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1 -SITUAÇÃO NACIONAL

I- FORMAÇÃO HISTÓRICA, SOCIAL E ECONÔMICA

Questão chave de uma Revolução é caracterizar adequadamente o país, do ponto de vista social e econômico – caracterização profunda e científica que só pode extrair-se do marxismo-leninismo-maoismo. Quando se fala em semifeudalidade e semicolonialidade, é preciso compreender que o modo adequado de caracterizar o Brasil é como um país semicolonial, onde se desenvolve um capitalismo burocrático, de relativa industrialização que mantém subjacentes relações de tipo semifeudal.

Observa-se que nosso processo de formação econômico-social pode ser dividido em três: a) o primeiro, que se inicia com a chegada dos portugueses e o consequente estabelecimento do sistema de feitoria, que vai durar de 1500 até 1570 e é caracterizado pela extração de pau-brasil – etapa cuja base originária é de cunho feudal; b) o segundo, que vai de 1570 a 1888, que inicia-se com o sistema de sismarias e a introdução do trabalho escravo de africanos para extração de ouro, plantio da cana-de-açúcar, produção de açúcar através dos engenhos estabelecidos nas fazendas, e posteriormente, com o café, produção toda esta sempre destinada à metrópole portuguesa (colonial) e paralelo à exploração das massas camponesas pelo latifúndio; e c) o terceiro, iniciado com a independência ou separação de reinos até a II Guerra Mundial, passando do domínio colonial português para o semicolonial inglês, período marcado pela abolição oficial do trabalho escravo e da monarquia, iniciando a fase republicana na qual evoluem-se relações de tipo semifeudais, relações assalariadas capitalistas, numa longa transição ao capitalismo burocrático, que se consolida e se impulsiona com a ascensão de uma fração burocrática à hegemonia no velho Estado, com o Getúlio Vargas (1930), já sob domínio principalmente ianque, que se consolida pós-II Guerra Mundial.

Desse desenvolvimento derivou o capitalismo burocrático, como nos brinda o maoismo. O capitalismo burocrático é, em síntese, o capitalismo impulsionado a partir da ação do capital financeiro (imperialismo) sobre os capitais de origem feudal e comprador nos países coloniais e semicoloniais – quando o capitalismo passou à sua fase monopolista. É o capitalismo que se desenvolve nos países coloniais e semicoloniais engendrado pelo imperialismo. Sua particularidade ao confrontá-lo com o capitalismo dos países imperialistas é que, ao contrário do capitalismo surgido na Europa, Estados Unidos e posteriormente Japão – cujo impulso resultou das revoluções democráticas (século XVIII) dirigida pela burguesia, destruindo toda a base de relações feudais, varrendo todas suas instituições e estabelecendo uma outra e completamente nova ordem – o capitalismo burocrático se alimenta da base podre de tipo feudal e é impulsionado a partir dessas bases.

Portanto, questão chave do capitalismo burocrático é a questão agrária. Nele, as relações de propriedade no agrário se dão baseadas no monopólio e concentração da propriedade no latifúndio, cujas relações de produção predominantes são entre latifundiários e camponeses – relações de tipo semifeudal – que são, por sua vez, a base sobre a qual se assenta e desenvolve as relações capitalistas impulsionadas pelo imperialismo. Assim, o capitalismo burocrático se desenvolve evoluindo as formas semifeudais, mas não o conteúdo das relações de produção que tem, na sua base, relações de superexploração de um numeroso campesinato por um punhado de latifundiários ou monopólios que atuam como tais.

Tais fenômenos são resultantes da passagem do capitalismo à sua fase monopolista – contexto dentro do qual o Brasil manteve-se submetido às potências estrangeiras e, portanto, não pôde desenvolver-se independentemente. As três de suas características essenciais do imperialismo – hegemonia do capital financeiro, exportação de capitais e política colonial –  moldam sua ação sobre os países atrasados numa relação de dominação, o que implica que o imperialismo apoia-se nessa base de relações pré-capitalistas (escravistas, semiescravistas, feudais, semifeudais) e impulsiona os capitais originados destas relações, evoluindo-as, mas não negando-as. Isto leva a manter e aprofundar tanto aquelas relações arcaicas determinando um tipo particular de desenvolvimento capitalista (o burocrático), quanto o submetimento à sua dominação mais completa, impedindo que a formação da nação se complete e esta se desenvolva de forma independente. Conformam-se assim, numa “associação” terrível de três forças reacionárias: imperialistas, grandes burgueses e latifundiários, na qual, os dois últimos são controlados e servem aos primeiros, e juntos oprimem o proletariado, o campesinato, a pequena e média burguesias.

II -FOMENTO E CONSOLIDAÇÃO DO CAPITALISMO BUROCRÁTICO

Assim, o Brasil durante, todo seu período colonial, serviu à acumulação capitalista da Europa, para logo que se desenvolve o capitalismo – e com a consequente criação do mercado mundial capitalista –, ingressar nele conservando sua condição de subordinado. Nesse contexto, o país não obteve verdadeira e substancial independência. Os brotos de capitalismo que vão surgindo ao longo do século XIX, resultantes da inserção do país no mercado mundial – inserção na condição colonial do país –, dá origem a uma crescente classe de comerciantes. Esta classe, com a passagem do capitalismo à sua fase monopolista imperialista (ao final do século XIX), não são mais que seus prepostos e agentes serviçais, servindo de elo entre as oligarquias latifundiárias e o imperialismo, principalmente inglês, até os anos 20 deste século. Isto resulta no surgimento de um capital comprador originado na feudalidade e nas relações subordinadas ao capital financeiro imperialista a que serve.

Tendo essa formação econômica e histórica como base, entendemos que todos os intentos de desenvolvimento econômico nacional foram exterminados, tanto pelas políticas econômicas e militares colonialistas de Portugal e sobretudo da Inglaterra, que inundou o incipiente mercado nacional com suas manufaturas, que soterravam dia a dia a nascente indústria nacional, além de manter o país subordinado à condição de fornecedor de matérias-primas. Assim, a única burguesia que pôde desenvolver-se o fez por meio de seu laço de subordinação à condição semicolonial do país, isto é, uma classe burguesa de tipo compradora, serviçal e lacaia, umbilicalmente ligada às redes de dominação imperialista e ao latifúndio – base do desenvolvimento do capitalismo burocrático. Naturalmente, no aspecto político, sob a direção dessa burguesia, a luta republicana no fim do século XIX só poderia se dar numa forma oca, desprovida de conteúdo democrático real e, logo, irreversivelmente oposto a uma luta de fato democrática que levaria à revolução democrática (ou burguesa).

Essa burguesia de tipo compradora, que depois se desenvolverá como grande burguesia, distingue-se da média burguesia. A burguesia genuinamente nacional, ou média burguesia, se opõe ao capitalismo burocrático e ao imperialismo, pois são um empecilho para seus interesses econômicos e políticos; mas ao mesmo tempo, desde a Revolução bolchevique na Rússia, teme por demais o proletariado e a revolução proletária, se tornando assim, além de uma classe débil, fraca, vacilante e incapaz de dirigir uma revolução democrática, também uma classe contrarrevolucionária pelo temor ao proletariado. Do ponto de vista econômico, está debilidade e em constante desmonte, refletindo em seu peso político na vida nacional.

O chamado Tenentismo, de 1920, é resultante disto e é a expressão das aspirações democrático-burguesas da sociedade, sustentadas por uma débil, frágil, nascente pequena e média burguesias nacionais, que não conseguem levar a termo a luta democrática. Estão em choque com o bloco de classes poderosas herdeiras do sistema colonial, mas iludem-se com a possibilidade de apenas mudar os políticos na cúpula do poder estatal.

Em 1920 até 1930, uma profunda crise abala a política nacional, especialmente marcada por escândalos de corrupção e dominação descarada das oligarquias latifundiárias, especialmente vinculadas ao café. No campo política, prevalece na hegemonia do velho Estado a fração compradora da grande burguesia, ou seja, aquela que nasce e é parte das oligarquias. Além da crise, há uma imensa agitação revolucionária impulsionada pelo tenentismo, pela Coluna Prestes e outros movimentos democráticos. Nesse contexto triunfa o golpe militar de Vargas, que conduz ao controle do poder de Estado a fração emergente da burguesia – burguesia burocrática –  impulsionada pelo capital financeiro internacional. Através de empalmar o aparelho de Estado, com Getúlio Vargas à cabeça, irá alavancar o desenvolvimento do capitalismo burocrático, sob controle e a serviço do imperialismo, principalmente ianque, particularmente, após a II Grande Guerra Mundial. Tal movimento – ao contrário de uma “revolução democrática” – tratou-se de apenas uma reestruturação do Estado, visando corresponder à hegemonia desta burguesia burocrática sobre as oligarquias semifeudais e sua filha legítima, a burguesia compradora, num deslocamento de forças no interior do bloco de classes dominantes.

A burguesia burocrática se impulsiona ligada umbilicalmente ao Estado, utilizando-se principalmente dele e sendo dele dependente (principalmente) para impulsionar seu capital. Ela é absolutamente atada ao imperialismo, pois serve-se das oligarquias financeiras – capital financeiro imperialista – para aprofundar seus negócios monopolistas, aprofundando também o capitalismo burocrático, a dominação do país pelo imperialismo, a santa aliança com o latifúndio e a condição da Nação de semicolônia. Isso é o básico para caracterizar a sociedade brasileira.

III – TAREFAS DOS COMUNISTAS E DA REVOLUÇÃO BRASILEIRA

A tarefa do proletariado e dos comunistas em países de capitalismo burocrático como o Brasil, é assumir e levar a cabo uma dupla missão histórica: primeiro, a destruição do latifúndio e da grande burguesia para expulsar o imperialismo através da revolução democrática, por meio da guerra popular que desata-se como guerra camponesa pela conquista da terra; e a realização da revolução proletária e da construção socialista para destruir o capitalismo de todo tipo. Os camponeses, pequena-burguesia urbana e setores da média burguesia (ou burguesia genuinamente nacional) têm contradições com o atual sistema, e embora não sejam capaz de dirigir a revolução democrática, hão de se unir, sob a direção do proletariado, para construir uma nação verdadeiramente democrática numa Frente Única Revolucionária. Ao proletariado, cabe manter a sua hegemonia na revolução democrática (consolidada com o Partido Comunista marxista-leninista-maoista) e, assim que concluída fundamentalmente com a tomada de Poder em todo o país, marchar para o socialismo, com sucessivas revoluções culturais no rumo do luminoso comunismo.

Para tanto, é preciso reconstituir o Partido Comunista do Brasil, sem o qual o proletariado efetivamente não dirige a revolução. A defesa histórica da necessidade do Partido e da sua reconstituição – e mais, a sua objetiva reconstituição – é o problema chave da revolução no Brasil e em qualquer país do mundo que não disponha do partido revolucionário proletário.

A história do P.C.B., que necessita levar a tempo sua reconstituição, pode ser dividida, portanto, em três etapas, cuja terceira etapa é dividida em duas fases. Partimos da tese estabelecida pelo Núcleo de Estudos do Marxismo-leninismo-maoismo, em seu trabalho Problemas da história do Partido Comunista do Brasil, onde se expõe as três etapas:

“A primeira etapa que vai de seu surgimento em 1922 até o início dos anos de 1930, percorre de 10 a 12 anos, em que são realizados seus três primeiros congressos. É a etapa de sua infância marcada pelo desconhecimento do marxismo-leninismo e pela influência de concepções obreiristas e pequeno-burguesas. A segunda etapa vai do início dos anos de 1930 até 1960, período em que são realizados o IV e V Congressos. Esta etapa se inicia com a decisão do partido de por em prática a luta pelo poder, mas que com sua derrota é levado para o caminho do reformismo que posteriormente recebe toda uma fundamentação teórica com o revisionismo moderno. A terceira etapa é marcadamente a da luta contra o revisionismo e o oportunismo, iniciada com a cisão entre marxistas-leninistas e revisionistas com a Reconstrução de 1962 da luta por sua constituição enquanto partido comunista marxista-leninista-maoísta”. E prossegue: “Esta terceira etapa se divide em duas fases distintas: a primeira vai de 1962 com sua constituição como partido comunista marxista-leninista aos fins da década de 1970 com a reviravolta revisionista liquidacionista completa na direção. A segunda fase, que parte dos anos de 1980 e início dos de 1990, auge e colapso do revisionismo soviético no movimento comunista internacional e ascensão do oportunismo trotskista-petista no país, com a retomada da luta contra o revisionismo, segue ainda em curso. Sua culminação irá representar exatamente a reconstituição do Partido Comunista do Brasil, com o assumimento teórico e prático do maoísmo, enquanto verdadeiro partido comunista marxista-leninista-maoísta”.

Também consideramos adequado estabelecer que culminando a segunda fase da terceira etapa da história do P.C.B., uma nova etapa, a quarta da história do mesmo, se abrirá. Segue o Núcleo: “Com isto, ao mesmo tempo que encerra a terceira etapa, abrirá uma nova e quarta etapa em sua história, a do desencadeamento da guerra popular prolongada sob a direção do Partido Comunista do Brasil reconstituído, confrontando radicalmente dois caminhos, varrendo de forma cabal o revisionismo e todo oportunismo”.

Essas três fases e seu quase centenário podem ser sintetizadas num breve parágrafo:

Nos primeiros anos de vida, na década de 1920, teve que se confrontar com o economicismo e o obreirismo da herança anarco-sindicalista e o sectarismo próprio de sua frágil origem. Nos anos de 1930, ainda muito débil, propôs-se a assaltar o poder. Derrotado, esfacelou-se e ao reorganizar-se caiu nas garras do reformismo, nos anos de 1940. Nos anos de 1950, combateu por superar o reformismo na busca da linha revolucionária, deu passos importantes na superação de velhas heranças negativas, mas não conseguiu o objetivo e afundou-se no revisionismo moderno que se apoderara de grande parte do movimento comunista internacional. Nos anos de 1960 reconstruiu-se dando grande salto em direção à meta de constituir-se verdadeiro Partido Comunista. No entanto, ainda revelando insuficiências importantes, nos anos de 1970, uma vez mais foi derrotado e com a derrota volta ao pântano do revisionismo, abrindo um longo período de crise para o movimento revolucionário no país. Eis a história que confronta o marxismo e o revisionismo, as duas linhas no seio do Partido Comunista do Brasil.

Ainda que muitas vezes não se delineava de forma clara, a luta de duas linhas percorreu toda a história do P.C.B. e seguirá percorrendo, quando retomada. Percorreu e interviu determinantemente em todo o curso do seu desenvolvimento e nessa luta, na maioria das vezes, o proletariado revolucionário foi derrotado pela prevalência de uma ideologia e linha a ele alheias.

Para isso, os comunistas precisam levar a temo a reconstituição do P.C.B. (Partido Comunista do Brasil), Partido legítimo e único do proletariado, que esteja livre do cretinismo parlamentar e da ilusão da farsa eleitoral, para levar a cabo a mobilização, organização e politização das amplas massas do nosso povo rumo à revolução completa e cabal. Não obstante, reconstitui-lo como Partido marxista-leninista-maoista, logo, como estabelece o Presidente Mao, como partido clandestino e, mais ainda: militarizado!, para corresponder às condições atuais onde o imperialismo impulsiona a militarização e encontra-se num nível de reacionarização sem precedentes – “violência e reação em toda linha”. Militarização do Partido compreendida como disciplina e organização militarizada, partido de chefes, de quadros proletários que apliquem a dureza e subordinação proletária à ideologia e à direção, e, por fim, partido que atua por dentro do Exército Popular e da Frente Única Revolucionária para dirigi-los onimodamente, construindo-os concentricamente. Isso significa, um partido marxista-leninista-maoista de novo tipo, clandestino e militarizado – como elaboram os grandes chefes proletários – que assuma também os aportes de validez universal do pensamento gonzalo, forjado na aplicação do maoismo às realidade concreta do Peru – aplicação que muitas lições legou (abordaremos adiante).

2 – SITUAÇÃO INTERNACIONAL

 I -IMPERIALISMO, OPRESSÃO NACIONAL E GUERRAS DE RESISTÊNCIA

Tal como no Brasil, o sistema colonialista, procedido pelo imperialismo, dividiu o mundo em dois polos: um punhado de nações opressoras e uma multidão de nações oprimidas. Aquelas geraram nessas um capitalismo de tipo burocrático assentado nas bases semifeudais e evolucionando suas formas, onde segue pendente revoluções democráticas a desencadear-se, via de regra, como guerra camponesa pela conquista da terra. Tal como no Brasil, a direção dessas revoluções não passa por outro lugar que não o proletariado, por meio de seu Partido Comunista marxista-leninista-maoista.

Entretanto, há que considerar profundamente a luta das nações oprimidas por sua libertação. Conforme destaca Lenin e o Presidente Mao, a contradição nações oprimidas versus imperialismo integram e é a base da Revolução Proletária Mundial.

O imperialismo oprime essas nações. Há duas formas básicas de submetê-las: primeiro, por meios indiretos, através da economia, política e cultura, e segundo, por meios diretos, ou seja, por meio da agressão militar com tropas, invasão e ocupação. O Presidente Mao destaca que quando utilizam os meios indiretos, as classes dominantes das nações oprimidas – grande burguesia e latifúndio, via de regra – capitulam e formam uma aliança reacionária, submetendo as massas populares. Mas, quando o imperialismo utiliza meios militares diretamente, com invasão e ocupação com suas tropas, toda a nação tende a se unir para combater o invasor.

Isso é a aplicação da tese leninista, segundo a qual o movimento de libertação nacional é a base da Revolução Proletária Mundial, e o movimento proletário é a diretriz (dirigente) da mesma. Isto porque a opressão colonial de uma nação pela outra é um dos eixos do imperialismo e, por sua vez, estas nações oprimidas só terão sua emancipação com o fim do imperialismo – o que demanda, objetivamente, o fim do capitalismo e sua substituição pelo comunismo.

As guerras no Iraque, Síria, Afeganistão, nações da África como Mali e países limítrofes etc. experimentam hoje esse fenômeno, onde as massas populares, com as armas e ideologia que têm ao alcance – muitas vezes ideologias feudais, sectárias, baseadas no islã – dão combate armado ao invasor imperialista. A tarefa, conforme destacam os maoistas, é converter essa guerra de resistência em guerra popular, o que demanda que sejam constituídos ou reconstituídos Partidos maoistas.

II – REVOLUÇÃO PROLETÁRIA MUNDIAL

Entre o fim do século XIX e o início do século XX, o proletariado iniciava uma luta de morte contra a burguesia pelo Poder na Europa. A primeira etapa dessa luta pela Revolução Proletária Mundial é a consolidação do marxismo como a ideologia do proletariado em dura luta contra doutrinas pequeno-burguesas no interior do movimento operário – oportunismo, tais como o bakuninismo, proudhonismo e outras variantes –, luta iniciada em 1948 com o Manifesto do Partido Comunista e consolidada em 1871, com a Comuna de Paris. A Comuna foi a primeira tentativa vitoriosa, ainda que temporariamente, do proletariado de assaltar os céus. Dali tirou importantes lições, condensadas por Marx e, posteriormente, por Lenin.

A Comuna e a Grande Revolução Socialista de Outubro, primeira revolução proletária triunfante por contar com um partido comunista em sua cabeça, abriram a era da Revolução Proletária Mundial com a Primeira Onda da mesma. Ali, inicia-se o estágio de defensiva estratégica.

É importante pontuar que foi justamente a partir da Grande Revolução Socialista de Outubro que a burguesia passou totalmente para o campo da contrarrevolução. A partir dali, estava encerrada a revolução burguesa mundial e as revoluções democráticas não poderiam mais ser levadas a cabo sob sua direção.

Precisamente nela, o proletariado empreende uma luta de morte contra a burguesia e instaura o primeiro e maior Estado proletário a se consolidar. E a partir da experiência da revolução russa é que surgem novas questões que Marx e Engels não puderam resolver por ainda não terem sido postas: feita a revolução proletária, o que fazer?.

De fato, o camarada Lenin e o camarada Stalin desempenharam um papel criador, sobretudo o primeiro, que solucionou a questão do Estado operário e aplicou o marxismo de maneira tão criadora, que deveio em marxismo-leninismo como estágio superior e segundo do marxismo. Quem soube reconhecer tal feito, sobretudo, foi o camarada Stalin, que não somente compreendeu muito bem o leninismo e o impôs como novo estágio do marxismo para a época, como soube combater o revisionismo dentro do PCUS, principalmente em sua forma trotskysta e variantes na década de 20 e 30 do século XX.

A Revolução bolchevique na Rússia emprestou ao proletariado internacional o entusiasmo e a esperança de consolidar a ditadura do proletariado em todo o globo, e Lenin, combatendo o oportunismo social-chauvinista de Kautsky e Bernstein no advento da I Guerra Mundial Imperialista, ergueu do espírito resplandente a III Internacional – ou Internacional Comunista. Daí, surgem Partidos Comunistas por todo globo, inclusive aqui no Brasil e em quase toda a América Latina já na década de 20, como Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista. Isso significou uma ofensiva do proletariado contra o imperialismo e a burguesia, principalmente nos países do terceiro mundo em forma de movimentos de libertação nacional.

III – EQUILÍBRIO ESTRATÉGICO DA REVOLUÇÃO MUNDIAL

Explode a II Guerra Mundial resultando num conflito pela repartilha do mundo entre as potências imperialistas conformadas em dois blocos, os aliados e o eixo, compostos respectivamente por USA, Inglaterra, França X Alemanha nazista, Itália e Japão fascistas.

Com a pugna entre as potências imperialistas, o proletariado avançou sua tática ofensiva nos países dominados, sendo que, no fim da guerra interimperialista, o proletariado já havia libertado um terço do mundo, dirigindo países como China, parte norte da Coreia, Vietnã, Albânia e toda a Europa oriental.

O fim da II Guerra Mundial Imperialista foi desastroso para o imperialismo mundial que engendra sua própria destruição, gera a própria fera que vai matá-lo. De fato, a guerra interimperialista se mostrou um péssimo negócio para a burguesia dum modo geral: com o fim da I Guerra Mundial Imperialista, o proletariado russo se libertou e levou consigo uma gama considerável de países próximos, formando a URSS; com o fim da II Guerra Mundial Imperialista, 1/3 da Terra já era território livre do imperialismo. E, também verdadeiro, é que essas guerras são absolutamente inevitáveis, já que as potências imperialistas, monopolistas como tais, só existem na condição de pugnar violentamente entre si por dominar o maior número de colônias e arrebatá-las de suas oponentes imperialistas.

Este um terço significava, nada menos, do que uma mudança na correlação de forças entre socialismo e imperialismo, entre proletariado e burguesia; o proletariado deixava de ser, naquele instante, uma classe que possuía uma ilha isolada num mar de países hostis e imperialistas, para se tornar uma classe poderosíssima do ponto de vista tático, que possuía nada menos que um terço da população mundial com grandes tradições de luta e indomável espírito de rebeldia. O imperialismo passava por maus tempos e longas e duras tempestades, enquanto o proletariado avançava tática e estrategicamente para a libertação.

IV – DERROTAS TEMPORÁRIAS

Com o equilíbrio estratégico de forças, o imperialismo mundial aposta na guerra ideológica e concentra nela uma contraofensiva contra o proletariado a nível mundial.

A partir daqui, é preciso compreender algumas questões e tirar ensinamentos das experiências do proletariado no exercício de sua ditadura, para compreendermos no que consistiu essas derrotas temporárias, porém duras.

Sabemos que uma vez no socialismo, a luta de classes tal como conhecemos hoje sob a sociedade da burguesia, expressa pelo antagonismo e cuja resolução passa pela guerra como continuação da política, muda para – em condições normais – não-antagônica, isto é, passa a desenvolver-se como luta ideológica e cuja solução é, via de regra, a persuasão, crítica e autocrítica, exceto aos elementos hostis que antagonizam com o regime proletário, aos quais se aplica a ditadura aberta e dura, a privação da palavra e de organização – e, no caso destes restaurarem seu velho Poder, deve-se combatê-los com a guerra popular.

Mas, em condições regulares, durante a ditadura do proletariado a luta de classes se concentra em luta ideológico-política. A burguesia passa a buscar derrubar a vigilância do proletariado no campo ideológico para abrir alas à implementação de políticas que impulsionem a tomada do Poder. A força ideológica da burguesia dentro do socialismo é principalmente o revisionismo. Considerando que no socialismo o Partido do proletariado passa a ser o corpo de maior expressão de Poder como Estado-maior da classe, então a luta de classes passa a se dar principalmente na direção do Partido e do Estado através de luta ideológica, entre o marxismo – ideologia do proletariado – e o revisionismo – ideologia da burguesia. Formula-se aí, então, o problema da luta de duas linhas no interior do Partido Comunista e dos organismos semelhantes – duas linhas, uma burguesia e outra proletária, como reflexo, no seio do Partido, das contradições de classe da sociedade, tese que é válida universalmente.

O Presidente Mao magistralmente compreendeu esse problema da luta de classes no socialismo.

“A sociedade socialista emerge do seio da velha sociedade. Não é fácil liquidar a ideia da propriedade privada formada durante milhares de anos da sociedade de classes, nem a força do costume nem a influência ideológica e cultural das classes exploradoras associadas à propriedade privada. As forças espontâneas da pequena burguesia da cidade e do campo engendram constantemente novos elementos burgueses. À medida que as fileiras dos operários crescem em número e amplitude, infiltram-se alguns elementos impuros. E, depois de conquistado o Poder e vivendo em um ambiente de paz, certo número de pessoas nas fileiras dos quadros do Partido e dos organismos estatais degenera. Ao mesmo tempo, no plano internacional, o imperialismo, encabeçado pelo USA e os reacionários dos diversos países se esforçam por eliminar-nos empregando a dupla tática contrarrevolucionária: ameaças de guerra e ‘evolução pacífica’. O grupo revisionista contemporâneo, com a direção do Partido Comunista da União Soviética como seu centro, também procura derrotar-nos por todos os meios possíveis. Se nestas circunstâncias esquecêssemos a luta de classes e abandonássemos nossa vigilância, correríamos o perigo de perder o Poder e de deixar que o capitalismo se restaure”, analisou durante a GRCP.

Sobre a luta de duas linhas, foi sintetizando a longa experiência do proletariado revolucionário na luta de classes, que o Presidente Mao a desenvolveu. Ele partiu da concepção materialista dialética do mundo, segundo a qual a matéria, bem como suas manifestações diretas e indiretas (a natureza, a sociedade e o pensamento), estão regidos pela lei da contradição, ou seja, que tudo no universo, no mundo, cada coisa, cada fenômeno é contradição, que tudo se divide em dois. Sendo assim, o Partido Comunista, como um fenômeno histórico da sociedade humana e, mais especificamente, da sociedade moderna, é também uma contradição, onde refletem as contradições existentes na sociedade. Ele formou que no Partido Comunista, no seu seio, em sua direção de forma especial, refletem-se as contradições da sociedade, a luta de classes, a luta entre revolução e contrarrevolução, a luta entre o novo e o velho, entre burguesia e proletariado, na forma de luta entre marxismo e sua falsificação – revisionismo. Ao longo dos anos, ainda que os comunistas não compreendessem ou se dessem conta da transcendência da luta de duas linhas, ela se processou, bem ou mal, impôs-se de uma forma ou de outra e determinou o avanço ou atraso dos diferentes partidos comunistas e os processos revolucionários que conduziam. Naturalmente, a luta de duas linhas percorre o Partido Comunista também antes da revolução.

Assim sintetizou o Presidente Mao, analisando a história das lutas de duas linhas no PCCh, na década de 70:

“A luta de classes na sociedade inevitavelmente se reflete dentro do Partido e se manifesta de maneira concentrada na forma da luta entre duas linhas dentro do Partido. Esta também é uma lei objetiva. Não resta dúvida alguma de que a luta de classes na sociedade se reflete no Partido porque nosso Partido não vive no vazio senão numa sociedade em que existem classes, e a ideologia burguesa, a força do costume e das correntes internacionais do pensamento revisionista podem influir e envenenar o organismo partidário. Além do mais, o imperialismo e o social-imperialismo aproveitam toda oportunidade possível em suas tentativas de derrubar nosso Estado de ditadura do proletariado e por fim, pretendem por todos os meios possíveis meter ou encontrar agentes dentro de nosso Partido. É constante a possibilidade de que militantes de nosso Partido se deixem degenerar a tal grau que se convertam em agentes do inimigo de classe. As dez grandes lutas de duas linhas que nosso Partido experimentou nos 50 anos de sua história eram todas reflexos dentro do Partido da luta de classes ao nível nacional e internacional”.

Contrarrevolução na URSS

Desse modo, a burguesia subsistente no seio do socialismo impôs importantes derrotas ao proletariado, embora nenhuma definitiva.

Em 1953, com a morte do camarada Stalin, a contrarrevolução – que já vinha galgando importantes posições no Partido, Exército e Estado proletários – impõe uma ofensiva e acaba com a vitória, por meio da linha revisionista encabeçada por Nikita Kruschov. Este impulsiona a contrarrevolução na URSS e a nível mundial, com teorias revisionistas, além do ataque aberto e frontal ao camarada Stalin, ao qual atribuem a alcunha de “inimigo do movimento operário” quando ele era inimigo de morte da burguesia.

É preciso deixar claro a questão do ataque ao camarada Stalin, sob o pretexto de combater o “culto à personalidade”. Quando diziam combater Stalin estavam  precisamente combatendo toda a linha revolucionária e bolchevique que este representava, como maior dirigente do proletariado soviético no momento. Atacar a cabeça é atacar o Partido, é atacar a classe e deixá-la sob baixa guarda dos ataques da burguesia.

No mais, Kruschov também propôs um punhados de teorias completamente revisionistas, a seguir: “Estado de todo o povo” e “Partido de todo o povo”, que insistia que na URSS já não existia mais burguesia e que a ditadura do proletariado não era mais necessária, assim, o Partido Comunista e o Estado soviéticos não eram mais só do proletariado, mas de todo o povo – e, com isso, abriu-se alas para o crescimento da burguesia no Partido e para a contrarrevolução, formulando políticas que impulsionassem a propriedade privada dos meios de produção, a extração de mais-valia das massas, a superexploração do campesinato e a volta ao capitalismo. Já no campo internacional, formulou as teses de “Coexistência pacífica”, “Emulação pacífica” e “Transição pacífica” que pregavam a coexistência pacífica entre o socialismo e o imperialismo e afirmava que o socialismo deveria ser instaurado não mais mediante a luta armada revolucionária, mas através das eleições burguesas (algo que era oposto ao marxismo, que afirmava que “a violência revolucionária é o método universal para a derrubada da burguesia”), instaurando dentro do Movimento Comunista Internacional o cretinismo parlamentar e abrindo alas para o predomínio do oportunismo de direita; e, por fim, a emulação pacífica que afirmava que os êxitos do socialismo por si só convenceriam a humanidade, independente das classes, a transitar ao comunismo.

Assim, os revisionistas soviéticos transformaram a URSS em um Estado capitalista, dirigido pela nova burguesia que tomara o Poder por dentro do Partido; essa burguesia era de Estado e burocrática, ou seja, explorava os trabalhadores e lhes extraia a mais-valia através de empresas estatais num primeiro momento, para depois relegar até mesmo essa forma estatal de propriedade privada. Para além, os revisionistas soviéticos transformaram a URSS em Estado social-imperialista (social-imperialismo, “social” porque se reivindica “socialista”), que exportava capital, explorando e dominando os países que tinham relações, convertendo-as em semicolônias e países submetidos a sua zona de influência.

De fato, no interior do PCUS houve sempre uma luta de duas linhas. Especialmente após a Grande Guerra Patriótica que esmagou o nazismo em sua cidadela, onde morreram os melhores quadros do Partido em memoráveis exemplos de desprendimento e desinteresse em benefício do Estado proletário e contra a besta hitleriana, a direita alterou a correlação de forças e uma linha política e organizativa revisionista escalou posições na direção do Partido. O camarada Stalin observou o aumento de posições oportunistas, a que deu importantes combates ideológico-políticos, mas não soube reverter corretamente o quadro da correlação de forças. Quem descobriu este modo foi, mais tarde, o Presidente Mao.

V – A PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DO PRESIDENTE MAO

Em 1956, durante o curso da contrarrevolução na URSS, o Partido Comunista da China (principalmente), encabeçado pelo Presidente Mao, inicia um Grande Debate com o Partido Comunista União Soviética, dirigido pelo revisionista Kruschov, apontando os desvios anticomunistas presentes nas teses já citadas, seguindo o princípio revolucionário e proletário de crítica e autocrítica, dando a ele a oportunidade de retificar seus erros e objetivando que as posições proletárias veiculadas pelo PCCh repercutissem na luta de duas linhas no interior do PCUS, fortalecendo e atiçando no interior do mesmo uma linha bolchevique, de esquerda. No entanto, o golpe de Estado de Kruschov estava consumado: antes, centenas de quadros foram expulsos do Partido, alguns outros morreram, e a posição de Kruschov não enfrentara grande resistência no interior da direção. Desse Grande Debate, surge mais adiante a divisão o Movimento Comunista Internacional.

Com isso, através da experiência da URSS e da contrarrevolução lá instaurada, o Presidente Mao tira importantes e completamente transcendentais lições amargas, mas que serviram para avançar e muito a consciência do proletariado sobre a realidade. Os ensinamentos, a seguir:

  1. a) que a burguesia subsiste na sociedade socialista por meio da cultura, dos costumes, valores e etc. que correspondem às velhas sociedade e relações de produção, assim, corrompendo os indivíduos (inclusive em posição de autoridade) mais vacilantes e o coração das massas; b) que a sociedade socialista em construção e consolidação continua a engendrar espontaneamente elementos burgueses na sociedade, graças à pequena produção e pequeno comércio privado e a existência do “direito burguês”, tal como a diferença entre trabalho manual e intelectual, entre campo e cidade e entre operários e camponeses, além da própria existência de países imperialistas ao redor do mundo; e que esses elementos burgueses gerados espontaneamente – inclusive o vasto campesinato, em gradual transformação ideológica – constituem a nova base social da burguesia, que buscará resistir e lutar pela reconquista do Poder, e; c) que o fato de uma única fábrica ser administrada por um indivíduo que não aplique constante e integralmente a linha proletária do Partido, já é um fator político que cria, gera e movimenta constantemente a nova burguesia e a restauração do capitalismo.

Ante a este colossal problema, o Presidente Mao desenvolve a prática mais avançada da ditadura do proletariado, a Grande Revolução Cultural Proletária – resolvendo o problema de inverter a correlação de forças a favor da esquerda, do proletariado, na luta ideológico-política no seio do Partido, do Exército e do Estado proletários.

A GRCP, dando correta solução ao problema da luta ideológica na sociedade proletária e como continuação da luta de classes nessa, mobilizou as amplas massas do proletariado chinês à vigilância contra a restauração do capitalismo. As amplas massas abraçar consciente e resolutamente a linha proletária do Presidente Mao e aplastaram, tanto a velha cultura, costumes, ideias e toda a superestrutura correspondentes à velha sociedade e que não correspondiam à nova, como também os indivíduos revisionistas que gozavam, em posto de autoridade, de privilégios e buscavam a restauração do capitalismo. Deste modo, as amplas massas impediram o crescimento dessa nova burguesia que se engendra espontaneamente e, inclusive, impôs a essa nova burguesia refluxo nas suas forças.

“A Revolução Cultural atual é a primeira do gênero. De futuro, tais revoluções ocorrerão necessariamente por várias vezes. A questão de saber o resultado da Revolução — quem acabará por vencer — requer um período muito longo. Se não for conduzida com êxito, a restauração do capitalismo continuará possível. Todos os membros do Partido e o povo de todo o país devem evitar acreditar que poderão dormir tranquilamente e que tudo correrá bem depois de uma, duas, três ou quatro grandes revoluções culturais. Temos agora de manter uma atenção muito especial e não abrandar em nada nossa vigilância” (Presidente Mao, Pequim Informa – 05/07/1967 – n.º 20)

Deste modo, os estudantes, organizados em Guardas Vermelhas, iniciaram um grande movimento de massas dentro da sociedade chinesa, mobilizaram um contingente imenso de massas proletárias e camponesas, desmascarando os revisionistas como agentes da burguesia, destituíram prefeitos e todo tipo de autoridade oportunistas e, inclusive, derrubaram indivíduos do alto-escalão do Partido que levantavam propostas e teses revisionistas (a exemplo de Liu Siao-chi, o “Kruschov chinês”, como foi apelidado pelas massas na Revolução Cultural).

Até 1969, quando se põe fim prático à GRCP, as massas de operários e camponeses já eram a principal base social da Revolução Cultural; se produziu novos órgãos de Poder das massas, os chamados “Comitês Revolucionários”, onde as massas tomavam os assuntos da classe e do Estado operário em vossas mãos e fiscalizavam tudo, sob a direção revolucionária do Partido Comunista e sob chefatura do Presidente Mao. As fábricas e o Exército tornaram-se espaços amplamente democráticos, donde os operários participavam da administração e da gerência e os administradores e gerentes participavam da produção, e no Exército, onde oficiais trocavam de funções com os soldados rasos e vice-versa; ou no campo dos costumes e hábitos, como, por exemplo, os operários de Pequim que, após o dia de serviço, sentavam juntos em locais públicos para discutir o dia de trabalho e questões administrativas, tanto quanto para ler e compreender a linha proletária do Presidente Mao.

“Ante tal poderio dos revisionistas, os ‘Comitês Revolucionários’ representaram um avanço sem precedente para derrotar a nova burguesia, para colocar o proletariado a ‘dirigir a tudo’. No princípio os ‘Comitês Revolucionários’ foram órgãos dum novo poder para substituir os organismos do Partido e da Administração corrompido pelo revisionismo a nível municipal e provincial, depois se estendeu a outros níveis, derrotando aos revisionistas também na direção das fábricas, das comunas, das universidades, etc.” (“El Marxismo-Leninismo-Maoísmo; Ciencia de la revolución proletaria”, cap.“O Maoismo: fruto da luta contra o revisionismo moderno”, de Jaime Rangel)

A Grande Revolução Cultural Proletária foi um marco fenomenal da história da humanidade, um daqueles saltos magistrais dirigidos por grandes gênios. O Presidente Mao, munido do marxismo-leninismo, impôs, com isso, uma verdadeira evolução na concepção do proletariado sobre si mesmo e sobre sua ditadura, o que veio a devenir-se no que hoje conhecemos como marxismo-leninismo-maoismo.

No decorrer da Revolução Cultural, a linha proletária do PCCh compreende mais profundamente o papel da Grande Revolução Cultural Proletária na luta de classes do socialismo. Compreende a Revolução Cultural como um grande movimento onde as massas abrem todos os poros de toda a superestrutura da sociedade socialista e que o proletariado deve transformar tudo e, sob a consigna de “o proletariado deve dirigir tudo”, compreende a ditadura do proletariado em seu grau mais avançado como “ditadura universal do proletariado”, que como diz a própria consigna, significa colocar tudo, absolutamente tudo!, sob comando da linha ideológica revolucionária marxista-leninista-maoista sob supervisão das amplas massas revolucionárias! De tal modo, se a burguesia é gerada e se movimenta a cada hora, a cada dia pela restauração do capitalismo, então o proletariado não pode abrandar um segundo sequer, como deve estar todo o momento aprofundando sua ditadura.

Por fim, a Revolução Cultural não somente evitou a completa restauração do capitalismo na China, mas também avançou na ditadura do proletariado e fez recuar a restauração do capitalismo, justamente porque desde a década de 50 os direitistas chineses já logravam postos de autoridade e locais estratégicos no governo, Exército e sociedade chinesa e inclusive já haviam tomado parcialmente o Poder posterior ao Grande Salto Adiante. A Revolução Cultural, por fim, foi uma dádiva do proletariado chinês para a humanidade.

VI – A RESTAURAÇÃO NA CHINA

A Grande Revolução Cultural Proletária implicou duros golpes na nova burguesia e nas velhas classes derrubadas dentre 1966 até 1969, tendo sido justamente o auge da ditadura do proletariado na China, que teve seu reflexo no IX Congresso Nacional do PCCh onde uma ampla maioria da direção se constitui de revolucionários maoistas.

No entanto, as complexas condições internacionais de predomínio do revisionismo tinha importante peso na luta de duas linhas no interior do PCCh. Entre 1970 até 1976, a direita segue retomando posições, após uma acachapante derrota no IX Congresso.

Compartilhamos da posição dos Partidos e Organizações Marxistas-leninistas-maoistas da América Latina, no documento Celebrar os 50 anos da GRCP com guerra popular até o comunismo, sobre os problemas que resultaram na restauração capitalista na China.

“Alguns dos problemas desta luta de duas linhas que se desenvolveu no seio do Partido Comunista da China e na sociedade chinesa foram: o manejo da luta de duas linhas mesma; o deficiente tratamento dos dois tipos de contradições – entre nós e o inimigo e no seio do povo – que deixou campo aberto aos revisionistas; ausência de um novo e firme impulso à GRCP após a tentativa do golpe de Lin Piao, os “ventos desviacionistas de direita” e os distúrbios semeados por Teng Siao-ping em 1975 e 1976 durante os funerais de Chu En-lai, etc.. A linha revisionista teve amplo campo para desenvolver-se”.

Sobre o manejo da luta de duas linhas e a correta caracterização das contradições, basta ver que a esquerda, já com o Presidente Mao debilitado, não soube tratar corretamente a questão do Chu En-lai. En-lai sempre foi um quadro fiel à chefatura do Presidente Mao, apesar de divergir em questões importantes e de sustentar posições centristas quando demandava avançar rapidamente. Chu En-lai defendeu Teng Siao-ping quando este ficou às bordas da expulsão, após o X Congresso, por suas práticas divisionistas. No entanto, ele era um quadro veterano e muito respeitado dentro do Partido e nas massas. Com a sua morte, a esquerda rechaçou Chu En-lai, jogando seu legado e respeito no colo da direita, para que esta se aproveitasse disso e acusasse a esquerda de serem elementos hostis ao Partido.

A esquerda, nesse momento sobretudo, ignorou o que o Presidente Mao ensina: em condições normais, o Partido desenvolve-se em três campos: esquerda, direita e centro (sendo o centro produto da luta entre esquerda e direita). Ele diz: a esquerda é maior que a direita, no entanto, o centro é maior que todas. Ignorando o peso que Chu En-lai tinha como quadro respeitado pelos elementos de centro do Partido, a esquerda jogou um amplo espectro do centro à direita. Não a toa, quem comanda o golpe de Estado revisionista em 1976 é Hua Kuo-feng, que é notoriamente um quadro intermediário, de centro, mas que até então posicionava-se de acordo com a chefatura do Presidente Mao.

Há, além desse, outros problemas. Os Partidos e Organizações maoistas da América Latina, no documento citado, destacam:

“A luta de duas linhas teve avanços importantes, porém revisionistas renomados como Teng Siao-ping e sua camarilha encontraram o momento propicio para acirrar as contradições no seio do povo e tomar o Poder mediante um golpe de Estado fascista, deixando em evidência problemas não resolvidos pela revolução. Uma das questões principais é a insuficiente aplicação da linha militar proletária com relação à questão do mar armado de massas, que veio expressar-se na passagem de maiores atribuições às milícias populares, como maior controle sobre o EPL, pois era relativamente fácil de usurpar devido a sua centralização. O Presidente Gonzalo, compreendendo a questão e aportando à linha militar proletária – isto é, à guerra popular – planteou a necessidade da construção concêntrica dos três instrumentos da revolução e a necessidade de integrar a milícia popular ao exército revolucionário com a finalidade de conjurar a restauração capitalista, apontando com isto ao mar armado de massas”.”Contudo, para avançar à sociedade sem classes não eram suficientes uma, duas ou três revoluções. Senão muito mais. Durante a GRCP, a luta de duas linhas no seio do Partido Comunista da China alcançou níveis nunca antes vistos, entregando enormes lições às gerações revolucionárias posteriores”.

O golpe de Estado, que eliminou fisicamente mais de 300 mil maoistas, se tornou aplicável com essas dificuldades expressas pela esquerda.

Primeiro, a direita do PCCh usa o centrista Jua Kuo-feng para aplicar o golpe de Estado, aniquilando a esquerda dentro e fora do Partido, e depois o Poder passa para Teng Siao-ping, que aplica uma política social-imperialista das “quatro modernizações” visando a expansão da economia chinesa.

Após ou antes da China, os demais países socialistas ou de democracia popular como Vietnã, Laos, Camboja (a alinhada ao social-imperialismo soviético, e não a dirigida pelo Khmer Vermelho) e demais na Ásia, assim como os países do Leste da Europa, incluindo a Albânia, caíram nas mãos dos revisionistas.

No caso especial da Albânia, o dogmato-revisionismo e a negação das contribuições do pensamento mao tsetung (maoismo à época) para a continuação da luta de classes sob a ditadura do proletariado por parte de Enver Hoxha o fez cair no revisionismo. Em 1978, que na Albânia não existia classes antagônicas (negação da luta de classes).

“Há alguns que acreditam, por exemplo, que a Albânia é [socialista]. Eu diria para aqueles que acreditam que a Albânia é socialista que estudem bem, por exemplo, o VIII Congresso do Partido do Trabalho da Albânia, seria bom, ali se diz que o centro da reação mundial é o imperialismo norte-americano; mas e o soviético? Onde está lá que são dois inimigos que se deve combater? Sempre foram palavras; o próprio Hoxha ficou só nas palavras, porque sempre dedicou mais parágrafos a combater o imperialismo ianque do que o social-imperialismo. Ele também disse neste mesmo Congresso que a humanidade nunca esteve tão próxima de seu extermínio. Repete igual aos outros [revisionistas], o qual não é mera coincidência; mas o que ele nos propõe fazer? Especificamente desmascarar. Essa não é a solução, desmascarar não vai frear uma guerra mundial; a solução é desenvolver a revolução mediante à Guerra Popular. E se você olhar bem sobre o que está dito ali, sobre os sérios problemas econômicos que eles têm, às claras se vê qual é o caminho que a Albânia tem entrado; mas não foi Ramiz Alía, seu atual dirigente, que tomou este caminho, mas o mesmo Hoxha, no ano 78, em um discurso ante o eleitorado, afirmou que na Albânia não havia classes antagônicas. Sabemos muito bem o que isto implica pois a questão foi muito bem ilustrada pelo Presidente Mao Tsetung; e se acrescentarmos os seus ataques astutos ao presidente Mao, [que foi quem proporcionou…] o desenvolvimento do marxismo, o que ele [Hoxha] é? Um revisionista.” (Presidente Gonzalo, em entrevista ao ‘El Diario’ conhecida como Entrevista do Século, 1989).

VII – O PROBLEMA DA RESTAURAÇÃO E CONTRARRESTAURAÇÃO

Sobre as restaurações, é correto afirmar: não foi outra a causa da derrota da linha proletária no PCUS (1956) e no PCCh (1976), bem como nos demais partidos dos países socialistas – onde converteram-se de comunistas em revisionistas, restaurando o capitalismo nos respectivos países. Em última instância e de um modo geral, isto se deveu ao manejo incorreto da luta de duas linhas pela esquerda proletária na luta de classes nas condições da sociedade socialista em construção, somadas a determinadas dificuldades no processo de construção do socialismo e da confrontação com o imperialismo na nova situação mundial do pós-guerra.

E, com a queda dos últimos países socialistas e o desencadear da ofensiva contrarrevolucionária geral do imperialismo convergente com o revisionismo, a burguesia aprofunda sua guerra ideológica, afirmando contundentemente que o comunismo é impraticável e a prova está na sua “falência” frente ao sistema capitalista mundial.

Por fim, criam e incentivam as “teorias ‘modernas’ para compreender o mundo atual” e superar o arcaico marxismo-leninismo, que, óbvio, para os acadêmicos do imperialismo, não é mais capaz de confrontar os problemas centrais da atualidade. Nisso, tem um papel grotesco os partidos revisionistas e outros que de tão degenerados nem sequer podem ser chamados de revisionistas, porque não se assumem sequer comunistas – no Brasil, sua expressão mais alta está no PT e seus satélites.

De fato, o proletariado foi ali derrotado. Mas isso significa precisamente o quê? Nada além de lições, lições aprendidas com sangue pelo proletariado internacional e que devem servir para aperfeiçoar sua concepção do mundo e o exercício de sua ditadura; isso significa, não revisar o marxismo-leninismo ou buscar outras formas de “transformação da realidade” (que é o que faz os pós-modernos, expressão do oportunismo). Significa avançar a ideologia científica do proletariado assumindo o maoismo, levantando alto seus princípios revolucionários e nunca olvidar a necessidade da sua ditadura, da sua revolução baseando-se na violência revolucionária e o princípio de confiar nas massas.

E essas derrotas que sofremos, nós, proletariado e os comunistas, são contratempos, nada a mais; contratempos porque enquanto existir imperialismo e burguesia, continua a engendrar a revolução proletária mundial e a vitória da nossa classe é inevitável.

É preciso que entendemos que nenhuma classe tomou o Poder de uma vez. E isso o Presidente Gonzalo, chefatura do Partido Comunista do Peru, que se encontra preso e incomunicável desde 1992, estabeleceu muito bem:

“Assim como a nenhuma classe no mundo coube tomar o Poder de uma só vez, mas através de um processo de restaurações e contrarrestaurações, quando o proletariado toma o poder e estabelece sua ditadura, se potencializam as ânsias da burguesia por restaurar o capitalismo e se abre um processo histórico de luta entre o proletariado por manter e defender sua ditadura e conjurar a restauração capitalista e a burguesia que quer recuperar o poder. Esta luta entre restauração e contrarrestauração é uma lei histórica inegável até que se instaure em definitivo a ditadura do proletariado. Na história mundial, quando a classe feudal era avançada na China demorou 250 anos para destruir em definitivo a restauração do escravismo; quando a burguesia no ocidente lutou contra a feudalidade para destruir os intentos de restauração ou as restaurações da feudalidade, lhe demandou 300 anos para instaurar-se em definitivo no Poder; e, tratando da revolução na que o proletariado definitivamente se instaura no Poder, a luta entre restauração e contrarrestauração é sumamente aguda e amarga e lhe demandará aproximadamente uns 200 anos, começando pela Comuna de Paris, em 1871. As experiências da restauração na URSS e na China nos deixam grandes lições, tanto positivas quando negativas; especialmente, destacar os passos gigantescos que demos na consolidação do novo Estado e como a Grande Revolução Cultural Proletária é a solução para conjurar a restauração.” (Partido Comunista do Peru, “Linha Internacional”, 1988)

“Tudo o que faz refletir seriamente e entender o problema da restauração e contrarrestauração, não é problema de lamentação nem queixas como alguns tratam de difundir; o problema é enfrentar a realidade e compreendê-la, e a compreendemos e tomamos a questão da restauração e contrarrestauração que o próprio Lenin já levantara e que o Presidente Mao magistralmente desenvolveu. Nenhuma classe nova na história se assentou de uma só vez no Poder; o conquistou e o perdeu, o recuperou e voltou a perdê-lo até que, em meio de grandes lutas e contendas, lograva afirmar-se no Poder. Coisa igual se passa com o proletariado, porém grandes lições nos têm deixado, inclusive na construção socialista, portanto é uma grandiosa experiência. Ao fim e ao cabo é o processo da história e o que deve preocupar-nos é como prevenir a restauração do capitalismo, e toda revolução que está em marcha deve pensar, como nos ensinou, nos longos anos por diante, nos longos anos por vir e estar seguros de que o processo de desenvolvimento do proletariado na conquista do Poder, no estabelecimento da ditadura do proletariado, em sua defesa e condução da revolução já estão definidos, que já há grandes marcos históricos e que, em consequência, a perspectiva é que a classe, tirando lições, vai conquistar o Poder, estabelecer a ditadura do proletariado em todo o globo; e que o proletariado já não será derrotado e sim que prosseguirá seu caminho de transformação até que se extinga o Estado quando nos adentremos ao comunismo.” (Presidente Gonzalo, em entrevista ao ‘El Diario’ conhecida como Entrevista do Século, 1989).

VIII – OFENSIVA ESTRATÉGICA

Atualmente, nos encontramos na Segunda Grande Onda da Revolução Proletária Mundial, que se caracteriza pelas guerras populares no Peru, Turquia, Índia, Filipinas, para além das guerras imperialistas no Iraque, Síria, Líbia, etc. e as agudas lutas de resistência nacional nas semicolônias ou colônias agredidas. Essa Segunda Grande Onda muda a correlação de forças no mundo, no qual o proletariado está na ofensiva estratégica e a burguesia e o imperialismo está na defensiva; nos encontramos na era da Revolução Proletária Mundial e na era qual o imperialismo será varrido da face da Terra nos próximos 50-100 anos, como planteou o Presidente Mao e reafirmou contundentemente o Presidente Gonzalo.

Devemos, por isso mesmo, desenvolver a contraofensiva revolucionária geral em oposição à ofensiva contrarrevolucionária geral – e isso só pode fazer-se com guerra popular mundial. A isso soma-se a importante compreensão dos comunistas da necessidade da Internacional Comunista marxista-leninista-maoista, cuja reconstituição ou não é chave para determinar se, tomando em perspectiva, haverá ou não um salto de qualidade na luta do proletariado e do maoismo por comandar a nova grande onda da Revolução Proletária Mundial. Sem o Partido Mundial do Proletariado, a Internacional Comunista marxista-leninista-maoista, a Revolução Mundial não triunfará.

É preciso ver que as condições objetivas para a revolução, já apontava o camarada Lenin na caracterização do imperialismo, estão maduras e prontas a todo momento; o que nos falta são as condições subjetivas, que só depende de nós mesmos, que é o manejo correto da ideologia do proletariado, atualmente, marxismo-leninismo-maoismo e os aportes de validez universal do pensamento gonzalo, sua correta aplicação em cada realidade, forjando pensamentos-guias que é a aplicação criadora da verdade universal para cada país; assim como reconstituir verdadeiros Partidos Comunistas de novo tipo, conduzindo a luta de duas linhas em suas fileiras, prevenindo o partido do revisionismo, varrendo constantemente todo o montão colossal de lixo, o oportunismo e todos os desvios característicos da burguesia e pequena-burguesia no movimento operário e popular, tratando o revisionismo como principal perigo para a revolução; e, por fim, traçar firmes laços com as amplas massas, mobilizando, politizando e organizando-as pelo luminoso sendeiro da revolução, com a teoria militar do proletariado que é a Guerra Popular, servindo à reconstituição da Internacional Comunista marxista-leninista-maoista e à revolução proletária mundial!

As condições subjetivas, reafirmando, são essas e são as únicas questões pendentes para o deslanche da Revolução em cada país e pelo estabelecimento da ditadura do proletariado a nível internacional, em trânsito ao luminoso Comunismo.

VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO!
VIVA A NOVA GRANDE ONDA DA REVOLUÇÃO PROLETÁRIA MUNDIAL!
VIVA O PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL!
ABAIXO A GUERRA IMPERIALISTA! VIVA A GUERRA POPULAR!
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