O papel do imperialismo ianque como superpotência hegemônica única e o FED, a única fonte de liquidez global (Associação de Nova Democracia Nuevo Peru, 2020)

01/06/2020

A crise geral do imperialismo, que é a última etapa do capitalismo, se desenvolve em meio a todo tipo de crises, em meio de uma série complexa de guerras, pandemias, desastres de toda natureza e está sendo varrido pela guerra popular que começou em 1980, no Peru, e nos leva à guerra popular mundial para enterrar o imperialismo.

Dentro de sua crise geral atravessada por uma nova crise econômica cíclica, de superprodução relativa (em que pese a necessidade insatisfeita de imensas massas humanas e da abundância de imensas mercadorias necessárias para satisfazê-las, as grandes massas não podem consumi-las porque não têm a renda para fazê-lo, essas necessidades não se concretizam em demanda solvente, consequência da superprodução de mercadorias que há que destruir – crises – para alcançar o equilíbrio e começar de novo, sempre de mais abaixo).

Esta crise se dá em todos os planos, não somente no econômico, eles mesmos confessam, como poderão ler mais abaixo; esta nova crise cíclica é mais funda e profunda e arrasta o imperialismo a uma mais ampla e profunda crise política, demonstrando que eles já não podem seguir governando como antes e que as massas não estão dispostas a seguir vivendo como até agora. Compromete tanto sua ordem internacional como nacional; as velhas alianças imperialistas perdem vigência e o imperialismo ianque se mostra mais prepotente que nunca. Trump, em sua condição de máximo representante do mesmo, expressa como ninguém tal condição. Os representantes do Partido Democrata, os revisionistas como Avakian, simpatizantes dos democratas em todo o mundo, oportunistas e revisionistas consideram que Trump não é um digno representante do imperialismo, mas ninguém como ele interpreta melhor o papel neste momento. A crise atual, em um nível mais significativo que a de dez anos atrás, é um novo marco no longo processo de afundamento do imperialismo.

A crise atual mostra quem é a superpotência hegemônica única. Assim, se vai afundando todo um sistema e mostrando que só serve para ser varrido pela guerra popular. O imperialismo é câncer. Os povos não necessitam dele.

Na crise iniciada em 2008, o imperialismo ianque, atuando na condição de superpotência hegemônica única forneceu liquidez aos demais países imperialistas, o que se vai repetir na atual crise do chamado “coronavírus”, mas em um nível que se considera vai ser o triplo da crise de 2008.

Documentamos o endividamento que foi referido em uma postagem anterior, para expandir o ciclo, logo a provisão de liquidez em 2008 e agora, além da colusão e pugna, sendo a colusão principal, e que a crise como a atual já estava anunciada, como também se pode ver nas citações abaixo:

“Mas o último episódio é sensivelmente brutal: uma superbolha de quase 60 anos inflada a base de crédito, de dívida, cada vez que o sistema financeiro se metia em problemas apareciam os bancos centrais com novas fórmulas para estimular a economia. Essa superbolha acabou escapando das mãos do sistema quando as inovações financeiras – subprime, derivados, CDO, CDS e demais jargãos impossíveis – se complicaram tanto que as autoridades já não pareciam capazes de calcular os riscos dos próprios bancos.” (NT: em finanças, empréstimos subprime é a concessão a pessoas que podem ter dificuldades em fazer o pagamento. As taxas de juros são altas e os prazos menos favoráveis, para compensar um risco maior de crédito. Muitos empréstimos subprime foram empacotados em títulos lastreados em hipotecas e, finalmente, foram inadimplentes, contribuindo para a crise financeira de 2008.)

Até que um dia essa magia se esfumaçou. A partir de setembro de 2008… “a relação incestuosa entre as autoridades e seus bancos acabou explodindo”, aponta Soros na tormenta financeira. O resultado foi a crise mais grave desde a IIª Guerra Mundial. E nesta crise, o imperialismo ianque, atuando em sua condição de superpotência hegemônica única, proveu de liquidez os demais países imperialistas, o que se vai repetir na atual crise, do chamado coronavírus, mas a um nível que se considera vai ser o triplo da crise de 2008. Ver que se dá em colusão e pugna, sendo a colusão principal, como se pode inferir na citação abaixo:

A tormenta perfeita durou até início de outubro de 2008: até que os ministros de Finanças do G7 e do G20 formularam um compromisso inequívoco para impedir a quebra das instituições financeiras sistêmicas. ‘Não mais Lehmans’, foi a consigna: em última instância, apesar do triunfo dos apóstolos do livre mercado, só a intervenção decisiva e globalmente coordenada dos governos e bancos centrais deteve o pânico. Apesar disso, os paradigmas mudaram pouco ou nada nas tempestuosas águas da política econômica: os sintagmas mágicos preferidos das autoridades na Europa eram, e são, austeridade expansiva (seja lá o que seja isso) e reformas estruturais. Os estadunidenses leram melhor Keynes e sobre política fiscal e foram mais audaciosos com a política monetária. A Europa sofreu muito mais: o BCE (Banco Central Europeu) chegou tarde e Berlin impôs uma camisa de força fiscal, que expandiu muito mais a crise.

(…) Foi uma crise de mil caras: financeira, econômica, social, de dívida, estadounidense, europeia, de emprego, política, migratória, de todo tipo. Para detê-la, os líderes mundiais prometeram pouco menos que uma refundação do capitalismo; a prioridade era encabrestar o sistema financeiro. (…) Não houve tal refundação: “O sistema financeiro atual é tão perigoso e frágil como o que levou à crise”, assegura Martin Hellwig, do ‘Instituto Max Planck’ (…) (Nota nossa: destaco esta parte do citado, porque demonstra como eles mesmos veem que não é só na base, senão abarca tudo o que corresponde a uma crise dentro da crise geral.)

E ao final do artigo aparecem duas advertências do que estava se revelando e que hoje estamos assistindo como crise do corona:

“Não creio que haja perigo iminente, mas me sinto incomodado: a regulamentação financeira não se reforçou o suficiente e a próxima crise está esperando, inquietante, em algum lugar”, adverte Paul De Grauwe, da London School of Economy/LSE (…)

Alguns dos grandes vilões destas crises foram os principais responsáveis dos bancos envolvidos (…), que deixaram um aviso aos navegantes: “Sei que ninguém quer escutar isto, menos ainda se for dito por mim, mas os ricos estão se tornando cada vez mais ricos e, de novo, o coração da economia está adoecendo. Sou um capitalista incondicional, mas sejamos justos: o capitalismo só funciona se a riqueza nasce na parte superior e depois se filtra para baixo. Se a riqueza não baixa haverá problemas.” (Nota nossa: cínicas palavras de um sujeito como este, que aponta a causa da superprodução relativa e a necessidade de encobrir a superexploração das classes para que tudo siga igual, porque o problema não está na distribuição, senão na produção, nas relações sociais de produção.)

(Recessão persistente: crônica dos 10 anos de crises que mudaram o mundo – O 15 de setembro de 2008 foi a versão moderna do ‘crash’ de 1929 e seus efeitos persistem. El País, Claudi Pérez, Twitter, 09/09/2018 – 13:25 CEST)

Com as seguintes citações documentamos os mesmos pontos, mas referidos à crise atual:

“Quando as linhas chinesas de abastecimento se interromperam, no final de fevereiro, devido às paralisações que tentavam deter a propagação do coronavírus, as empresas e instituições financeiras de todo o mundo começaram a ter problemas para obter recurso. Em resposta, as empresas venderam ativos, como ações, e os bancos começaram a restringir os empréstimos. Como todos tentaram vender tudo de uma vez, os preços tiveram um colapso, o que exigiu mais vendas e causou novas quedas de preços. Durante as três semanas posteriores, os mercados bursáteis (de bolsas de valores) de todo o mundo perderam entre 20 a 30% de seu valor e as moedas colapsaram quando todos, em todo o mundo, venderam tudo a troco de dólares. Com efeito, isto foi uma queda repentina no mundo, entre a queda de Bear Stearns, na primavera de 2008, e a quebra de Lehman Brothers. Em 2008, a crise foi chamada de uma “crise creditícia”. Em geral, se chama de “armadilha de liquidez” [“liquidity trap”]. E nunca houve uma corrida global por dólares tão rápida e na escala da “armadilha de liquidez” como na crise do coronavirus.Em resposta, houve uma onda sem precedentes das atividades de políticas monetárias. Os bancos centrais de todo o mundo, especialmente o Federal Reserve Board (adiante, também chamado “FED”) (NT: Também traduzido como Sistema de Reserva Federal, esta é uma instituição estadunidense responsável pela supervisão do sistema bancário e pela definição da política monetária aplicada naquele país. Atua de maneira semelhante ao que o Banco Central faz no Brasil), interviu para apoiar principalmente a todos os mercados de crédito do planeta. Em 12 de março, o FED anunciou que havia posto a disposição 1,5 trilhões de dólares para o “mercado de compras de dívidas”, que é a principal fonte de crédito, a curto prazo, no sistema financeiro (Nota nossa: ‘compras de dívidas’, ‘retrovenda’, ‘comprar outra vez’, ‘adquirir novamente’, é a principal fonte de crédito a curto prazo no sistema financeiro. É uma operação na qual uma parte, geralmente um banco central, vende um título a um comprador que o devolve, tempos depois, por um preço mais alto). Inclusive, no mundo depois de 2008, de gigantescas intervenções dos bancos centrais, 1,5 trilhões de dólares é muito. O FED fez isso em um dia particularmente bom: sexta-feira 13.

Durante o fim de semana, o FED decidiu que a pandemia, declarada, oficialmente, na quarta-feira, dia 11 de março, havia empurrado os mercados financeiros a um território totalmente desconhecido. Reduziu as taxas de juros a zero, movendo-se em um só salto, quatro de suas passagens típicos de 0.25%, e anunciou que compraria 500 trilhões de dólares em valores do Tesouro (uma variedade de “dívida segura” do governo do Estados Unidos emitida pelo Departamento do Tesouro para diferentes períodos de duração) e 200 trilhões de dólares em valores garantidos por hipotecas. O FED reiniciou assim o programa de expansão quantitativa de 2011-2014 em escala imensa (Nota nossa: “Expansão quantitativa” ou “quantitative easing” é uma ferramenta de política monetária expansiva realizada pela via de compra massiva de ativos financeiros presentes no mercado, pelo Estado). A proposta era inundar os mercados financeiros com recursos, o mais rápido possível, para que os bancos pudessem seguir emprestando, os compradores de ações pudessem seguir comprando e as instituições pudessem seguir realizando seus pagamentos de dívida. A imprensa financeira, que gosta das metáforas militares, qualificou a proposta de “bazuca nuclear”.

O ataque nuclear fracassou. Quando os mercados reabriram na segunda-feira, 16 de março, todos os índices de Wall Street perderam, de imediato, em torno de 12 % de seu valor. Logo, o FED anunciou que compraria 1 trilhão de dólares de “papel comercial” [“commercial papper”], que é dívida corporativa não garantida a curto prazo. A lei da Reserva Federal exige que o FED não assuma riscos e somente troque recursos por ativos seguros, como os bônus do Tesouro, pelo que a decisão de compra de 1 trilhão de dólares, em algo relativamente arriscado como a dívida corporativa não garantida, seria surpreendente em qualquer outra circunstância.

O Banco Central Europeu anunciou seu próprio fundo de 750 trilhões de euros para comprar dívida comercial e governamental. Os bancos centrais de todo o mundo começaram a utilizar todos os meios disponíveis para injetar recursos em seus mercados financeiros. Para respaldar seus esforços, o FED deu a outros bancos centrais acesso a 450 trilhões de dólares em permutas de divisas [“swaps de divisas”], essencialmente, acesso a dólares no caso de que seus bancos tivessem que fazer pagamentos em dólares, ou seus bancos centrais tivessem que apoiar suas moedas com dólares. Para o dia 23 de março, o FED havia anunciado que faria tanta “expansão quantitativa” [ou “QE”, “quantitative easing”] quanto fosse necessário, para apoiar o sistema financeiro:expansão quantitativa infinita [QE Infinity] .

Parecia que o infinito era o preço necessário para estabilizar o sistema financeiro global. As ações se recuperaram e nenhuma instituição “sistemicamente importante” falhou, inclusive quando mais de 22 milhões de estadunidenses (uma cifra parcial refletida nos anúncios de seguro-desemprego) perderam seus empregos no pior colapso do mercado de trabalho registrado na história humana. A lei CARES [“Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security Act”/ “Alívio e Segurança Econômica do Coronavirus”], de 2,2 trilhões de dólares, aprovada em 27 de março, contém 500 trilhões de dólares em empréstimos e garantias de empréstimo sob o controle de Steve Mnuchin, o Secretário do Tesouro, ex-executivo da Goldman Sachs e ex-CEO do depredador agiota hipotecário OneWest. (NT: CEO é a sigla de Chief Executive Officer, que significa ‘Diretor Executivo’. CEO é a pessoa com maior autoridade na hierarquia operacional de uma organização. É o responsável pelas estratégias da empresa, mas não são todas as empresas que têm uma pessoa no cargo de CEO.). Disso, 454 trilhões de dólares serão entregues ao ‘Fundo de Estabilização de Intercâmbio’ (“Exchange Stabilization Fund”) do FED, como garantia para que o FED possa outorgar empréstimos a empresas medianas.

(…)

É necessário contextualizar estes fundos para a resposta à crise desatada pelo coronavírus, no alcance mais amplo das mudanças em curso na estrutura das finanças globais, e as implicações correspondentes para pessoas reais com trabalhos reais. Muito antes de fevereiro, havia indícios de que os mercados de capitais estavam enfermos. O mercado de “compra de dívidas” se contraiu, abruptamente, em setembro de 2019, o que levou o FED de Nova York a oferecer 75 trilhões de dólares todos os dias, em fundos de vinte e quatro horas. No verão de 2019, a famosa “curva de cupom zero” (“yield curve”) do custo da dívida do Tesouro se inverteu, o que geralmente indica que os mercados financeiros esperam uma recessão iminente e, portanto, estão dispostos a pagar mais pelo acesso a uma dívida pública segura a curto prazo. Desde 2011, pelo menos, a acumulação de capital estava ocorrendo sobre a base da contínua expansão quantitativa e das baixas taxas de juros: um fluxo incessante de dinheiro barato, que fez com que, inclusive, entidades abertamente ridículas como WeWork (‘Nós Trabalhamos’) parecessem brevemente empresas multimilionárias. As corporações haviam usado, principalmente, esse recurso barato para recomprar suas próprias ações. As recompras alcançaram um máximo histórico em 2018, quando as corporações estadunidenses gastaram 1,09 trilhões de dólares na compra de suas próprias ações. O segundo nível mais alto foi em 2019 (as recompras de ações são excelentes para os acionistas: as empresas compram mais controle de si mesmas e aumentam os preços das ações, porque há menos ações em circulação e qualquer um que tenha essas ações se enriquece). (Nota nossa: isto é importante e esclarece porque economistas do mainstream (NT: tendêndia predominante) dizem que a bolsa não tem nada a ver com a economia real)

As grandes corporações também haviam estado ocupadas comprando entre si: os anos de 2018 e 2019 estabeleceram recordes para a atividade global de fusões e aquisições, o qual se desacelerou, abruptamente, em janeiro de 2020. Em 2018, as ações estadunidenses não mostraram ganhos no total e o jornal Financial Times informou que, essencialmente, todas as classes de ativos globais (“asset classes”) haviam perdido valor (Nota Nossa: “asset classes” é um grupo de instrumentos financeiros que têm características financeiras similares e se comportam de maneira similar no mercado). Os mercados financeiros não funcionaram como se supunha. Não estavam fazendo coincidir os poupadores com os necessitados de créditos para impulsionar o crescimento do emprego, a inovação, a concorrência e todas as demais características de uma economia capitalista. Um punhado de grandes corporações estavam utilizando o excesso de dinheiro barato do Governo para se tornarem ainda maiores, para comprar seus rivais e para enriquecer seus acionistas a um nível que eles mesmos pareciam crer que era insustentável e que estava a ponto de produzir uma recessão. (Nota nossa: crônica de uma morte anunciada, como sugere a declaração de 1º de Maio de 2020)

O sistema monetário depois de 2008 não era como os encarregados das políticas mundiais; haviam sido educados para administrar, com um conjunto de ferramentas que aprenderam a usar na longa era da hegemonia neoliberal, entre 1979 e 2007. Os bilhões de dólares de liquidez do banco central não produziam inflação. As baixas taxas de juros estavam perdendo força. Algo estava mal. Era claramente impossível continuar essa crise monetária de baixo nível para sempre, mas também resultava impossível fazer qualquer outra coisa. A pandemia aniquilou a maioria dos limites do possível. O Federal Reserve é agora a única fonte de liquidez global, proporcionando recurso não apenas para todos os mercados financeiros e de crédito do planeta, como também aos bancos centrais do mundo. Sua independência legal e seu isolamento da supervisão democrática ou de toda prestação de contas significa que pode atuar mais rápido e com mais enfoque que qualquer outra instituição de governo no planeta. A princípio, o Congresso do Estados Unidos é soberano e o FED é uma agência delegada, sujeita a muitas leis que restringem o que se pode fazer. Mas para que essa relação de poder funcione, o Congresso teria que funcionar e afirmar seu papel constitucional como um controle de outros ramos do governo. Sem dúvida, o Congresso não tem a capacidade e nem o interesse de fazê-lo, o que significa que, na prática, o Federal Reserve decide sobre exceções e normas e determina como atuar quando as instituições normais demonstrem serem incapazes. A crise de 2020 revelou o alcance do poder que foi acumulado desde 2008. Como Adam Tooze argumentou recentemente, a verdadeira localização da hegemonia global estadunidense não se encontra na Casa Branca, mas no Federal Reserve.

(“A soberania do FED”. Por: Trevor Jackson, Em termos de governo de crises, o Estados Unidos não é um país com um banco central. É um banco central com um país.
Fonte: Dissent Magazine, 16 de abril de 2020. Tradução e notas explicativas, por Héctor Testa Ferreira.)

Outra fonte para documentar sobre la hegemonia do imperialismo ianque nas finanças mundiais:

“Em março, quando a Europa e o Estados Unidos começaram a compreender a magnitude da pandemia do Covid-19, os investidores entraram em pânico. Os mercados financeiros desabaram. A derrota foi tão severa que em várias ocasiões, na segunda e terceira semanas de março, o funcionamento normal do mercado estava em dúvida. Os preços dos bônus do Tesouro do Estados Unidos, o último ativo seguro para os investidores de todo o mundo, se moveram violentamente na medida em que os administradores de fundos, lutando para obter recurso, vendiam tudo o que podiam vender. No mercado de divisas, através do qual normalmente circulam mais de 6 quadrilhões de dólares a cada dia, o trânsito foi em uma só direção: de todas as moedas do mundo para dólares. Nenhum mercado pode funcionar por muito tempo assim. A libra esterlina se destruiu. Inclusive, o ouro foi vendido. Esta não foi uma crise bancária como a de 2008, mas se não fosse pela espetacular intervenção realizada no Federal Reserve do Estados Unidos, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu estariam, agora, enfrentando não apenas os estragos da Covid-19 e as desastrosas consequências sociais e econômicas de fechamento, mas também um ataque cardíaco financeiro. Por outro lado, estamos experimentando uma onda expansiva de contração creditícia. A produção e o emprego reduziram-se drasticamente. Enormes programas de gastos públicos foram colocados em marcha, não para criar empregos, mas para sustentar a economia com apoio vital. O desafio não é meramente técnico. Esta é uma crise global, que afeta praticamente todas as comunidades do planeta. E revelou marcantes diferenças entre os principais blocos econômicos (NT: a expressão “bloco econômico” foi mantida como no texto original, mas se faz necessário um esclarecimento do autor sobre a razão dele ter usado a mesma no presente artigo, visto que ele não usa tal conceito), de modo que agora é mais difícil do que nunca entender como se encaixa, realmente, o que chamamos de economia mundial.

Os três grandes centros de produção, troca e atividade corporativa são Estados Unidos, China e a Eurozona. Estes centros econômicos estão unidos mediante fluxos de comércio, organizados através de complexas cadeias de abastecimento que abarcam todo o mundo. Cada um dos três centros tem uma zona de influência que se estende às regiões vizinhas da América Latina, Europa Central e Oriental, África e Ásia. Todos estão unidos a um sistema financeiro global, que utiliza o dólar estadunidense como moeda de comércio e crédito. Cada um dos três centros tem debilidades características. A preocupação sobre a China é a sustentabilidade de seu crescimento econômico impulsionado pela dívida. As debilidades básicas da Eurozona são que, todavia, não têm um respaldo para seu sistema bancário desvencilhado que carece de uma capacidade fiscal compartilhada. Além disso, as finanças da Itália são tão débeis que ameaçam, continuamente, alterar a solidariedade europeia. No Estados Unidos, as instituições nacionais de política econômica realmente funcionam: demonstraram isso em 2008 e estão fazendo isto novamente agora. O FED e o Tesouro exercem uma grande influência não apenas sobre a economia do Estados Unidos, mas sobre todo o sistema global. A pergunta é como se mantém, em relação a uma sociedade estadunidense profundamente dividida, e como seu estilo tecnocrático de formulação de políticas é recebido pela ala direita nacionalista sem falar no Partido Republicano e seu defensor na Casa Branca.

(…)

A crise confirma, uma vez mais, a posição do Federal Reserve no centro da governança econômica. Existe um novo mecanismo de cooperação entre o FED e o Tesouro, que pode absorver até 450 trilhões de dólares em perdas por empréstimos do FED. Dado que a maioria dos empréstimos serão reembolsados, isto proporciona ao FED um enorme poder de fogo. Mas, não pode abordar qual é realmente a força decisiva na crise, a saber, a epidemia. Menos de 10% dos gastos de estímulo é para o setor de saúde, sem dúvida, se necessita, desesperadamente, de fundos para reparar um sistema que, inclusive, quando se impulsiona mais além de sua capacidade máxima está ameaçado de um colapso financeiro. Os melhores hospitais do Estados Unidos são bons em medicina de alta tecnologia e em altos preços. Mas, combater o coronavírus requer uma supressão integral e um tratamento massivo dos transtornos respiratórios. Isso não é para o que está desenhado o sistema excessivamente burocrático do Estados Unidos. Estados como a Califórnia e cidades como Nova York são ricos e estão relativamente bem equipados para responder à emergência. Mas, os outros como Nova Orleans e Detroit, estão empobrecidos e golpeados, que recentemente escaparam da bancarrota. As pessoas recorrem a soluções próprias. Na medida que a pandemia explodiu em Nova York, o Upper East de Manhattan se esvaziou, enquanto os ricos fugiam para suas casas de praia ou propriedades rurais nas colinas do norte do estado. Nos estados vermelhos houve uma corrida às lojas de munições. Não é para matar o vírus: as postagens de Twitter do lobby de armas advertem sobre bandos errantes de prisioneiros libertados por governadores liberais, das prisões superlotadas e insalubres do Estados Unidos.

(…)

Continuaremos insistindo na colusão e pugna interimperialista, que é como se desenvolve esta contradição que ainda não é bem entendido por alguns.

(Postado por: Verein der Neuen Demokratie )

China sob a pandemia da Covid-19 (Grupo marxista-leninista-maoista clandestino)

Tradução não-oficial do original publicado por New Epoch.

 

China – Sob a epidemia da Covid-19

28 de Maio

NOTA NEW EPOCH – A seguir publicamos um artigo sobre a sociedade chinesa sob a pandemia, que nos foi enviado por “um grupo marxista-leninista-maoísta clandestino na China”. Nos foi remetido com o pedido de publicação, por causa da dura condição de se fazê-lo sob a repressão recente na China e com a intenção de ajudar o movimento revolucionário internacional a compreender mais sobre a essência da China imperialista.


Em abril de 2020, enquanto a epidemia na maioria dos países ainda não foi efetivamente controlada, a epidemia na China tem estabilizado gradualmente. Assim, no período recente, as chamadas “conquistas chinesas”, o “caminho chinês”, o “modelo chinês” e outros termos, começa a tocar o tambor do imperialismo chinês, mas é realmente o chamado “sistema chinês” que permitiu à China sair à frente no controle à epidemia? E é, ainda, o espírito de “servir o povo” das autoridades chineses que acabou com a epidemia mais rápido? De fato, a superação da epidemia não pôde ser alcançada sem o comando das autoridades chinesas, mas podemos concluir daí que o sistema chinês tem vantagens ou mesmo que a classe dominante da China imperialista realmente serve o povo?

Não, nunca!

Para superar uma emergência pública de ordem maior, o quê um país precisa primeiro? É um sistema político? Obviamente que não, antes destes sistemas, ao menos deve haver ali suficiente e mobilizáveis força humana e recursos materiais. No momento, a China, como um país imperialista emergente, tem recursos abundantes em sua vasta terra; a China imperialista tem a maioria e os melhores trabalhadores do mundo e a sua maioria possui uma simplicidade e um sentimento patriótico e assim como uma faca de dois gumes os faz enganados pela burguesia; graças à construção da era socialista, a produção industrial da China imperialista figura no topo do ranking mundial, e há todos os tipos de linhas de produção de vários materiais. É o apoio de fortes forças materiais que permitirá à China ser liderança na saída da epidemia. Em contraste, em velhos países imperialistas como os EUA etc, devido à ganância do capital de multiplicar-se rapidamente, e por causa da taxa de mais-valia dos velhos países imperialistas ter decaído gravemente, o capital fluiu para o capital financeiro, o que levou à desindustrialização em larga escala, enquanto a manufatura foi realocada para o exterior. Como pode a força material ser mobilizada em tempo suficiente sob estas circunstâncias? A China ainda não passou por desindustrialização em larga escala, muito por causa da força de trabalho doméstica chinesa ainda ser barata o suficiente para sustentar as altas taxas de mais-valia dos capitalistas.

Pode o sistema político chinês ser afirmadamente positivo pelo melhor desempenho da China nessa epidemia? A resposta é obviamente que não. Desde o começo, os burocratas burgueses puniram o “vazamento” da epidemia como se fosse um rumor; posteriormente, conforme a epidemia continuou a expandir, eles murmuraram algumas palavras sobre [N.T.: o vírus] ser “prevenível e controlável”; no momento de atacar a epidemia, fizeram conluio com alguns capitalistas comerciais como esgotos mau cheirosos [N.T.: não está claro se seria empresas do ramo de saneamento ou se é um adjetivo pejorativo] para monopolizarem o fornecimento de alimentos para obterem superlucros enquanto forneciam mantimentos básicos aos residentes. Alguns tentaram quebrar o monopólio e foram pegos pela polícia, outros tentaram protestar, então a comunidade (tentáculo da burocracia burguesa que tem capilaridade) os retaliou levando as verduras em caminhões de lixo.

O que deve ser mencionado é que a Cruz Vermelha em Hubei desviou recursos e materiais, olvidou a hospitais públicos que faltavam material, e enviou muitos materiais para os líderes dos hospitais privados. Este fenômeno é tão aberto e descarado que as massas do povo não aguentaram mais. O povo, espontaneamente, organizou para completar a cadeia de suprimentos da manufatura aos hospitais, driblando a Cruz Vermelha, e aliviando a necessidade urgente dos hospitais públicos. A organização espontânea e o comportamento “anti-epidemia” do povo merece reconhecimento, mas essa valorosa atitude é tida como ilegal pela Cruz Vermelha de Hubei e certos departamentos de governo. Aparentemente [N.T.: tal atitude] não seria favorável a uma gerência unificada, mas na verdade, o que não favorece é que se leve propina aos bolsos dos burgueses burocratas.

Mas ainda haverá pessoas que não se convencerão, e dirão que o sistema de saúde da China jogara um papel importante [N.t.: no controle do vírus], de que o sistema público de saúde é também uma característica do sistema chinês. De fato, o sistema público de saúde legado pelo período socialista ainda não desapareceu completamente e os hospitais públicos ainda têm um papel importante. Mas, olhando para o problema, não podemos ver apenas o presente, mas também a tendência. Durante os anos, com a “reforma aprofundada” ou o retrocesso neo-liberal das autoridades imperialistas chinesas, tudo se move no sentido da privatização, e a indústria média não é exceção. O tipo de hospital de “Putian”* (na verdade, um tipo de hospital privado) que matou Wei Zexi brotaram salas de emergência como cogumelos na primavera [N.T.: No original se faz um trocadilho com ‘cogumelo na primavera’, no inglês, spring mushroom, com a palavra ‘rushroom’, que significa sala de emergência] nos últimos anos. Ao mesmo tempo, hospitais públicos foram violentamente espremidos. Tentando ganhar a confiança das pessoas, por outro lado, os recursos foram cortados ano a ano e talentos foram perdidos também ano a ano. Muitos médicos de hospitais públicos são forçados a irem para hospitais privados para sobreviverem. Mas, nessa epidemia, hospitais privados dificilmente jogaram qualquer papel positivo. Em adição, seguridade social e tratamento médico não são únicos na dita “China socialista”. A Grã-Bretanha tem o Sistema de Saúde Nacional (NHS), mas ninguém vai pensar que este é um país socialista. As pessoas que acham que o sistema de saúde pública chinês, por ter um papel importante, concluem que a China é um país socialista, obviamente não sabem o que é socialismo.

Obviamente, o alívio prematuro da epidemia simplesmente não prova a superioridade do sistema imperialista chinês. Usar o alívio prematuro da epidemia para demonstrar que o sistema imperialista chinês é fundamentalmente superior do que qualquer outro país imperialista é obviamente errado.

Portanto, a resposta positiva das autoridades imperialistas chinesas à epidemia é realmente derivada da ideia de servir o povo?

A vantagem relativa da China em combater a epidemia é que esta tem uma vantagem enquanto fábrica global, que é essencialmente poderosa na opressão impiedosa dos operários. O propósito das autoridades imperialistas chinesas em controlar a epidemia não era para “salvar o povo do desastre”, mas em manter a ordem da produção capitalista. Afinal, se os operários estivessem todos doentes, como a burguesia exploraria sua mais-valia?

Mais ainda, antes do alívio da epidemia, a burguesia imperialista chinesa não podia esperar em aumentar a intensidade da exploração e opressão. Os operários da construção do Hospital de Leishenshan e de Huoshenshan, que deram grande contribuição na luta contra a epidemia, ficaram não só sem pagamento, como também foram ainda mais espremidos sob a justificativa de despesas alimentares durante o isolamento, ao mesmo tempo, os salários que eram devidos foram reduzidos a 1% do nível original por deduções, alguns operários protestaram, mas o que foi negociado não foi mais do que repressão, porrete, interrogatórios e prisões; os bônus e outros rendimentos para operários de fábricas de equipamentos médicos foram também cancelados pelos patrões em nome de combater a epidemia; as médicas mulheres e enfermeiras que trabalharam duro para combater a epidemia foram usadas como peça de propaganda pelas autoridades chinesas e para demonstrar sacrifício, algumas enfermeiras foram obrigadas a rasparem a cabeça aos prantos, algumas equipes médicas de mulheres foram enviadas às áreas críticas de epidemia e forçadas a abrirem mão dos subsídios que mereciam; se por um lado, uma quantidade enorme de pessoal médico faz grandes esforços para combater a epidemia, de outro lado, recebem apenas salários-mínimos, mesmo esse mínimo ainda é incompleto.

Agora, no momento que a epidemia apenas amenizou mas ainda não foi completamente derrotada, a retomada do trabalho e da produção, ou a restauração da ordem de produção capitalista foi posta na agenda pelas autoridades imperialistas chinesas. Quando da promoção à retomada da produção, as autoridades imperialistas chinesas foram extremamente generosas com a burguesia, dando subsídios e empréstimos com baixas taxas ou nenhuma taxa de juros, mas não proveram o auxílio necessário para os operários em crise. No máximo, deram uma migalha de pagamento. Um grupo operário de chineses marxistas registrou alguns fatos: O Ministro de Recursos Humanos e Seguridade Social (MRHSS) das autoridades, descaradamente, declarou que “as empresas poderão negociar redução de salários e atrasos”, “quando a produção for suspensa, as férias anuais dos operários serão descontadas”, e ao mesmo tempo, os infectados com a COVID-19 durante o trabalho não contarão como acidente de trabalho e, por isso, não poderão ser indenizados; a Foxxcon, um grupo gigante manufatureiro que absorveu bastante mão de obra barata, cortou incontáveis operários temporários em fábricas por todo lado; um conglomerado internacional chamado Hisense foi denunciado pelas demissões de dezenas de milhares de pessoas; em Shenzhen, um operário padrão foi espancado pela Chengguan (Delegacia de Oficiais da Agência de Segurança Administrativa Urbana) por nenhuma razão; a violência policial é rampante; a BYD, uma gigante fabricante de automóveis, está pagando um salário de 300 yuan por mês para muitos empregados, que é apenas o suficiente para três dias de comida nas cidades de primeira ou segunda ordem na China. Finalmente, de acordo com a análise particular de intelectuais progressistas, a taxa de desemprego na China hoje é aproximadamente 20%.

Os registros do grupo de operários marxistas e a análise dos intelectuais progressistas provam que o povo trabalhador está sofrendo dores sem precedentes, a classe operária está sofrendo violenta opressão, mas as autoridades estão ainda ocultando as dificuldades sofridas pela população, usando a repressão e propaganda mentirosa para criar uma cena harmônica que não existe. Os fatos acima relatados podem comprovar cabalmente que os gigantes tirânicos da burguesia monopolista das autoridades imperiais chinesas não servem ao povo de maneira nenhuma, mas sim aos interesses da burguesia.

Em adição, deve ser apontado que o povo chinês primeiro fez um grande sacrifício nessa epidemia. Por causa do vírus ter irrompido durante o tradicional Festival Chinês da Primavera, os operários das fábricas de equipamento médico que estavam de férias, alguns trabalhadores que construíram os hospitais de Huoshenshan e Leisehnshan, médicos e entregadores, além de outros incontáveis trabalhadores, abriram mão de estarem com suas famílias, abriram mão de férias, enfrentaram riscos de infecção e retornaram ao trabalho. Outras pessoas que não precisavam voltar ao trabalho urgentemente seguiram as orientações e ficaram em casa por dois meses sob a pressão de desemprego e corte salarial. Foram os sacrifícios imensos feitos pelo povo chinês que controlou a situação da epidemia. É esta a organização trazida pela simplicidade e sentimento patriótico do povo chinês, que mostra que o povo chinês pode se organizar muito bem. Os sacrifícios feitos pelo povo chinês para controlar a epidemia são dignos de reconhecimento. A organização demonstrada pelo povo chinês na epidemia mostra o enorme potencial revolucionário que possui.

Quando a simplicidade e o sentimento patriótico do povo chinês é transformado em espírito revolucionário do proletariado, o fim da China imperialista virá, o povo chinês com uma gloriosa tradição revolucionária se porá de pé uma vez mais e derrotará completamente a tirania autocrática da burguesia monopolista! Os chineses revolucionários trabalharão juntos e somarão esforços sob a guia do marxismo-leninismo-maoísmo, e alcançarão as massas continuamente. Que as massas organizem a revolução e eventualmente afunde os reacionários no vasto oceano da guerra popular!

(Escrito pelo grupo MLM clandestino na China)

Maio de 2020

*Putian é uma cidade no sul da China, famosa pela reputação de golpes e esquemas. Quando da restauração capitalista e da restauração da economia de mercado, muitos golpistas e trambiqueiros se concentraram em Putian, muitos enriqueceram nestes esquemas, organizaram quadrilhas de golpistas e charlatões. Uma parte destes entrou no ramo da medicina, que permitia o interesse privado. Com a restauração capitalista, setores de grandes hospitais foram privatizados, com isso empresas que nem sequer precisavam ser do ramo da Medicina, poderiam explorar comercialmente setores destes hospitais. Assim, muitas destas alugavam prédios e departamentos de hospitais conhecidos, atraindo pacientes, e no final os deixavam sem tratamento. Um caso que ganhou repercussão nacional foi o de Wei Zexi, que morreu de câncer e que se demonstrou, posteriormente, que este jamais recebera tratamento médico, em um destes esquemas, e que fora literalmente deixado para morrer. Hospitais “Putian” pagaram à monopolista de tecnologia Baidu (equivalente ao Google chinês) para alavancarem sua imagem na rede e mascarar o escândalo, mas não tendo sucesso, hoje “Putian” é sinônimo de golpe e charlatanismo.

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Peru: Declaração do MPP sobre 172 anos do Manifesto do Partido Comunista

Tradução não-oficial.

Proletários de todos os países, uni-vos!

Declaração do Movimento Popular Peru pelo 172º aniversário do Manifesto do Partido Comunista

O Manifesto do Partido Comunista segue sendo bandeira válida até o Comunismo

Saudamos o proletariado internacional e aos povos do mundo com exultante alegria e otimismo revolucionário ao tope por ocasião do 172º aniversario de O Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, em fevereiro de 1848.

“O Manifesto” é o punto de partida del movimento comunista internacional. Antes houve intentos, antecedentes; no próprio trabalho de Marx y Engels temos sua participação na Liga dos Comunistas, porém essa Liga de Comunistas era um amassado de ideias diversas, não era uma clara expressão do proletariado.

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Declaração conjunta dos partidos maoistas no 1º de maio de 2020

Proletários de todos os países, uni-vos!

Primeiro de Maio de 2020

Abandonar as ilusões e lançar-se à luta!

Nós já sabíamos, e sentíamos no corpo e na alma, que este velho mundo não é nada mais que o inferno para o proletariado internacional e os povos do mundo. Já sabíamos, o que os últimos meses demonstraram, que até o mais tolo sonhador que se fazia de cego viu cair em pedaços, desaparecer como fumaça, todas as ilusões sobre o sistema imperialista mundial.

A mal chamada “Corona-Crise”, que se nutre principalmente dos mais pobres e dos mais frágeis, é o resultado de décadas de abandono sistemático e progressivo dos sistemas de saúde pública para as massas, de prevenção e preparação para os casos de calamidade, mesmo que cada nova pandemia anunciava uma pior, por parte dos velhos estados imperialistas e dos estados de capitalismo burocrático na aplicação de seus planos de “privatização” para centrar no lucro ou em vantagens. A isso se deve: os hospitais sem capacidade de atender aos pacientes durante as epidemias e emergências; a falta de pessoal de saúde e de instrumentos, equipamentos e insumos para estes casos; a falta de interesse e atraso na investigação e desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos para o combate de epidemias que afetam a sobrevivência das grandes massas do mundo; por isso os sistemas de alarme não funcionaram mais cedo e quando a Corona-Vírus 19 já atacava a China, em novembro de 2019, nem neste país nem nos Estados Unidos, Espanha, Itália e em nenhum outro se tomaram as medidas imediatas para “não prejudicar a economia”. Esta é a crônica resumida da Corona-Crise, uma crise anunciada dentro da crise geral do imperialismo. “Corona-Crise” que é, no fundamental, a primeira fase de uma nova crise econômica mundial, crise de superprodução capitalista, que já estava também anunciada pelos próprios economistas do capital financeiro desde há tempos, acentuada drasticamente pelo uso que fazem os governos reacionários em todo o mundo da pandemia da COVID-19 – principalmente a superpotência imperialista ianque, a superpotência atômica Rússia e as grandes potências imperialistas – agudizando ainda mais pela cínica competição entre eles. Crise que leva à destruição de forças produtivas em uma forma não vista desde a Segunda Guerra Mundial, em meio de uma avalanche de medidas antioperárias e antipopulares dos governos reacionários “legitimando-as” como necessárias para a luta contra a pandemia, resultado do manejo político dos imperialistas reacionários e revisionistas, que permitiram a expansão da epidemia da COVID-19 até converter-se na pandemia da COVID-19 e gerando algo que não é nada menos que um crime de genocídio contra os povos do mundo.

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Como o marxismo-leninismo-maoismo compreende o capitalismo burocrático

Nota do blog: Extrato de “Notas sobre o processo do capitalismo burocrático nos países do terceiro mundo”, Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização); publicado em Revista O Maoista nº 1 (setembro de 2016). Traduzido e enviado por um leitor.


Como o marxismo-leninismo-maoismo compreende esse processo em seu conjunto

Vamos à pergunta: como entender esse processo do capitalismo burocrático? Qual é o caráter desse desenvolvimento? Está provado que todo esse processo nos países oprimidos está sob o domínio do investimento estrangeiro imperialista.

Em 1975, o Presidente Gonzalo fez uma pergunta semelhante sobre a situação nacional e respondeu da seguinte forma:

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Entrevista do Século com o Presidente Gonzalo (Parte IV)

Nota do blog: A seguir, a parte IV da Entrevista do Século realizada pelo jornal peruano El Diario, em 1988. Nessa parte, a entrevista trata sobretudo da Guerra Popular.


III. Guerra Popular

El Diario: Presidente, agora falemos da guerra popular. O que significa a violência para o Presidente Gonzalo?

Presidente Gonzalo: Sobre a violência, nós partimos de um princípio estabelecido pelo Presidente Mao Tsetung: a violência é uma lei universal sem exceção alguma, quero dizer, a violência revolucionária; essa violência é a que nos permite resolver as contradições fundamentais com um Exército e através da guerra popular. Por que partimos da tese do Presidente Mao? Porque cremos que com ele o marxismo se reafirmou e chegou a estabelecer que não há exceção alguma. Marx já defendera a violência como parteira da história que segue sendo plenamente válida e grandiosa, Lenin defendeu a violência, e nos falou do panegírico da violência revolucionária feito por Engels; porém foi o Presidente quem nos disse que é uma lei universal sem exceção alguma, por isso partimos dessa tese. É uma questão substantiva do marxismo porque sem violência revolucionária não se pode substituir uma classe por outra, não se pode derrubar uma velha ordem para criar uma nova – nova ordem que hoje deve ser dirigida pelo proletariado através de partidos comunistas. O problema da violência revolucionária é uma questão que cada vez mais se põe sob tapete, assim nós comunistas e revolucionários temos que reafirmar-nos em nossos princípios. O problema da violência revolucionária é como concretizamos a guerra popular; para nós a questão é que o Presidente Mao Tsetung, ao estabelecer a guerra popular, dotou o proletariado de sua linha militar, de sua teoria e prática militar de validade universal, portanto, aplicável em todas as partes, segundo as condições concretas. O problema da guerra nós vemos assim: a guerra tem dois aspectos, um de destruição e outro de construção, principal é o de construção, e não ver dessa maneira é abalar a revolução, debilitá-la. Por outro lado, desde que o povo toma as armas para derrubar a velha ordem, desde esse momento a reação busca esmagá-lo, destruí-lo, aniquilá-lo e usa todos os meios disponíveis em suas mãos, chegando ao genocídio. Em nosso país temos isso, e estamos vendo e veremos ainda mais até demolir o caduco Estado peruano. Quanto à chamada guerra suja, preferiria simplesmente dizer que é atribuída a nós a guerra suja, e dizem que a força armada reacionária aprendeu conosco a tal guerra suja; essa imputação é uma clara expressão de não entender o que é uma revolução, é não entender o que é uma guerra popular. A reação aplica, através de suas forças armadas e repressivas em geral, uma grande violência, busca varrer-nos e desaparecer-nos. E por qual razão? Porque nós queremos o mesmo para eles, varrê-los e desaparecê-los como classe. Já Mariátegui dizia que somente destruindo e demolindo a velha ordem se podia gerar uma nova ordem social. Nós avaliamos, em última instância, estes problemas à luz do princípio básico da guerra estabelecido pelo Presidente Mao: o princípio de aniquilar as forças do inimigo e preservar as próprias, e sabemos muito bem que a reação aplicou, aplica e aplicará o genocídio, disso estamos sumamente claros. E, consequentemente, está colocado o problema da cota: a questão de que para aniquilar o inimigo e preservar as próprias forças – e mais ainda desenvolvê-las – há que pagar um custo de guerra, um custo de sangue, a necessidade do sacrifício de uma parte para o triunfo da guerra popular. Quanto ao terrorismo: nos acusam de terroristas, somente quero responder desta maneira para que todos reflitamos. Foi ou não o imperialismo ianque e, particularmente, Reagan, que tachou de terrorismo todo movimento revolucionário? Sim ou não? Assim se pretende desprestigiar e isolar para esmagar, é o que sonham. Porém, não só o imperialismo ianque e as demais potências imperialistas combatem o chamado terrorismo, também assim fazem o social-imperialismo, o revisionismo e, hoje, o próprio Gorbachov defende unir-se para lutar contra o terrorismo. E não é simples coincidência que no VIII Congresso do Partido do Trabalho da Albânia, Ramiz Alía se dedique também a combatê-lo. Porém será muito útil que todos recordemos o que Lenin escreveu: “Vivam os iniciadores do Exército Popular revolucionário! Isto já não é um complot contra um personagem qualquer odiado, não é um ato de vingança, não é uma saída provocada pelo desespero, não é um simples ato de ‘amedrontamento’, não: isto é o começo, bem meditado e preparado, calculado desde o ponto de vista da correlação de forças, é o começo das ações dos destacamentos do exército revolucionário”. “Afortunadamente, passaram os tempos em que por falta de um povo revolucionário ‘faziam’ a revolução terroristas revolucionários isolados. A bomba deixou de ser a arma do ‘petardista’ individual e passou a ser elemento necessário do armamento do povo”. Lenin já nos ensinava que os tempos haviam mudado, que a bomba passou a ser arma de combate da classe, do povo, que já não era uma conjura, uma ação individual isolada, e sim a ação de um Partido, com um plano, com um sistema, com um Exército. Assim são as coisas. Onde está o imputado “terrorismo”? Infâmia pura. Finalmente, deve ter-se muito presente que na guerra contemporânea, em especial, é precisamente a reação quem usa o terrorismo como um de seus meios de luta e o é, como está provado à saciedade, uma quotidiana forma de luta das forças armadas do Estado peruano. Visto o anterior podemos concluir que os que julgam desesperados porque a terra treme sob seus pés, querem imputar terrorismo para ocultar a guerra popular, porém esta é tão estremecedora que eles mesmos reconhecem que a guerra popular tem dimensão nacional e que tornou-se no problema principal que o Estado peruano enfrenta. Nenhum terrorismo é assim, nenhum. E, mais ainda, já não podem negar que um Partido Comunista dirige a guerra popular. Porém nestes momentos há os que começam a refletir; não há que pôr cruzes antecipadas a ninguém, há os que podem avançar. Outros como Del Prado, jamais.

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As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo (Lenin, 1913)

V. I. Lenin

A doutrina de Marx suscita em todo o mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa (tanto a oficial como a liberal), que vê no marxismo um a espécie de “seita perniciosa”. E não se pode esperar outra atitude, pois, numa sociedade baseada na luta de classes não pode haver ciência social “imparcial”. De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital.

Mas não é tudo. A história da filosofia e a história da ciência social ensinam com toda a clareza que no marxismo não há nada que se assemelhe ao “sectarismo”, no sentida de uma doutrina fechada em si mesma, petrificada, surgida à margem da estrada real do desenvolvimento da civilização mundial. Pelo contrário, o gênio de Marx reside precisamente em ter dado respostas às questões que o pensamento avançado da humanidade tinha já colocado. A sua doutrina surgiu como a continuação direta e imediata das doutrinas dos representantes mais eminentes da filosofia, da economia política e do socialismo.

A doutrina de Marx é onipotente porque é exata. É completa e harmoniosa, dando aos homens uma concepção, integral do mundo, inconciliável com toda a supertição, com toda a reação, com toda a defesa da opressão burguesa. O marxismo é o sucessor legítimo do que de melhor criou a humanidade no século XIX: a filosofia alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês.

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Lenin sobre a questão militar: carta ao Comitê de Combate de S. Petersburgo (1905)

Nota do blog: Carta escrita por V.I. Lenin em setembro e 1905 após receber relatório das atividades e documentos do Comitê de Combate de São Petersburgo, durante a insurreição de 1905.


Queridos camaradas:

Muito obrigado pelo envio: 1) do informe do Comitê de Combate; 2) apontamentos sobre a questão da organização e preparação da insurreição, e 3) esquemas de organização. Depois de ter lido estes documentos, considero meu dever dirigir-me diretamente ao Comitê de Combate para trocar opiniões entre camaradas.

Não é preciso dizer que não pretendo fazer um juízo sobre a forma da organização prática do assunto, que faz tudo possível nas difíceis condições atuais da Rússia – nisto (estou seguro) não cabe dúvida alguma. Mas, a julgar pelos documentos, o assunto ameaça degenerar em burocratismo. Todos esses esquemas, todos esses planos de organização do Comitê de Combate dão a impressão de uma papelada burocrática, perdão pela minha franqueza, mas confio que não me acusarão de querer arranjar briga. Numa obra semelhante, os esquemas, as discussões sobre as funções, e os direitos e deveres do Comitê de Combate são o menos conveniente. O que se necessita é uma raivosa energia, energia, uma vez mais energia.

Com verdadeiro horror – palavra – vejo que faz mais de seis meses que se está discursando sobre bombas, mas que não foi fabricada nenhuma até agora. E, no entanto, são homens muito sábios os que falam…Dirijam-se à juventude! É só esta a única panacéia universal. Do contrário, lhes dou minha palavra, chegarão tarde (eu vejo por todos os sintomas) e ficarão com as “sábias” notas, planos, esquemas, desenhos, maravilhosas receitas, mas sem organização, sem atividade palpitante. Dirijam-se à juventude! Criem em seguida, destacamentos de combate em todas as partes, entre os estudantes e sobretudo, entre os operários, etc., etc. Que se organizem imediatamente destacamentos de três, dez, trinta homens. Que se armem imediatamente por si mesmos, cada qual como possa e com o que possa, alguns com um revólver, outros com um punhal, outros com um trapo encharcado com petróleo para incêndio, etc., que esses destacamentos elejam já seus dirigentes e se ponham, dentro do possível, em relação com o Comitê de Combate. Joguem no lixo, pelo amor de Cristo, todos esses esquemas, mandem a todos os diabos as ‘funções, direitos, privilégios’. Não exijam a adesão obrigatória ao Partido social-democrata, seria uma exigência absurda para uma insurreição armada. Não se neguem, a entrar em relações com cada círculo, ainda que esteja composto por três pessoas, com a única condição de que seja de toda confiança e que esteja decidido a lutar contra o exército czarista. Que os círculos que desejarem, adiram ao Partido social-democrata, perfeitamente; mas eu estimaria absolutamente errôneo exigir-lhes isso como condição prévia.

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