A guerra de guerrilhas (V. Lenin, 1906)

Nota do blog: Publicamos a seguir o documento A guerra de guerrilhas, do camarada Lenin, de 1906. Aqui o chefe da revolução russa examina a importância da guerra de guerrilhas e sua força e importância, desde que dirigida pelo partido revolucionário do proletariado no cumprimento dos objetivos políticos. Aqui, também, Lenin expõe embriões da concepção marxista-leninista-maoista, principalmente maoista da necessidade de militarização do Partido Comunista, quando destaca que “em época de guerra civil, o partido deve ser um partido de combate” e que os comitês do partido, para poderem dar direção às guerrilhas, “devem aprender a combater”.

O partido militarizado é um aporte dado ao tesouro da ideologia do proletariado pelo pensamento gonzalo, aplicação do maoismo às condições concretas e particulares do Peru em guerra popular.


A guerra de guerrilhas

A questão das ações de guerrilhas interessa muito o nosso Partido e a massa operária. Abordámos já muitas vezes esta questão, mas superficialmente, e temos agora a intenção de chegar, como prometemos, a uma exposição mais completa das nossas ideias sobre este assunto.

I

Comecemos pelo princípio. Que exigências essenciais deve apresentar um marxista no exame da questão das formas de luta? Em primeiro lugar, o marxismo difere de todas as formas primitivas do socialismo porque não subjuga o movimento a qualquer forma de combate único e determinado. Admite os métodos de luta mais variados; mas não os «inventa»; limita-se a generalizar, organizar, tornar conscientes os métodos de luta das classes revolucionárias, que surjam espontaneamente mesmo no decurso do movimento. Absolutamente hostil a todas as formas abstratas, a todas as receitas doutrinárias, o marxismo quer que se considere atentamente a luta de massa que se desenvolve e que, à medida do desenvolvimento do movimento, dos progressos da consciência das massas, do agravamento das crises econômicas e políticas, faça nascer sem cessar novos sistemas, cada vez mais variados, de defesa e de ataque. É a razão porque o marxismo não repudia de uma maneira absoluta nenhuma forma de luta. Em nenhum caso, entende limitar-se às formas de luta possíveis e existentes num dado momento; reconhece que uma modificação da conjuntura social conduzirá inevitavelmente ao aparecimento de novas formas de luta, ainda desconhecidas dos militantes do dito período. O marxismo, neste sentido, instrói-se, se se pode dizer, na escola prática das massas; está longe de pretender ensinar as massas propondo-lhes formas de luta inventadas por «fabricantes de sistemas» no seu gabinete de trabalho. Nós sabemos – dizia, por exemplo, Kautsky examinando as formas de revolução social – que a futura crise nos trará novas formas de luta que não podemos prever atualmente.

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Viva o 84º aniversário do natalício do Presidente Gonzalo e do Dia do Exército Popular de Libertação (Partido Comunista do Peru, dezembro de 2018)

Tradução não-oficial


O Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização) expressa neste novo aniversário sua saudação e sujeição incondicional ao Presidente Gonzalo, Chefe do Partido e da revolução, o maior marxista-leninista-maoista vivo sobre a face da Terra, mestre de comunistas, continuador de Marx, Lenin e do Presidente Mao Tsetung, centro de unificação partidária e garantia de triunfo até o comunismo.

O Presidente Gonzalo foi quem reconstituiu o Partido, fundou o EPL, iniciou e desenvolveu a guerra popular, defendeu o maoismo como nova, terceira e superior etapa da ideologia do proletariado internacional, é ele quem dirige a contraofensiva revolucionária marxista-leninista-maoista, pensamento gonzalo, contra a ofensiva contrarrevolucionária geral do imperialismo ianque como superpotência hegemônica única, em conluio e pugna com a superpotência imperialista russa (cachorro magro) e demais potências imperialistas, a reação mundial e seus serviçais do velho e do novo revisionismo.

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Um falso conceito sobre a Revolução Brasileira – Uma crítica a Caio Prado Jr.

Rui Facó – Polêmica apresentada no IV Congresso do PCB – 1954/1955

O artigo do camarada Caio Prado Júnior, no “Boletim de Discussão” nº 13 do IV Congresso, pode ser qualificado, sem exagero, de idealista. Nada ali se baseia na nossa realidade atual para apreciar a Revolução Brasileira. O que Caio Prado Júnior apresenta não são “fundamentos econômicos” da Revolução Brasileira: apenas dá asas à sua imaginação.

No entanto, por tratar de um dos pontos básicos da Revolução Brasileira, a questão agrária, o artigo de C. P. J. requer uma análise mais detalhada que a simples rejeição. É o que tentaremos fazer aqui.

Antes de tudo, C. P. J. nega que no Brasil existam restos feudais, “nem existiu nunca no Brasil” o feudalismo – afirma.

É claro que não se trata de uma tese original. Numerosos “sociólogos” da classe dominante afirmam isso diariamente. Quando Prestes pronunciou seu famoso discurso sobre os problemas do campo do Brasil, em junho de 1948, na Assembleia Constituinte, encontrou a mais rija “contestação” às suas palavras sobre os restos feudais em nosso país, justamente por parte de elementos representantes das classes dominantes, tanto no parlamento como na imprensa, que partiam da negação do próprio latifúndios.

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Lenin e o Partido Comunista Militarizado (Partido Comunista do Brasil – Fração Vermelha)

Bandeira comunista hasteada no Brasil

 

Retirado da Revista O Maoista, nº 2 – outubro/novembro de 2018


Lenin e o Partido Comunista militarizado*

Partido Comunista do Brasil (Fração Vermelha)

“Pequeno grupo compacto, seguimos por um caminho escarpado e difícil, de mãos dadas firmemente. Estamos rodeados de inimigos por todos os lados e temos de marchar quase sempre debaixo do seu fogo. Unimo-nos em virtude de uma decisão livremente tomada, precisamente para lutar contra os inimigos e não cair no pântano vizinho, cujos habitantes, desde o início, nos censuram por nos termos separado num grupo à parte e por termos escolhido o caminho da luta e não o da conciliação.”

Lenin

Que fazer? 1902

I – INTRODUÇÃO

A questão do partido revolucionário do proletariado, desde o surgimento do marxismo, foi tomado como um problema chave para seus fundadores Marx e Engels, pois que, a meta do Comunismo, a emancipação humana, se realizará através da emancipação política da classe proletária, ou seja, a ditadura do proletariado como período de transição necessário à eliminação das classes sociais, condição para a passagem à sociedade sem classes, missão que demanda ao proletariado constituir-se em partido político. Marx estabeleceu que este partido deveria ser diferente e oposto a todos anteriormente existentes na história, essencialmente um partido da classe e internacionalista, em correspondência à natureza do proletariado, enquanto uma classe internacional única.

Reafirmando os princípios estabelecidos por Marx e Engels sobre o partido da classe, Lenin enfatizou:

“Em uma época de revolução social a unidade do proletariado só pode ser realizada pelo partido revolucionário extremo do marxismo, por meio de uma luta implacável contra todos os outros partidos”. (1)

O imperialismo, enquanto etapa superior e última do capitalismo, como capitalismo monopolista, parasitário, em decomposição, e agonizante é a época de seu varrimento completo da face da terra pela revolução proletária. Lenin afirmou: “deem-nos uma organização de revolucionários e removeremos a Rússia em seus alicerces!”.(2)

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A mistificação burguesa do campo brasileiro e a atualidade da revolução agrária

Nota do blog: Publicamos a seguir importante estudo que fundamenta a posição marxista-leninista-maoista sobre a Revolução Agrária como parte integrante da Revolução de Nova Democracia, sobre o caráter semifeudal da sociedade brasileira e sobre o caráter do capitalismo que desenvolve-se no campo. Artigo publicado em uma das primeiras edições do jornal democrático e popular AND.


A mistificação burguesa do campo e a atualidade da revolução agrária

I – Introdução

Estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável, instituição ligada ao Ministério de Desenvolvimento Agrário, propondo uma “estratégia de desenvolvimento rural sustentável” para o país revela dados interessantes e suscita uma discussão de fundamental importância.

Afirma Sérgio Paganini Martins1 que as estatísticas oficiais referentes à distribuição da população brasileira, segundo as quais, dos 169,8 milhões de brasileiros somente 19%, ou seja 31,8 milhões, estaria no campo, não correspondem à realidade. Segundo ele a metodologia utilizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é resultante de um decreto de 1938, do Estado Novo de Getúlio Vargas e portanto “anacrônica e obsoleta”. A metodologia adotada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), considera espaço urbano a concentração com o mínimo de 150 habitantes por quilômetros quadrados. De acordo com essa metodologia, a população rural do país representa na verdade 49% — 73,5 milhões de brasileiros. Isto significa que dos 5.507 municípios somente 411 podem ser considerados espaços urbanos. 2

Paganini conclui que “isto resulta dos interesses políticos que conformam um lobby de prefeituras pela manutenção dos critérios, que com a caracterização de “urbano”, é fonte de impostos municipais como o IPTU”. Em última instância, diríamos, são os interesses das oligarquias latifundiárias aliadas de forma indissolúvel e historicamente aos da grande burguesia e do capital financeiro internacional que os impõem.

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Lenin sobre o problema agrário dentro da Revolução de Nova Democracia (Revista O Maoista, nº 2)

Nota do blog: Publicamos a seguir trecho da Revista O Maoista nº 2 publicado como parte da contribuição do Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização) – organismo gerado do PCP para o trabalho internacional – tratando sobre a questão agrária nos países dominados, seu processo de evolução da semifeulidade com a penetração do capitalismo burocrático no agro. Muito importante para estudo, sobretudo das novas gerações, para a compreensão da questão-chave da revolução democrática.


Lenin sobre o problema agrário dentro da Revolução de Nova Democracia

(Um extrato do artigo sobre a situação internacional, notas sobre o processo do capitalismo burocrático nos países de terceiro mundo, aparecido no Nº1 de nossa revista)

Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização)

O Presidente Gonzalo nos recorda que correspondeu ao Lenin aplicar o marxismo no estudo do desenvolvimento do capitalismo na agricultura e que o caminho camponês foi extraordinariamente desenvolvido e estudado pelo Presidente Mao. E nos disse: “Socorremo-nos a ele para encontrar uma sólida base, partindo da concepção da classe operária, para entender tão substantivo problema”. Em O programa agrário da socialdemocracia na Revolução Russa – Resumo, no Tomo XV de suas obras completas, Lenin nos ensina:

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Algumas questões sobre a situação internacional (O Maoista, nº 2)

Nota do blog: Publicamos a seguir a tradução não-oficial do segundo texto da Revista O Maoista nº 2, assinado pelo seu Comitê de Redação, sobre as condições objetivas para o avanço da Revolução Proletária Mundial – análise sobre a crise do imperialismo, sua atual condição econômica e política e as pugnas que travam as diferentes superpotências e potências imperialistas, e entre cada uma delas com as nações oprimidas. O texto original apresenta alguns problemas de sintaxe que, para não incorrermos no risco de modificar o significado, mantivemos a mesma estrutura.


Algumas questões sobre a situação internacional

Os maoistas estão persistindo incansavelmente desfraldando, defendendo e aplicando o marxismo-leninismo-maoismo

“Porque se não partimos da ideologia universal do proletariado, de onde partiremos? Ali estão os originais. Nisto somos consequentes com a prática que nos ensinou Marx, Lenin e o Presidente Mao, e os grandes marxistas que existiram na terra – prática que nos ensinou também o próprio fundador Mariátegui. O que nos ensinou o fundador do partido? ‘A única maneira de ser livre e de criar, é tomando a concepção do proletariado como um dogma, entendendo tal como princípios estabelecidos’. A alguns desagrada quando escutam a palavra dogma no marxismo e, eu lhes digo que não leram LENIN bem: ‘nosso velho dogma’ e o especifica ‘nossos velhos princípios inaplicados’, creio que todos entendemos isso. Se confunde, porque a mente se repete ‘LENIN disse que não é um dogma’, mas aqui refere-se a não haver aplicação mecânica, deve-se tentar entender o que disse LENIN em cada caso e em cada momento, não devemos nos contentar com repetição e com apreciações superficiais. Já vimos como o Presidente Mao Tsetung apenas pode ser entendido se vemos como uma unidade tudo o que ele fez, assim é com LENIN e com MARX o mesmo. Do contrário, que aplicação haveria? Seria um chiste ridículo”.

Presidente Gonzalo no I Congresso do PCP

Destaca-se por parte de alguns direitistas no MCI a traposa bandeira de combate ao “dogmatismo”, à “ortodoxia”. A “liberdade de crítica” e o combate ao “esquerdismo” se tornaram palavras frequentes. Esta viragem crítica de partido antes “ortodoxos”, como bem observa Lenin, está acompanhado da sua propensão ao revisionismo. Recordemos que o miserável Prachanda, quando a guerra popular no Nepal foi iniciada, afirmava “Odeio ao revisionismo!” e, quando este começou sua traição e entrou nos famigerados “acordos de paz”, passou a sustentar a necessidade de combater o “dogmatismo” como principal problema no MCI.

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Defender o internacionalismo proletário (Partido Comunista da China, 1974 – Parte XIV)

Nota do blog: Publicamos a seguir o décimo quarto capítulo do importante documento do Partido Comunista da China, intitulado Uma compreensão básica do Partido, datado de 1974, num esforço de sintetizar a Base de Unidade Partidária, os princípios, estratégia, tática e métodos adotados pelo Partido para fazer a Revolução, prevenir-se do revisionismo, aplastar a restauração capitalista e seguir a via socialista. Publicamos objetivando servir melhor à formação ideológica e política, sobretudo da juventude.

O capítulo anterior: XIII.

Tradução não oficial, realizada voluntariamente por uma leitora.


Capítulo XIV
Defender o internacionalismo proletário

Os Estatutos do Partido dizem: “O Partido Comunista da China defende o Internacionalismo proletário e se opõe ao chauvinismo de grande potência; une-se firmemente aos partidos e organizações autenticamente marxista-leninistas de todo o mundo, une-se ao proletariado, aos povos e nações de todo o mundo e combate junto a eles para opor-se ao hegemonismo das duas superpotências – os Estados Unidos e a União Soviética – para derrubar a imperialismo, o revisionismo moderno e toda a reação, e para abolir o sistema de exploração do homem pelo homem em todo o mundo, para que toda a humanidade seja emancipada”. Todo membro do Partido Comunista deve, em conformidade com os Estatutos do Partido, implementar o princípio do internacionalismo proletário em suas atividades práticas, cumprir com plena consciência seu dever internacionalista e fazer suas contribuições à causa da emancipação de toda a humanidade.

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