seus meios de luta e o é, como está provado à saciedade, uma quotidiana forma de luta das forças armadas do Estado peruano. Visto o anterior podemos concluir que os que julgam desesperados porque a terra treme sob seus pés, querem imputar terrorismo para ocultar a guerra popular, porém esta é tão estremecedora que eles mesmos reconhecem que a guerra popular tem dimensão nacional e que tornou-se no problema principal que o Estado peruano enfrenta. Nenhum terrorismo é assim, nenhum. E, mais ainda, já não podem negar que um Partido Comunista dirige a guerra popular. Porém nestes momentos há os que começam a refletir; não há que pôr cruzes antecipadas a ninguém, há os que podem avançar. Outros como Del Prado, jamais.

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As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo (Lenin, 1913)

V. I. Lenin

A doutrina de Marx suscita em todo o mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa (tanto a oficial como a liberal), que vê no marxismo um a espécie de “seita perniciosa”. E não se pode esperar outra atitude, pois, numa sociedade baseada na luta de classes não pode haver ciência social “imparcial”. De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital.

Mas não é tudo. A história da filosofia e a história da ciência social ensinam com toda a clareza que no marxismo não há nada que se assemelhe ao “sectarismo”, no sentida de uma doutrina fechada em si mesma, petrificada, surgida à margem da estrada real do desenvolvimento da civilização mundial. Pelo contrário, o gênio de Marx reside precisamente em ter dado respostas às questões que o pensamento avançado da humanidade tinha já colocado. A sua doutrina surgiu como a continuação direta e imediata das doutrinas dos representantes mais eminentes da filosofia, da economia política e do socialismo.

A doutrina de Marx é onipotente porque é exata. É completa e harmoniosa, dando aos homens uma concepção, integral do mundo, inconciliável com toda a supertição, com toda a reação, com toda a defesa da opressão burguesa. O marxismo é o sucessor legítimo do que de melhor criou a humanidade no século XIX: a filosofia alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês.

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Lenin sobre a questão militar: carta ao Comitê de Combate de S. Petersburgo (1905)

Nota do blog: Carta escrita por V.I. Lenin em setembro e 1905 após receber relatório das atividades e documentos do Comitê de Combate de São Petersburgo, durante a insurreição de 1905.


Queridos camaradas:

Muito obrigado pelo envio: 1) do informe do Comitê de Combate; 2) apontamentos sobre a questão da organização e preparação da insurreição, e 3) esquemas de organização. Depois de ter lido estes documentos, considero meu dever dirigir-me diretamente ao Comitê de Combate para trocar opiniões entre camaradas.

Não é preciso dizer que não pretendo fazer um juízo sobre a forma da organização prática do assunto, que faz tudo possível nas difíceis condições atuais da Rússia – nisto (estou seguro) não cabe dúvida alguma. Mas, a julgar pelos documentos, o assunto ameaça degenerar em burocratismo. Todos esses esquemas, todos esses planos de organização do Comitê de Combate dão a impressão de uma papelada burocrática, perdão pela minha franqueza, mas confio que não me acusarão de querer arranjar briga. Numa obra semelhante, os esquemas, as discussões sobre as funções, e os direitos e deveres do Comitê de Combate são o menos conveniente. O que se necessita é uma raivosa energia, energia, uma vez mais energia.

Com verdadeiro horror – palavra – vejo que faz mais de seis meses que se está discursando sobre bombas, mas que não foi fabricada nenhuma até agora. E, no entanto, são homens muito sábios os que falam…Dirijam-se à juventude! É só esta a única panacéia universal. Do contrário, lhes dou minha palavra, chegarão tarde (eu vejo por todos os sintomas) e ficarão com as “sábias” notas, planos, esquemas, desenhos, maravilhosas receitas, mas sem organização, sem atividade palpitante. Dirijam-se à juventude! Criem em seguida, destacamentos de combate em todas as partes, entre os estudantes e sobretudo, entre os operários, etc., etc. Que se organizem imediatamente destacamentos de três, dez, trinta homens. Que se armem imediatamente por si mesmos, cada qual como possa e com o que possa, alguns com um revólver, outros com um punhal, outros com um trapo encharcado com petróleo para incêndio, etc., que esses destacamentos elejam já seus dirigentes e se ponham, dentro do possível, em relação com o Comitê de Combate. Joguem no lixo, pelo amor de Cristo, todos esses esquemas, mandem a todos os diabos as ‘funções, direitos, privilégios’. Não exijam a adesão obrigatória ao Partido social-democrata, seria uma exigência absurda para uma insurreição armada. Não se neguem, a entrar em relações com cada círculo, ainda que esteja composto por três pessoas, com a única condição de que seja de toda confiança e que esteja decidido a lutar contra o exército czarista. Que os círculos que desejarem, adiram ao Partido social-democrata, perfeitamente; mas eu estimaria absolutamente errôneo exigir-lhes isso como condição prévia.

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Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte III)

Nota do blog: A seguir, a parte III da Entrevista do Século realizada pelo jornal democrático peruano El Diario, em 1988. Nesta parte a entrevista concentra-se no tema Partido.


II –  Sobre o Partido

El Diario: E passando a outro tema tão importante nesta entrevista que é o Partido, que lições você considera as mais importantes do processo do PCP?

Presidente Gonzalo: Sobre o processo do Partido e suas lições. Nós compreendemos a história do Partido em três partes correlatas com os três momentos da sociedade peruana contemporânea. O primeiro momento, a primeira parte, a Constituição do Partido. Nela tivemos a sorte de contar com José Carlos Mariátegui, um marxista-leninista integral, porém Mariátegui, como tinha que ser, foi combatido em vida, foi negado, se abandonou sua linha e nunca se cumpriu o Congresso de Constituição que ele deixara como tarefa pendente, pois o congresso que chamam “de constituição” aprovou – como bem sabemos – a chamada linha de “unidade nacional” totalmente oposta à tese de Mariátegui. Assim o Partido vai precipitando-se no oportunismo, sofre a influência do browderismo ao qual Del Prado está ligado e depois a do revisionismo contemporâneo. Todo este processo vai levar-nos a um segundo momento, o da Reconstituição do Partido: esta é uma luta em síntese contra o revisionismo, é um período que começa a desenvolver-se a partir do começo dos anos 1960 de forma já mais clara e mais intensa; este processo leva as bases do Partido a unir-se contra essa direção revisionista e, como dissera antes, a expulsá-la na IV Conferência de janeiro de 1964. O processo de Reconstituição vai desenvolver-se no Partido até o ano 1978-79; por volta desses anos vai terminar este período e vai-se entrar num terceiro momento, o momento da Direção da guerra popular que é no qual estamos vivendo. Que lições poderíamos tirar? A primeira lição, a importância da base de unidade partidária e sua relação com a luta de duas linhas; sem esta base e seus três elementos [1) marxismo-leninismo-maoismo, pensamento Gonzalo, 2) programa e 3) linha política geral] não há sustentação para a construção ideológico-política do Partido; porém sem luta de duas linhas não há base de unidade partidária. Sem uma firme e sagaz luta de duas linhas no Partido não se pode apreender firmemente a ideologia, não pode-se estabelecer o programa nem a linha política geral assim como tampouco defendê-los, aplicá-los e menos desenvolvê-los. A luta de duas linhas para nós é fundamental e tem a ver com conceber o Partido como uma contradição em concordância com o caráter universal da lei da contradição. Uma segunda lição, a importância da guerra popular: um Partido Comunista tem como tarefa central a conquista do Poder para a classe e o povo; um Partido uma vez constituído e considerando as condições concretas tem que brigar por consolidar essa conquista e somente pode fazê-lo mediante a guerra popular. Terceira lição importante é a forja de uma direção, a direção é chave; e, uma direção não se improvisa, requer longo tempo, dura briga, árdua luta para forjar uma direção, particularmente para que seja uma direção da guerra popular. Uma quarta lição que poderíamos tirar é a necessidade de construir a conquista do Poder, porque assim como se faz a guerra popular para conquistar o Poder, há que também construir essa conquista do Poder. O que queremos dizer? Que há que gerar organismos superiores aos da reação. Cremos que estas são importantes lições. Uma final é o internacionalismo proletário, desenvolver-se sempre como parte do proletariado internacional, sempre conceber a revolução como parte da revolução mundial, desenvolver a guerra popular – como diz a palavra de ordem partidária – servindo à revolução mundial. E por quê? Porque um Partido Comunista, ao fim e ao cabo, tem uma meta final insubstituível: o comunismo, e nele, como foi estabelecido, entramos todos ou não entra ninguém. Cremos que estas são as mais relevantes lições que poderíamos colocar.

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Declaração conjunta de Partidos e Organizações MLM sobre os crescentes protestos populares na América Latina

Declaração conjunta de Partidos e Organizações MLM sobre os crescentes protestos populares na América Latina

Tradução não-oficial.

Proletários de todos os países, uni-vos!

América Latina: Desenvolver o crescente protesto popular, tudo em função de iniciar a guerra popular sob a direção do Partido Comunista militarizado!

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O que a Liga da Juventude deve ter presente em seu trabalho e as características próprias dos jovens (Presidente Mao, 1953)

O que a Liga da Juventude deve ter presente em seu trabalho e as características próprias dos jovens (Presidente Mao, 1953)

30 de junho de 1953

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Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte II)

Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte II)

Nota do blog: A seguir, a parte II da Entrevista do Século realizada pelo jornal democrático peruano El Diario, em 1988. Nesta parte a entrevista concentra-se no tema Ideologia.

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