Outubro – 2016: declaração de partidos e organizações maoístas sobre os 50 anos da Grande Revolução Cultural Proletária

Nota do blog: Publicamos agora declaração assinada por partidos e organizações maoístas por ocasião do 50 anos da GRCP.


Proletários de todos os países, uni-vos!

Celebrar o 50° Aniversário da Grande Revolução Cultural Proletária com Guerra Popular até o comunismo!

A Grande Revolução Cultural Proletária (GRCP) constitui um marco, o mais alto na história da luta de classes do proletariado. Este ano se cumprem cinquenta anos de seu início em 1966 e no marco deste 50° Aniversário, os partidos e organizações comunistas que assinam esta declaração conjunta consideram fundamental tomar posição por este grande acontecimento. A GRCP é principalmente uma revolução política e dada sua significação deve mobilizar a todos os comunistas e revolucionários para propagandeá-la de forma audaz e contundente. Isto não é suficiente, faz-se necessário ao mesmo tempo, desenvolver uma sagaz luta contra o revisionismo e todo oportunismo que tente apresentar a GRCP como desligada dos problemas atuais do MCI.

As lições da GRCP exigem uma clara demarcação e denúncia explícita de todos os revisionistas que tentam traficar com ela, semear confusão e envolver incautos. Devemos assinalar que a linha revisionista e capitulacionista no Peru – hoje com organização própria PCP-MOVADEF e o grupelho de José no VRAE -, o avakianismo com seu aborto de “nova síntese”, o prachandismo e seu “socialismo do século XXI” e “competição multipartidária”, entre outras nefastas expressões do novo revisionismo, buscam converter o Presidente Mao em um adocicado liberal e a GRCP em um evento carente de vigência e caráter revolucionário. Suas vis patranhas são destroçadas pela ofensiva estratégica da revolução proletária mundial e da campanha pelo maoísmo que estamos desenvolvendo. Por outro lado o proletariado internacional, pleno de orgulho comunista, agita alto sua gloriosa bandeira vermelha em seu mais alto cume em incansável luta por alcançar a sociedade sem classes, a sociedade comunista. Desfraldar, defender e aplicar o maoísmo!

Sobre a situação internacional e a luta de classes

A atual situação internacional seria incompreensível sem a teoria da luta de classes e seu desenvolvimento pelo maoísmo. Só por meio dela compreendemos que as contradições fundamentais de nossa época são aquelas contradições entre nações oprimidas e imperialismo, entre proletariado e burguesia e contradições inter-imperialistas, que hoje a contradição entre socialismo e capitalismo existe somente no terreno ideológico e histórico e que a contradição principal é entre nações oprimidas e imperialismo; que o imperialismo compreende as potências e superpotências que se desenvolvem por meio de conluio e pugna e todos os países oprimidos, o Terceiro Mundo, são o botim da luta pela repartilha do mundo, que por sua vez são a base da revolução mundial e zonas de tempestades revolucionárias; que a revolução é a tendência histórica e política principal; que a revolução proletária mundial encontra-se em sua terceira etapa, a ofensiva estratégica, época inscrita nos ‘próximos 50 a 100 anos’, onde se dá a maior decomposição do imperialismo e este será varrido por completo pela revolução proletária mundial mediante a guerra popular mundial, processo que se iniciou com a nova onda da revolução proletária mundial.

É em relação a esta compreensão das três contradições fundamentais no mundo atual – questão crucial negada pelo novo revisionismo – que se vem dando as principais lutas entre marxismo e revisionismo.

Lenin ensina-nos que: “As relações econômicas do imperialismo constituem a base da situação internacional hoje existente. Ao longo de todo o século XX se definiu por completo esta nova fase do capitalismo, sua fase superior e última”; e que a divisão do mundo entre nações oprimidas e nações opressoras é um traço distintivo do imperialismo. Portanto, para compreender a situação atual não podemos partir da contradição fundamental do capitalismo, pois estamos em sua fase superior e última, o imperialismo.

Uma das leis da luta de classes é a violência, exacerbada na época do imperialismo, pois o imperialismo é guerra e reação política em todo seu curso. A opressão imperialista converte as nações oprimidas em zonas de repartilha, isto é, em territórios econômicos convertidos em colônias e semicolônias de uma ou outra potência ou superpotência imperialista. Os imperialistas insistem por dividir o território dos países e nações oprimidas e levar a sua repartilha para reconfigurar o mapa do chamado Oriente Médio Ampliado mediante a guerra de agressão em meio de aguda pugna por manter sua hegemonia e buscar saída para a sua profunda crise econômica. A guerra civil na Síria é expressão desta lei.

Os acontecimentos no assim chamado Oriente Médio constituiriam um conjunto complexo de fatos aparentemente indecifráveis e sem perspectiva sem a importante ferramenta de análise e transformação que é a teoria da luta de classes que aplicada à situação internacional está contida na tese do Presidente Mao de que ‘três mundos se delineiam’.  Para compreender um panorama tão complexo como o que se vive na Síria, Iraque ou Turquia – aonde um intricado ir e vir de milhões de vidas humanas pulsam permanentemente no devenir histórico – necessitamos agarrar firmemente a luta de classes. Unicamente aplicando a teoria da luta de classes e considerando as contradições fundamentais do mundo atual é possível compreender que o assim chamado Oriente Médio se configura hoje como a parte do globo onde convergem as contradições fundamentais; que a guerra de agressão imperialista é pela divisão do território de países e nações oprimidas e sua repartilha – desatada ali desde começos da década de 1990 – agudiza todas as contradições e impulsiona a revolução; que o principal para nós é lutar por dirigir a tormenta da luta armada das nações oprimidas que ali se levanta contra o imperialismo, principalmente o imperialismo ianque, sem descuidar da superpotência atômica, Rússia, além de todas as outras potências imperialistas; ainda, que o problema atual é que a luta não se desenvolve corretamente por falta de direção política, de Partido Comunista.

Partindo do desenvolvido pelo Presidente Mao, podemos compreender a situação atual de países como Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia e Afeganistão, onde se agudizam duas contradições fundamentais e atuam três forças. As duas contradições são: 1) A contradição entre nações/povos oprimidos e imperialismo, contradição principal e 2) A contradição interimperialista, contradição secundária. As três forças são: 1) O imperialismo do USA, superpotência hegemônica única e seus aliados temporários; 2) A superpotência atômica, Rússia e seus aliados temporários; 3) As nações oprimidas, incluídas todas suas classes e minorias nacionais excetuando um punhado de traidores partidários da teoria da subjugação nacional. Estas forças (nações oprimidas e minorias nacionais) são temporária e relativamente débeis, pois ainda que falte o partido comunista que as unifique em uma frente única contra a agressão imperialista, impedindo assim que as mesmas sejam manejadas pelos imperialistas como peões ou tropas no terreno.

Para resolver a contradição principal nestes países necessita-se um partido comunista marxista-leninista-maoísta que dirija uma frente única de resistência nacional capaz de unir a todas as forças dispostas a lutar para derrotar o invasor imperialista e culminar a revolução de nova democracia mediante a guerra popular. Não se pode alterar aquilo que ficou estabelecido pelo Presidente Mao acerca da independência e da autodecisão dentro da frente única. O anseio de liberdade dos povos do assim chamado Oriente Médio e os desejos de livrar-se de todo jugo estrangeiro não passarão de ilusões se não constituem ou reconstituem seus partidos comunistas, segundo seja o caso, se não se sujeitam firmemente às leis da luta de classes e em consequência convertem suas lutas armadas em guerras populares.

Insistimos, sem a direção verdadeira do proletariado e sua vanguarda organizada, a luta nacional – incluída a luta das minorias nacionais – está condenada a servir a qualquer bastão de mando e portanto condenada à subjugação. Estas são leis inelutáveis do desenvolvimento da luta de classes e tratar de negá-las ou declará-las caducas ou qualquer outra coisa é revisionismo.

Tanto na situação internacional atual como na luta pelo estabelecimento e defesa da ditadura do proletariado, a luta de classes é o fio que nos permite vincular todos os acontecimentos e encontrar e manejar as leis que regem seu desenvolvimento. Portanto, a situação internacional devemos estudá-la à luz do maoísmo. E é à luz do maoísmo que devemos lutar para dirigir a revolução em cada país, como parte e a serviço da revolução proletária mundial.

A Grande Revolução Cultural Proletária – GRCP

A Grande Revolução Cultural Proletária constitui histórica e politicamente, a expressão mais alta da luta de classe do proletariado em nível internacional, a defesa da ditadura do proletariado, concebida como ditadura onímoda sobre a burguesia.

Em uma sociedade dividida em classes, a luta de classes é uma lei histórica. Os marxistas, em consequência a fazem extensiva a todos os fenômenos da vida social, reconhecendo-a nas mais diversas manifestações da vida contemporânea. A luta de classes se desenvolve nos terrenos ideológico, político, econômico e militar; porém é fundamental compreender que a luta de classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado. Como disse o grande Lenin: “Só é marxista quem estende o reconhecimento da luta de classes ao reconhecimento da ditadura do proletariado”. Neste sentido, a GRCP é a luta pelo estabelecimento da ditadura onímoda do proletariado, o reconhecimento da existência objetiva das classes em todo o período da construção do socialismo e da ditadura do proletariado, de contradições antagônicas entre classes, da burguesia no próprio Partido, da continuação da luta de classes durante todo o período do socialismo até o comunismo.

E como ficou estabelecido desde o início da GRCP: “Embora derrotada, a burguesia ainda trata de recorrer às velhas ideias, cultura, hábitos e costumes das classes exploradoras para corromper às massas e conquistar a mente do povo em seu esforço para restaurar o seu poder. O proletariado deve fazer exatamente o contrário: deve propinar golpes desapiedados e frontais a todos os desafios da burguesia no domínio ideológico e mudar a fisionomia espiritual de toda a sociedade utilizando suas próprias novas ideias, cultura, hábitos e costumes”.

Com o Grande Salto Adiante e o estabelecimento das Comunas Populares em 1957-1958 deu-se um efetivo avanço no desenvolvimento da economia de propriedade coletiva e na revolução socialista, constituindo uma vitória contra o oportunismo de direita no período em que, ao nível internacional, se restaurava o capitalismo na URSS e nos demais países do Leste Europeu.

O Presidente Mao advertiu em 1962: “não esquecer jamais da luta de classes”. Neste mesmo ano, com o Movimento de Educação Socialista, logrou-se dar um novo impulso à luta contra os seguidores do caminho capitalista no campo. Em 1965, a crítica em filosofia e a crítica às expressões artísticas impulsionadas por elementos burgueses e revisionistas no campo da cultura, prepararam o terreno para que em 1966 se lançasse a GRCP. Inicialmente, aqueles que buscaram controlar a aplicação da Revolução Cultural foram elementos revisionistas estabelecidos na alta direção do Partido que, por sua forma de atuar contrarrevolucionária, foram denunciados posteriormente. Gente como o próprio Liu Shao-chi, então Presidente da República Popular da China, seu testa-de-ferro e chefe do Partido em Pequim, Peng Sheng, o membro do Comitê do Partido em Pequim e responsável de propaganda e dos órgãos de imprensa do PCCh e do Estado, Lu Ting-yi, entre outros, maquinavam freneticamente suas posições antipartido e antissocialistas por restaurar o capitalismo.

Neste sentido, a linha do Presidente Mao compreendeu esta questão fundamental: “A sociedade socialista emerge do seio da velha sociedade. Não é fácil liquidar a ideia da propriedade privada formada durante milhares de anos da sociedade de classes, nem a força do costume nem a influência ideológica e cultural das classes exploradoras associadas à propriedade privada. As forças espontâneas da pequena burguesia da cidade e do campo engendram constantemente novos elementos burgueses. À medida que as fileiras dos operários crescem em número e amplitude, infiltram-se alguns elementos impuros. E, depois de conquistado o Poder e vivendo em um ambiente de paz, certo número de pessoas nas fileiras dos quadros do Partido e dos organismos estatais degenera. Ao mesmo tempo, no plano internacional, o imperialismo, encabeçado pelo EUA e os reacionários dos diversos países se esforçam por eliminar-nos empregando a dupla tática contrarrevolucionária: ameaças de guerra e ‘evolução pacífica’. O grupo revisionista contemporâneo, com a direção do Partido Comunista da União Soviética como seu centro, também procura derrotar-nos por todos os meios possíveis. Se nestas circunstâncias esquecêssemos a luta de classes e abandonássemos nossa vigilância, correríamos o perigo de perder o Poder e de deixar que o capitalismo se restaure”.

Sob a direção do Presidente Mao, a diretiva da XI Sessão Plenária do Comitê Central de 8 de agosto de 1966, definiu de forma clara: “A grande revolução cultural proletária que se desenvolve atualmente, é uma grande revolução que chega à alma mesma das pessoas, representa uma nova etapa, ainda mais profunda mais ampla no desenvolvimento da revolução socialista de nosso país (…). Embora derrotada, a burguesia ainda trata de utilizar-se das velhas ideias, cultura, hábitos e costumes das classes exploradoras para corromper às massas e conquistar a mente do povo em seu esforço por restaurar seu Poder”. E que na revolução cultural: “Nosso objetivo atual é esmagar, mediante a luta, aos que ocupam postos dirigentes e seguem o caminho capitalista, criticar e repudiar às ‘autoridades’ reacionárias burguesas no campo acadêmico, criticar e repudiar a ideologia da burguesia e demais classes exploradoras e transformar a educação, a literatura e a arte e os demais domínios da superestrutura que não correspondem à base econômica do socialismo, a fim de facilitar a consolidação e desenvolvimento do sistema socialista”.

Foram as massas de jovens estudantes, em 1966, atiçadas e estimuladas pelo Partido Comunista, com o Presidente Mao à cabeça, as que começaram a crítica de massas e portanto, denunciaram o punhado de revisionistas impenitentes que usurpavam o poder em distintas instâncias do próprio Partido e do Estado. A necessidade da ditadura onímoda do proletariado era imperativa para derrocar ao bando de oportunistas e revisionistas seguidores do caminho capitalista. Não podia ter lugar no Partido e no Estado para elementos burgueses, porém o esmagamento desses indivíduos não era um problema administrativo, senão que passava por ampla mobilização das massas e da crítica que fizessem estas.

Para vencer a oposição dos seguidores do caminho capitalista e pô-los a descoberto, o Partido sob a correta linha revolucionária do Presidente Mao, tinha que apoiar-se nas massas estimulando sua própria iniciativa. Como destacou a diretiva de 8 de agosto de 1966: “Há que confiar nas massas, apoiar-se nelas e respeitar sua iniciativa. Há que perder o ‘temor’. Não se deve temer que ocorram desordens. O Presidente Mao nos disse frequentemente que a revolução não pode ser tão fina, tão moderada, amável e cortês, restrita e magnânima. Há que deixar que as massas se eduquem a si mesmas neste grande movimento revolucionário e aprender a distinguir entre o justo e o errôneo, entre a forma correta de proceder e a incorreta. É necessário lograr uma plena e franca exposição de opiniões fazendo pleno uso dos dazibao e dos grandes debates, de modo que as massas esclareçam os pontos de vista corretos, critiquem os errôneos e desmascarem todos os monstros. Desta maneira, as amplas massas poderão, no curso da luta, elevar seu nível de consciência política, incrementar sua capacidade, distinguir entre o justo e o errôneo e traçar uma clara linha de demarcação entre os inimigos e as mesmas”.

A Grande Revolução Cultural Proletária é o método de mobilizar as massas e fazer que estas lancem todo seu poder criador na crítica aos revisionistas, “é o método para pôr a descoberto todo o obscuro que há no Partido”, dizia o Presidente Mao. No IX Congresso de 1969 citou-se o que o Presidente Mao expôs em uma conversação em fevereiro de 1967: “no passado demos lutas nas zonas rurais, nas fábricas, nos círculos culturais e realizamos o movimento de educação socialista. Entretanto, tudo isto não pôde resolver o problema, porque não havíamos encontrado uma forma, um meio de mobilizar às amplas massas de maneira aberta, em todos os terrenos de cima a baixo para expor nosso lado escuro”.

A forma, o meio, o método foi a crítica de massas. Isto permitiu pôr plenamente em jogo a iniciativa das massas para pôr a descoberto a “pandilha negra” antipartido e antissocialista, seguidora do caminho capitalista, que tinha logrado usurpar parte do Poder. O problema não era somente a destituição de um ou outro dirigente seguidor do caminho capitalista, a grande tarefa consistia em mobilizar as massas e lograr que fossem elas que bombardeassem o quartel general burguês. Isto é ainda mais importante, pois o problema não era só lutar contra uma linha política, a questão também era a luta contra a linha organizativa que Liu Shao-chi havia montado e que lhe permitia ter uma significativa presença em diferentes instâncias estatais e partidárias com seguidores impenitentes do caminho capitalista.

Iniciada entre os setores da juventude, principalmente estudantes, a GRCP imediatamente se propagou entre as amplas massas de operários e camponeses. Aos finais de 1966 a luta de classes se agudiza em Shangai. Em janeiro de 1967 estalou a tormenta revolucionária nesta importante cidade industrial e um grupelho de usurpadores foi derrocado, reconquistando o proletariado o Poder e restabelecendo ali a ditadura proletária. Teve um papel ativo nesses acontecimentos Chang Chung Chiao, ao dar justa direção a essa luta. Os revisionistas instalados no município de Shangai foram derrotados e em fevereiro de 1967 funda-se o Comitê Revolucionário do Município de Shangai como novo órgão de Poder da classe operária, dirigida pelo Partido, concretizado nos Comitês Revolucionários.

Posteriormente, em março de 1967 se avançou no Grande Plano Estratégico para a Grande Revolução Cultural Proletária. O documento é o seguinte: “Parece que se pode distribuir este documento por todo o país para que o aplique de maneira correspondente. O exército deve realizar o treinamento militar e instrução política nas universidades, escolas secundárias e nos cursos superiores das escolas primárias, por etapas e grupos. Deve ajudar a retomar as aulas escolares, consolidar a organização, estabelecer os órgãos de direção de acordo com o princípio da ‘tríplice integração’ e levar a cabo as tarefas de ‘luta-crítica-transformação’. Deve efetuar primeiro, experimentações em lugares determinados e adquirir experiência e divulgá-la logo passo a passo. Além disso, tem que persuadir os estudantes para que sigam os ensinamentos de Marx de que sem emancipar a toda a humanidade, o proletariado não poderá lograr sua emancipação definitiva e que, no treinamento militar e instrução política, não excluam àqueles professores e quadros que tenham cometidos erros. A estes tem que permitir-lhe a participação, com exceção dos de idade avançada e os enfermos, para facilitar sua reeducação. Sempre que não se faça conscienciosamente tudo isto, será difícil solucionar os problemas”.

Por sua vez, no IX Congresso em 1969 sancionou-se como linha fundamental do Partido para toda a etapa histórica do socialismo, questões que o Presidente Mao havia estabelecido em um Pleno do Comitê Central em 1962: “A sociedade socialista cobre uma etapa histórica bastante longa. Durante a etapa histórica do socialismo ainda existem classes, contradições de classes e luta de classes; existem a luta entre o caminho socialista e o capitalista e o perigo da restauração capitalista. É preciso compreender o longo e complicado desta luta e elevar nossa vigilância. É necessário realizar a educação socialista. É necessário compreender e tratar de maneira correta o problema das contradições de classes da luta de classes e distinguir acertadamente as contradições entre nós e o inimigo das existentes no seio do povo tratando-as de maneira correta. De outro modo, um país socialista como o nosso, se converterá em seu contrário, degenerará e se produzirá a restauração. De agora em diante, devemos falar disto cada ano, cada mês e cada dia, de modo que tenhamos uma compreensão relativamente clara desse problema e sigamos uma linha marxista-leninista”.

Sobre a Restauração: lições para o futuro

O golpe contrarrevolucionário que os revisionistas deram contra o Partido Comunista da China, contra o Estado de ditadura do proletariado é uma mostra da agudização que chega a luta de classes na sociedade e a luta de duas linhas no Partido durante o socialismo.  O Presidente Mao, em maio de 1963, ante ao avanço de gente como Liu Shao-chi, com sagacidade assinalou os perigos que esta grave situação apontava:

“Então não demoraria muito, talvez uns quantos anos ou uma década ou várias décadas afinal, para que se produzira fatalmente uma restauração contrarrevolucionária em escala nacional, o partido marxista-leninista se transformaria em partido revisionista ou em partido fascista e toda a China mudaria de cor”.

Mais tarde, em 1966, continuando com este problema advertiu:

“Os representantes da burguesia que se infiltram no Partido, no governo, no exército e nos diferentes setores do domínio cultural constituem um punhado de revisionistas contrarrevolucionários. Se a ocasião fosse favorável, eles arrebatariam o Poder e transformariam a ditadura do proletariado em ditadura da burguesia”.

A ditadura burguesa estabelecida em outubro de 1976 é uma ditadura fascista, e o partido que a dirige é um partido fascista, só oportunistas e revisionistas continuam chamando partido comunista o engendro que governa a China hoje. Sobre isto advertiu novamente o Presidente Mao em 1976:

“Nunca deixei de crer que na China existe a possibilidade de uma restauração do capitalismo em larga escala. À escala de todo o país. Se esta restauração ocorre, as coisas não serão boas. Voltarão os sofrimentos, porém também voltará inevitavelmente a revolução”.

Assinala em uma carta do mesmo ano que envia à camarada Chiang Ching. Citamos um fragmento:

            “Na luta dos passados dez anos

            Fiz uma tentativa de alcançar a cúspide da revolução,

            Porém fracassei…

            Talvez tu possas alcançar este cume

            Se fracassas cairás num abismo insondável,

            teu corpo se fará em mil pedaços, 

            teus ossos se quebrarão.

            Nenhum acordo com outros é bom.

Se a espada se volta, e eu creio que se voltou

contra a revolução. Uma vez mais será necessária

a guerra de guerrilha… de novo Yenan…”

Por último, também em palavras à camarada Chiang Ching:

“Na China, desde que o imperador foi derrubado em 1911, nenhum reacionário tem sido capaz de manter-se por muito tempo no poder. Se a direita leva a cabo um golpe de Estado anticomunista na China, estou certo que não conhecerá tampouco a paz e muito provavelmente sua dominação terá vida curta, já que isto não poderá ser tolerado por nenhum dos revolucionários, que representam os interesses do povo, constituído por mais de 90% da população”. Conclusão as perspectivas são brilhantes, porém o caminho é tortuoso. Estas duas formulações continuam sendo válidas.

É importante destacar que tudo isto ocorre no período que assinala o Presidente Mao como dos ‘próximos 50 a 100 anos’ em que será derrocado o domínio do imperialismo, época da maior decomposição do imperialismo e na qual será varrido da face da terra pela revolução proletária mundial. Importante tese para esfregar na cara de oportunistas e revisionistas na atualidade.

O Partido Comunista da China, sua construção e a luta de duas linhas durante a GRCP

Em 1974 publicou-se na China o folheto Uma compreensão fundamental do Partido. Neste importante documento, o PCCh faz um balanço sobre a experiência do Partido e seu papel na GRCP; também sintetiza sobre o programa fundamental e a linha fundamental do partido, a construção do partido, a luta de duas linhas e as tarefas da educação e reeducação dirigidas por este. Este folheto é uma exposição mais desenvolvida dos princípios que estabelecem o que deve ser um autêntico partido comunista e cuja mais consequente aplicação foi realizada pelo Presidente Gonzalo, desenvolvendo a teoria marxista sobre o partido com as teses de militarização e construção concêntrica.

No dito folheto se expõe acerca do reflexo da luta de classes no partido como luta de duas linhas, ora alta, ora baixa como uma maré; destaca-se a importância das dez grandes lutas de duas linhas travadas no Partido Comunista da China, incluindo as lutas contra Liu Shao-chi e Lin Piao, não cabendo dúvida que faltou desatar outras mais. Contra Chen Po-ta e Teng Siao-ping travou-se uma luta de duas linhas porém, finalmente aproveitando uma correlação de forças favorável, estes aproveitaram bem suas forças para golpear à esquerda e converter o Partido em um partido fascista.

A GRCP, a crítica de massas a Lin Piao, o movimento de retificação do estilo de trabalho, iniciado e dirigido pelo Presidente Mao, puderam conter e aplastar a ofensiva contrarrevolucionária que Lin Piao e Liu Shao-chi tentaram impulsionar para mudar o caráter do Partido e restaurar o capitalismo. Indubitavelmente o Partido depurou-se. Contudo, para avançar à sociedade sem classes não eram suficientes uma, duas ou três revoluções. Senão muito mais. Durante a GRCP, a luta de duas linhas no seio do Partido Comunista da China alcançou níveis nunca antes vistos, entregando enormes lições às gerações revolucionárias posteriores. O mesmo folheto Uma compreensão fundamental do Partido sustentava:

“A luta de duas linhas dentro do Partido sobre a questão do caráter (de classe) tem sido sempre muito aguda. Todos os líderes das linhas oportunistas sempre têm tratado por todos os meios de perverter o caráter do partido político do proletariado, com a finalidade de servir a sua própria criminosa meta de sabotar a revolução proletária (…) A Grande Revolução Cultural Proletária e o movimento de crítica a Lin Piao e retificação do estilo do estilo de trabalho iniciado e dirigido pessoalmente pelo Presidente Mao, aplastaram completamente os criminosos complôs de Liu Shao-chi e Lin Piao para mudar o caráter de nosso Partido e restaurar o capitalismo. Nosso Partido saiu depurado, mais sólido e mais vigoroso que nunca. A luta entre as duas linhas dentro do Partido demonstra profundamente que salvaguardar o caráter do partido é uma questão de grande importância. Está intimamente relacionada com o destino do Partido e do Estado e com a questão de se a revolução logrará a vitória ou cairá na derrota. Construir continuamente nosso Partido, utilizar o marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsetung, desmascarar e frustrar os complôs dos revisionistas para perverter o caráter do Partido – isto dará a garantia de que nosso Partido sempre conservará seu caráter proletário”.

Alguns dos problemas desta luta de duas linhas que se desenvolveu no seio do Partido Comunista da China e na sociedade chinesa foram: o manejo da luta de duas linhas mesma; o deficiente tratamento dos dois tipos de contradições – entre nós e o inimigo e no seio do povo – que deixou campo aberto aos revisionistas; ausência de um novo e firme impulso à GRCP após a tentativa do golpe de Lin Piao, os “ventos desviacionistas de direita” e os distúrbios semeados por Teng Siao-ping em 1975 e 1976 durante os funerais de Chu En-lai, etc.. A linha revisionista teve amplo campo para desenvolver-se.

A luta de duas linhas teve avanços importantes, porém revisionistas renomados como Teng Siao-ping e sua camarilha encontraram o momento propicio para acirrar as contradições no seio do povo e tomar o Poder mediante um golpe de Estado fascista, deixando em evidência problemas não resolvidos pela revolução. Uma das questões principais é a insuficiente aplicação da linha militar proletária com relação à questão do mar armado de massas, que veio expressar-se na passagem de maiores atribuições às milícias populares, como maior controle sobre o EPL, pois era relativamente fácil de usurpar devido a sua centralização. O Presidente Gonzalo, compreendendo a questão e aportando à linha militar proletária – isto é, à guerra popular – planteou a necessidade da construção concêntrica dos três instrumentos da revolução e a necessidade de integrar a milícia popular ao exército revolucionário com a finalidade de conjurar a restauração capitalista, apontando com isto ao mar armado de massas.

Como o definiu o Presidente Gonzalo, o fundamental do maoísmo é o Poder, isto é “o Poder para o proletariado, o Poder para a ditadura do proletariado, o Poder baseado em uma força armada dirigida pelo Partido Comunista. Mais explicitamente: 1) O Poder sob direção do proletariado na revolução democrática; 2) O Poder para a ditadura do proletariado, nas revoluções socialistas e culturais; 3) O Poder baseado em uma força armada dirigida pelo Partido Comunista, conquistado e defendido mediante a guerra popular” e o medular da guerra popular é o novo Poder. Portanto, ao ser marxistas-leninistas-maoístas, ao pugnar por desenvolver a guerra popular, devemos aplicar a partir dos avanços alcançados na construção do novo Poder durante a GRCP, que tem como um elemento substancial o sistema dos “três terços”. No Nepal não se aplicou isto, senão que se incorporou a representantes dos partidos da burguesia burocrática e dos latifundiários no que chamaram “novo poder” resultando num castelo de cartas. É um tema para estudar e debater visando o aprofundamento de nossa compreensão do marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo. Esta é uma questão da qual todos os partidos e organizações devemos prestar suma atenção, seja qual seja nosso grau de desenvolvimento. Dado que o fundamental no maoísmo é a construção do novo Poder, seja em forma atuante ou em perspectiva, é também fundamental para nossa compreensão da construção dos três instrumentos da revolução e nos permite entender melhor a necessidade da construção concêntrica e como manejá-la.

Assim, tomando a experiência da GRCP, podemos entender a necessidade de desenvolver a guerra popular até o Comunismo. O Presidente Gonzalo nos ensina: “Sem um exército popular nada terá o povo, disse o Presidente Mao que por sua vez nos ensina sobre a necessidade da direção absoluta do Partido sobre o exército afirma seu grande principio: O Partido manda no fuzil e jamais permitiremos o contrário. Além de estabelecer cabalmente os princípios e normas da construção de um exército de novo tipo, o mesmo Presidente chamou a conjurar o uso do exército para a restauração capitalista usurpando a direção mediante um golpe contrarrevolucionário e desenvolvendo as teses de Lenin sobre a milícia popular levou mais adiante que qualquer um, o armamento geral do povo, abrindo a picada e indicando o caminho para o mar armado de massas que nos guiará à emancipação definitiva do povo e do proletariado”. Da maneira como o Presidente Mao instruiu à camarada Chiang Ching, assim é como devemos entender o papel dos comunistas: desenvolver a guerra de guerrilhas – de forma concreta, a guerra popular – se os revisionistas usurpam o Poder.

Enquanto existir classes, haverá luta de classes, porque assim se concretiza a lei da contradição na sociedade de classes; a forma mais alta de resolver as contradições na sociedade de classes é a guerra e por isto, até que toda a humanidade entre ao comunismo sempre haverá a necessidade da guerra popular. Estudando a GRCP, entendemos mais profundamente a onipotência da guerra revolucionária, isto é, a guerra popular, o maoísmo e como aplicá-lo. Todas estas são lições da luta de classes na GRCP.

Os ziguezagues que enfrentou o partido em sua luta interna nesse período nos confirmam também a justeza e vigência da tese que o revisionismo é o perigo principal.

Se por um lado, a luta de duas linhas alcançou níveis de agudização e antagonismo que desembocaram finalmente na destruição do Partido e sua transformação em partido fascista, distinto e oposto ao proletariado, por outro lado tivesse sido impossível alcançar as alturas que a Grande Revolução Cultural Proletária alcançou sem essa aguda luta de duas linhas dirigidas pelo Presidente Mao e a esquerda do Partido. Não se pode escamotear o papel do Partido Comunista da China e do Presidente Mao na direção desta estremecedora segunda revolução, sem que com isto se escamoteie por sua vez a elevação do pensamento Mao Tsetung a uma nova, terceira e superior etapa do marxismo, o maoísmo.

Continuadores da Revolução

Outra questão a qual o Presidente Mao deu grande importância foi a preparação dos continuadores da causa revolucionária do proletariado. Considerada uma tarefa estratégica pelo Partido, a ela dedicaram ingentes esforços os principais quadros revolucionários deste. À respeito disse o Presidente Mao:

“Em última instância, a questão de preparar os continuadores para a causa revolucionária do proletariado é a questão de se haverá ou não pessoas que possam levar a cabo a causa revolucionária marxista-leninista iniciada pela velha geração de revolucionários proletários, de se a direção do nosso Partido e Estado permanecerão ou não nas mãos de revolucionários proletários, de se nossos descendentes continuarão ou não marchando pelo caminho correto estabelecido pelo marxismo-leninismo ou em outras palavras, se podemos ou não impedir com êxito o surgimento do revisionismo krushovista na China. Em resumo é uma questão sumamente importante, uma questão de vida ou morte para nosso Partido e para nosso país. É uma questão de fundamental importância para a causa revolucionária proletária durante, cem, mil ou inclusive dez mil anos”. 

A GRCP hoje

O significado da GRCP não está simplesmente em reconhecê-la como a luta contra a restauração na época da ditadura do proletariado e da construção socialista, além de que planteia o problema da transformação ideológica, de mudar a alma das pessoas. Não basta, e não porque isto seja incorreto, senão porque devemos desenvolver a compreensão do maoísmo em relação à questão da luta de duas linhas, isto significa reconhecer a linha do Presidente Mao sobre a validade universal da guerra popular, desenvolvida pelo Presidente Gonzalo na tese de ‘guerra popular até o comunismo’ e, em consequência, entender a GRCP tomando a linha maoísta e não a partir das posições conciliadoras.

Em 1963 destampou-se a Grande Polêmica. No curso desta luta foi publicada a Carta de 25 Pontos e os Nove Comentários, que expuseram com nitidez a natureza do revisionismo contemporâneo, o nefasto papel de Nikita Krushov na restauração capitalista na URSS em 1956 e sua traição ao MCI. Alguns desconheceram o feito pelo PCCh e pelo Presidente Mao, desconhecendo por sua vez a GRCP, seus avanços, em especial o desenvolvimento do marxismo a uma nova, terceira e superior etapa.

Defender a GRCP é assumir o maoísmo como nova, terceira e superior etapa do marxismo, em luta de duas linhas no seio do MCI, como luta de classes nos terrenos ideológico e político, por constituir e reconstituir, segundo corresponda, partidos comunistas militarizados para desencadear guerra populares em todo o mundo e impor o maoísmo como mando e guia da revolução proletária mundial, impulsionando a nova grande onda da revolução proletária mundial.

Viva o 50° Aniversário da Grande Revolução Cultural Proletária!

Varrer o revisionismo e todo o oportunismo!

Viva o marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente maoísmo!

 

Partido Comunista do Brasil (Fração Vermelha)

Partido Comunista do Equador – Sol Vermelho

Movimento Popular Peru (Comitê de Reorganização)

Fração Vermelha do Partido Comunista do Chile

Frente Revolucionária do Povo da Bolívia MLM

Organização Maoísta pela Reconstituição do Partido Comunista da Colômbia

Comitê Bandeira Vermelha – Alemanha

 

Adesões:

 

 

 

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