Declaração conjunta: Viva o 33º aniversário do Dia da Heroicidade! (junho de 2019)

Tradução não-oficial.

 

Proletários de todos os países, uni-vos!

Viva o XXXIII aniversário do Dia da Heroicidade!

Os Partidos e Organizações Maoistas, que assinamos a presente declaração celebrativa, guiados por nossa ideologia todopoderosa – o marxismo-leninismo-maoismo, principalmente o maoismo, a ideologia do proletariado internacional – e desfraldando ao topo e com firmeza as nossas bandeiras vermelhas com a foice e o martelo; transbordantes de júbilo revolucionário e com o otimismo elevado, expressamos:

Nossa solene homenagem aos comunistas, combatentes e massas do Partido Comunista do Peru que, forjados com o aço mais puro, à imagem e semelhança do Presidente Gonzalo, na frágua ardente da guerra popular no Peru, uma vez convertidos em prisioneiros de guerra enfrentaram o mais infame genocídio cometido pelo velho Estado latifundiário-burocrático a serviço do imperialismo, principalmente ianque. Valor e coragem que apenas a guerra popular é capaz de gerar. Estampando imperecivelmente o dia 19 de junho como o Dia da Heroicidade!

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Estado e Revolução – Parte 2 (V. I. Lenin, 1917)

Nota do blog: A seguir a segunda parte do documento Estado e Revolução (1917) de V. I. Lenin.


II. A experiência de 1848-1851

1. As vésperas da revolução

As primeiras obras do marxismo adulto, A Miséria da Filosofia e o Manifesto Comunista, aparecem nas vésperas da revolução de 1848. Em conseqüência desta circunstância, além da exposição dos princípios gerais do marxismo, temos nelas, até certo ponto, um reflexo da situação revolucionária de então; assim, creio que será mais acertado estudar o que os nossos autores dizem do Estado, antes de examinarmos as suas conclusões da experiência dos anos de 1848-1851.

Em lugar da velha sociedade civil – escreve Marx na Miséria da Filosofia a classe laboriosa, no curso do seu desenvolvimento, instituirá uma associação onde não existirão as classes nem os seus antagonismos; e, desde então, não haverá mais poder político propriamente dito, pois o poder político é precisamente o resumo oficial do antagonismo existente na sociedade civil(2).

É instrutivo aproximar desta exposição geral da idéia do desaparecimento do Estado a exposição feita no Manifesto Comunista, escrito por Marx e Engels alguns meses mais tarde, em novembro de 1847:

Esboçando a largos traços as fases do desenvolvimento proletário, expusemos a história da guerra civil, mais ou menos latente na sociedade, até a hora em que se transforma em revolução aberta e em que o proletariado funda a sua dominação pela derrubada violenta da burguesia.

Como vimos acima, a primeira etapa da revolução operária é a constituição (literalmente: a elevação, Erbebung) do proletariado em classe dominante, a conquista da democracia.

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Estado e Revolução – Parte 1 (V. I. Lenin, 1917)

Nota do blog: A seguir inicia-se a publicação do documento Estado e Revolução (1917) de V. I. Lenin. Esta obra de fundamental importância será repartida em, pelo menos, cinco ou seis, publicadas separadamente.

Nelas, Lenin dará combate implacável ao imperialismo e à reação no político e ideológico, reforçando o caráter de classe do Estado moderno, seu papel de ser um instrumento da opressão e exploração das massas trabalhadoras e, além disso, reconhecer que, sendo o Estado burguês a violência organizada e sistemática, só é possível se livrar da exploração e opressão burguesas despejando, antes, a violência organizada das massas contra esse Estado, destruindo-o, e não contemporizando ou flertando com uma suposta via pacífica ou de “conquista” do mesmo.

Aqui, também, Lenin combate inseparavelmente o revisionismo de Bernstein e Kautsky, e de tantos outros, que negligenciam o marxismo naquilo que podemos afirmar ser sua alma: o seu caráter revolucionário. Ainda, Lenin combate como às concepções anarquistas que concebem o trânsito da sociedade capitalista a um mundo sem classes sem reconhecer a necessidade de um período de transição, cujo conteúdo é uma ditadura do proletariado, sendo este um processo complexo no qual seguem existindo vestígios, resquícios, cicatrizes da velha sociedade, em supressão, no rumo do luminoso comunismo.


Prefácio da Primeira Edição

A questão do Estado assume, em nossos dias, particular importância, tanto do ponto de vista teórico como do ponto de vista política prática. A guerra imperialista acelerou e avivou ao mais alto grau o processo de transformação do capitalismo monopolizador em capitalismo monopolizador de Estado. A monstruosa escravização dos trabalhadores pelo Estado, que se une cada vez mais estreitamente aos onipotentes sindicatos capitalistas, atinge proporções cada vez maiores. Os países mais adiantados se transformam (referimo-nos à “retaguarda” desses países) em presídios militares para os trabalhadores.

Os inauditos horrores e o flagelo de uma guerra interminável tornam intolerável a situação das massas e aumentam a sua indignação. A revolução proletária universal está em maturação e a questão das suas relações com o Estado adquire, praticamente, um caráter de atualidade.

Os elementos de oportunismo, acumulados durante dezenas de anos de relativa paz criaram a corrente de social-patriotismo que predomina nos partidos socialistas oficiais do mundo inteiro. Essa corrente (Plekhanov, Potressov, Brechkovskaia, Rubanovitch e, depois, sob uma forma ligeiramente velada, os srs. Tseretelli, Tchernov & Cia., na Rússia; Scheidemann, Legien, David e outros, na Alemanha; Renaudel, Guesde, Vandervelde, na França e na Bélgica, Hyndman e os Fabianos, na Inglaterra etc., etc. essa corrente, socialista em palavras, mas patrioteira em ação, se caracteriza por uma baixa e servil adaptação dos “chefes socialistas” aos interesses não só de ”sua” própria burguesia nacional, como também do “seu” próprio Estado, pois a maior parte das chamadas grandes potências exploram e escravizam, há muito tempo, várias nacionalidades pequenas e fracas. Ora, a guerra imperialista não tem outra coisa em vista sendo a partilha, a divisão dessa espécie de despojo. A luta das massas trabalhadoras, para se libertarem da influência da burguesia em geral e da burguesia imperialista em particular, é impossível sem uma luta contra os preconceitos oportunistas em relação ao “Estado”.

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Economia política: o dinheiro (L. Segal)

Publicamos a seguir trechos do capítulo III do manual soviético Noções fundamentais de economia política, de Luis Segal, publicado na década de 1930. Este capítulo, intitulado O dinheiro, estuda o surgimento do dinheiro como equivalente geral na circulação de mercadoria e o seu papel no nível de desenvolvimento da circulação das mercadorias, como meio de pagamento.

O primeiro capítulo deste manual já foi publicado neste blog, repartido em cinco partes, sob o título geral de O desenvolvimento econômico da sociedade, onde estuda-se sinteticamente a história das sociedades comunista primitiva, escravista, feudal e burguesa.


Noções fundamentais de economia política

Luis Segal

Capítulo III – O dinheiro

1. A medida do valor

O dinheiro é a expressão do valor de todas as mercadorias. O dinheiro tem a função de medido do valor, a qual está contida, monetariamente e de modo relativo, no preço.

Quando o dinheiro aparece, as mercadorias deixam de se comparar diretamente umas com as outras e passam a utilizá-lo como unidade para todas as espécies de troca.

A troca direta de mercadorias corresponde ao estágio primitivo do desenvolvimento da produção mercantil, transforma-se, com o aparecimento do dinheiro, em compra e venda, ou seja, em circulação mercantil, adotando o dinheiro nesta última a função de meio de circulação.

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Peru: 39 anos do Início da Luta Armada (Partido Comunista do Peru – Comitê de Reorganização)

Tradução não-oficial

Proletários de todos os países, uni-vos!

A faísca que incendiou a pradaria em 17 de maio, camaradas, não se apagou nunca

“Provocar distúrbios, fracassar, voltar a provocar distúrbios, fracassar de novo… até à sua ruína – tal é  a lógica dos imperialistas e de todos os reacionários do mundo perante a causa do povo, e eles jamais marcharão contra tal lógica. É uma lei do Marxismo. Quando dizemos que “o imperialismo é feroz”, queremos dizer que a sua natureza nunca mudará e que os imperialistas jamais deixarão de lado os seus facões de carniceiros nem se transformarão em Budas, e isto até à sua ruína.

Lutar, fracassar, lutar de novo, fracassar de novo, lutar outra vez… até à sua vitória, eis a lógica do povo, e este também jamais marchará contra tal lógica. Esta é outra lei marxista. A revolução do povo russo seguiu esta lei e o mesmo acontece com a revolução do povo chinês.”

(Presidente Mao, “Abandonai as ilusões e preparai-vos para a luta”)

 

A faísca que incendiou a pradaria em 17 de maio.

Quiseram e querem apagá-la, e não somente isso, espalhar cinzas ao vento, eles, os que foram camaradas de estrada e os pacificadores.

Ódio visceral dos caducos de ontem e uma vez mais, em bancarrota.

A chama do fogo intenso, camaradas, não apagou nunca.

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Críticas à literatura revisionista moderna na União Soviética (China, 1966)

Nota do blog: Publicamos a seguir uma crítica revolucionária marxista-leninista-maoista, produzida na frágua da Grande Revolução Cultural Proletária, contra a literatura revisionista que florescia na URSS após a restauração capitalista desencadeada mediante um golpe de Estado por Kruschov (após morte do camarada Stalin, 1953) e prosseguida por seus sucessores, até culminar na bancarrota do Estado social-imperialista na década de 90.


Algumas questões acerca da literatura revisionista moderna na União Soviética

Por Hsiang Hung e Wei Ning, 1966

Introdução

Desde a usurpação da liderança do Partido Soviético e do governo, a camarilha revisionista de Kruchov tem seguido a linha política da colaboração URSS-EUA para a dominação do mundo na literatura e na arte como em todas as outras esferas, traindo o princípio de Lenin do espírito de Partido na literatura, e liquidou os interesses dos povos revolucionários do mundo, assim escrevendo as mais vergonhosas e decadentes páginas na história da literatura Soviética.

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Sobre a contradição (Mao Tsetung, 1937)

Nota do blog: Publicamos a seguir a mais importante obra filosófica do Presidente Mao Tsetung. Com ela, culmina-se a grande revolução operada na filosofia, iniciada com a fundação do materialismo dialética por Karl Marx – principalmente – e Friedrich Engels.

Nesta obra, o Presidente Mao afirma que a única lei fundamental da dialética materialista era a lei da unidade de contrários ou lei da contradição. Através dessa, pode-se explicar todo o desenvolvimento da matéria universal – tanto na natureza, como na sociedade e no pensamento humano.

Além disso, o aparecimento deste documento opera também uma outra revolução na filosofia, planteada desde Marx, mas nunca, até então, materializada: o levar a filosofia às amplas massas. Durante a GRCP, as massas agarraram a lei da contradição, a dialética materialista, e puderam dar solução científica dos mais simples aos mais complexos problemas da construção do socialismo e dos problemas mais cotidianos.

Trata-se, pois, do maior documento filosófico da história da humanidade, de importância transcendental. É a medula da concepção comunista, proletária de mundo. Estudá-lo séria e assiduamente é obrigação de todos os revolucionários e revolucionárias, especialmente das novas gerações.


Sobre a contradição*

Agosto de 1937

A lei da contradição inerente aos fenômenos, ou lei da unidade dos contrários, é a lei fundamental da dialética materialista. Lenin dizia: “No sentido próprio, a dialética é o estudo da contradição na própria essência dos fenômenos” [1].

Sobre essa lei, Lenin dizia com freqüência que era a essência da dialética, afirmando também que era o núcleo da dialética [2]. É assim que, ao estudarmos tal lei, somos obrigados a abordar um amplo círculo de problemas, um grande número de questões filosóficas. Se formos capazes de esclarecer todas essas questões, nós compreenderemos nos seus verdadeiros fundamentos a dialética materialista. Essas questões são: as duas concepções do mundo, a universalidade da contradição, a particularidade da contradição, a contradição principal e o aspecto principal da contradição, a identidade e a luta dos aspectos da contradição, o lugar do antagonismo na contradição.

A crítica a que, nos círculos filosóficos soviéticos, foi submetido nestes últimos anos o idealismo da escola de Deborine, suscitou um grande interesse entre nós. O idealismo de Deborine exerceu uma influência das mais perniciosas no seio do Partido Comunista da China, não se podendo dizer que as concepções dogmáticas existentes no nosso Partido não tenham coisa alguma a ver com tal escola. É por isso que, atualmente, o objetivo principal do nosso estudo da filosofia é extirpar as concepções dogmáticas.

As duas concepções do mundo

Na história do conhecimento humano existiram sempre duas concepções acerca das leis do desenvolvimento do mundo: uma metafísica, outra dialética. Elas constituem duas concepções opostas sobre o mundo. Lenin dizia:

“As duas concepções fundamentais (ou as duas possíveis? ou as duas dadas pela história?) do desenvolvimento (da evolução) são: o desenvolvimento como diminuição e aumento, como repetição, e o desenvolvimento como unidade de contrários (desdobramento do que é um em contrários que se excluem mutuamente, e relações entre eles)” [3].
Aí, Lenin referia-se justamente às duas concepções distintas sobre o mundo.

Na China, a Metafísica também se chama Suansiue. O modo de pensar metafísico, próprio da concepção idealista do mundo, ocupou durante um longo período da História um lugar predominante no espírito das pessoas, quer na China quer na Europa. Na Europa, o próprio materialismo foi metafísico nos primeiros tempos da existência da burguesia. Em resultado de toda uma série de Estados europeus, ao longo do seu desenvolvimento econômico-social, terem entrado na fase de um capitalismo altamente desenvolvido, e de as forças produtivas, a luta de classes e a ciência, terem atingido um nível de desenvolvimento sem precedente na História, e ainda em resultado de o proletariado industrial ter-se transformado na maior força motriz da História, nasceu a concepção materialista-dialética, marxista, do mundo. A partir de então, ao lado de um idealismo reacionário patente e de nenhum modo camuflado, viu-se aparecer, no seio da burguesia, um evolucionismo vulgar, oposto à dialética materialista.

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A luta nas montanhas Chingkang* (Mao Tsetung, 1928)

25 de novembro de 1928

*Informe apresentado pelo camarada Mao Tsetung ao Comitê Central do Partido Comunista da China.

O ESTABELECIMENTO DO REGIME INDEPENDENTE NOS LIMITES ENTRE JUNAN E CHINAGSI E A DERROTA DE AGOSTO

 No mundo atual, China é o único país onde surgiu, em meio do cerco do regime branco, uma ou várias pequenas zonas sob o Poder vermelho. Ao analisar este fenômeno, encontramos que se deve, entre outras coisas, às incessantes escisiones e guerras dentro da burguesia compradora e a classe dos déspotas locais e shenshi malvados da China. Enquanto continuem estas escisiones e guerras, poderá subsistir e desenvolver-se o regime independente criado pelos operários e camponeses mediante a força armada. Sua subsistência e desenvolvimento requerem, além disso, as seguintes condições: 1) uma boa base de massas, 2) uma sólida organização do Partido, 3) um Exército Vermelho bastante forte, 4)um terreno favorável para as operações militares, e 5) recursos econômicos suficientes para o estabelecimento.

Frente às classes dominantes das regiões que o rodeiam, um regime independente deve adotar distintas estratégias segundo se Halle o Poder dessas classes em um período de estabilidade temporal ou em uma de ruptura. Quando se produz uma ruptura no seio das classes dominantes, com ocorreu com a guerra entre Li Tsung-yen e Tang Sheng-chi nas províncias de Jupei e Junán [1], e com a guerra entre Chang Fa-kui e Li Chi-shen na província de Kuangtung [2], podermos adotar uma estratégia de avanço mais ou menos audaz, e o território sob o regime independente pode estender-se, mediante operações militares, em proporções relativamente grandes.

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