Sobre a contradição (Mao Tsetung, 1937)

Nota do blog: Publicamos a seguir a mais importante obra filosófica do Presidente Mao Tsetung. Com ela, culmina-se a grande revolução operada na filosofia, iniciada com a fundação do materialismo dialética por Karl Marx – principalmente – e Friedrich Engels.

Nesta obra, o Presidente Mao afirma que a única lei fundamental da dialética materialista era a lei da unidade de contrários ou lei da contradição. Através dessa, pode-se explicar todo o desenvolvimento da matéria universal – tanto na natureza, como na sociedade e no pensamento humano.

Além disso, o aparecimento deste documento opera também uma outra revolução na filosofia, planteada desde Marx, mas nunca, até então, materializada: o levar a filosofia às amplas massas. Durante a GRCP, as massas agarraram a lei da contradição, a dialética materialista, e puderam dar solução científica dos mais simples aos mais complexos problemas da construção do socialismo e dos problemas mais cotidianos.

Trata-se, pois, do maior documento filosófico da história da humanidade, de importância transcendental. É a medula da concepção comunista, proletária de mundo. Estudá-lo séria e assiduamente é obrigação de todos os revolucionários e revolucionárias, especialmente das novas gerações.


Sobre a contradição*

Agosto de 1937

A lei da contradição inerente aos fenômenos, ou lei da unidade dos contrários, é a lei fundamental da dialética materialista. Lenin dizia: “No sentido próprio, a dialética é o estudo da contradição na própria essência dos fenômenos” [1].

Sobre essa lei, Lenin dizia com freqüência que era a essência da dialética, afirmando também que era o núcleo da dialética [2]. É assim que, ao estudarmos tal lei, somos obrigados a abordar um amplo círculo de problemas, um grande número de questões filosóficas. Se formos capazes de esclarecer todas essas questões, nós compreenderemos nos seus verdadeiros fundamentos a dialética materialista. Essas questões são: as duas concepções do mundo, a universalidade da contradição, a particularidade da contradição, a contradição principal e o aspecto principal da contradição, a identidade e a luta dos aspectos da contradição, o lugar do antagonismo na contradição.

A crítica a que, nos círculos filosóficos soviéticos, foi submetido nestes últimos anos o idealismo da escola de Deborine, suscitou um grande interesse entre nós. O idealismo de Deborine exerceu uma influência das mais perniciosas no seio do Partido Comunista da China, não se podendo dizer que as concepções dogmáticas existentes no nosso Partido não tenham coisa alguma a ver com tal escola. É por isso que, atualmente, o objetivo principal do nosso estudo da filosofia é extirpar as concepções dogmáticas.

As duas concepções do mundo

Na história do conhecimento humano existiram sempre duas concepções acerca das leis do desenvolvimento do mundo: uma metafísica, outra dialética. Elas constituem duas concepções opostas sobre o mundo. Lenin dizia:

“As duas concepções fundamentais (ou as duas possíveis? ou as duas dadas pela história?) do desenvolvimento (da evolução) são: o desenvolvimento como diminuição e aumento, como repetição, e o desenvolvimento como unidade de contrários (desdobramento do que é um em contrários que se excluem mutuamente, e relações entre eles)” [3].
Aí, Lenin referia-se justamente às duas concepções distintas sobre o mundo.

Na China, a Metafísica também se chama Suansiue. O modo de pensar metafísico, próprio da concepção idealista do mundo, ocupou durante um longo período da História um lugar predominante no espírito das pessoas, quer na China quer na Europa. Na Europa, o próprio materialismo foi metafísico nos primeiros tempos da existência da burguesia. Em resultado de toda uma série de Estados europeus, ao longo do seu desenvolvimento econômico-social, terem entrado na fase de um capitalismo altamente desenvolvido, e de as forças produtivas, a luta de classes e a ciência, terem atingido um nível de desenvolvimento sem precedente na História, e ainda em resultado de o proletariado industrial ter-se transformado na maior força motriz da História, nasceu a concepção materialista-dialética, marxista, do mundo. A partir de então, ao lado de um idealismo reacionário patente e de nenhum modo camuflado, viu-se aparecer, no seio da burguesia, um evolucionismo vulgar, oposto à dialética materialista.

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Heróis Proletários: O sofrimento e a visão da morte não quebram a têmpera do combatente!

“Ninguém é profeta na sua terra”, diz um velho provérbio. Dimitrov o contrariou. Na Bulgária, como na Alemanha, fez escola. É fato que os trabalhadores búlgaros, cuja vanguarda está há 13 anos na ilegalidade, forneceram para a luta antifascista admirável contingente de heróis. Contentemo-nos com um exemplo: o de Lutibrodsky.

Condenado à morte em dezembro de 1934, o operário Jurdan Lutibrodsky era executado, em fins de maio de 1935, no páteo da prisão de Varna.

Antes da execução, a ditadura ousara propor-lhe um negócio vergonhoso: se declarasse lastimar sua atividade revolucionária, renunciar a ela e exortar seus camaradas a fazer o mesmo, seria agraciado. como reagiu a essa suprema humilhação? Como um bolchevique. Como respondeu a seu pai que, desesperado, pedia-lhe que se submetesse?

Basta-nos reproduzir, sem comentários (qualquer comentário só poderia deslustrar) a carta que escreveu:

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A questão filosófica em Lenin (Comitê de Redação da revista ‘O Maoista’)

Nota do blog: Publicamos com grande júbilo a tradução não-oficial do documento assinado pelo Comitê de Redação da Revista O Maoista sobre os aportes do grande camarada Lenin à filosofia marxista.


Proletários de todos os países, uni-vos!

A questão filosófica em Lenin

Comitê de Redação

Marx traçou o objetivo fundamental da tática do proletariado em rigorosa consonância com todas as premissas de sua concepção materialista dialética do mundo. (V. I. Lenin, Karl Marx).

O artigo que apresentamos a seguir analisa o desenvolvimento das ideias filosóficas mais importantes – no nosso entender – que Lenin expôs em três de suas obras: Quem são os amigos do povo e como lutam contra os socialdemocratas (1894), Materialismo e Empiriocriticismo (1909) e Cadernos Filosóficos (1914-1915) [1]. Ainda que toda a obra (teórica e prática) de Lenin evidencie a aplicação e desenvolvimento magistral que ele fez no campo da filosofia marxista, do materialismo dialético, estas são as mais destacadas obras nas quais Lenin dá especial atenção aos assuntos filosóficos e, por isso, as tomamos como fonte para nossa exposição da questão filosófica em Lenin. Antes de analisar mais detidamente as referidas obras, veremos a seguir como o grande dirigente do proletariado russo viu a questão entre o materialismo dialético e o conjunto da doutrina de Karl Marx.

Lenin defendeu, aplicou e desenvolveu o marxismo em meio de tenazes lutas de classes e luta de duas linhas, e seu pensamento filosófico segue sendo uma poderosa arma para desmascarar e lutar contra todo tipo de oportunistas e revisionistas. Seguindo seu magistral exemplo, buscamos escrever este artigo em meio e a serviço da reconstituição do Partido do proletariado em nosso país que dirija a Guerra Popular, assim como da reconstituição da Internacional Comunista. O fazemos também no marco da Celebração do Centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro.

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O materialismo dialético e o anarquismo (V. Lenin)

Nota do blog: Publicamos a seguir documento escrito pelo camarada Lenin fundamentando cientificamente a crítica ao anarquismo e sua base ideológica – como de toda doutrina –, a filosofia e sua aplicação nos demais campos.

 


O materialismo dialético e o anarquismo

Lenin

Não somos dos que quando se menciona a palavra “anarquismo” viram com desdém as costas e, com um gesto de repulsa, dizem: “Tendes a liberdade de ocupar-vos disso; mas não vale sequer a pena falar no assunto!” Julgamos que semelhante “critica” barata é indigna e infecunda. Não somos tampouco dos que se consolam pensando que os anarquistas “não tem apoio de massa” e por isso não são, afinal, tão “perigosos”. Não se trata de saber quem a seguido por “massa” maior ou menor”, trata-se da substância da doutrina. Se a “doutrina” dos anarquistas exprimir a verdade é obvio então que ela necessariamente abrirá o caminho para si e reunirá em torno de si a massa. Se, pelo contrario, for inconsistente e alicerçada numa base falsa, não subsistirá por muito tempo ou ficará suspensa no ar. A inconsistência do anarquismo deve, portanto, ser demonstrada. Julgamos que os anarquista são verdadeiros inimigos do marxismo. Por conseguinte, reconhecemos também que, contra inimigos verdadeiros, é preciso travar uma luta verdadeira. E por isso é necessário examinar a “doutrina” dos anarquistas de alto a baixo e colocá-la à prova sistematicamente em todos os aspectos. Mas alem da critica dos anarquistas é necessária uma explicação da nossa posição e, portanto, uma exposição sumária da doutrina de Marx e Engels. Isso é tanto mais necessário quanto alguns anarquistas difundem uma falsa versão do marxismo e causam confusão na cabeça dos leitores.

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Os estilos de trabalho do Partido (Partido Comunista da China, 1974 – Parte IX)

Nota do blog: Publicamos a seguir o nono capítulo do importante documento do Partido Comunista da China, intitulado Uma compreensão básica do Partido, datado de 1974, num esforço de sintetizar a Base de Unidade Partidária, os princípios, estratégia, tática e métodos adotados pelo Partido para fazer a Revolução, prevenir-se do revisionismo, aplastar a restauração capitalista e seguir a via socialista. Publicamos objetivando servir melhor à formação ideológica e política, sobretudo da juventude.

O cap. anterior: VIII.

Tradução não oficial, realizada voluntariamente por uma leitora.


Capítulo IX
Os “três excelentes estilos de trabalho” do Partido

De acordo com os Estatutos do Partido, todos os camaradas do Partido devem “desenvolver o estilo de integração da teoria com a prática, manter estreitos vínculos com as massas e praticar a crítica e a autocrítica”. Os três excelentes estilos de trabalho do nosso Partido constituem uma excelente tradição estabelecida pelo próprio presidente Mao, e o valioso legado do nosso Partido para unir o povo e derrotar o inimigo. Todo membro do Partido Comunista deve estudar, defender e pôr em prática o excelente estilo de trabalho do nosso Partido para alcançar vitórias ainda maiores na causa da revolução e da construção socialistas.

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Em defesa da vida do Presidente Gonzalo desfraldar mais alto a bandeira do Maoismo! (Partidos e Organizações maoistas, setembro de 2018)

Nota do blog: Divulgamos tradução não-oficial de importante documento conjunto assinado por Partidos e Organizações marxistas-leninistas-maoistas por ocasião do 26º aniversário do Discurso do Presidente Gonzalo em setembro de 1992.

Os Partidos e Organizações marxistas-leninistas-maoistas declaram: “Entendemos que a defesa do Presidente Gonzalo implica lutar da forma mais consequente por pôr o maoismo como único mando e guia da nova grande onda da revolução proletária mundial, que já está se desenvolvendo. Entendemos que essa luta é parte da tarefa para reunificar os comunistas do mundo, que exige pôr em primeiro lugar os princípios do marxismo, os interesses de classe do proletariado internacional, a luta de libertação dos povos e nações oprimidas, enfim, a luta pelo Comunismo.”


 

Proletários de todos os países, uni-vos!

Em defesa da vida do Presidente Gonzalo desfraldar mais alto a bandeira do Maoismo!

Finalmente agora escutemos isto, com vemos no mundo, o maoismo marcha incontivelmente para comandar a nova onda da revolução proletária mundial, entenda-se bem e compreenda-se!Quem tem ouvidos, ouça, quem tem entendimento e todos temos, manejemo-o, basta de tolices, basta de obscuridades! Entendamos isso! O que é se desenvolve no mundo? O que necessitamos? Necessitamos que o maoismo seja encarnado e está sendo encarnado, e através da geração Partidos Comunistas, para manejar, dirigir, essa nova grande onda da revolução proletária mundial que vem. (Discurso do Presidente Gonzalo, set 1992)

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Os princípios básicos do Partido (Partido Comunista da China, 1974 – parte V)

Nota do blog: Publicamos a seguir o quinto capítulo do importante documento do Partido Comunista da China, intitulado Uma compreensão básica do Partido, datado de 1974, num esforço de sintetizar a Base de Unidade Partidária, os princípios, estratégia, tática e métodos adotados pelo Partido para fazer a Revolução, prevenir-se do revisionismo, aplastar a restauração capitalista e seguir a via socialista. Publicamos objetivando servir melhor à formação ideológica e política, sobretudo da juventude.

Os capítulos anteriores: I, II, III e IV.

Tradução não oficial, realizada voluntariamente por uma leitora.


Capítulo V – Os princípios básicos do Partido de “os três o que fazer e os três o que não fazer”

Os Estatutos do Partido planteiam que os camaradas devem aderir aos princípios de “praticar o marxismo e não o revisionismo, unir-nos e não dividir-nos, e ser francos e abertos e não urdir intrigas nem maquinações”. Estes três princípios sobre o que fazer e o que não fazer representam uma profunda síntese da experiência histórica do nosso grande líder, o Presidente Mao, à respeito das duas linhas no Partido. Eles distinguem a norma que nos permite distinguir a linha correta da linha incorreta.  São os três princípios básicos que os membros do Partido devem respeitar. Todo membro do Partido deve ter sempre em mente estes três princípios e aderir a eles para travar a luta de duas linhas dentro do Partido ativamente e de maneira correta.

Praticar o marxismo e não o revisionismo

Destes três princípios formulados pelo Presidente Mao sobre o que há que fazer e o que há que não fazer, o mais fundamental é praticar o marxismo e não o revisionismo. Uma pessoa que pratica o marxismo e não o revisionismo e que serve de todo coração aos interesses da ampla maioria da população da China e do mundo, necessariamente trabalha pela unidade e é franca e aberta; uma pessoa que pratica o revisionismo e serve à minoria dos elementos das classes exploradoras. inevitavelmente trabalha pela cisão e toma parte em intrigas e maquinações.

Por mais de 50 anos, as lutas dentro do nosso Partido entre a linha marxista representada pelo Presidente Mao e as diversas linhas oportunistas sempre têm sido, em última instância, sobre a questão de se praticar o marxismo ou o revisionismo. Esta é uma importante questão à respeito do futuro da revolução proletária, do caráter do partido político proletário e do destino do Estado da ditadura do proletariado. É por isso que o princípio de “Praticar o marxismo e não o revisionismo” (79) é essencial para construir o partido político do proletariado – constitui a orientação política à qual devemos aderir e a garantia de que nosso Partido e nosso Estado nunca mudará seu caráter.

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A linha básica do Partido (Partido Comunista da China, 1974 – parte IV)

Nota do blog: Publicamos a seguir o quarto capítulo do importante documento do Partido Comunista da China, intitulado Uma compreensão básica do Partido, datado de 1974, num esforço de sintetizar a Base de Unidade Partidária, os princípios, estratégia, tática e métodos adotados pelo Partido para fazer a Revolução, prevenir-se do revisionismo, aplastar a restauração capitalista e seguir a via socialista. Publicamos objetivando servir melhor à formação ideológica e política, sobretudo da juventude.

Os capítulos anteriores: I, II e III.

Tradução não oficial, realizada voluntariamente por uma leitora.


Capítulo IV – A linha básica do Partido

Os Estatutos do Partido adotados durante o X Congresso reafirmaram uma vez mais a linha básica do Partido para todo o período histórico do socialismo. Todos os membros do Partido devem estudar conscientemente esta linha básica, compreendê-la em profundidade e elevar seu nível de consciência quanto a como aplicá-la.

A linha básica é a alma do Partido

O Presidente Mao nos ensina que: “ser ou não correta a linha ideológica e política, é o que decide tudo” (60) e que “para levar a revolução à vitória, um partido político deve depender do correto de sua própria linha política e da solidez de sua própria organização”. (61) Isto nos mostra claramente que se o partido político proletário quer levar a causa revolucionária à vitória, deve necessariamente defender uma linha marxista-leninista. Se a linha do partido é correta, então ainda quando não tenha soldados, os terá; ainda que não tenha o poder, tomará o poder. Se a linha de um partido é incorreta, então embora controle os governos nacional e local e controle o exército, enfrentará sua queda. Esta é uma verdade que as experiências históricas de nosso Partido e do movimento comunista internacional corroboraram repetidamente.

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