Sobre o tratamento correto das contradições no seio do povo (Mao Tsetung, 1957)

27 de fevereiro de 1957*

O tema geral da minha intervenção é a justa solução das contradições no seio do povo. Para facilitar sua exposição, o tema está dividido em doze partes. Apesar de serem igualmente tratados os problemas das contradições existentes entre nós e o inimigo, este debate, porém, tem como assunto principal a análise das contradições que se manifestam no seio do povo.

I. Dois tipos de contradição de caráter distinto

O nosso país encontra-se atualmente mais unido do que nunca. As vitórias da revolução democrática burguesa e da revolução socialista, assim como os êxitos alcançados na edificação do socialismo transformaram rapidamente a fisionomia da velha China. O futuro da nossa pátria anuncia-se ainda mais radioso. A divisão e o caos do país, odiados pelo povo, pertencem para sempre ao passado. Sob a direção da classe operária e do Partido Comunista, os 600 milhões de habitantes do nosso país, unidos como um só homem, entregam-se agora à grandiosa tarefa da edificação socialista. Unificação do país, unidade do povo e unidade de todas as nacionalidades – eis a garantia fundamental do triunfo seguro de nossa causa. Todavia, isto não significa de maneira nenhuma que já não existam quaisquer contradições na nossa sociedade. Crer isso seria uma ingenuidade que não corresponderia a realidade objetiva. Nós enfrentamos dois tipos de contradições sociais – as que existem entre nós e o inimigo, e as que existem no seio do próprio povo. Estes dois tipos de contradições são de natureza totalmente diferente.

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O problema camponês e a Revolução (Partido Comunista do Peru, 1976)

Tradução não-oficial

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Documento preparado pelo Partido Comunista do Peru

1976

I. O problema camponês e o problema do poder

Possui especial importância e é decisivo abordar o problema camponês a partir do ponto de vista sobre como serve à tomada de poder, e isto é o que interessa em última instância ao Partido, pois o problema do poder é a questão central da revolução. Assim, organizar e dirigir a luta de classes em seu conjunto com o propósito definido de tomar o poder, e nesta perspectiva esclarecer e resolver os problemas que surgem, é fundamental. A V Plenária do PCP, ao abordar tópicos como este, afirma:

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O Partido – necessidade histórica (Pedro Pomar, 1972)

Nota do blog: Publicamos a seguir importante artigo do grande dirigente comunista brasileiro Camarada Pedro Pomar sobre o papel transcendental e inapagável do Partido Comunista, à época por ocasião dos 50 anos da fundação do P.C.B e 10 anos da sua reconstrução de 1962.

“O Partido Comunista do Brasil tem um destino glorioso. Pertencer a suas fileiras é motivo de honra e legítimo orgulho revolucionário. Defendê-lo e fortalecê-lo é o mais elementar dos deveres de todos os comunistas.”

Por ocasião do 104º aniversário do natalício do grande dirigente comunista camarada Pedro Pomar – 23 de setembro de 1913.


A Classe Operária, nº 66, julho de 1972

Ao completar o 50º aniversário de sua fundação e o 10º de sua reorganização, o Partido Comunista do Brasil publicou um balanço crítico e autocrítico da trajetória que percorreu – “Cinqüenta Anos de Luta”. Trata-se de uma importante contribuição à luta emancipadora da classe operária e do povo brasileiro. O resumo abreviado das grandes lutas dos comunistas, desde 1922, e a generalização das experiências fundamentais de todo esse período, bem como a caracterização do papel desempenhado pelas figuras destacadas do movimento comunista em nosso país, vinham sendo insistentemente reclamadas como novas armas para reforçar a educação dos comunistas, especialmente dos jovens, e salientar a significação do Partido Comunista do Brasil no curso do movimento revolucionário brasileiro e em seu futuro. Nos últimos anos, sobretudo na fase mais intensa de combate ao liquidacionismo revisionista de direita e de “esquerda”, colocaram-se na ordem do dia e ganharam força questões teóricas e políticas de relevo, entre as quais a questão da existência do Partido, de sua necessidade histórica, de suas perspectivas revolucionárias. A empresa para elucidar estes problemas não era fácil, requeria tempo, condições de estudos, pesquisas e debates, um clima arejado e não os de uma dura clandestinidade, como a atual. Exigia simultaneamente maior amadurecimento teórico, ampla visão histórica e aguda percepção política. Sobrepondo-se a essas dificuldades e limitações, o Comitê Central do Partido Comunista do Brasil atendeu a esses reclamos e realizou um trabalho valioso, que certamente ajudará a formar os novos e a reeducar os velhos militantes proletários, a corrigir antigos e persistentes erros, em suma, a instruir politicamente as massas, dando-lhes também a oportunidade de mais uma vez medir o grau de seriedade com que o Partido vem encarando sua árdua, mas gloriosa tarefa de dirigir a revolução.

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Semana dos Mártires: Comunicado do Partido Comunista da Índia (Maoísta)

Tradução não-oficial de declaração do PCI (Maoísta) sobre a Semana dos Mártires.

Comitê Central

3 de Junho de 2017

ORGANIZEMOS POR TODO O PAÍS A SEMANA DOS MÁRTIRES DE 28 DE JULHO A 3 DE AGOSTO DE 2017 COM O MAIOR ENTUSIASMO! RENDAMOS HOMENAGEM AOS MÁRTIRES QUE ENTREGARAM SUAS VIDAS NA GUERRA POPULAR! DERROTEMOS A MISSÃO-2017 DAS CLASSES DOMINANTES INDIANAS, CUJO OBJETIVO É ACABAR COM O MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO! PROTEJAMOS A DIREÇÃO DO PARTIDO E IMPULSIONEMOS O MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO! DIGAMOS BEM CLARO QUE O CAMINHO DA GUERRA POPULAR, INICIADO EM NAXALBARI, É O ÚNICO CAMINHO PARA A LIBERTAÇÃO DAS MASSAS OPRIMIDAS!

Camaradas e massas revolucionárias!

Dar a vida pelo povo tem mais peso que o Himalaia. Morrer pelas classes exploradoras é um ato mais leve que uma pluma. Os comunistas revolucionários entregam-se por inteiro à revolução social e à defesa dos interesses do povo. Trabalham com total dedicação, o que inclui o sacrifício de suas próprias vidas. Toda grande mudança exige sacrifícios. Que a história da luta de classes é a história de muitos sacrifícios é tão evidente quanto a história da sociedade ser a história da luta de classes desde que estas existem.

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O Programa Militar da Revolução Proletária (V.I. Lenin, 1916)

Em celebração do centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro (1917), dirigida pelo Partido Comunista (bolchevique) da Rússia, sob chefatura do Grande Lenin.


V.I. Lenin
Setembro de 1916

Na Holanda, Escandinávia e na Suíça entre os sociais-democratas revolucionários que lutam contra a mentira dos sociais-chauvinistas sobre a «defesa da pátria» na actual guerra imperialista, ouvem-se vozes em favor da substituição do velho ponto do programa mínimo da social-democracia: «milícia» ou «armamento do povo» — por um novo: «desarmamento». O Jugend-Internationale[N382] abriu a discussão sobre esta questão e no seu n.° 3 publicou um artigo da redacção a favor do desarmamento. Nas mais recentes teses de R. Grimm[N383] encontramos também, infelizmente, uma concessão à ideia do «desarmamento». Nas revistas Neues Leben[N384]e Vorbote abriu-se uma discussão.

Analisemos a posição dos defensores do desarmamento.

I

O argumento fundamental consiste em que a reivindicação do desarma­mento é a expressão mais clara, mais decidida e mais consequente da luta contra todo o militarismo e contra toda a guerra.

Mas é neste argumento fundamental que reside o principal erro dos partidários do desarmamento. Os socialistas não podem, sem deixarem de ser socialistas, ser contra toda a guerra.

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Marxismo e Revisionismo (V.I. Lenin, 1908)

Em celebração do centenário da Grande Revolução Socialista de Outubro, dirigida pelo Partido Comunista (bolchevique) da Rússia sob chefatura do Grande Lenin.


16 de abril

Um conhecido adágio diz que se os axiomas geométricos chocassem com os interesses dos homens, certamente se tentaria refutá-los. As teorias das ciências naturais, que se opunham aos velhos preconceitos da teologia provocaram e continuam a provocar até hoje a mais furiosa luta. Não é de estranhar, portanto, que a doutrina de Marx, que serve directamente para educar e organizar a classe de vanguarda da sociedade moderna, que indica as tarefas desta classe e demonstra a substituição inevitável – em virtude do desenvolvimento económico – do atual regime por uma nova ordem de coisas, não é de estanhar que esta doutrina tenha tido de conquistar pela luta cada passo no caminho da vida.

Inútil falar da ciência e da filosofia burguesas, ensinadas escolasticamente pelos professores oficiais para embrutecer as novas gerações das classes possuidoras e “amestrá-las” contra os inimigos de fora e de dentro. Esta ciência não quer nem ouvir falar de marxismo, declarando-o refutado e destruído; tanto os jovens homens de ciências, que fazem carreira refutando o socialismo, como os velhos decrépitos, que guardiães dos legados de toda a espécie de “sistemas” caducos, se lançam sobre Marx com o mesmo zelo. Os avanços do marxismo, a difusão e a afirmação de suas ideias entre a classe operária, tornam inevitavelmente mais frequentes e mais agudos esses ataques burgueses contra o marxismo, que sai mais fortalecido, mais temperado e mais ativo após cada uma de suas “destruições” por obra da ciência oficial.

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Desenvolvimento da Campanha pela Defesa de nossa Chefatura o Presidente Gonzalo: Conversas com a Camarada Laura nas Bases das Montanhas Vizcatán

CONVERSAS COM A CAMARADA LAURA NAS BASES DAS MONTANHAS VIZCATÁN

INTRODUÇÃO

Hoje, publicamos as CONVERSAS COM A CAMARADA LAURA NAS BASES DAS MONTANHAS VIZCATÁN, no VRAEM (Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro), realizada por volta de 2012, o essencial da entrevista é que nela, como tem que ser, com guerra popular se assume a defesa do Presidente Gonzalo, a chefatura do Partido e da revolução, do pensamento gonzalo, o I Congresso e da BUP (Base de Unidade Partidária) e todo o caminho percorrido até agora e se toma firme posição contra a LOD (Linha Oportunista de Direita) revisionista e capitulacionista encabeçada pela ratazana Miriam e especialmente contra a linha oportunista de direita, disfarçada de esquerda, revisionista e capitulacionista da ratazana José e sua camada que usurparam o CRP (Comitê Regional Principal). Consideramos que é um magistral documento marxista-leninista-maoista, pensamento gonzalo. Nele com a documentação partidária em mãos a camarada Laura, desde as mesmas montanhas de Vizcatán, com profundo sentimento e ódio de classe, com firme convicção e posição comunista e com a ideologia do marxismo-leninismo-maoismo, pensamento gonzalo assume a defesa de nossa chefatura, o Presidente Gonzalo, e de seu todopoderoso pensamento, e deslinda, aplasta e varre contra todas as patranhas da CIA- reação peruana e seus serviçais do novo revisionismo contra o Presidente Gonzalo, o PCP e a guerra popular.

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Peru: 37 anos de invencível Guerra Popular

 Nota do blog: Reproduzimos publicação do jornal democrático-revolucionário brasileiro A Nova Democracia (AND) sobre o 37 ano da imarcescível Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista do Peru (PCP).

Conforme estabeleceu o Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização) – MPP (CR) em recente declaração Celebrar os 100 anos do triunfo da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917 (publicamos recentemente):

“Sobre o PCP, estão sendo superados os difíceis e complexos problemas da curva no caminho e a inflexão, superando erros e pondo a política sempre no mando, marchando seguro à brilhante culminação da Reorganização Geral do Partido (RGP) pela briga da esquerda, em tenaz luta para que cada comitê cumpra seu papel e que esta esquerda se imponha como deve ser, cada um cumprindo convictamente suas obrigações e tarefas pendentes; é obrigação comunista reconstruir tudo o que foi destruído pelo direitismo.

Sobre a situação nacional: comprovamos que a crise do país repercute profundamente na situação das massas e a elevação de suas lutas e protestos se expressará em uma situação revolucionária em desenvolvimento crescente, portanto, magníficas condições para a culminação da tarefa da Reorganização Geral do Partido em luta de morte contra o revisionismo, como expresso em cada mobilização de massas. Condições estas favoráveis para maior incorporação das massas à guerra popular e novo desenvolvimento desta”.

“A luta contra o inimigo de classe, o imperialismo principalmente ianque e os reacionários se torna violenta, agudiza-se ainda mais, e a tendência histórica e política seguirá sendo a revolução, custe o que custar, os traidores se esgoelaram e romperão os cérebros ocultando ou jogando terra nos olhos das massas; mas a tendência principal no mundo é a revolução, portanto, nós, que não somos cegos nem surdos, acataremos o clamor dessa massa, a imensa maioria, porque está pela mudança e pelo avanço, empunhemos firme e resolutamente as bandeiras vermelhas da guerra popular no Peru, não nos deteremos até alcançar nossa meta imediata, a Conquista do Poder em todo o País! e Defender a Vida e Saúde do Presidente Gonzalo com Guerra Popular!; e com os fuzis e armas nas mãos, derrotaremos ao vil imperialismo e varreremos todos os reacionários, e junto a ele todo o monte colossal de lixo, isto é, o revisionismo e toda a podridão desta velha sociedade, e instauraremos a República Popular do Peru, e como ensina o Presidente Gonzalo: Salvo o Poder tudo é Ilusão! Não nos deteremos, seguindo com a Revolução Socialista e mediante sucessivas revoluções culturais alcançar o dourado comunismo, nossa meta definitiva, que o comunismo brilhe na Terra, essa é nossa decisão e convicção, seguir trabalhando com as tarefas e planos encomendados e a cumprir bem a tarefa, onde quer que estejamos, essa é também nossa convicção, e será um duro golpe nos genocidas e todos os reacionários e um estrondo do qual ninguém poderá despertar”.

 


Com informações de vnd-peru.blogspot.com

 “A Guerra Popular não pode ser cessada”

Presidente Gonzalo, chefatura do PCP, 1992.

O Partido Comunista do Peru (PCP), reconstituído depois de 17 anos de titânica luta de duas linhas vanguardeada pela Fração Vermelha sob a chefatura de Abimael Guzmán Reynoso — o Presidente Gonzalo —, em 1980, declarou guerra ao velho Estado peruano, com o objetivo de estabelecer a República Popular do Peru, por meio da guerra popular.

Nesse mesmo ano, no dia 17 de maio, uma coluna guerrilheira tomou de assalto um posto de votação em plena eleição geral, no povoado de Chuschi, departamento de Ayacucho, e incendiou as urnas levantando as consignas Viva a luta armada! e Viva o governo de operários e camponeses! Daquele povoado ecoou o chamado às massas e revolucionários peruanos a derrubar a velha ordem e, desde então, cresceu e se espalhou pelos Andes, costas e selvas, e mesmo os duros golpes da reação que levou à caída do Comitê Central e do Presidente Gonzalo nunca puderam realizar seu vão sonho de aniquilar a guerra popular, que agora completa 37 anos de marcha.

Encarceramento e luta de duas linhas

Após a prisão do Presidente Gonzalo e a queda do Comitê Central, em 1992, aparece uma linha oportunista de direita (LOD) capitulacionista e revisionista que, como parte da patranha da CIA ianque e dos serviços de inteligência do velho Estado peruano, propõe “acordo de paz”, proposta esmagada pela continuidade da guerra popular. Posteriormente a LOD levanta as bandeiras rotas de “solução política aos problemas derivados da guerra” e “anistia e reconciliação nacional”, tendo como cabeça a ratazana Miriam. Todas as ações da LOD, em conluio com os operativos da reação, conduzem à explosão da direção do PCP (o então Comitê Central de Emergência), descabeçando a guerra popular, separando a guerrilha da luta das massas.

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