Desenvolvimento da Campanha pela Defesa de nossa Chefatura o Presidente Gonzalo: Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán

Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán

Introdução

Hoje, publicamos as CONVERSAS COM A CAMARADA LAURA NAS BASES DAS MONTANHAS VIZCATÁN, no VRAEM (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro), realizada por volta de 2012, o essencial da entrevista é que nela, como tem que ser, com guerra popular  assume a defesa do Presidente Gonzalo, a chefatura do Partido e da revolução, do pensamento gonzalo, o I Congresso e da BUP (Base de Unidade Partidária) e todo o caminho percorrido até agora e se toma firme posição contra a LOD (Linha Oportunista de Direita) revisionista e capitulacionista encabeçada pela ratazana Miriam e especialmente contra a linha oportunista de direita, disfarçada de esquerda, revisionista e capitulacionista da ratazana José e sua camada que usurparam o CRP (Comitê Regional Principal). Consideramos que é um magistral documento marxista-leninista-maoista, pensamento gonzalo. Nele com a documentação partidária em mãos a camarada Laura, desde as mesmas montanhas de Vizcatán, com profundo sentimento e ódio de classe, com firme convicção e posição comunista e com a ideologia do marxismo-leninismo-maoismo, pensamento gonzalo assume a defesa de nossa chefatura, o Presidente Gonzalo, e de seu todopoderoso pensamento, e deslinda, aplasta e varre contra todas as patranhas da CIA- reação peruana e seus serviçais do novo revisionismo contra o Presidente Gonzalo, o PCP e a guerra popular.

Com esta entrevista documentamos como a esquerda luta com guerra popular por impor a linha vermelha no VRAEM. Assim, os comunistas, combatentes e massas, praticando a filosofia da luta que só com fuzil se pode transformar o mundo, está lutando para levar adiante a reorganização do CRP do PCP como parte da reorganização geral de todo o Partido em meio à guerra popular e em luta de morte contra o revisionismo.

É um documento com o qual se impôs a luta de duas linhas no Partido em 2013, portanto, expressa como se estava manejando a luta de duas linhas nesse momento, o qual serviu de base para dar o salto na tarefa partidária da RGP (Reorganização Geral do Partido) em torno de maio de 2014. Mostra pois parte desse processo. Por isso, haverá muitas interrogações que os leitores podem plantear sobre diversos aspectos, alguns seguramente muito importantes sobre esta luta e que ficam elucidados na entrevista. Muitos já se resolveram no tempo transcorrido, e outros seguramente estão se resolvendo com o desenvolvimento da RGP em meio à guerra popular. Com esta entrevista nos desvenda que cada vez mais estamos nos aproximando de sua brilhante culminação.

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Sobre o marxismo-leninismo-maoísmo (Partido Comunista do Peru)

 
Nota do blog: “Sobre o Marxismo-leninismo-maoísmo” é um tópico publicado pelo Partido Comunista do Peru, originalmente anexo a outros tópicos, entre eles “Sobre o Pensamento Gonzalo” (publicado a seguir), “Programa geral sobre a Revolução Democrática” e etc. Todos estes fazem parte do documento do mesmo intitulado “Documentos Fundamentais”, de 1988/89. Pela seu contexto histórico, reproduzimos em nosso blog, até onde sabemos, inédito em português (tradução nossa).

I. SOBRE O MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO.

A ideologia do proletariado internacional, no cadinho da luta de classes, insurgiu como marxismo tornando-se marxismo-leninismo e, posteriormente, marxismo-leninismo-maoísmo. Assim, a todo-poderosa ideologia científica do proletariado, todo-poderosa porque é verdadeira, tem três etapas: 1) marxismo, 2) leninismo, 3) maoísmo; três etapas, momentos ou marcos de seu processo dialético de desenvolvimento; de uma mesma unidade que em centro e cinquenta (150) anos a partir do “Manifesto”, na mais heroica epopeia da luta de classes, na encarniçada e frutífera luta de duas linhas nos próprios partidos comunistas e a imensa tarefa de titãs do pensamento e a ação que somente a classe podia gerar, sobressaindo três luzes imarcescíveis: Marx, Lenin, Mao Tse-tung, mediante grandes saltos e três grandiosos nos têm armado com o invencível marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoismo hoje.

Todavia, enquanto o marxismo-leninismo logrou reconhecimento de sua validez universal, o maoismo não é reconhecido plenamente como terceira etapa; pois, enquanto uns negam simplesmente sua condição de tal, outros só chegam a sua aceitação como “pensamento Mao Tsetung”. E, em essência, em ambos casos, com as obvias diferenças que entre si têm, negam o desenvolvimento geral do marxismo feito pelo presidente Mao Tsetung; não reconhecer-lhe seu caráter de “ismo”, de maoismo, é negar-lhe sua vigência universal e, em consequência, sua condição de terceira, nova e superior etapa da ideologia do proletariado internacional: o marxismo-leninismo-maoismo, principalmente maoismo que içada, defendemos e aplicamos.

Como INTRODUÇÃO para melhor compreender o maoismo e a necessidade de lutar por ele, recordemos a Lenin. Ele nos ensinou que conforme a revolução se adentrava no Oriente expressava condições específicas que, se bem não negavam princípios e leis, eram novas situações que o marxismo não podia ignorar sob pena de expor a revolução ao fracasso. E que, apesar do clamor que particularmente a intelectualidade recheada de liberalismo e falsamente marxista, pedante e livresca, levantou contra o novo, o único justo e correto é aplicar o marxismo à realidade concreta e resolver as novas situações e problemas que toda revolução necessariamente enfrenta e resolve; antes do espanto e auto-justa “defesa da ideologia, da classe e do povo” que proclamam os revisionistas, oportunistas e renegados, os furibundos e cegos ataques de embrutecidos acadêmicos e plumíferos da velha ordem, envelhecidos da podre ideologia burguesa, dispostos a defender a velha sociedade que parasitam. Além disso, Lenin disse expressamente que a revolução no Oriente traria novas e grandes surpresas para maior espanto dos adoradores de seguir sós os caminhos conhecidos e incapazes de ver o novo; e, como todos sabemos, encomendou aos camaradas orientais resolver problemas que o marxismo ainda não havia resolvido.

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Como compreender a Revolução Peruana e a Guerra Popular

Nota do blog: Artigo produzido pelo Núcleo de Estudos do Marxismo-leninismo-maoísmo-Brasil sobre a questão do Peru, da Guerra Popular no Peru e de subtemas tocantes à questão do Pensamento Gonzalo e do maoísmo. Publicado originalmente como fragmento do texto “17 de maio: Trinta anos de Guerra Popular no Peru”, retirado do Jornal A Nova Democracia (nº 65, maio de 2010).

Como compreender a Revolução Peruana e a Guerra Popular

José Antonio Fonseca
Núcleo de Estudos do Marxismo-leninismo-maoísmo-Brasil

 Em torno da correta avaliação e balanço da Guerra Popular no Peru residem os problemas cruciais e principais desafios para o movimento comunista internacional na atualidade, particularmente quanto à compreensão e aplicação do maoísmo, tomando-o a partir de seu centro, o problema do poder, o poder para o proletariado em diferentes tipos de revolução, através de uma força armada dirigida pelo partido comunista. Poder conquistado e defendido com Guerra Popular.

Por isso nos deteremos sobre esta questão crucial para o desenvolvimento ou não de qualquer processo revolucionário no mundo, o problema da ideologia que o guia, expondo ainda que sinteticamente o significado e importância do Pensamento Gonzalo como farol e guia da guerra popular e seu papel para a compreensão do maoísmo no Peru e em todo mundo.

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Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte III)

Nota do blog: A seguir, a parte III da Entrevista do Século realizada pelo jornal democrático peruano El Diario, em 1988. Nesta parte a entrevista concentra-se no tema Partido.

II –  Sobre o Partido

El Diario: E passando a outro tema tão importante nesta entrevista que é o Partido, que lições você considera as mais importantes do processo do PCP?

Presidente Gonzalo: Sobre o processo do Partido e suas lições. Nós compreendemos a história do Partido em três partes correlatas com os três momentos da sociedade peruana contemporânea. O primeiro momento, a primeira parte, a Constituição do Partido. Nela tivemos a sorte de contar com José Carlos Mariátegui, um marxista-leninista integral, porém Mariátegui, como tinha que ser, foi combatido em vida, foi negado, se abandonou sua linha e nunca se cumpriu o Congresso de Constituição que ele deixara como tarefa pendente, pois o congresso que chamam “de constituição” aprovou – como bem sabemos – a chamada linha de “unidade nacional” totalmente oposta à tese de Mariátegui. Assim o Partido vai precipitando-se no oportunismo, sofre a influência do browderismo ao qual Del Prado está ligado e depois a do revisionismo contemporâneo. Todo este processo vai levar-nos a um segundo momento, o da Reconstituição do Partido: esta é uma luta em síntese contra o revisionismo, é um período que começa a desenvolver-se a partir do começo dos anos 1960 de forma já mais clara e mais intensa; este processo leva as bases do Partido a unir-se contra essa direção revisionista e, como dissera antes, a expulsá-la na IV Conferência de janeiro de 1964. O processo de Reconstituição vai desenvolver-se no Partido até o ano 1978-79; por volta desses anos vai terminar este período e vai-se entrar num terceiro momento, o momento da Direção da guerra popular que é no qual estamos vivendo. Que lições poderíamos tirar? A primeira lição, a importância da base de unidade partidária e sua relação com a luta de duas linhas; sem esta base e seus três elementos [1) marxismo-leninismo-maoismo, pensamento Gonzalo, 2) programa e 3) linha política geral] não há sustentação para a construção ideológico-política do Partido; porém sem luta de duas linhas não há base de unidade partidária. Sem uma firme e sagaz luta de duas linhas no Partido não se pode apreender firmemente a ideologia, não pode-se estabelecer o programa nem a linha política geral assim como tampouco defendê-los, aplicá-los e menos desenvolvê-los. A luta de duas linhas para nós é fundamental e tem a ver com conceber o Partido como uma contradição em concordância com o caráter universal da lei da contradição. Uma segunda lição, a importância da guerra popular: um Partido Comunista tem como tarefa central a conquista do Poder para a classe e o povo; um Partido uma vez constituído e considerando as condições concretas tem que brigar por consolidar essa conquista e somente pode fazê-lo mediante a guerra popular. Terceira lição importante é a forja de uma direção, a direção é chave; e, uma direção não se improvisa, requer longo tempo, dura briga, árdua luta para forjar uma direção, particularmente para que seja uma direção da guerra popular. Uma quarta lição que poderíamos tirar é a necessidade de construir a conquista do Poder, porque assim como se faz a guerra popular para conquistar o Poder, há que também construir essa conquista do Poder. O que queremos dizer? Que há que gerar organismos superiores aos da reação. Cremos que estas são importantes lições. Uma final é o internacionalismo proletário, desenvolver-se sempre como parte do proletariado internacional, sempre conceber a revolução como parte da revolução mundial, desenvolver a guerra popular – como diz a palavra de ordem partidária – servindo à revolução mundial. E por quê? Porque um Partido Comunista, ao fim e ao cabo, tem uma meta final insubstituível: o comunismo, e nele, como foi estabelecido, entramos todos ou não entra ninguém. Cremos que estas são as mais relevantes lições que poderíamos colocar.

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Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte I)

Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte I)

Nota do blog: Publicamos, a seguir, a Entrevista do Século, tomada pelo jornal democrático peruano El Diario, em 1988, com o Presidente Gonzalo – chefe do Partido Comunista do Peru e da Revolução Peruana. A entrevista foi publicada em plena guerra popular e desde a clandestinidade, quando a revolução armada completava 8 anos de marcha vitoriosa. A edição que trouxe a entrevista com o chefe revolucionário foi vendida em tempo recorde em todo o país. Publicamos a seguir uma tradução não oficial da versão em espanhol disponível em vários sites da internet. A entrevista é um dos materiais políticos e ideológicos de maior importância para a nova geração de revolucionários que despontam na luta contra a exploração, a opressão e todo o sistema de esmagamento das massas populares. A parte que segue é a primeira.

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Somos os iniciadores (Presidente Gonzalo, 1980)

Nota do blog: Segue tradução não-oficial de trecho do documento do PCP “Somos os iniciadores” de 1980, pronunciado pelo Presidente Gonzalo e assinado pelo Comitê Central Ampliado, de grande valor histórico.


“Isso é o que somos. ‘Um punhado de homens, de comunistas, acatando o mandato do Partido, do proletariado e do povo, postos de pé expressaram sua declaração de fé revolucionária, com o coração ardendo de paixão inextinguível, vontade firme e resoluta, e com mente clara e audaz assumiram sua obrigação histórica de serem os iniciadores; e o que decidiram… plasmaram em outono e colheitas, prosseguiram em ações contra o poder reacionário, apontando ao poder local, continuaram com invasão e com as massas camponesas alçadas arrancaram as guerrilhas, e as guerrilhas geraram o poderoso exército que somos hoje e o Estado que se sustenta sobre ele. Nossa pátria é livre…’. Isso se concretiza em nossa decisão partidária aparentemente simples, mas de grande dimensão histórica.” (Presidente Gonzalo, “Somos os iniciadores”, 1980)

Oitenta e tantos anos de classe operária, cinquenta e dois de Partido, dez anos, mais ou menos, levou um grupo de homens encabeçados por Mariátegui a fundá-lo, seu nome ficará para sempre em nossas fileiras, em nosso povo e no povo do mundo e na classe operária internacional. O tempo passou, muito brigamos, seguimos brigando, o faremos até que seja eliminada a exploração; esse é nosso destino. Somos uma torrente crescente contra a qual se lança o fogo, pedras e lodo; mas nosso poder é grande, nós converteremos tudo em nosso fogo, o fogo negro nós converteremos em vermelho e o vermelho é luz. Isso somos nós, essa é a Reconstituição. Camaradas, estamos reconstituídos.

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Algumas questões fundamentais acerca do Marxismo-Leninismo-Maoismo (revista Internacional Comunista)

Introdução

Tradução não-oficial enviada por um leitor.

O artigo tratará das duas questões nas quais é fundamental estabelecer uma unidade na compreensão do Marxismo-Leninismo-Maoismo, principalmente Maoismo, a ser aplicado na transformação revolucionária do mundo, consciente de todo seu potencial transformador como uma arma ideológica todo-poderosa do proletariado internacional, organizado em Partidos Comunistas, Marxista-Leninista-Maoistas, militarizados. Um Partido Comunista enquanto partido distinto e oposto a todos os demais, cuja razão de ser é fazer a revolução em cada país, à serviço da revolução proletária mundial, por meio da violência revolucionária concretizada na Guerra Popular, para conquistar e defender o poder.

As questões aqui abordadas são duas: 1. o que é fundamental no Maoismo? Onde se vê o conteúdo da frase sintética: o fundamental no Maoismo é o poder; e 2. O que é o Maoismo? Onde se aborda o problema de qual momento histórico produz uma elevação a um terceiro, novo e superior estágio de nossa ideologia? A resposta se refere à maior decomposição do imperialismo, um problema que tem a ver com a contradição fundamental do imperialismo, expressa nas circunstâncias de que, a cada dia, o imperialismo produz mais para satisfazer as necessidades mais elementares da humanidade, enquanto bilhões de seres humanos não têm tais necessidades satisfeitas, demonstrando que a expropriação dos expropriadores está se aproximando e eles serão destruídos – disto, podemos inferir seu avançado estado de decomposição. Com base em Lênin, que estabeleceu que o imperialismo amadurece as condições para a revolução, tanto quanto o filho desse pai moribundo, o capitalismo burocrático, amadurece as condições para a revolução nos países oprimidos ou no Terceiro Mundo. E em relação ao imperialismo, o que significa nos encontrarmos na nova fase do Marxismo?

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A minha ruptura com o revisionismo da direção do PCB

Proletários de todos os países, uni-vos!

A minha ruptura com o revisionismo da direção do PCB

“(…) assim como não se julga a um indivíduo de acordo ao que este crê ser, tampouco é possível julgar uma semelhante época de revolução a partir de sua própria consciência, senão que, pelo contrário, se deve explicar esta consciência a partir das contradições da vida material, a partir do conflito existente entre forças sociais produtivas e relações de produção. Uma formação social jamais perece enquanto não se hajam desenvolvido todas as forças produtivas, para as quais resulta amplamente suficiente, e jamais ocupam seu lugar relações de produção novas e superiores antes de que as condições de existência das mesmas não hajam sido incubadas no seio da própria antiga sociedade. Daí que a humanidade sempre se propõe só tarefas que pode resolver, pois considerando-o mais profundamente sempre descobriremos que a própria tarefa só surge quando as considerações materiais para sua resolução já existem ou, quando menos, se descobrem no processo de devir.”

Karl Marx, Contribuição à crítica da economia política

“O critério da verdade não pode ser outro que a prática social.”

Mao Tsetung, Sobre a prática

Índice:

I – Início

II – Situação política: guerra declarada às massas e aos revolucionários

III – Estratégia do Poder Popular e o reformismo

IV – Táticas pacifistas e legalistas

V – Apego à legalidade burguesa no aspecto organizativo e agitação e propaganda

VI – Estilos e métodos de trabalho e de direção

VII – De onde vem tudo isso? A ideologia

VIII – A questão do campo

IX – As duas etapas da Revolução Brasileira

X – O Brasil e a Revolução de Nova Democracia

XI – Aos comunistas genuínos, a convocação


Aqui, dirijo-me à massa de militantes e quadros honestos e comprometidos com a Revolução Brasileira que militam no Partido Comunista Brasileiro, no qual exerci 6 anos de trabalho partidário. Tudo o que estou colocando nesta carta não podia colocar enquanto estive no PCB. Eu não compreendia que os erros e posturas dos dirigentes, além das táticas e prática política em geral, eram relacionados a uma questão de linha ideológica e política. Agora, com estudo sistemático e prática revolucionária, tenho uma clareza maior das contradições mais profundas que determinam a prática da direção do PCB.

Eu rompi com o PCB, ao qual me dediquei com energia e para o qual doei meu tempo e esforço, deslocando-me de região para cumprir as tarefas partidárias, por razões que dizem respeito não só a mim, mas a todos os militantes e quadros honestos e combativos. Junto a mim rompeu, na época, um grupo de militantes da Região Nordeste, porém a iniciativa de escrever essa carta é apenas minha.

Percebe-se há muito tempo um descontentamento geral no PCB; os militantes, aflitos com razão pela gravidade da situação política de putrefação da sociedade burguesa e de recrudescimento da reação, clamam por respostas. Eu não fui a primeira e nem a última dentre os quadros combativos e massa de militantes a perceber que esse anseio nas bases é, em realidade, fruto de problemas de fundo, que repousam sobre a direção central. Como todos, permaneci anos no PCB, na luta esperançosa comum a de muitos de guiná-lo à esquerda, através dos instrumentos da democracia interna, por dentro.

O que acontece é que todos os quadros e militantes combativos e honestos que lutam internamente por avançar naquilo que percebem estar errado, no máximo conseguem fazer alguma diferença na base onde atuam em questões de estilo e de método – nunca na linha ideológico-política, blindada de todo questionamento, ora pelo método burocrático de tratar as divergências, ora por inconsistência teórico-política dos próprios militantes que, corretamente, questionam, mas não conseguem encontrar a real raiz dos problemas –, e mesmo as “melhoras” no estilo de trabalho só subsistem durante um período curto de tempo. Logo se restauram as velhas práticas, os militantes são isolados, imobilizados e chegam mesmo a sofrer sanções injustificadas.

Com o passar das experiências práticas, após tentar permanentemente e falhar na missão de tornar o PCB o que ele deveria ser – uma “organização de vanguarda”, “firme”, de “disciplina militar”, “centralizada”, politicamente comprometida com a “análise científica da sociedade brasileira”, como diz o próprio PCB –, percebi, apenas após romper com ele, que tudo era expressão da incapacidade ideológico-política da direção do PCB em responder à necessidade de impor uma Grande Revolução no país, e indisposição, de sua direção central, de enfrentar o turbilhão da luta de classes, de suportar as suas consequências, suportar os seus efeitos colaterais, negando na prática o caminho da Revolução para defender seus privilégios individuais, seus cargos rendosos e seu apego às facilidades da democracia burguesa. Assim sendo, minha obrigação comunista é por sobre a mesa as questões, em defesa da ideologia do proletariado e da causa proletária e contra o oportunismo e o revisionismo, com o único objetivo de alcançar o correto rumo que nos guie ao luminoso Comunismo.

Situação política: guerra declarada às massas e aos revolucionários

Fato é que todos devem levar em alta conta a conjuntura política nacional. O Brasil vive um golpe de Estado contrarrevolucionário, desatado em 2014-2015, na forma de Operação Lava-Jato, e conduzido até agora por vias brancas, claramente com planificação e condução exercida pelo Estado-maior das Forças Armadas reacionárias.

Esse golpe de Estado, controlado pelos generais reacionários, visa estabelecer um regime político mais fechado, tutelado por eles e, de preferência, administrado por presidentes civis, obedientes e amestrados, de modo que mascare um regime de exceção com aparência de normalidade democrática. A necessidade de tal golpe é que, sem uma centralização mais absoluta possível de poder no Executivo, criando uma espécie de bonapartismo constitucional, as classes dominantes não serão capazes de re-impulsionar o capitalismo em crise geral, especialmente agora que sobre ele será imposta a crise geral de superprodução de capital. Esse processo, inevitável, está em marcha em todo o mundo de diversas formas, como meio da reação de enfrentar a crise econômica no plano econômico-político-militar e, no Brasil, sua forma concreta é o golpe militar desatado e conduzido dentro da “legalidade, legitimidade, estabilidade”.

Hoje, fato mais grave, é que tal golpe encontra ainda uma extrema-direita, de Bolsonaro e seus milicianos raivosos. O fascista – que ganhou as eleições e, como presidente constitucionalmente eleito, obrigou os generais a aturá-lo – passou, com o poder legal de mandatário, a disputar o controle e os destinos desse golpe. Bolsonaro quer restabelecer um regime militar abertamente fascista e corporativo e, para tanto, aposta no caos para justificar uma intervenção militar aberta. Há tanto a possibilidade dos generais e toda a direita conseguirem adestrar Bolsonaro e submetê-lo ao plano de golpe pela via institucional e mantendo um regime demoliberal bonapartista, como também pode ser que Bolsonaro consiga mudar a correlação de forças nas Forças Armadas em defesa de seu projeto e, assim, obrigue os generais a embarcar em sua aventura fascista para manter a unidade da tropa, unida no anticomunismo.

Ainda mais importante é que tal golpe é preventivo a uma situação de explosão geral, de massas, prestes a acontecer. Basta ver os pronunciamentos dos generais. Eles reconhecem a situação revolucionária existente. O general Paiva Rocha disse com tais palavras: “Há grupos que apostam na situação revolucionária”. Outros, como Villas-Boas, chegaram a dizer que as Forças Armadas não permitirão que o Brasil se converta numa Colômbia – referindo-se à guerrilha e ao narcotráfico, e definiram que o Exército se pautaria por “legalidade, estabilidade, legitimidade” – diretrizes para o golpe disfarçado. Para tanto, o golpe por eles desatado e conduzido através de pressões, chantagens, ameaças e coações sobre as demais instituições para manter ao máximo a aparência de legalidade, tem ainda a tarefa de militarizar mais a sociedade, as instituições, o endurecimento das leis penais e a restrição de direitos e liberdades democráticos. Mais adiante, apontarão suas baionetas e seus longos processos criminais contra os revolucionários e a todos os progressistas que não se esconderem embaixo de suas camas. Isto é fato, e disso nenhum militante que se proclame marxista pode duvidar.

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